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sábado, 6 de setembro de 2025

MOTIVASCÃO 1981: TORCIDA MOTIVASCÃO COMEÇA A BRILHAR

Fundada há pouco mais de um ano, a Motivascão já conseguiu entrar para o rol das grandes torcidas mais assíduas aos confrontos em que o Vasco da Gama tomar parte.

São ao todo 150 integrantes, uniformizados, com as mensalidades pagas em dia. São vascaínos que desde cedo chegam ao Maracanã trazendo suas bandeiras e peças de bateria que irão tremular e harmonizar-se com o coro do grande público em mais uma jornada vascaína.

ROCHA MIRANDA

Em 10 de Junho de 1979, data lembrada com grande carinho por seu fundador e Chefe, Carlos César, a Motivascão fazia sua estreia oficial. Para que todas as atenções estivessem voltadas para o acontecimento, César partiu para a divulgação nos meios de comunicação da pequena festa que eles iriam organizar.

Tudo correu como desejado e assim nascia a torcida Organizada de Rocha Miranda.

De lá pra cá, foi crescendo e se dinamizando. Hoje, a Motivascão aluga ônibus que levam os integrantes e os acessórios da torcida para o Estádio. Desde cedo, eles já se posicionam no Maracanã colocando suas faixas e afinando seus instrumentos para melhor incentivar o seu time.

Recentemente, a Motivascão trocou sua diretoria. O Presidente é o mesmo, unanimemente eleito, mas nos demais cargos houve alteração. Segundo Carlos César, Presidente e Chefe, “essa diretoria é muitas vezes mais atuante do que a anterior. A dedicação em uma Torcida Organizada é o fator mais importante.

Em Torcida não se ganha dinheiro, só se perde. Eu por exemplo, já sai de emprego por causa das minhas frequentes fugidas, devido a Torcida.”

NAS PÁGINAS

Um caso curioso para César, que fez questão de contar, aconteceu logo depois da fundação.

Nós estávamos com uma faixa novinha e íamos para um jogo no Estádio do Vasco. Ao meu lado, foi um amigo com quem tive que insistir muito para ir a São Januário, acabando por conseguir, com o argumento de que a faixa ia aparecer no jornal, o que daria uma maior divulgação para a nossa Torcida. No entanto, o Vasco, apesar de estar vencendo por 4 a 0, ainda não havia marcado gol do lado em que fecha a arquibancada. Faltando 10 minutos para terminar a partida, meu amigo insistiu para começasse a retirar a faixa sendo imediatamente repudiado por mim. Pouco depois o Vasco marcaria o seu quinto tento e único do segundo tempo”. Prosseguiu.

Continua ele, “em meio a alegria do gol, começou a chover forte e com o nó cego que tinha dado nas amarras da faixa, nós tivemos que nos molhar um bocado para soltá-la das grades.

Meu amigo me xingou um bocado, mas no dia seguinte a faixa das Motivascão estava nas páginas esportivas de todos os jornais do Rio.”

Mas isso não tira o ânimo da Torcida. Afinal, quando se uniram já sabiam o que iriam acontecer pela frente. E as vitórias do Vasco estão ai mesmo para compensar o esforço dessa rapaziada.

Segundo o próprio nome do grupo, o que não vai faltar nunca é exatamente a motivação que a tem caracterizado em sua curta, mais significante existência.

Fonte: Jornal do Vasco 1981, Centro de Memória CRVG

Motivascão Jornal do Vasco 1981

Motivascão Jornal do Vasco 1981

Motivascão Jornal do Vasco 1981

terça-feira, 21 de março de 2017

NATIVASCO 1981: FUNDAÇÃO

Em nome da diretoria da Nativasco, Torcida Organizada do Vasco da Gama em Natividade RJ, solicito a especial fineza de que seja divulgado na Coluna Bate Bola deste conceituado Jornal, assiduamente lido pela grande massa cruzmaltina aqui de Natividade, o seguinte texto:
Pela primeira vez nos dirigimos a essa coluna, no sentido de fazer ciente a enorme massa de torcedores do Vasco da Gama em Natividade, extremo norte do Estado do Rio, mais uma força para impulsionar o nosso querido Clube as grandes conquistas. A reunião para fundação de nossa Torcida se deu no dia 30 de Setembro de 1981, na casa do Vascaíno Dario Daniel, sendo escolhido para padrinho o nosso querido ídolo e atual artilheiro do Brasil, Roberto Dinamite, cujo batismo será feito no Maracanã ou então mais provavelmente em Campos, tão logo o Vasco venha jogar nesta cidade.
A Diretoria da Nativasco ficou assim composta, depois de aprovada por todos:
Presidente de Honra: Elgem França de Avelar
Presidente: Dario Daniel
1º Vice Presidente: Francisco Edson de Rezende
2º Vice Presidente: Carlos Werneck Tinoco
1º Tesoureiro: José Carlos Luquetti
2º Tesoureiro: Joaquim José de Castro
1º Secretário: Dagoberto Carmo Cordeiro
2º Secretário: Carlos José Abreu Oliveira
Diretor de Propaganda: Geraldo Rodrigues Pereira
Diretores Gerais: Celso Luíz de Almeida, Lúcio Meira, Carlos Magno de Oliveira, Sebastião Barreto Lima, Albino Antônio da Silva Netto, João Batista Pizano Vieira, Plínio Barroso Medeiros Alves, Paulo Roberto Borcard da Fonseca, Altivo Neves Nogueira, Cléber Garcia Lenso da Silva e José Antônio da Silva Netto.
Dagoberto Cordeiro, Natividade RJ
Fonte: Coluna Bate Bola do Jornal dos Sports 11 de Outubro de 1981

Nativasco Jornal dos Sports 1981

Nativasco São Januário 1982





domingo, 19 de março de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1981 DO PIQUETE AO PIQUET

                “Perigo: não fumem. Dinamite em campo”                                                                                               Concurso de frases promovido pelas Torcidas do Vasco
      
1981                       Do piquete ao Piquet
O nome de Lamartine Babo estará sempre ligado ao futebol de todos os clubes cariocas. Embora o compositor fosse fervoroso torcedor do America, ele foi o responsável, em 1944, por fazer o hino não oficial de todos os 12 times cariocas da época. Em homenagem a esta grande figura da música popular, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, apresentou como enredo principal a obra do compositor de memoráveis músicas e marchinhas. Com o samba-enredo "O Teu Cabelo Não Nega - Só Dá Lalá", centenas de torcedores desfilaram pela escola.
            Um passo importante na reivindicação dos torcedores veio em maio com a criação da ASTORJ (Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro). Entre as principais metas da nova entidade estava o controle do preço dos ingressos. Com a inflação galopante desde 1979, os torcedores estavam preocupados com o aumento excessivo dos valor dos ingressos, acima dos índices da inflação. A atuação da ASTORJ expressava o sentimento geral  de que o espetáculo esportivo não poderia ser decidido apenas entre os dirigentes dos clubes e da federação carioca de futebol.
            Um dos frutos da criação da ASTORJ foi a greve geral promovida pelas torcidas em junho, nas reivindicações outros assuntos entravam na pauta de lutas: as fraudes e denúncias de corrupção em diversas partidas de futebol. Neste período a imprensa deu voz aos torcedores e fez inúmeras reportagens que confirmavam as denúncias. É inegável que, neste período, a ASTORJ, assume um compromisso de ser uma organização popular voltada para transformar o futebol e combater o elitismo dos dirigentes esportivos.  A reportagem esclarece o objetivo da 1ª reunião: “A Associação das Torcidas Organizadas (ASTORJ) vai realizar sexta feira sua primeira reunião, na Sede da FUGAP e na segunda sua Diretoria irá a reunião do Conselho Arbitral, na Federação, para exigir a redução dos preços dos ingressos no Maracanã e outros Estádios. A Chefe da Renovascão, Dulce Rosalina, Relações Públicas da Associação, disse que os torcedores promoverão um boicote total aos jogos se não for atendido seu pedido”.
            Alguns meses depois algumas divergências internas começam a aparecer e os líderes não conseguem unificar o seu discurso e a sua prática: “como consequência das denúncias sobre corrupção no futebol, a ASTORJ (Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro), resolveu protestar nas partidas deste fim de semana, colocando suas faixas nos Estádios pelo avesso. A finalidade é demonstrar o repúdio do torcedor aos fatos denunciados e exigir a apuração rigorosa do caso, segundo um dos membros da Diretoria, Eli Mendes da Força Jovem. A manifestação com as faixas não conta com o apoio da Vice Presidente da Associação e Chefe da Renovascão, Dulce Rosalina, que  considera não haver motivo para desprestigiar clubes e jogadores não envolvidos em denúncias e promete colocar suas faixas no Maracanã normalmente amanhã”.
            Não era só acompanhando o futebol que os vascaínos vibravam no ano de 1981. As alegrias começava pelas manhãs dos domingos acompanhando as vitórias do piloto de Fórmula 1, Nelson Piquet, um vascaíno convicto. Em diversas reportagens o ídolo fazia questão de ressaltar o amor ao clube de seu coração. Por exemplo, em entrevista a Revista Placar em maio, Nélson comemorava a vitória na corrida em  San Marino dizendo que sua alegria só não era completa porque o Vasco havia sido eliminado do Campeonato Brasileiro. Dulce Rosalina ouviu esta entrevista na rádio e logo providenciou o envio de uma camisa do Vasco ao piloto. Piquet gostou, vestiu-a e desfilou com ela nos boxes do GP da Bélgica. A festa vascaína com seu idolo das pistas ficou completa com o seu primeiro título mundial em 1981.
            Indiscutivelmente as maiores emoções do ano ficaram reservadas para as últimas partidas de 1981 quando o clube disputou uma série de três partidas finais contra o Flamengo. O clube rival tinha uma  grande vantagem pois precisava de um simples  empate nas duas primeiras partidas para ficar com o título. No primeiro jogo a maioria da torcida no Maracanã ficou do lado adversário. Entretanto, os dois gols de Roberto fizeram a festa da torcida vascaína calar os rubro-negros.
            Para a segunda partida, os vascaínos prometiam dividir as arquibancadas: “ontem, grande movimentação por parte dos Chefes das Facções da Torcida Vascaína e todos obviamente animados com o sucesso do time. Mas no domingo, a tarefa de torcer não foi das mais fáceis. Eli, Chefe da Força Jovem, contou um lance pitoresco. “Conseguimos 5 mil bolas de aniversário para soltar no Maracanã. Chegamos lá as 11 horas e ficamos até as 15 horas enchendo. Trinta caras para encher tantas bolas, acabou não dando tempo. Ficamos cansados, enchemos apenas 1 mil 500 e mesmo assim fomos mais entusiasmados do que o Flamengo. Para amanhã, papéis picados e as bolas já estão providenciados”[1].
            O segundo jogo teve novamente a vitória do Vasco, dessa vez com um sabor especial com um gol de Roberto nos minutos finais quando os flamenguistas já comemoravam o título. A empolgação dos vascaínos com o momento era nítida e não faltaram provocações: “muitos torcedores lamentaram ontem em São Januário o fato de o Presidente da Federação Otávio Pinto Guimarães, não ter permitido que os ingressos do jogo fossem impressos com as cores dos Clubes . Iriam segundo eles, provar que a Torcida do Vasco é a maior do país”[2].
            A cidade do Rio de Janeiro parou para acompanhar a terceira e última partida da decisão. De um lado estavam os vascaínos, entusiasmados com o crescimento do poder de reação de seu time na reta final. Do outro lado, estavam os rubro-negros preocupados com um terceiro fracasso e a repercussão que isto poderia trazer para o time que disputaria a final do mundial interclubes no Japão, na semana seguinte. A verdade é que o título foi decidido dentro e fora do gramado. Em campo o Flamengo iniciou bem a partida e fez logo dois gols. No segundo tempo, o time do Vasco se reencontrou e reagiu pressionando até marcar o gol nos 10 minutos finais. A partir daí “a torcida rubro-negra que cantava “vou festejar”, sucesso na voz de Beth Carvalho, emudeceu. Animado, o time de São Januário passou a pressionar, quando surgiu em pleno gramado um personagem que passou a fazer parte do folclore do futebol carioca: Roberto Ladrilheiro” (Assaf e Martins, 1999, p.70).
            Até hoje a história da invasão do torcedor da geral não foi bem explicada. E a versão que ficou foi a oficial. O que de fato aconteceu foi uma vergonha e mostrou que os rubro-negros haviam se preparado para ganhar aquele jogo de todas as maneiras. Muitas pessoas afirmam que o Ladrilheiro não saiu da geral e sim do banco de reservas do Flamengo.
            Em seu depoimento para o livro de Hilton Mattos, Heróis do Cimento, o torcedor diz que o técnico Paulo Cesar Carpegiani lhe deu sinal verde para ele entrar, dizendo “vai, vai”. Como um técnico falaria para um desconhecido para entrar em campo e tumultuar o jogo? O Ladrilheiro “atendeu o  pedido do treinador. Cruzou o campo como uma flecha, atrapalhou a cobrança de falta de Dinamite (...) lá do alto a torcida do Flamengo gritava histérica, saudando seu representante invasor” (Mattos, 2007, p.89). E assim se passaram alguns minutos que esfriaram a reação vascaína.
            Nenhum cruzmaltino engoliu aquele título naquelas circunstâncias e o silêncio da imprensa apenas confirmava como esta estava comprometida em assegurar “o resultado do time inesquecível”. A resposta do Almirante veio ao longo de toda a década com inúmeras vantagens para a nossa agremiação.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Jornal do Brasil 01 de dezembro de 1981.
[2] Fonte: Jornal o Globo 02 de Dezembro de 1981

Vasco Jornal O Globo 1981

Vasco Revista Placar 1981

terça-feira, 30 de agosto de 2016

PEQUENOS VASCAÍNOS 1981: PEQUENOS VASCAÍNOS ANIVERSÁRIO DE 6 ANOS

Pequenos Vascaínos chaveiro 6 anos blog Almanak do Vasco 1981

Pequenos Vascaínos chaveiro 6 anos blog Almanak do Vasco 1981

Pequenos Vascaínos festa de 6 anos 1981

sábado, 27 de agosto de 2016

FORÇA JOVEM, TOV, RENOVASCÃO, VASPANEMA 1981: TORCIDAS ORGANIZADAS COLOCAM FAIXAS NOS JOGADORES

No dia 04 de Outubro de 1981, as Torcidas Organizadas colocaram as faixas nos jogadores do Vasco, Campeão Invicto do 2º Turno, em São Januário no jogo Vasco 3 x 0 Serrano, válido pelo 3º Turno do Campeonato Carioca de do Futebol de 1981.” Revelou Sérgio Zagnoli fundador da Torcida Vaspanema.
Na foto do acervo de Poncinho: 1 - Vaspanema (Regina), 2 - Vasconçalo, 3 - TOV (Paulo de Castro), 4 - Motivascão, 5 - Renovascão, 6 - Força Jovem (Sueli Araujo), 7 - Feminina Camisa 12, 8 - Feminina Camisa 12 (Iara Vargas), 9 - Vaspavuna, 10 - Vaspavuna, 11 - Motivascão, 12 - Vasco Real (Diamantino), 13 - Vascocota (Kátia), 14 - Furacão da Colina, 15 - Vasconjunto, 16 - Vasguaçu, 17 - Vasconjunto, 18 - Força Jovem (Eli Mendes), 19 - TOV (Amâncio César), 20 - Pequenos Vascaínos (Laerte), 21 - Pequenos Vascaínos (Zeca), 22 - Vaspanema (Solange), 23 - Vasbicão, 24 - Vasbicão, 25 - Vasco Raça, 26 - Vasco Raça, 27 - Vascoelho (Eduardo), 28 - Renovascão (Dulce Rosalina), 29 - x

Torcidas Organizadas do Vasco São Januário 1981


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

FORÇA JOVEM 1981: FORÇA JOVEM NO CARNAVAL DA IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Ele não é esportista, mas seu nome está diretamente ligado ao futebol, pois compôs os hinos de nada menos que 11 clubes cariocas, incluindo os quatro grandes. O compositor Lamartine Babo foi tema da Imperatriz Leopoldinense em 1981, com o enredo "O Teu Cabelo Não Nega - Só Dá Lalá", em referência a uma das marchinhas de carnaval de sucesso composta por ele. O refrão do samba era "Neste palco iluminado / Só dá lalá / És presente imortal / ó dá lalá / Nossa escola se encanta / O povão se agiganta / É dono do carnaval". Apaixonado por futebol e carnaval, Lamartine soube retratar em suas músicas com humor refinado e irreverência estes dois mundos bem diferentes e ao mesmo tão próximos. Não é à toa que a escola de Ramos foi a grande campeã do carnaval carioca naquele ano. 

As principais Torcidas Organizadas dos Clubes do Rio participaram do desfile na Ala “Lalá do Futebol”, a Força Jovem estava presente com seus componentes e duas grandes bandeiras.

Força Jovem Carnaval na Imperatriz Leopoldinense 1981

Força Jovem Carnaval na Imperatriz Leopoldinense 1981

Força Jovem Carnaval na Imperatriz Leopoldinense 1981

Força Jovem Carnaval na Imperatriz Leopoldinense 1981

Força Jovem Carnaval na Imperatriz Leopoldinense 1981
Vasco Jornal dos Sports 1981

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

FORÇA JOVEM, RENOVASCÃO E ASTORJ 1981: DENUNCIAS DE CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

Como conseqüência das denúncias sobre corrupção no futebol, a ASTORJ (Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro), resolveu protestar nas partidas deste fim de semana, colocando suas faixas nos Estádios pelo avesso. 
A finalidade é demonstrar o repúdio do torcedor aos fatos denunciados e exigir a apuração rigorosa do caso, segundo um dos membros da Diretoria, Ely Mendes da Força Jovem. 
A manifestação com as faixas não conta com o apoio da Vice Presidente da Associação e Chefe da Renovascão, Dulce Rosalina, que não considera não haver motivo para desprestigiar Clubes e jogadores não envolvidos em denúncias e promete colocar suas faixas no Maracanã normalmente amanhã.
Fonte: Jornal do Brasil 31 de Outubro de 1981

Força Jovem, Renovascão e ASTORJ Jornal do Brasil 1981

RENOVASCÃO E ASTORJ 1981: 1ª REUNIÃO

A Associação das Torcidas Organizadas do Estado do Rio de Janeiro (ASTORJ) vai realizar sexta feira sua primeira reunião, na Sede da FUGAP e na segunda feira sua Diretoria irá a reunião do Conselho Arbitral, na Federação, para exigir a redução dos preços dos ingressos no Maracanã e outros Estádios.
A Chefe da Renovascão, Dulce Rosalina, Relações Públicas da Associação, disse que os torcedores promoverão um boicote total aos jogos se não for atendido seu pedido.
Fonte: Jornal do Brasil 03 de Junho de 1981

Renovascão e ASTORJ Jornal do Brasil 1981

TOV e Renovascão 1981

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

FORÇA JOVEM 1981: A CRIAÇÃO DA ASTORJ

É criada a Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (ASTORJ), fruto de uma tentativa de maior entrosamento e de uma abertura para o diálogo entre os representantes das Torcidas de times rivais, a congregação dos interesses comuns dos torcedores em geral e das Torcidas Organizadas, em particular, sob o lema geral estampado no símbolo de sua camisa: “Congregar, Congraçar, Unir”. 
Este movimento foi desencadeado pelos líderes das principais Torcidas do Rio de Janeiro: Cláudio Cruz e Roberto Branco da Raça Rubro Negra; Eli Mendes da Força Jovem do Vasco; Niltinho da Torcida Jovem do Flamengo; Seu Armando da Young-Flu; Russão da Torcida Folgada do Botafogo, entre outros. 
Foi uma tentativa de agrupamento em torno de interesses comuns. 
Entre 1981 e 1984, torcedores fazem piquetes e boicotes pela redução do preço dos ingressos, entre outras reivindicações. 
Mas no fim da década a violência urbana explode e o futebol acompanha isso. 
Latente e difusa durante certo tempo entre os torcedores, a idéia seria materializada e concretizada em 1981, por iniciativa de Armando Giesta, então líder da Torcida do Fluminense, a Young-Flu. 
Ao todo, a Associação contaria com cerca de quinze anos de existência.
Seu primeiro Presidente seria o próprio idealizador, que ficaria à sua frente entre 1981 e 1983. 
Em seguida, ela seria comandada por Wilson Amorim, da Bancica, uma Torcida Organizada do Bangu, indo de 1984 a 1986. 
Dentro da rotatividade prevista para as lideranças segundo a diversidade de Torcidas de cada Clube, o Presidente seguinte foi Roberto Branco, da Raça Rubro-Negra, que presidiu a ASTORJ entre 1987 e 1989. 
Sem passar pelas lideranças de Torcida de Vasco e Botafogo, que viam com reservas a entidade, o comando retornou a Armando Giesta e durou até meados da década de 1990, quando a entidade foi dissolvida, em meio à falta de representatividade e à incapacidade de sanar o principal estigma que acometia e pesava sobre as Torcidas Organizadas: as rixas, as brigas, os confrontos, numa palavra, a violência. 
Vale dizer que uma associação similar existiu em São Paulo, tendo sido lançada cinco anos antes (1976) que no Rio de Janeiro. 
A instituição da ATOESP (Associação das Torcidas Organizadas do Estado de São Paulo) remonta suas origens ao final da década de 1970. 
Ela foi Presidida de início por Flávio de La Selva, fundador dos Gaviões da Fiel, embora pouco se saiba acerca de seu funcionamento. 
No caso das Torcidas cariocas, o propósito e a justificativa imediata para a sua criação foram a reivindicação de um assento e do direito a voto no Conselho Arbitral da Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ), então sob gestão de Otávio Pinto Guimarães, a fim de influenciar no processo decisório sobre uma polêmica questão e muito concreta na época: o preço dos ingressos. 
ASTORJ abrangia ainda o controle sobre a distribuição das credenciais aos Chefes de Torcida, até então concedida diretamente a cada Líder, para a entrada gratuita nos jogos, e a solicitação de uma Sala para a entidade nas dependências do complexo do Estádio do Maracanã – além das Salas já existentes, restritas a uma por Clube –, medidas cuja autorização competia por seu turno à SUDERJ e, portanto, ao Governo do Estado. 
“A princípio fui contra a criação da ASTORJ, a Associação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro, concebida por seu amigo Armando Giesta, e admite que participou muito pouco da entidade. A sede funcionava no Maracanãzinho, com reuniões às segundas-feiras à noite. A associação não decidia nada, apenas deliberava quem teria direito às credenciais. Foi centralizadora e, a seu ver, tirou força das pessoas efetivamente ligadas às torcidas organizadas. As greves das Torcidas contra o aumento dos ingressos ocorreram, foi um movimento geral de união, mas não passaram de maneira exclusiva pela ASTORJ”. Disse Sérgio Aiub da Torcida Jovem Flu.
Fonte: "O Clube Como Vontade e Representação, O Jornalismo Esportivo e a Formação das Torcidas Organizadas do Futebol do Rio de Janeiro" de Bernardo Borges Buarque de Hollanda da Editora 7 Letras.

Fundada em 16 de junho de 1981, como Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro – ASTORJ, a mesma foi idealizada por torcedores ilustres e grandes baluartes das arquibancadas cariocas. E tiveram como missão manter um diálogo democrático entre todas as torcidas organizadas e propagar uma voz única em prol dos direitos dos torcedores.
Contudo, a ASTORJ foi dissolvida no em 1993, quando foi extinta por falta de representatividade e em razão do recrudescimento das brigas e da inimizade entre os componentes dos grupos rivais.
No entanto, durante pouco mais de uma década, essa entidade manteve reuniões semanais regulares, sempre às segundas-feiras, no Maracanã. Entre outras conquistas, a ASTORJ obteve o direito a vinte e três salas dentro do Estádio Mário Filho e promoveu rodadas de negociação com o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), à época o Sr. Otávio Pinto Guimarães. Em parceria com a ASTORJ, a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro concebeu em 1991 a criação do GEPE, o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, que se tornou hoje uma referência para a polícia em termos nacionais. Além disso, a ASTORJ protagonizou greves e boicotes contra o aumento do preço dos ingressos, em um momento histórico da vida brasileira em que a inflação corroía, dia a dia, semana a semana, o salário dos trabalhadores e das classes populares. Dentre as lideranças da época, destacam-se, entre outros: Seu Armando (Young Flu), Cláudio Cruz, Branco e Bocão (Raça Rubro-Negra), Eli Mendes (Força Jovem do Vasco), Roberto (Falange Rubro-Negra), César Amâncio (TOV), Sérgio Aiub (Torcida Jovem Flu) e Amorim (Bancica, Torcida Organizada do Bangu).
Fonte:  Livro A voz da arquibancada Narrativas de lideranças da Federação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (FTORJ) de Bernardo Borges Buarque de Hollanda; Jimmy Medeiros e Rosana da Câmara Teixeira  da Editora 7 Letras 2015

Reunião da ASTORJ 1982

Força Jovem 1987

Força Jovem 1987

ASTORJ 1981
ASTORJ Boicote 1987


ASTORJ Jornal dos Sports 1981

FORÇA JOVEM 1981: PRESIDENTE E RELAÇÕES PÚBLICAS

Presidente: Eli Mendes.
Relações Públicas: Leila Márcia.


Força Jovem Presidente Eli Mendes e Leila Márcia 1981

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ASTORJ 1981: ENTREVISTA COM O FUNDADOR ARMANDO GIESTA

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
Depoimento de Armando Giesta (1928-2011), torcedor-símbolo do Fluminense, ex-presidente da Young-Flu e fundador da ASTORJ (Associação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro), em 1981.
– Entrevista concedida a Bernardo Buarque de Hollanda
– Gravada em áudio no dia 2 de março de 2005
– Local: Biblioteca do Fluminense Football Club.
– Transcrição: Bernardo Buarque de Hollanda
– Edição: Pedro Zanquetta Jr.

Gostaria que você falasse sobre o surgimento da Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro, em 1981. Como nasceu a ideia de vocês se unirem?
Desde o meu ingresso na Young-Flu, em 1974, eu tinha intenção de articular algo nesse sentido, pois já vivíamos um momento em que cada torcida reivindicava medidas para seu benefício e nada conseguia. Havia a necessidade de se estabelecer uma representação forte com um porta-voz que falasse em nome de todas as organizadas.
Sob essa premissa, em 1981, eu e outros líderes aproveitamos a anistia política e fundamos a ASTORJ. Fui o primeiro presidente e, logo no início, exigi uma reunião na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Pleiteamos, na ocasião, o direito à participação e voto no Conselho Arbitral, o que acabamos obtendo. A partir de então, colaboramos na formulação das tabelas do Campeonato Carioca e discutimos os valores dos ingressos. Por diversas vezes, conseguimos abaixar os preços e, em consequência, lotar os estádios. O Octávio Pinto Guimarães (ex-presidente da Federação Carioca de Futebol, da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e da Confederação Brasileira de Futebol) reclamava bastante, porém nos ouvia e costumava aceitar nossos pedidos.

Ele comandou o futebol no Rio de Janeiro por muitos anos, não é?
O Octávio passou quase vinte anos no poder. Só saiu quando foi eleito presidente da CBF. Naquela ocasião, o Eduardo Viana (presidente da FERJ entre 1984 e 2006), ocupava a vice-presidência da federação e assumiu o cargo. Ele exercia uma influência no interior e foi esperto ao unir todos os clubes do Estado e filiá-los. Feito isso, substituiu o voto qualitativo - que privilegiava os clubes grandes -, pelo unitário e, devido à gratidão dos dirigentes dos times menores, vem se elegendo ano após ano.

Durante quanto tempo a ASTORJ teve uma participação efetiva nas decisões do futebol carioca?
De 1981 até 1992, ela manteve uma importante influência. 

Quem substituiu você na presidência?
A associação teve três presidentes: eu, o Wilson Amorim (ex-chefe da Bancica, torcida organizada do Bangu) e o Roberto Luís Branco (ex-líder da Raça Rubro-Negra).
O sucesso da nossa união, infelizmente, nos trouxe problemas, pois as torcidas ganharam muita expressividade e o Léo (Leonardo Ribeiro, mais conhecido como Capitão Léo, dirigente da Torcida Jovem do Flamengo no final dos anos 1980 e início dos 1990) iniciou um conflito terrível contra o Vasco e seu presidente, o Eurico Miranda. Quando os dois entraram em confronto, a coesão de todas as organizadas desapareceu. Algo muito prejudicial, tendo em vista que aqui no Rio de Janeiro, os clubes são dependentes entre si, dentro e fora do campo. Por exemplo, quando o Fluminense caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro, nenhum clube carioca conquistou o título. Do mesmo modo, na ocasião em que o Botafogo foi rebaixado, o tricolor não foi campeão porque faltou o alvinegro para tirar pontos de um dos times grandes que disputava conosco. Há essa dependência. O que ocorreu com as Escolas de Samba no Rio também ilustra bem isso. O samba não significava nada aqui até os anos 1950, quando o Anísio Abraão David e sua turma decidiram fundar a Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro. Dali em diante, ganharam tudo, pois constituíram uma força terrível. Eles tinham suas diferenças, porém, na hora de votar, estavam juntos.

A ASTORJ pretendia seguir esse exemplo da Associação das Escolas de Samba?
Sim, e, durante um bom tempo, fomos tão unidos quanto elas. Lamentavelmente, o Eduardo Viana e o Eurico Miranda foram capazes de nos desarticular. Se concebíamos uma greve, o Eurico chamava a torcida do Vasco e oferecia dois mil ingressos para eles. Os vascaínos iam ao jogo e os demais ficavam na porta em protesto. Em virtude disso, perdemos a solidariedade e, na sequência, a nossa sala, os programas de rádio e televisão que produzíamos... Tivemos tudo na mão e não fomos capazes de conservar. Por isso, somos fracos hoje. As torcidas ainda tem um papel importante no estádio, mas politicamente são insignificantes. Os tricolores não fazem um protesto sequer. Não reclamam, não reivindicam absolutamente nada e dependem do clube. Ganham o ingresso dos dirigentes e, por estarem em torcidas pobres, já se dão por satisfeitos. A única organizada que ainda luta é a do Flamengo. A do Vasco está morta, completamente dominada pelo Eurico. 
Grande parte dessa decadência está ligada ao fato de os líderes de torcida atuais não serem como os da minha geração... Os chefes antigos eram bravos e tinham personalidade.
 http://www.ludopedio.com.br/entrevistas/armando-giesta/

ASTORJ Fundadores