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sábado, 5 de abril de 2025

VASCO 2017: CARNAVAL, ATLETISMO, LUTA, GOLS ... SÃO JANUÁRIO COMPLETA 90 ANOS DE VIDA

Estádio é palco de cena esportiva, política e cultural desde 1927. Veja entrevistas, estatísticas, fotos raras e curiosidades da casa histórica do Vasco da Gama

Por Alexandre Lage, Fabio Penna e Raphael Zarko — Rio de Janeiro

O estádio Vasco da Gama, conhecido como São Januário desde antes da fundação pela referência da rua de acesso, completa 90 anos nesta sexta-feira. A história deste templo do futebol brasileiro se mistura com a cena esportiva, política e até artística nacional e começa bem antes da inauguração dia 21 de abril de 1927.

Em material especial, o GloboEsporte.com publica em duas partes homenagens ao histórico palco vascaíno. Com entrevistas e fotos raras, a reportagem abaixo traça a linha do tempo do estádio.

 A luta

Campeão carioca de 1923, o Vasco foi excluído da liga de futebol do Rio de Janeiro. Se antes precisava eliminar 12 atletas negros, operários – “de profissão duvidosa”, como diziam os dirigentes da liga -, o que foi prontamente recusado e gerou a "Resposta Histórica", agora o time que antes jogava de aluguel precisaria ter seu campo próprio para jogar contra os times da elite. Em 1925, o clube comprou o terreno em São Cristóvão.

A campanha

As doações e a arrecadação – chamada de “Campanha dos 10 mil (sócios)” – envolveram desde comerciantes portugueses até condutores de bondes, funcionários públicos, garçons e donos de bares. Em pouco mais de 10 meses o estádio estava semipronto (faltava a arquibancada curva e os refletores) e foi inaugurado num amistoso Vasco 3 x 5 Santos. Foi o maior estádio do Brasil até o Pacaembu ser erguido em 1940, na cidade de São Paulo.

"Em 1926 há verdadeiro manifesto convocando torcedores a se associarem, a famosa campanhas dos 10 mil sócios. O Vasco ainda lançou debêntures no mercado, que o clube dava 9% de juros sobre o título. Vascaínos mais abastados, óbvio, que doaram quantias, mas a base da doação era de donos de botequim, de restaurantes, gente do comércio, trabalhadores comuns que davam suas contribuições individuais e se tornavam sócios também" (Walmer Peres, historiador do Centro de Memória do Vasco)

Anos 20 e 30: o gigante e a maior goleada

Já com a ferradura fechada e luz artificial desde 1928, o estádio do Vasco – com capacidade total de 40 mil pessoas - vira caldeirão para os adversários. A maior goleada da história centenária do clássico Vasco x Flamengo foi em São Januário, em 1931. Um impiedoso 7 a 0 no Rubro-Negro. Meses antes, outra vítima e outro recorde: 6 a 0 no Fluminense, também a maior goleada do duelo. Mas o maior placar de São Januário sairia com o "Expresso da Vitória": 14 a 1 no Canto do Rio, em 1947. Além de outros torneios, o clube ganhou na sua nova casa até a abertura do Maracanã os Cariocas de 1929, 1934, 1936, 1945, 1947 e 1949.

 Anos 40: de Vargas, JK a Prestes

Não foi só o “Expresso da Vitória” que encantou São Januário. A escola de samba Portela foi campeã em 1945, num dos três anos de desfiles no estádio. O campo do Vasco recebeu também concertos de Villa Lobos, discursos patrióticos de Getúlio Vargas, de Juscelino Kubistchek e do “Cavaleiro da Esperança” Luis Carlos Prestes, antigo inimigo político de Vargas. Os dirigentes vascaínos, acusados de apoiarem a ditadura varguista, abriram as portas para o comício de oposição do Partido Comunista do Brasil (PCB, na época), que reuniu 100 mil pessoas no estádio de São Januário.

Anos 50: boxe, vale-tudo e concorrência

Logo depois de sediar o Sul-Americano em 1949, quando passou por reformas e melhorias (o Vasco inaugura as primeiras cabines de imprensa acima da arquibancada e também instala alambrados), São Januário perde o posto de maior estádio do Rio com o gigantesco Maracanã, construído para a Copa do Mundo. Nos anos 1950, se os jogos de futebol diminuem a utilização do estádio, o campo abrigou até mesmo desafios de vale-tudo e lutas de boxe. Carlson Gracie x Passarito (da luta-livre) levou 20 mil pessoas às arquibancadas de São Januário. O ringue ficava no espaço que hoje serve de local de aquecimento do time vascaíno, à frente da arquibancada curva.

Eu sou Flamengo, a maioria da família é Flamengo. O do Fluminense era mais perto, mas o de São Januário era muito bom... Cabia muita gente" (Robson Gracie, que lutou no estádio)

 Anos 60: a fé em meio à seca

Primeiro campeão da era Maracanã - no Carioca de 1950 -, o Vasco joga menos em casa. Coincidência ou não, conhece o maior jejum estadual da história: vai da conquista do Carioca de 1958 até 1970. No período, os dirigentes colocam de pé um sonho antigo, o parque aquático - maior do Brasil à época e terceiro maior do mundo -, e também a igreja de Nossa Senhora das Vitórias - que começou a ser construída em 1955 e só ficou pronta em 1961.

Anos 70 de Dinamite, o maior artilheiro

Maior artilheiro da história de todas as edições de Brasileiros é também quem mais fez gols com a camisa do Vasco (644 gols) e em São Januário, onde marcou 180 vezes. O garoto Roberto Dinamite estreia em 1972 e inicia a trajetória de maior ídolo do clube - ele lidera o ranking dos 10 maiores artilheiros que marcaram no estádio vascaíno. Em 1975, o Vasco, com ajuda da patrocinadora Philips, troca a iluminação de São Januário. O sistema de iluminação agora tem 120 refletores espalhados em três postes com 20 refletores cada na arquibancada e 60 pela cobertura do estádio. Em 1978, no maior público oficial da história de São Januário (40.209 pagantes), o Vasco perde para o Londrina por 2 a 0

10+ goleadores da história de São Januário

1 - Roberto Dinamite (1972 a 1992) - 180 gols em 239 jogos (média 0,753)

2 - Romário (1985 a 2007) - 148 gols em 139 jogos (1,065)

3 - Ademir (1942 a 1956) - 95 gols em 98 jogos (0,969)

4 - Russinho (1927 a 1934) - 78 gols em 83 jogos (0,940)

5 - Edmundo (1992 a 2012) - 62 gols em 95 jogos (0,653)

6 - Maneca (1947 a 1956) - 45 gols em 69 jogos (0.652)

7 - Valdir (1992 a 2004) - 40 gols em 88 jogos (0,454)

8 - Ramon (1996 a 2006) - 40 gols em 91 jogos (0,440)

9 - Lelé (1943 a 1948) - 39 gols em 56 jogos (0,697)

10 - Bismarck (1988 a 1993) - 38 gols em 94 jogos (0,404)

Fonte: Centro de Memória do Vasco da Gama

Anos 80: os primeiros de Romário e a placa de Vivinho

Os primeiros gols da carreira de um baixinho, que chegaria ao milésimo em 2007 neste mesmo palco, começam a encantar os vascaínos. Romário é bicampeão carioca antes de ganhar o mundo. Em 1985, São Januário foi palco de tragédia no show da banda porto-riquenha "Menudos". Mais de 100 mil fãs foram assistir ao show. Duas pessoas morreram pisoteadas no estádio. No fim dos anos 1980, o Vasco retira a pista de atletismo para aumentar o tamanho do campo. Em 1988, o atacante Vivinho aplica três lençóis em Capitão e faz um golaço contra a Portuguesa em São Januário. O jogador, falecido há dois anos, ganhou placa da diretoria do Vasco.

Anos 90: a era Edmundo e a noite libertadora

Recordista de gols num jogo só - fez seis contra o União São João de Araras na brilhante campanha do título Brasileiro de 1997 -, Edmundo pega a linha sucessória de Dinamite e Romário. Com jogadas geniais, gols e muitas confusões, o atacante vira ídolo e símbolo da década vencedora do Vasco que começa em 1992 na conquista caseira do Carioca sem Maracanã - o time de São Januário conquistaria o tri estadual inédito com os canecos de 1993 e 1994. Em 1998, a noite inesquecível, com a vitória por 2 a 0 sobre o Barcelona de Guayaquil, em São Januário, no primeiro jogo da final da Libertadores da América, justamente no ano do centenário do clube da Colina.

"Do porteiro ao servente de pedreiro, a moça da cozinha, pessoal da limpeza, roupeiros... são pessoas que me viram crescer... A gente treinava ali, convivia... Quando você fazia um gol eram 600 funcionários fazendo junto, porque todos dependiam do seu sucesso" (Edmundo)

 Anos 2000: as quedas e o encolhimento

No segundo grande teste de público em dois anos, um incidente por pouco não virou nova tragédia. Depois de receber 36.273 pagantes para a final da Libertadores em 1998, São Januário enche para a final do Brasileiro de 2000, com 32.537 pagantes. Uma confusão na arquibancada faz a multidão pressionar o alambrado, que cede para o gramado, ferindo torcedores. Um laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli concluiu à época que havia 5.231 pessoas a mais do que a capacidade total de público do estádio. Em decisão da Justiça de 2011, a juíza Anna Eliza Duarte inocentou o clube pelo acidente e disse que a superlotação de São Januário não ficou comprovada.

Para ter ideia do encolhimento do estádio - processo natural em todo o futebol pela série de limitações que vieram junto ao Estatuto do Torcedor em 2003, aliadas a mudanças na contagem de pessoas por metro quadrado pelos órgãos oficiais, além de algumas pequenas adequações de obras no estádio -, a final da Copa do Brasil de 2011 tem 21.365 pagantes "apenas".

 Chuva de felicidade em 2011

O título da Copa do Brasil de 2011 - no primeiro jogo, vitória por 1 a 0 em casa contra o Coritiba - é a melhor lembrança recente do torcedor no seu estádio depois da maior decepção, com a queda em 2008 - o primeiro e único consumado dentro da Colina Histórica de São Januário. A comemoração reuniu milhares de vascaínos, debaixo de um temporal, dentro do campo e nos degraus de cimento, que completam 90 anos neste dia 21 de abril.

Nos últimos anos, o Vasco voltou a investir na estrutura do complexo de São Januário. Antes do aniversário do clube, dia 21 de agosto, o parque aquático deve ser reinaugurado. O campo anexo e a estrutura de recuperação de atletas são as maiores intervenções dos últimos anos.

Estatísticas gerais do Vasco em São Januário

Número de jogos: 1475

Vitórias: 965

Empates: 309

Derrotas: 201

Gols marcados: 3419

Gols sofridos: 1372

Fonte: Centro de Memória do Vasco da Gama

Bibliografia completa:

Fontes de pesquisa: livro "Memória Social dos Esportes - São Januário, arquitetura e história" (Clara Monteiro de Barros Malhano e Hamilton Botelho Malhano); site oficial do Vasco; Centro de Memória do Vasco da Gama; Sites Netvasco, SempreVasco, Casaca!; arquivo e depoimento historiadores Walmer Peres, Mauro Praiss; arquivo pessoal Antonio Soares Calçada; arquivo pessoal família Valente e Gracie; Revistas e jornais: periódicos do Vasco da Gama, "Polyanthea Vascaína", "Cruzeiro", "Sport Ilustrado", "O Malho", "O Imparcial", "O Globo", "Jornal do Brasil"; arquivos Fundação Getúlio Vargas e Partido Comunista do Brasil.

Fonte: https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/carnaval-atletismo-luta-gols-sao-januario-completa-90-anos-de-vida.ghtml

São Januário Centro de Memória do Vasco 1927

São Januário O Globo 1968

São Januário 2024


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2017 SÃO JANUÁRIO - 90 ANOS

                                                              “Portões Fechados, Corações Abertos”
                                                             Evandro Domingues– blogueiro vascaíno

2017                   São Januário – 90 anos

Motivo de orgulho para todos os vascaínos, o glorioso estádio do nosso clube comemorou nove décadas em 2017 com a expectativa do time do Vasco alcançar o tricampeonato carioca e de uma boa campanha na sua volta a Primeira Divisão no Brasileirão.
Palco histórico de comemorações cívicas na Era Vargas e o maior estádio do país até 1940, nosso campo esportivo em festas voltou a brilhar nas manchetes dos jornais e revistas. No entanto, não foram apenas as notícias sobre as comemorações, mas também foram destaques as manifestações de sócios e torcedores contra a diretoria e a sua interdição por quase três meses em função de uma briga generalizada ocorrida no clássico contra o Flamengo numa partida do campeonato brasileiro.
Para o campeonato carioca chegou o atacante Luis Fabiano no fim de fevereiro, trazendo uma grande esperança para a torcida vascaína que lotou o aeroporto e fazendo uma festa inigualável em sua apresentação no estádio de São Januário. O jogador fez questão de agradecer o apoio recebido: "primeiramente gostaria de agradecer a recepção maravilhosa. É uma coisa que ficará guardada para minha carreira", e continuou agradecendo "estou muito feliz, de verdade. Torcida do Vasco tem um peso muito grande. Carrega a gente. Vamos correr por eles".
O atacante de 36 anos, com passagens vitoriosas por São Paulo e seleção brasileira, foi a maior aposta do clube para a conquista do tricampeonato carioca e um bom desempenho na volta do Clube da Colina para a Primeira Divisão.
Nos estádios brasileiros e cariocas a polêmica envolvendo torcedores foi revivida com a proposta de torcida única nos clássicos por determinação da Justiça após a morte de um torcedor do Botafogo provocada por um torcedor do Flamengo. Eurico Miranda ameaçava não colocar o time em campo. Pesquisadores, no entanto, contestavam essa medida, alegando falta de eficácia como ação controladora das permanentes brigas entre torcedores rivais. Para Bernardo Hollanda[1] “o princípio de torcida única é problemático, pois se trata de uma espécie de vitória da intolerância, com o reconhecimento da incapacidade do poder público de permitir o ir e vir dos torcedores e com a própria ausência do espírito esportivo na convivência com o diferente”, concluiu.
Em São Januário, durante a partida entre Vasco e Portuguesa um torcedor do Flamengo comparece ao estádio dentro da torcida cruzmaltina e coloca nas redes sociais imagens suas com uma tatuagem do Flamengo e pede 100 curtidas. Logo uma confusão se estabelece quando o torcedor é identificado. Por pouco ele não seria linchado se não fosse a intervenção de integrantes da Ira Jovem que o entregam para a polícia.
Em abril a festa dos vascaínos estava voltada para celebrar os noventa anos do estádio de São Januário. Símbolo da luta do clube para demonstrar aos rivais a sua grandeza, o estádio continua sendo um motivo de orgulho e representação do esforço de associados em manter a tradição do “Caldeirão”, como ele passou a ser chamado carinhosamente nos últimos 20 anos.
O campeonato carioca termina com o clube sendo eliminado pelo Fluminense nas semifinais. Pouco depois da eliminação na Copa do Brasil. A verdade é que foram poucos momentos que a torcida do Vasco pode vibrar com o time e seus ídolos neste primeiro semestre. Apenas o goleiro Martin Silva e o jovem Douglas mereceram os aplausos durante toda a competição. Foram poucas as gozações para os adversários, com destaque para o jogo com o Flamengo, no Maracanã, no segundo turno (Taça Rio) e os gritos da torcida de “eliminado”, num clássico que reuniu pouco mais de 20 mil espectadores. Nem mesmo o título da Taça Rio diante do Botafogo no Engenhão empolgou a galera.
Restou o desafio de fazer uma boa campanha no retorno a primeira divisão do campeonato brasileiro. Apesar do desastre na derrota inicial para o Palmeiras de goleada (0 a 4), os torcedores abraçaram o time em São Januário lotando o estádio (maior público do ano no local: quase 18 mil pagantes) no primeiro jogo do brasileirão em nossa casa. No horário de 11 horas da manhã, o estádio presenciou uma linda festa que culminou na vitória sobre o Bahia e o gol de número 400 da carreira de Luis Fabiano.
O jogo mais polêmico do ano para os vascaínos foi disputado justamente em São Januário em julho com o Flamengo. Um tumulto generalizado entre a torcida do Vasco e a PM (dentro e fora do estádio) acarretou uma pena de interdição de nossa praça de esportes por vários jogos. Para o historiador Luiz A. Simas o que aconteceu neste jogo refletia problemas muito mais profundos na sociedade: “não é apenas sobre futebol. É sobre a cidade. A tragédia de ontem em São Januário é derivada de inúmeros fatores, tais como o despreparo da PM, a crise política do Vasco, a cultura da violência como elemento de sociabilidade entre membros de torcidas, a construção de pertencimento a um grupo a partir do ódio ao outro (elemento marcante da relação entre Vasco e Flamengo nas últimas décadas), o esfacelamento da autoridade pública no Rio de Janeiro, etc”.
Para os sócios e torcedores ir ao estádio seria apenas para a visita da exposição promovida pelo Departamento de Marketing intitulada “119 anos vestindo a Camisa”, apresentando inúmeras roupas históricas do clube. Aliás este foi o tema do documentário Segunda Pele Futebol Clube, retratando colecionadores de camisas de futebol e a sua relação de paixão com a memória do clube. Entre os entrevistados estava o torcedor vascaíno Paulo Reis.
Mesmo proibidos de entrarem em São Januário os torcedores vascaínos prestigiaram o time incentivando-o do lado de fora. Milhares de torcedores deram um “abraço coletivo”  no jogo entre Vasco e Grêmio (futuro campeão da Libertadores em 2017). A vitória que marcava a estreia do técnico José Ricardo foi muito comemorada. Para o atacante Nenê, a presença da torcida incentivando e acompanhando o jogo ao redor do estádio foi decisivo para o resultado positivo: “ O barulho da torcida, mesmo de fora do estádio, foi fundamental para continuarmos com a mesma determinação até o fim”, revelou o atacante. 
Depois do período da punição, a diretoria vascaína preferiu realizar os jogos como mandante no estádio do Maracanã visando impedir as constantes manifestações presentes nas arquibancadas de São Januário com o coro sempre presente de “Fora Eurico!”.
Quando vieram as eleições em novembro, as duas principais chapas tiveram uma acirrada disputa que dividiu sócios, torcedores e torcidas organizadas, terminando com a vitória da situação (Eurico Miranda se reelegia com 2111 votos), enquanto a oposição (lideradas por Julio Brant) alcançava 1975 votos. Embora o clima da disputa deste ano tenha sido mais civilizado que nas eleições passadas, não faltou a polêmica em torno da Urna 7. Caso a urna seja invalidada, a vitória ficaria com a oposição.
O último jogo do ano foi disputado justamente no cenário que comemorava 90 anos de glórias. A partida contra a Ponte Preta representava muito para os vascaínos. Uma vitória daria oportunidade ao clube voltar a disputar a Taça Libertadores em 2018. E a torcida deu mais uma vez uma lição de amor ao clube proporcionando o maior público no estádio do ano (cerca de 22 mil pessoas).
O resultado final deixou o Vasco em 7° lugar (entrando na pré-Libertadores). Uma surpresa para aqueles que desconfiavam do time que começou a competição com uma derrota por 4 a 0 para o Palmeiras.
A previsão pessimista de luta para não ser rebaixado não se confirmou. O time conseguiu se superar mesmo depois da crise com a troca de técnico (Milton Mendes saiu e entrou José Ricardo no meio da competição). Fora de campo a expectativa da galera continuava com a indefinição do novo presidente para os próximos 3 anos.
Sem dúvida, foi um ano que o brilho maior ficou os 90 anos de nosso estádio e a presença assídua da torcida que soube honrar e fazer juz aos torcedores do passado que ajudaram a construir uma obra que permanece na memória afetiva de todos os vascaínos. Assim como em 1927, quando não alcançamos o título, neste ano também passamos em branco. Quem sabe não pavimentamos neste ano um novo caminho de glórias com a conquista da Libertadores no ano seguinte e cantar esta música entoada nas arquibancadas
Eu vou torcer
Aqui eu ergui meu templo para vencer
Eu já lutei por negros e operários
Te enfrentei, venci, fiz São Januário
Camisas Negras que guardo na memória
Glória, lutas, vitórias esta é minha história
Que honra ser
Saiba eu sou vascaíno, muito prazer
Jamais terás a cruz, este é meu batismo
Eu tive que lutar contra o teu racismo
Veja como é grande meu sentimento
E por amor ergui este monumento..."
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] Entrevista para as páginas amarelas da Revista Veja após a repercussão do assassinato em 2 de março de 2017 de Moacir Bianchi  por integrantes da própria torcida que ajudou a fundar: a Mancha Verde. Fonte: Revista Veja 9 março de 2017.

Vasco foto site www.vasco.com.br 2017

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