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segunda-feira, 15 de julho de 2019

TOV 1953: JOÃO DE LUCCA, O REI DO CASACA

Se alguém quisesse saber, há uns oito anos, quem era o sr João de Lucca (na foto entregando a faixa do Campeão ao Dr Amilcar Giffom), dificilmente encontraria uma fácil resposta. Só recorrendo a cidadãos muito bem informados, como os operosos detetives cariocas, conseguiria a informação desejada, saberia que era um “gajo alegre, risonho, com cara de português, cara vermelha, que andava sempre com uma listas nos bolsos e podia ser visto, com frequência, passando na Rua do Acre”. Hoje não, João de Lucca é um clichê de jornal, um orador de banquetes e solenidades vascaínas, o homem que melhor sabe puxar e levantar um “Casaca, saca. Saca” no Brasil. Um alto prócer da “potência de São Januário”, um figuraço.
Compadre de muita gente grande desta terra. E um dedicado e laborioso distribuidor dos produtos Antártica. Uma biografia que, para todos os efeitos, deve começar entre 1942 e 1945 no quadro social do Vasco da Gama, pedindo apoio e incentivo da Torcida aos craques, aos grandes times que o seu Clube sempre botava em campo. História que teve o seu apogeu no ano do primeiro campeonato invicto, quando os expressos da vitória corriam maravilhosamente, com desenvoltura, com uma facilidade realmente espantosa.
No ano em que toda segunda feira era dia de ressaca, amanhecia com vestígios alegres de cervejadas memoráveis. No primeiro grande ano “ciclo Vascaíno do futebol carioca”, João de Lucca, megafone a boca, uma cruz de malta gigantesca no peito, era apontado como um dos marechais dos belos triunfos .Com o correr dos anos seu prestígio consolidou-se, de tal forma que hoje, as vésperas de qualquer eleição, é sempre uma adesão disputada.
Sabe, porém, com muita inteligência, escolher seus próprios candidatos.
Fonte: Revista Manchete 29 de Agosto de 1953

TOV João de Lucca Revista Manchete 1953

TOV João de Lucca Revista Manchete 1953

TOV Revista Manchete 1953



terça-feira, 8 de agosto de 2017

TOV 1958: A FLAUTA DE SEU RAMALHO

Nunca tocou música, mas sabe dar a clarinetada da vitória – Uma figura singular da Torcida do Vasco – Cada filho tem o nome de um crack Vascaíno.
Domingo, cedo, Domingos Ramalho, o “Homem do Talo de Bambu”, o corneteiro solitário do Vasco, apareceu em São Januário, com o seu talo e sua prole: Tereza Herrera, Maria de Lourdes, Nanci Marta, José Luis Pinga, Valter e Carlos Alberto.
- Esses nomes, esclareceu, constituem uma homenagem ao nosso grande, inigualável, invencível e eterno Vasco da Gama.
Explica, mais adiante, acariciando sua filhinha de ano e pouco.
- Esta, por exemplo, é a Tereza Herrera. Ela nasceu, exatamente, no dia em que o Vasco conquistou na Espanha, o cobiçado troféu.

NUNCA TOCOU NA BANDA
Ramalho, baiano de Ilhéus, afirma que está no Rio, desde 1944.
- Quando começou a soprar sua flauta de bambu?
- Em 1946. Já lá se vão 12 anos.
- Era Vascaíno em Ilhéus?
- Então acha que poderia ser outra coisa, Flamengo, por exemplo?
- Ganha alguma coisa para soprar o talo?
- Só a vitória do Clube.
- É sócio do Vasco?
- Graças a Deus. Hoje, quem paga a minha mensalidade é seu Jaime Alves.
Fonte: Jornal dos Sports 22 de Dezembro de 1958.

TOV Jornal dos Sports 1958

TOV Ramalho Jornal Estado de São Paulo 1958



terça-feira, 23 de maio de 2017

TORCIDA DO VASCO 1936: AFONSO SILVA, APELIDO POLAR

Ultrapassada a fase pioneira inaugurada pelo destemido Paradantas, o segundo nome a surgir na cena da Torcida Vascaína foi de Afonso Silva, apelido Polar. 
Assim denominado por causa de uma nova e badalada marca de sorvete por ele mesmo lançada no mercado carioca. Mulato sestroso, comunicativo, engraçado e respeitoso, Polar gostava de vestir-se no rigor da moda trajando terno completo de flanela importada ou, então, metido no mais puro e caro linho irlandês.
Bandas ou Charangas não existiam ainda. Em compensação, existia a presença, muito bem posta, do Líder na frente das Sociais brandinho sua bengala de junco, a semelhança do que acontecia nos jogos de rugby e baseball americano, que o cinema mostrava.
Era o tempo do “entra Vasco que o marido é sócio”, uma legenda gaiata que Polar soube substituir por outra: “Viva o Vasco, campeão de terra e mar!”
Nesse passo, Polar varou anos a fio percorrendo os Estádios e convidando o público a participar de seu entusiasmo.
Ele resistiu praticamente, até a época do grande e fascinante Concurso que Jornal dos Sports promoveu em 1936, com o objetivo de escolher o Embaixador da Torcida Brasileira na Copa do Mundo. Muito tentador, oferecia aos vencedores passagem de ida-e-volta a Paris, além de um cheque de 10 mil francos (dinheiro de virar a cabeça de qualquer um).
Inúmeros Chefes de Torcida, e pretendentes a isso, participaram do Concurso.
Na onda do Prêmio, todos eles gastaram o que tinham. E o Clube, ajudando. E os sócios gastando. 
E o homem da rua, de chapéu na mão, colaborando para engrossar a caixa de amparo dos candidatos. Um negócio realmente tão fantástico que só na primeira apuração foram recolhidos mais de 100 mil cupons de dezenas de urnas espalhadas pela cidade.
Perdendo a parada para Oswaldo Meneses, do Flamengo, que nem Chefe de Torcida jamais chegou a ser.
“Polar murchou o ímpeto de continuar na guerra.”
Teve o consolo de ver a filha, Leonor Silva, morena muito bonita, vencer o páreo das Embaixatrizes. Mas não foi, de qualquer maneira, o que animou a continuar de bastão em punho dirigindo a moçada Vascaína.
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Maio de 1976

Torcida do Vasco Polar Jornal dos Sports 1976

Torcida do Vasco Polar Jornal dos Sports 1976

terça-feira, 8 de novembro de 2016

TOV 1959: CONTRA OU A FAVOR DO AUMENTO DOS INGRESSOS?

Liderado pelo Sr Hilton Santos, esboça-se um movimento no sentido de que sejam aumentados os preços dos ingressos nas partidas de futebol.
Sobre o assunto ouvimos 9 opiniões, inclusive 3 torcedores, que assim responderam a nossa indagação:

JAIME DE CARVALHO (CHARANGA RUBRO NEGRA)
Se tudo subiu nestes últimos meses (30,40 e até 100%) é justo que os ingressos aumentem também, desde que a um nível razoável.

TARZAN (TOB TORCIDA ORGANIZADA DO BOTAFOGO)
 Acho que só os chamados clássicos e bons jogos interestaduais deveriam ter seus ingressos aumentados. Os demais não.

DOMINGOS RAMALHO (TOV TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO)
 Sou um pobre operário e sei o sacrifício que representaria para mim pagar uma arquibancada a 50 cruzeiros. Futebol é para o povo.
Fonte: Revista do Esporte 09 de Maio de 1959

TOV Revista do Esporte 1959

TOV Revista do Esporte 1959

TOV Revista do Esporte 1959

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

LEGIÃO DA VITÓRIA E TOV 1943: ORGANIZA-SE A TORCIDA DO VASCO

No seio do Clube de Regatas Vasco da Gama vem sendo realizado um movimento no sentido de reunir os adeptos Cruzmaltinos numa grande Torcidas Organizadas. 
A comissão que orienta o movimento é composta dos srs João de Lucca, Olympio Pio dos Santos, Valdemar de Oliveira e Armindo Pimenta.
O uniforme oficial da Torcida Vascaína será o seguinte: calça branca, paletó preto sem gola com um bolso ao lado esquerdo, atravessado por uma cinta branca em diagonal, contendo no centro, em vermelho, a cruz de malta, camisa esporte com gola branca.
Fonte: Jornal Diário da Noite 13 de Janeiro de 1943

Legião da Vitória e TOV  Jornal Diário da Noite 1943

Legião da Vitória Olympio Pio Jornal Radical 1942

terça-feira, 31 de maio de 2016

LEGIÃO DA VITÓRIA 1943: TORCIDA ORGANIZADA PARA A TEMPORADA DE 1943

Já estão sendo escolhidos os modelos das blusas e dentro em breve serão iniciados os treinos, Olympio Pio conta com o apoio do Major Orlando Silva.
A exemplo do que vem sendo feito em São Paulo, o Vasco da Gama também pretende preparar a sua “Torcida Organizada, de modo a que as representações oficiais do Clube contem sempre, no corrente ano, com o estímulo de calorosos aplausos de seus simpatizantes”
O São Paulo, o Palmeiras e o Corinthians conseguiram revolucionar os círculos esportivos bandeirantes graças a idêntica iniciativa e no momento, os gramados paulistas podem se orgulhar de as maiores e mais entusiásticas Torcidas do país.
Imitando o gesto dos grêmios da pauliceia, o Vasco está certo de poder preparar para o campeonato deste ano uma grande Torcida, o que servirá para aumentar em torno do mesmo e melhorar consideravelmente as suas rendas.

VISTOSOS UNIFORMES
Segundo fomos informados, as primeiras providencias já estão sendo tomadas nesse sentido, estando Olympio Pio, um dos Chefes da Torcida Vascaína, escolhendo os uniformes para a numerosa e entusiástica Torcida do Clube.
Ontem, efetivamente na Sede do Clube, no Edificio Cineac, Olympio Pio e outras figuras de realce da Torcida Cruzmaltina, estiveram escolhendo os tecidos para a confecção das blusas dos torcedores, estando presente ao ato, opinando com bastante interesse, o Major Orlando Silva, diretor Geral de Esportes Terrestres do Vasco.
Tudo faz crer, portanto, que dentro de poucos dias sejam lançados os modelos do uniforme da Torcida a que, a seguir, tenham início os ensaios do conjunto, que constarão de cantigos, brados esportivos, etc.
Verifica-se, pelos preparativos, que o Vasco também está disposto a brilhar com a sua numerosa e vibrante Torcida.
Fonte: Jornal Diário da Noite 12 de Janeiro de 1943

Legião da Vitória Jornal Diário da Noite 1943

Legião da Vitória Jornal Diário da Noite 1943

Legião da Vitória Jornal Diário da Noite 1943



terça-feira, 17 de maio de 2016

TUV 1954: MÚSICA EM HOMENAGEM A SABARÁ

“As nossas canções falavam sobre os jogadores e o time e nenhuma tinha xingamento”, disse Tia Aida de Almeida em entrevista a Bernardo Buarque em 2005.
Uma música composta pelo Tião (Sebastião Gonçalves Carvalho) era Ê Sabará.
O Sabará (Onofre Anacleto de Souza) era um atacante maravilhoso, jogou no Vasco de 1952 a 1964.
Inspirada na canção popular Mulher Rendeira de Virgulino Ferreira da Silva o "Lampião", é de que o mesmo teria escrito os versos da versão original em 1922. A canção se tornou internacionalmente famosa após a versão adaptada por Zé do Norte e cantada por Vanja Orico para o filme O Cangaceiro (1953).

Ê SABARÁ
“Ê Sabará, ê Sabará; olê mulher rendeira; olê mulher rendá; tu me ensina a fazer renda, que eu te dou o Sabará.” 

Vasco Sabará foto Arquivo Público do Estado 1956

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

LEGIÃO DA VITÓRIA 1942: CONCURSO DE HINOS E CANTIGOS DESPORTIVOS

Concurso organizado pela “Legião da Vitória”, realizado entre os melhores compositores nacionais para a escolha de hinos e canções desportivas. 
Os hinos e canções premiadas, serão devidamente ensaiados, afim de serem cantados em coro nos campos de futebol e em setores de atividades esportivas onde se fizer representar o Vasco da Gama.
Comissão Organizadora do Certame: A Comissão organizadora do certame será composta por quatro membros a saber: Alvaro do Nascimento, de Jornal dos Sports, Antônio Cordeiro, do Rádio Clube do Brasil, Olympio Pio, da Legião da Vitória e o maestro José Maria de Abreu.
O concurso teve como vencedores pela organização:
1º Lugar: Vasco da Gama (compositor Saint-Clair Sena)
2º Lugar: Avante, Vascaínos (compositor J. Cascata)
3º Lugar: Meu Pavilhão (compositor Hernani Corrêa e João de Freitas)
4º Lugar: Quarenta e Quatro Anos de Glórias (compositor Alcebiades Barcellos e Armando Marçal)
5º Lugar: Vasco da Gama Campeão (compositor Gomes Filho e Juracy Araujo)
6º Lugar: Avante Vascaíno (compositor Marcílio Vieira e Aymar Alvarenga)
7º Lugar: Vascaína (compositor José Pádua Machado)
8º Lugar: Vasco da Gama (compositor Hélio Ventura)
9º Lugar: Legião da Vitória (compositor Carusinho Bastião e Domingos Santos)
10º Lugar: Pendão de Glórias (compositor Bernardino Maia)
11º Lugar: Vitória (compositor Antônio Pereira dos Santos e Ignacio Araujo)

Foram classificadas para a grande final as quatro primeiras, os leitores do Jornal dos Sports que definiram a grande campeã que foi a Marcha Vasco da Gama e em segundo ficou Meu Pavilhão.
Arnaldo Amaral cantou Vasco da Gama e Manoel Reis cantou Meu Pavilhão, com acompanhamento da Orquestra Chiquinho e seu Ritmo, foram gravadas no Estúdio da Columbia.
Fonte: Jornal dos Sports 11 de Fevereiro, 10,17, 22 e 24 de Março, 01 de Abril, 16 de Maio e 14 e 17 de Novembro de 1942

MEU PAVILHÃO
Vasco da Gama evoca a grandeza
Daqui e d’além mar
Teu pavilhão refulge de beleza
Perene a tremular
Dos braços rijos de teus filhos
O mar sagrou-te na História
Reflete pelos céus em forte brilho
O cetro que ostentas da vitória
Na cancha és o pioneiro
És o mais forte entre os mil
Com a fama que ecoas no estrangeiro
Elevas o esporte do Brasil.

O hino faz alusões a dois fatos importantes na história da agremiação: o pioneirismo do Clube, que foi a abrir suas portas a jogadores negros, e a fama ecoando no estrangeiro, uma vez que o Vasco da Gama foi o segundo time brasileiro a realizar uma excursão a Europa em 1931. O primeiro foi o Paulistano, de São Paulo, em 1925. O Clube da Cruz de Malta jogou 12 partidas, venceu 8. Empatou 1 e perdeu 3. Fez 45 gols e sofreu 18.
Fonte: Livro No Compasso da Bola de Paulo Luma

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Olympio Pio Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942
Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

TOV 1954: AS CLARINADAS DO RAMALHO

O primeiro grande jornalista esportivo brasileiro, Mário Filho, que tanto lutou pela construção do Maracanã, descobriu que a casa acabara com a figura do torcedor. 
Em seu lugar, entrara a multidão compacta. 
Sentiu saudade do tempo em que os torcedores eram conhecidos nos pequenos Estádios, tinham a sua voz ouvida.
No "Maraca", no entanto, só um coro era ouvido. Verdade! Apenas um daqueles folclóricos torcedores salvara-se de virar multidão:
Domingos do Espírito Santo Ramalho.
Esta é uma das mais interessantes histórias já surgidas nas arquibancadas brasileiros.
Quando o Vasco da Gama tinha jogo, o Ramalho ia ao Jardim Gramacho, em Caxias, e cortava talos de mamão, para transformá-los em clarins.
Levava, sempre, dois ao Estádio, para não passar por apertos, caso um dos seus "instrumentos" falhasse. As suas clarinadas eram sagradas.
Até o dia em que o glorioso Club de Regatas Vasco da Gama expediu-lhe uma carta, comunicando-lhe de que ele estava banido do seu quadro associativo. Por falta de pagamento.
Que pena, Ramalho! Ele só ainda não havia passado por tal vergonha, antes, porque o Diretor de futebol cruzmaltino, Antônio Calçada, pagara um ano inteiro de suas mensalidades. Vencida a benesse, ele não tinha como honrar o compromisso, pois a sua renda, como estivador no Cais do Porto do Rio de Janeiro, malmente, dava para alimentará-lo, e sua mulher, com os cinco filhos. A sua  barra era pesadísisma.
Muito triste, devido ao inesperado sucedido, o desolado Ramalho foi ao Calçada e mostrou-lhe o 'memorandum' do clube. Que horror! Logo com ele? Tudo o que sempre mais quisera daquela sua vidinha de trabalhador e torcedor era dizer: "Sou sócio do Vasco!" E exibir a sua carteirinha.
Por aqueles dias em estivera banido da instituição que tanto amava, o abatido Ramalho não compareceu ao Maracanã, para expandir as suas clarinadas durante os jogos contra o América (1 x 1, em 02.10.1954), o Flamengo (1 x 2, em 17.10.1954), pelo Campeonato Carioca. Pior para a "Turma da Colina". A rapaziada perdeu altura no voo do "Urubu" e enganchou nos chifres "Diabo". Para os craques Vascaínos, o motivo daqueles dois insucessos não seria outro. Seguramente, a falta que haviam sentido do som do Ramalho. E foram se queixar ao Calçada.
Motivo mais do que definido para os dois tropeços cruzmaltinos, o Calçada presentiu que era preciso encontar o Ramalho, rápido. Se possível, pra ontem! Caso contrário, os jogadores iriam ficar esperando pela suas clarinadas, que não ouviriam, e poderiam complicar mais a vida do time no campeonato. Imediatamente, ele chamou o Presidente Artur Pires e o Diretor José Rodrigues, e se mandaram, em busca do homem. O Pires, por sinal, fizera questão, absoluta, de integrar a comitiva. mais do que rapidão, vasculharam as fichas dos sócios e localizaram a casa do Ramallho na Barreira do Vasco, pertinho de São Januário. Mas o carinha não morava mais por lá. Mudara-se, para Bonsucesso. Então, os três foram pra a Zona Norte. Pergunta daqui, dali, dacolá, de repente, ficaram sabendo do que queriam e até que o procurado havia passado por uma cirurgia. 
Enfim, o trio de cartolas Vascaínos encontrou a casa do Ramalho. 
Quando o Cadillac do Presidente Arthur Pires parou à porta de uma humilde casinha, o Diretor de Futebol bateu à porta, foi atendido por um garoto, mas quem apresentou-se foi o Pires. No ato, um garoto gritou: "Mãe! É o Presidente do Vasco!"
O "músico mamoneiro" Ramalho não estava. Naquele instante, trabalhava no Cais do Porto. Mas não estava operado? Calçada esperava encontrá-lo acamado. A mulher do torcedor, no entanto, deu-lhes uma boa nova: o seu marido vinha tendo uma bela recuperação – da cirurgia em um calo na boca, provocado pelas suas clarinadas. "Graças a Deus, está melhor", disse ela.
Diante da boa notícia, Antônio Calçada e Pires enfiaram as suas mãos nos bolsos das suas respectivas calças e avisaram que o Vasco pagaria todas as despesas da operação que tirara o Ramalho de combate. 
Se este achava que as suas clarinadas davam sorte ao time, eles também. 
E Calçada fez mais: pagou toda a dívida do sócio banido, por mais um ano. 
Deixou o Ramalho recuperado, associativamente, pronto para voltar a exibir a sua carteirinha. O Vasco precisaria das suas clarinadas, no domingo. 
Que ficasse bom, logo!
Fonte: http://kikedabola.blogspot.com.br/2014/08/blog-post_47.html


Vasco Domingos Ramalho e Dulce Rosalina 1958

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

TORCIDA DO VASCO 1936: COM O VASCO, ONDE ESTIVER O VASCO

Torcida do Vasco tem um lema. 
Com o Vasco, onde estiver o Vasco.
Affonso Silva (Polar) avisa a todos os cruzmaltinos que, seguindo o lema tradicional do Club. Com o Vasco, onde estiver o Vasco!, estará hoje, no Campo da Rua Figueira de Mello (São Cristóvão), afim de receber os votos para o candidatos ao plebiscito de Jornal dos Sports.
Fonte: Jornal dos Sports 30 de Agosto de 1936


Vasco Jornal dos Sports 1936

Vasco Polar Jornal dos Sports 1935

Vasco Jornal dos Sports 1945

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

TORCIDAS DO VASCO 1940: POLAR CRACK DA POPULARIDADE

Figura eminentemente popular, Affonso Silva, o Polar, atravessou as multidões das ruas sem para elas, o que não é fácil, cair no ridículo. 
Sua vida, aliás, muito complexa, não caberia aqui num registro que visa menos fazer um panegyrico do que prantear a sua ausência que já começa a deixar um sulco de saudade. Certo, havia muito intelectualzinho que esbravejava enfurecido quando pretende arrancar sua importância pela Rua do Ouvidor, tinha que se contundir com a turba multa de basbaque atenta a última caracterização do reclamista que, não raro, na sua original casaca branca confeccionada por Almeida Rabello, citava autores gregos.
Polar não tinha inimigos. 
Sua vida, ele que nasceu, quer nos parecer, nas vizinhanças de um campo de futebol, teve elco de esportivo. 
Até mesmo no trajetória em parábolas de sua existência. 
Polar teve o destino de um Crack. Sua popularidade nasceu nos campos modestos de futebol e nos Estádios onde se praticavam a luta livre ou o Box, tendendo o sorvete de que tomou a alcunha. 
Fonte: Jornal Globo Esportivo 09 de Agosto de 1940

Torcida do Vasco Polar O Globo Esportivo 1940

Torcida do Vasco Polar O Globo Esportivo 1940

Torcida do Vasco Polar O Globo Esportivo 1940



terça-feira, 30 de abril de 2013

LEGIÃO DA VITÓRIA 1942: CARAVANA MONSTRO PARA ESTIMULAR O VASCO

Organiza-se para domingo uma grande caravana de Vascaínos para assistir a tradicional peleja entre Vasco e Flamengo. 
Para isso, uma comissão, composta dos associados Olympio Pio, João de Lucca, Waldemar de Oliveira, João Maquiem e Américo Cabral, que faz um apelo a todo o quadro social do Vasco para que procurem com o Sr. Edgard Freitas, na secretaria do Clube, a Avenida Rio Branco, os cartões que darão direito a viagem em ônibus especial e entrada na arquibancada do campo do Flamengo, até 6ª feira próxima.
O local da partida será da Rua Uruguaiana, esquina de Carioca, as 12.30 horas.
Fonte: Jornal Gazeta de Notícias 24 de Junho de 1942 

Legião da Vitória Jornal Gazeta de Notícias 1942
São Januário década de 1940 Revista quadrinhos do Vasco 1978

segunda-feira, 29 de abril de 2013

TORCEDORES SÍMBOLOS 1957: DULCE ROSALINA

Símbolo de todos os torcedores, tão devotada ao Clube, que foi agraciada por um dirigente com o título de sócio proprietária, Dulce Rosalina considerada de fato a primeira mulher líder de uma Torcida, a TOV que antigamente era chamada de Torcida Organizada ou Torcida Oficial, onde foi Chefe de 1956 a 1976, de lá saiu e fundou a Torcida Renovascão em 1976, onde ficou até sua morte em 2004.
Nascida em 07 de março de 1934, Dulce Rosalina foi a primeira mulher no Brasil a comandar uma Torcida Organizada de times de futebol. Viveu até 19 de Janeiro de 2004, como a torcedora-símbolo do Vasco.
Em 1956, passou a dirigir a Torcida Organizada do Vasco, para criar o concurso de baterias e lançar papel picado pelos estádios, à entrada do time no gramado. 
Conta-se que o treinador Martim Francisco pediu-lhe (e a Domingos do Espírito Santo Ramalho Ramalho), um outro torcedor-símbolo, para organizar a Torcida, que ele daria o título carioca da temporada, o que rolou.
Dulce Rosalina Ponce de León, que vive por 79 anos, nasceu pela bandas da Ponte dos Marinheiros, de onde mudou-se, para a Avenida Getúlio Vargas, mais tarde. 
Filha de um português Vascaíno naturalizado brasileiro e que vivia nas festas do rancho carnavalesco Recreio das Flores (atual Recreio da Saúde), ela aprendeu, com o pai, a execrar o preconceito de cor. Aderiu a causa ao tomar conhecimento de que o Presidente Vascaíno, Raul Campos, enfrentara a elite do futebol carioca, para manter atletas negros no Clube.    
Com sete anos de idade, Dulce estudava no Colégio Anglo-Americano.
Aos 10, estava no Regina Coeli. 
Completou os estudos no Santa Teresa de Jesus, no Largo da Segunda-Feira, na Tijuca.
Em 1948, começou a namorar Ponce de León, jogador do São Paulo, com quem casou-se, em 1939, e dele enviuvou-se, em 1965.
Em 22 de janeiro de 2004, quando não era mais viva, foi homenageada pela prefeitura do Rio de Janeiro. 
Virou nome de rua. A antiga Rua do Reservatório (Bairro Vasco da Gama/VII Região Administrativa/São Cristóvão) passou a ser  Dulce Rosalina, pelo decreto Nº 23925, assinado pelo prefeito César Maia, que a considerou "torcedora-símbolo do Clube de Regatas Vasco da Gama, exemplo da paixão carioca pelos times de futebol da cidade".

GRANDE PAIXÃO
Em 1961, Dulce venceu o concurso  “Melhor Torcedor Brasileiro”. 
Era a glória para quem deixava de trabalhar para não faltar à vida vascaína. Com o time, viajava pelo país a fora.
Em 1976, por apoiar a candidatura de Medrado Dias à presidência do Clube, foi obrigada a desvincular-se da Torcida. Fundou a “Renovascão”.
Em 1991, devido problema nas vistas, deixou de ir aos jogos noturnos.

Torcedores Símbolos Dulce Rosalina 1982

Torcedores Símbolos Dulce Rosalina 1986

domingo, 28 de abril de 2013

TORCEDORES SÍMBOLOS 1930: JOÃO DE LUCCA

João de Lucca, que conduziu a Torcida nos anos 1930, 40 e 50. 
Um torcedor “alto e de voz mansa”, que não teve a mesma projeção dos anteriores. Expansivo, como bom descendente de Italianos, ia para arquibancada de megafone em punho animar a massa. 
Morreu na década de 1960 como Benemérito do Vasco 
Fonte: O Clube Como Vontade e Representação: O Jornalismo Esportivo e a Formação das Torcidas Organizadas de  Futebol do Rio de Janeiro de Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Editora 7 Letras

QUEM É JOÃO DE LUCCA
Ingressando no Vasco em 1930. De Lucca, tornou-se atleta, da seção de Basquetebol, de onde acabou Diretor, cargo que ocupou depois nas divisões de pugilismo e festas. Já em 1942 surgia como Conselheiro do Vasco, posto que até hoje ocupa. Dentre as muitas campanhas das quais participou podem-se citar as de cunho financeiros a de novos sócios, na qual mereceu uma medalha de ouro por ter conseguido mais de 1.600 sócios, a frente inclusive do conhecido Aleluia, e a volta de Ademir, quando levantou a importância necessária para a compra do passe do extraordinário jogador.
Tal era a dedicação de João de Lucca pelo Vasco que, em 1945, a própria imprensa desportiva o condecorava com uma medalha por ter sido escolhido o jogador número 12 do Vasco da Gama. A página seria pequena para enumerar os serviços prestados ao Vasco da Gama por De Lucca.
Fonte: Jornal Diário Carioca 04 de Novembro de 1961

Torcedores Símbolo João de Lucca Jornal Correio da Manhã 1946


TORCEDORES SÍMBOLOS 1930: AFFONSO SILVA, O POLAR

Na década de 1930, apareceu o segundo líder Vascaíno, Affonso Silva, o Polar, assim apelidado em alusão a uma marca de sorvete por ele mesmo lançada, era um “mulato majestoso e bem vestido”, que se postava à frente das cadeiras sociais de São Januário, com sua bengala de junco empunhada à maneira dos jogos de rúgbi e baseball norte-americanos, tal como exibiam as fitas das salas de cinema na época. Esteve em tal condição até o concurso de Embaixador e de Embaixatriz para a Copa do Mundo de 1930, quando perdeu a eleição na categoria masculina para Oswaldo Menezes, do Flamengo, que não chegava a ser Chefe de Torcida.
Polar se meteu a Chefe de Torcida do Vasco. Nem todo mundo, em São Januário, gostou daquilo. O Polar, um reclamista, Chefe de Torcida. Durante a semana o Polar andava pelo meio da rua, um dia era o Soldado do Flip, outro era o Frankenstein, outro era o Corcunda de Notre Dame. No domingo vestia-se de branco, com uma camisa bem apertada no peito, ia para a pista de São Januário. E lá de baixo mandava, com um vozeirão de camelô, todo mundo gritar Vasco. Se muita gente não gostava de obedecer ao Polar, quem era o Polar para dar ordens?
João de Lucca gostava. Para onde o Polar ia, ele ia. Se o Polar era o Chefe da Torcida, ele era o Sub-Chefe.
Polar, aliás, considerava o João de Lucca como uma espécie de Sub-Chefe.
O Polar tinha treinado a voz. Era speaker das lutas de boxe do Estádio Brasil. Quando ele, no meio do ring, gritava o nome, a nacionalidade, a categoria e o peso de um boxeur, quem estava no último degrau das gerais, lá em cima, ficavam com os ouvidos doendo. Ele não precisava de megafone. Com ele era no peito. Os torcedores das cadeiras numeradas tinham que tampar os ouvidos. Por isso quando ia comandar a Torcida do Vasco, o Polar ficava na pista de atletismo de longe.
E parecia que uma porção de gente estava gritando. Era ele, era o João de Lucca, era uma meia dúzia de Vascaínos.
João de Lucca ficava logo sem voz, mas continuava a abrir e fechar a boca.
A voz do Polar chegava para os dois. Um dia os Vascaínos se acostumaram com o Polar.
Já havia Vascaínos de dinheiro que simpatizavam com ele.
“Passe lá por casa, eu tenho uns anúncios pra você”. O Polar passava pela casa do Vascaíno, arranjava mais propaganda. Não andava pela rua só de tarde, como antigamente. Era o dia todo.
A gente via o Polar com uma roupa, daqui a pouco ele estava com outra roupa. Parecia um Fregoli. Também morava na Cidade. Era só dobrar a esquina, mudar de roupa e voltar para a rua.
Fonte: Jornal Globo Sportivo 09 de Setembro de 1948

Torcedores Símbolo Polar Jornal Crítica 1930

Torcedores Símbolo Polar Jornal Globo Sportivo 1948


TORCEDORES SÍMBOLO 1922: PARADANTAS

Ruidosamente, o primeiro Chefe de Torcida a sacudir o futebol brasileiro com a sua acintosa desinibição foi o Vascaíno Paradantas.
Paradantas era caixa do Banco Ultramarino, como tal, português, e ainda como tal, adepto do Vasco.
Andava-se por volta de 1922 quando ele entrou em cena. 
O Vasco, de papagaio empinado com a sua subida de Segunda para a Primeira Divisão da Liga, despertou-o para uma façanha inédita: fazer uma bandeira especial e assumir o comando da Torcida cruzmaltina.
Franco, transbordante de gestos e de frases, segundo o historiador José da Silva Rocha, “foi esse homem que encarnou a unidade Vascaína onde quer que o time se apresente para jogar.”
“Não lhe faltava confiança e fé nas representações do Clube. Seu grupo distinguia-se pela imensa bandeira que levava a ondular, entusiasmando os companheiros com seus gritos de guerra.”
Para José da Silva da Rocha, o Rochinha, antigo Presidente do Vasco, “o velho Paradantas e sua grel distinguiam-se em qualquer parte.”
“Mas era quase sempre no campinho do São Cristóvão, que dava fundos para a casa onde morava, que ele mais se agitava montando coreto e erguendo bandeiras, “para alegrar os Vascaínos e enfurecer seus inimigos.
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Maio de 1976
Em 1934 Paradantas tornou Secretário do Vasco, foi uma grande aquisição, é um Vascaíno de fibra e qualidade.
Casado com Dona Emília e dessa união tiveram uma filha Gertrudes e o filho Fernando.

Torcedores Símbolos Paradantas Jornal dos Sports 1976

Torcedores Símbolo Paradantas Jornal Gazeta de Notícias 1934

Torcedores Símbolo Gertrudes filha de Paradantas  Revista Vida Doméstica 1924

Torcedores Símbolo Paradantas Jornal O Radical 1937

Torcedores Símbolo Paradantas Jornal O Radical 1940