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sábado, 19 de abril de 2025

FORÇA JOVEM 1994: VASCO X FLAMENGO: MARACA VIVE TARDE DE GALA E DE EMOÇÃO

Num dia de homenagens a Dener, Torcida viu até show de paraquedismo.

Foi o jogo das homenagens ao craque Dener. E o espírito do jogador, com certeza, já pode descansar em paz, pois o público de mais de 100 mil pagantes prestou as devidas honras ao ex Vascaíno. Nem a derrota da equipe de São Januário, arranhou a lembrança do moleque de pernas tortas e de jogadas geniais. Já por volta das 15 horas, o artista Eri Johnson, Vascaíno roxo, afirmava que a partida tinha um sabor especial para todos os torcedores.

“Quando o jogador é craque, ele deixa de ser de um clube. Ele passa a ser de uma pátria”, explica o artista.

E era mesmo uma pátria inteira que entrava pelos portões do Estádio. As duas Torcidas invadiam o “maior do mundo” como se fosse sua sala de estar. A multidão, se colorindo de vermelho, preto e branco ia tornando conta das dependências do Maracanã. A festa deixava de ser uma promessa e passava a ser realidade. Não havia espaço para outro assunto que não fosse futebol.

Os olhos atentos das arquibancadas vibraram quando um grupo de paraquedistas pousou no gramado, em homenagem ao ex-craque morto na última terça feira. A Torcida Força Jovem do Vasco contratou seis paraquedistas para descerem, no centro do campo, trazendo, cada um, uma bandeira. O primeiro a descer, trouxe uma bandeira negra com o nome de Dener escrito em branco. Foi aplaudido pelo Estádio inteiro.

Depois, desceu o segundo, o quarto, o quinto e o sexto paraquedista.

O terceiro “homem dos céus” calculou mal sua velocidade e o vento, e acabou parando na marquise do Estádio.

A essa altura, não havia mais aquele tradicional cordão de isolamento, separando as duas Torcidas na arquibancada.

Quando os dois times entraram, a festa foi geral. Uma fumaceira vermelha e preta, vindo do lado rubro negro, se misturava com a laranja e com os papéis picados, que saiam da cruzmaltina. Os coros de Vascôô e Mengôô ecoavam pelos anéis superiores do Maracanã, aumentando a adrenalina de todos.

O minuto de silêncio foi marcado, primeiro pelos gritos de “Adeus Dener” vindos da Raça Rubro Negra. Depois, pelo coro “Olê, Olê, Olê, Olê, Dêner, Dener, imposto pela Torcida de São Januário....

Obrigado, Dener.

Fonte: Jornal dos Sports 25 de Abril de 1994

 

Força Jovem Maracanã Jornal dos Sports 1994

Vasco Dener 1994

Força Jovem Maracanã 1994

Força Jovem Jornal dos Sports 1994

sábado, 22 de fevereiro de 2025

domingo, 7 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1994 TRI REAL

                                          “Recordar é viver, Jardel acabou com você”
                                                                                         Canto da torcida

1994                              Tri Real

Uma viagem da esperança a desesperança nas arquibancadas é o que podemos resumir do ano. Dois fatos emblemáticos marcam a situação das torcidas organizadas em 1994. Em fevereiro, as associações realizam um abraço no estádio do Maracanã, promovendo sua pintura, se confraternizam e se comprometem junto com a ASTORJ de fazer um acordo definitivo de paz[1] a partir daquela data em que se comemorava os 100 anos de futebol no Brasil. Porém, em dezembro, o presidente da Suderj, executa a desocupação das salas das torcidas do Maracanã e lança um pacote de medidas em que acusa as organizadas de promoverem a violência no futebol.
Neste ano o samba mais destacado foi o da Mangueira com o enredo em homenagem aos baianos dos Doces Bárbaros (Caetano, Gil, Betânia e Gal Costa), com a musica cantada pelo vascaíno Jamelão, a Verde-e-Rosa conquista o campeonato tem sua música na memória de todos. Acompanhando o embalo, a Força Jovem do Vasco fez uma adaptação que logo virou hit nas arquibancadas: “Me leva que eu vou/ Sonho meu/ atrás da Força Jovem/ Só não vai quem já morreu”.
A morte rondou o futebol em 1994 com um desastre que chocou os torcedores cariocas. Contratado no início do ano, o jovem atacante Dener, se encaixou perfeitamente no time e virou o xodó da torcida com seus dribles desconcertantes, sua habilidade incomum, além de seu sorriso “moleque”. Mas uma fatalidade entrou no caminho desta promessa de ídolo vascaíno. Em abril, um desastre de automóvel interrompe abruptamente a carreira do jogador que morre enforcado com o cinto de segurança. Era o fim de um jogador com o mesmo estilo de Ronaldinho Gaúcho e Neymar (craques das gerações posteriores), mas que não teve o tempo suficiente de se consagrar nos gramados.
No 1º jogo disputado após o acidente quando jogaram Vasco e Flamengo, a Força Jovem presta uma grande homenagem com vários pára-quedistas descendo dentro do Maracanã, com bandeiras da FJV e uma bandeira escrito o nome de DENER. Nesta partida outra homenagem uniu as duas torcidas, para o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna que falecera naquele domingo em acidente automobilístico que comoveu todo o país: “o Maracanã presenciou um espetáculo cada vez mais raro: durante 10 minutos, as torcidas de Flamengo e Vasco, em coro uníssono, prestaram emocionante homenagem a Senna (Assaf e Martins, 1999, p.81).
Um mês depois a torcida esquecia a morte do craque e comemorava mais um título carioca. Era o tricampeonato vencido sobre o Fluminense com dois gols do jovem atacante, Jardel. Além do artilheiro, o destaque ficou por canta da nova queima de fogos. Este recurso pirotécnico nos jogos contra o Fluminense nas decisões dos estaduais de 1993 e 1994 foi um marco nas comemorações dentro do Maracanã, o feito virou Capa da Revista Espanhola Hincha, Vasco Tri Campeão Carioca. TRI,TRI, o Vasco é Tri, UhTêrêrê! , grito da Força Jovem na final do Estadual, copiado do grito... Uh! Têrêrê!”, onomatopéia da batida norte-americana tocada nas rádios (“− Uh! That it is!”). No jogo da entrega das faixas, em São Januário contra o Cruzeiro, a FJV realiza uma linda cascata, nela está escrito “Força Jovem Vasco TRI Campeão.
Em junho veio a Copa do Mundo nos EUA e o Brasil que já amargava 24 anos sem um título mundial finalmente levanta a taça graças ao brilho da dupla de atacantes Romário e Bebeto. Foi uma conquista que deu um novo ânimo para o futebol brasileiro e a promessa que agora nosso esporte principal se modernizaria. No entanto, o que se via era o futebol europeu fazer cada vez mais contratações destruindo as visões mais otimistas. Dos 22 convocados apenas 5 jogavam no Brasil. Entre eles Ricardo Rocha, único jogador do Vasco na seleção, apesar dos vascaínos vibrarem com Romário e Mazinho, formados no clube e Bebeto, que havia saído do clube em 1992, como grande ídolo e a promessa de voltar a São Januário.
A Copa nos EUA teve números impressionantes dentro e fora dos gramados, Com os jogos transmitidos para todos os lugares do mundo, a final teve a audiência de um em cada seis habitantes do planeta. A audiência total da Copa totalizou mais de 31 bilhões de espectadores. Venderam praticamente todos os ingressos disponíveis (3,6 milhões) em um país que 62% da população nao sabia o que era uma Copa do Mundo de Futebol e 71% não sabiam que seria nos EUA, conforme uma pesquisa realizada um mes antes da competição.
A recepção de milhões de brasileiros pelas ruas do país na viagem de volta demonstrava que o gosto pelo futebol e a importância simbólica deste esporte não podiam ser desprezadas. O otimismo seria expandido quando Fernando Henrique Cardoso criou o Plano Real para conseguir debelar o fantasma da inflação que atormentava a vida dos brasileiros. Com o sucesso do Plano sua eleição foi garantida no primeiro turno. Quem garantia sua presença no parlamento federal era Eurico Miranda, que aproveitando o tricampeonato carioca lançou o slogan de sua campanha “vascaíno vota em vascaíno”, alcançando 85 mil votos.
No começo do campeonato brasileiro o otimismo geral cedia espaço a preocupação dos confrontos entre os agrupamentos. No jogo entre Vasco e Santos em São Januário, as cenas do massacre sobre os santistas ganham grande repercussão além de outros episódios. Terminando com o pacote de medida da Suderj que retirou as salas do Maracanã de todas as torcidas: “SUDERJ PACOTE ANTI VIOLÊNCIA”
1- Fica suspenso o convênio entre a Suderj e Ferj em relação à distribuição de ingressos gratuitos para os Clubes nas arquibancadas.
 2 - Os ingressos de cortesia passam a ser limitados a 200 por jogo, apenas para as cadeiras especiais e coloridas.
 3 - Os torcedores pegos em flagrante por causar tumulto serão detidos no módulo cartorário da polícia, dentro do Maracanã, e será aberto um inquérito. O objetivo é prender os baderneiros.
 4 - Os Clubes passam a ser responsáveis pelas salas ocupadas pelas Torcidas organizadas.
5 -  Caso aconteçam arruaças dentro ou fora dos estádios em dias de jogos, os clubes não poderão utilizar o Maracanã por 30 dias.
6 - Em caso de reincidência, a punição aumentará para 60 dias de punição[2]
Uma grande reportagem escrita pelo famoso jornalista Oldemário Touguinho, endossa todas as medidas repressivas e registra que apenas duas associações (comandadas por mulheres), não mais representavam a “nova realidade das torcidas”, Eis na íntegra a matéria que, de certa forma, representava a opinião geral da imprensa:
DUAS SANTAS DO FUTEBOL
Consumou-se o despejo dos bunkers do Maracanã. Eram Salas do Estádio ocupadas pelos desocupados do futebol. Tinham lá seus torpes artesanais, bem guardados. Ninguém pagava aluguel. Ali estavam com o aval dos cartolas de Clubes, aos quais servem, desservindo o futebol. São massas de manobra. A Polícia levou porretes, cacos de vidros, socos ingleses, estiletes, o diabo. Vendilhões do futebol.Tinham, ao todo 17 Salas. Duas delas, porém, eram de fato cantinhos de devoção. Dois santuários, um do Fluminense, outro do Vasco.
Ambos cuidados por duas mulheres: a do Vascaína Dulce Rosalina (Renovascão), legendária torcedora do Vasco, que conheci há muitos anos, ora sambando, ora chorando com o seu querido Clube.Na outra salinha, só troféus, flâmulas, bandeiras e retratos do Fluminense. Paixão eterna da Tia Helena (Fiel Tricolor), uma celebridade tricolor da estima do futebol. Tia Helena e Dulce Rosalina poderiam ter ficado com suas Salas. Duas capelinhas. O Secretário de Esportes, Jack London, deixou a vontade. Elas não quiseram. Estão desencantadas.
Não com os Clubes, que hão de amar sempre, com o vandalismo que tem feito sangrar o coração do verdadeiro torcedor.Tia Helena e Dulce são herdeiras de Jaime de Carvalho (Charanga Rubro Negra), santo homem que alegrava as arquibancadas do Maracanã com a Charanga do Flamengo. Dois pistons, uma clarineta, um trombone de vara, um pandeiro, um imenso bumbo, dois taróis. Se o Flamengo fazia um gol, a bandinha atacava o hino do Clube, levando ao delírio o Estádio, majestoso. Era uma prévia do Carnaval Carioca.Tia Helena e Dulce Rosalina pertencem a uma família de torcedores que começou a desaparecer com a morte de Jaime de Carvalho. Havia também um cidadão símbolo do Botafogo. Era um marujo, que sentava sempre no ponto mais alto da arquibancada. Sempre fardado. De lá, como um farol sonoro, o marujo erguia um talo de mamão, seu clarim e arrancava dele uma pungente sonata de louvor a Estrela Solitária. Musicalmente, não queria dizer nada, mas tocava fundo o coração botafoguense.Recém chegado ao Rio, essa classe de torcedor me fascinava. Eu era simpatizante do Botafogo, mas admirava o coração pacífico de Jaime de Carvalho.Depois, o torcedor do Maracanã foi se tornando mais tenso, menos lúdico. Mais implacável.Mais impiedoso. Se seu Time vencia, não bastava. Queria mais. Queria que o Time do amigo, jogando noutro campo, perdesse. Era assim a máxima de Jules Renard: “Não basta ser feliz, é preciso que os outros não sejam...” Daí pro vandalismo foi um passo.Triste sina do futebol, Tia Helena e Dulce Rosalina, que Deus as proteja.[3]
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] A idéia nasceu do Presidente da ASTORJ, Armando Giesta, e foi encampada pelo Secretário de Esportes do Estado Jorge Picciani. O esforço de pacificação das Torcidas teve também o apoio do Vice Governador e Secretário de Polícia Civil, Nilo Batista. Fonte: Jornal do Brasil 18 de Fevereiro de 1994 .
2] fonte Jornal do Brasil 27 de outubro de 1994. Em novembro ocorrem novas medidas.  Ao todo eram 23 salas no 3º andar do Maracanã são desocupadas. Do Vasco saíram a FJV, TOV, Pequenos Vascaínos e Renovascão.
[3] Fonte: Jornal do Brasil 13 de Novembro de 1994.

Vasco 1994

Vasco Folha do Esporte 1994


domingo, 22 de maio de 2016

ASTORJ 1994: TORCIDAS ABRAÇAM O MARACANÃ

Os líderes das principais facções de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro promovem hoje, as 8 horas no Maracanã, mais uma tentativa de acordo de paz. 
Num mutirão, acertado com a Suderj, torcedores pintarão o muro do Estádio e encerrarão os trabalhos com um abraço simbólico e distribuição de camisas e bonés.
A idéia nasceu do Presidente do Conselho Diretor da Associação das Torcidas Organizadas (ASTORJ), Armando Giesta, e foi encampada pelo Secretário de Esportes do Estado Jorge Picciani.
O esforço de pacificação das Torcidas tem também o apoio do Vice Governador e Secretário de Polícia Civil, Nilo Batista. 
Ele participou de encontros e ajudou a definir regras de conduta nos Estádios, que serão exigidas das facções Organizadas.
“Essa é mais uma tentativa de promover a paz nos Estádios. Esperamos que desta vez de certo”, observou o Presidente da Torcida Jovem do Flamengo Sérgio Cunha.
Fonte: Jornal do Brasil 18 de Fevereiro de 1994 

ASTORJ Jornal do Brasil 1994

ASTORJ Jornal do Brasil 1994

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

FORÇA JOVEM 1994: SAMBA DA MANGUEIRA

Clássico no Maracanã nos anos 1990. 
A Torcida adversária completa e a postos, brigando no tamanho e no grito com o povão Vascaíno. 
Um duelo realmente equilibrado na arquibancada.
Mas para desespero dos rivais, momentos antes do jogo começar, eis que surge do último túnel das arquibancadas do lado Vascaíno a primeira bandeira da Força Jovem. 
É o prenúncio do que viria em seguida: dezenas de bandeiras e um mar branco de gente, que era o exército da Torcida, marchando lentamente, ao som de um famoso samba da época.
A multidão que não parava de sair do túnel dobrava o tamanho da arquibancada Vascaína e desequilibrava o duelo com qualquer Torcida adversária.
E a trilha sonora desse momento arrepiante era justamente o Samba da Mangueira de 1994 (ano da conquista do tricampeonato carioca), que mais parecia um hino. 
Mangueira do eterno e saudoso vascaíno fanático Jamelão, símbolo do carnaval carioca.
E é para não deixar esse samba cair no esquecimento do povão que a Força Jovem relembra para você, para que o cante e incentive os amigos a cantar quando rolar esse som na arquibancada.

LETRA DO SAMBA: ATRÁS DA VERDE E ROSA SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU
Bahia é luz de poeta ao luar
Misticismo de um povo
Salve todos orixás
Quem me mandou, estrelas de lá
Foi São Salvador, pra noite brilhar
Mangueira!
Jogando flores pelo mar
Se encantou com a musa que a Bahia dá (obá)
Obá, berimbau, ganzá
Ô, capoeira joga um verso pra iaiá
Obá, berimbau, ganzá
Ô, capoeira joga um verso pra iaiá (Caetano)
Caetano e Gil, ô
Com a Tropicália no olhar
Doces Bárbaros ensinando a brisa a bailar
A meiguice de uma voz, uma canção
No teatro opinião, Bethânia explode coração!
Domingo no parque, amor
Alegria, alegria, eu vou
A flor na festa do interior, seu nome é Gal
Aplausos ao cancioneiro,
É carnaval, é Rio de Janeiro
Refrão:
Me leva que eu vou
Sonho meu
Atrás da Força /+/ Jovem
Só não vai quem já morreu
Fonte: https://www.facebook.com/forcajovemvasco/photos/a.329378760411983.99761.327393320610527/1233721003311083/?type=3

Força Jovem Maracanã 1994

Força Jovem Maracanã 1994



sábado, 12 de março de 2011

FORÇA JOVEM, RENOVASCÃO, PEQUENOS VASCAÍNOS, FORÇA INDEPENDENTE, ANARQUIA E TOV 1994: FIM DA SALA DO MARACANÃ

Novembro de 1994: 
Acaba a Sala da Torcida no Maracanã, esta Sala foi presença marcante por mais de 20 anos, a Suderj cria um pacotão contra a violência e despeja todas as Torcidas que tem Sala no Estádio.
Do Vasco saíram a Força Jovem (desde 1974)  Sala 330-A, TOV (desde 1967) Sala 314-A, Pequenos Vascaínos Sala 322-B, Renovascão e uma Sala dividida entre a Força Independente do Vasco e a Anarquia. 
Dia muito triste para as Torcidas Organizadas.
Ao todo eram 23 Salas no 3º andar do Maracanã onde as Torcidas guardavam repiniques, surdos, cornetas, bandeiras, fogos, entre outros. 
A ocupação era fruto de concessões antigas que dividiram o espaço de acordo com o tamanho das Torcidas. 
As Organizadas do Flamengo tinham 7 Salas, as do Botafogo 5 Salas, mesmo número do Vasco (5), e as do Fluminense 4 Salas. 
As Torcidas do América e do Bangu tinham apenas uma Sala cada uma.
A perda das Salas ocupadas no Maracanã pelas Torcidas, a proibição de se concentrarem em dia de jogos em certos locais, o fim das credenciais dadas pelos dirigentes às torcidas e que permitiam o acesso gratuito pelo Portão 18 do Maracanã, onde as Torcidas se encontravam incitando, ainda mais seus antagonismos, a decisão de estabelecer acessos por portões diferentes, foram atitudes citadas como importantes, no sentido de reduzir os enfrentamentos. 
Entretanto, a despeito de todos estes dispositivos, alguns líderes admitiram que determinados jogos, (Vasco e Flamengo, por exemplo) exigem uma forte intervenção policial, do contrário, os embates serão inevitáveis. 
Fonte: Torcidas Jovens Cariocas: Símbolos e Ritualização: Rosana da Câmara Teixeira e Jornal O Dia. 

TORCEDORA AINDA CHORA PELA SALA
A Torcedora símbolo do Vasco, Dulce Rosalina, a mais antiga Chefe de Torcida Organizada ainda em atividade no Brasil, continua lamentando a medida da Suderj de retirar das Organizadas as Salas que elas mantinham a vários anos no Maracanã, e que servia para guardar bandeiras, faixas e instrumentos musicais. Ela agora espera que Jack London, Presidente da Suderj, reveja a sua decisão brevemente, abrindo exceção para as facções de passado limpo: “Não é possível o que aconteceu com a Renovascão. Foi um desrespeito! A nossa Torcida jamais criou qualquer tipo de problema no Maracanã, e em qualquer outro Estádio do Brasil. Deveríamos ser respeitados e no entanto nos trataram como verdadeiros marginais, “ indignou-se Dulce Rosalina.
Fonte: Jornal dos Sports 15 de Novembro de 1994                                                                                                                                             
Sala do Maracanã Jornal O Dia 1994
     
Sala do Maracanã Jornal O Dia 1994
                                                          
Sala do Maracanã Jornal dos Sports 1994
Renovascão Jornal dos Sports 1994

FORÇA JOVEM 1994: PRESIDENTE ANTÔNIO BRÁS

Assumiu a Presidência Antônio Brás em outubro de 1994 e ficou até 1997.

Força Jovem Presidente Antônio Brás 1995
Força Jovem Presidente Antônio Brás foto 1991

sexta-feira, 11 de março de 2011

FORÇA JOVEM 1993: ENTREVISTA PRESIDENTE MARQUINHOS

SOMOS OS MELHORES:
Sérg..., Corintiano, foi pisoteado em um Estádio de Futebol no dia 12 de Outubro. Morreu. Nel.., São-paulino foi atropelado por um trem ao fugir de inimigos, no dia 15. Morreu. Sérg..., Flamenguista foi espancado, no dia 16. Morreu. Wag..., Palmeirense, foi baleado no dia 22. Morreu.
Apenas um motivo explica a chacina a conta gotas. As vítimas não sabiam que na terra do Tetra é proibido circular com camisa de time de futebol. Ignoraram o perigo que é ir a um Estádio assistir a uma simples partida do Campeonato Brasileiro. Sobrou pra eles.
Os assassinos de torcedores estão espalhados por todo país. Seus inimigos são qualquer um. Basta torcer para o time adversário. 
Geralmente, eles agrupam-se em sangrentas gangues que se integram as Torcidas Organizadas. Seu grito de guerra diz tudo: 
“Vou dar porrada e ninguém vai me segurar”. 
Nesse caudal de insanidades, um estudante de informática tenta reencontrar o prazer de ser torcedor: Marcos de 19 anos, Presidente da Força Jovem , expulsou e denunciou 3 dos associados da Torcida, sob a suspeita de terem participado da briga que resultou na morte do flamenguista Sérg...
“O caminho é esse. Só assim a violência no futebol vai acabar”, sentencia o jovem Presidente.
Marquinhos não é um Betinho do futebol. 
Nos Estádios, ele continua defendendo que “xingar a outra Torcida é uma guerra justa”. 
Para ele, o que se fala não é o que se faz.
Mesmo contraditória, sua decisão de denunciar companheiros inspirou um acordo envolvendo as Torcidas Organizadas dos principais Clubes de São Paulo, Gaviões da Fiel, Mancha Verde, Independente e Torcida Jovem do Santos, decidiram punir os vândalos que fazem parte dos seus próprios quadros. 
Serão expulsos das Torcidas todos os que matarem ou agredirem. Marquinhos admite que tem medo de ir ao Estádio.
 “Mas eu gosto de futebol. Se ficar em casa vou vegetar”. 
Foi justamente em um Estádio, o Maracanã, as vésperas do jogo Vasco x Grêmio que ele recebeu a Veja para a seguinte entrevista:

Veja: Porque a Força Jovem a Torcida Organizada do Vasco, denunciou 3 de seus filiados de assassinar um torcedor do Flamengo?
Marquinhos: Para que isso sirva de alerta para todas as Torcidas. A violência das Torcidas Organizadas não pode continuar assim, senão o futebol acaba. Temo-nos reunidos diariamente para discutir a situação dos três torcedores. Eles estão foragidos da Polícia.

Veja: Como o Senhor tem tanta certeza de que esses Três Torcedores são assassinos?
Marquinhos: Estamos fazendo uma investigação interna para apurar as responsabilidades na morte do torcedor do Flamengo. Quero salientar que não estamos dizendo que os acusados são mesmo culpados. São suspeitos de fazer parte do grupo que linchou o torcedor. Não queremos cometer nenhum tipo de injustiça. No ano passado, alguns torcedores da Força Jovem foram acusados de ter atirado coquetéis molotov  contra um ônibus da torcida do Flamengo. Eles eram inocentes, mais foram acusados por alguns passageiros. A Polícia não apurou nada. Não investigou nada. Limitou-se a ir ao juiz. Pegou um mandado de prisão e executou. Dez meses depois os torcedores foram inocentado em julgamento. Foi um escândalo.

Veja: O Senhor não teme ser tachado de dedo duro pelos companheiros de Torcida?
Marquinhos: Não. Nosso modo de ação para coibir a violência nos Estádios será de dois tipos. Dependendo da gravidade da falta cometida pelo torcedor, nós podemos adverti-lo ou delatá-lo a Polícia.

Veja: Se esse expediente fosse seguido por outras Torcidas, a paz voltaria aos Estádios?
Marquinhos: Sem dúvida. Esse tipo de atitude, aliado a um policiamento mais presente, resolveria a violência nos Estádios. O problema é que há Torcidas que não pensam assim. Tem gente que usa a Torcida para crescer politicamente dentro do Clube ou fora. Há muita inveja, ódio, desgosto. É daí que aparece a violência. Há muita competição interna.

Veja:  O Senhor não estaria atribuindo uma importância excessiva aos dirigentes de Torcida Organizada? Qual o poder que eles têm de fato para controlar 100.000 pessoas num Estádio?
Marquinhos: Esse é um ponto importante. Em geral as diretorias de Torcidas Organizadas são contra a violência. Mas elas têm de lidar com o sentimento incontrolável de ódio e vingança que seus associados alimentam. Se uma Torcida agride a outra, de duas uma, ou a Torcida atacada se defende ou então todo mundo corre e os agressores acabam pegando um ou dois coitados. São coitados porque se machucarão bastante. Isso pra dizer o mínimo. Se a Polícia não dá conta do recado, se ela é incapaz de proteger a integridade física das pessoas, então é o caso de a própria Torcida tomar as providências, certos? Primeiro ela precisa se defender. Afinal ninguém vai dar a cara para tomar tapas. Depois quando a agressão partir de suas próprias fileiras, ela tem de providenciar a punição dos culpados.

Veja: Como acontece a pancadaria entre Torcidas?
Marquinhos: É uma coisa tão ruim, mas tão ruim, que fica difícil explicar. Para entender mesmo, você precisa estar no meio disso. Na hora, sua cabeça vai a mil, a adrenalina sobe. O quebra-quebra começa numa briga corpo a corpo entre dois torcedores. As vezes, eles se desentendem por motivos banais, um torcedor se recusa a sentar e é alvejado com uma pedra por outro mais esquentado. Desse corpo-a-corpo vira corpos-a-corpos. Ai a coisa fica entregue as mãos de Deus.

Veja: O Senhor tem medo de se machucar?
Marquinhos: Se meu medo me impedir de fazer o que eu gosto, não farei nada de minha vida. É melhor nem tirar os pés de casa. Tenho medo, mas medo de tudo. Perigo todo mundo sabe que tem. Mas perigo tem em qualquer lugar do Brasil. Se eu ficar em casa, sei que vou vegetar.

Veja:  Que armas se usam nas guerras dos Estádios?
Marquinhos: Foguetes, morteiros, coquetéis Molotov, bombas de fabricação caseira, revólver, canivetes, pedras, bambus das bandeiras, garrafas. Vale tudo. O que estiver a mão, numa briga, é arremessado. Isso é grave, mas não podemos crucificar os torcedores Brasileiros. Afinal, violência nos Estádios acontece em qualquer lugar do mundo, as vezes até pior do que aqui.

Veja: Por que pior?
Marquinhos: Aqui, as divergências são entre Torcidas. Não há problema político ou religiosos misturados. Na Europa por exemplo, misturam-se o bairrismo, a questão étnica e as brigas religiosas.

Veja: Que outros tipos de violência o Senhor chegou a ver?
Marquinhos: Já vi gente que fez xixi num copo e depois o arremessou na multidão que estava embaixo de seu degrau. É muito fácil esconder-se na multidão. Sempre tem gente arremessando algo. Já vi gente que pega gelo e atira nos outros. Água, gelo, pedra, joga-se de tudo.

Veja: Quanta gente vai ao jogo para brigar?
Marquinhos: Acredito que 5%, mais ou menos. Em um jogo de Maracanã lotado com 100.000 pessoas, 5.000 são de briga ou então vão roubar. A maioria é mais consciente. Mas que fique claro que a violência não acontece só nas Torcidas Organizadas. Elas são a solução do futebol, e não o problema. Hoje em dia, a grande maioria da juventude ou é de Torcida Organizada ou simpatiza com ela. Houve vários casos de torcedores que balearam ou lincharam gente só porque vestia a camisa do Time adversário. Torcedor comum, de Bairro, que não tem nada a ver com uma Organizada. Quando se trata de violência, não existe diferença entre Torcida comum e Torcida Organizada. Os métodos são os mesmos.

Veja: E os outros 95%, quem são?
Marquinhos: São torcedores que vêm de todas as classes sociais. Na arquibancada tem de tudo. Aliás, quem pratica a violência também é de todas as classes sociais. Violência não é problema de pobre apenas.

Veja: Com tanta coisa contra, qual a vantagem de ir ao Estádio?
Marquinhos: Você pode chegar e fazer o que quiser. É o melhor lugar para assistir a um jogo. Muito melhor  do que na frente da TV. Lá, pode-se gritar o que quiser, fazer o que quiser. Pode botar tudo pra fora. De repente, a pessoa se transforma em um entre 100.000. É uma libertação. Existe algum outro lugar na Cidade onde isso seja possível? Na rua ninguém tem a coragem de uma forma que não prejudique ninguém, acho fantástico. É por isso que somos apaixonados pela arquibancada. A arquibancada é um espaço livre, não tem discriminação. Não é como um restaurante chique.

Veja: Até que ponto pode chegar a violência de um torcedor no Estádio?
Marquinhos: Xingar a outra Torcida é uma guerra justa.É uma briga saudável, que fica no grito. Uma Torcida grita mais do que a outra, uma xinga essa, a outra xinga aquela, aí eu não vejo problema. Há quem aprecie sentar justamente na fronteira com a Torcida adversária. Não acho o mais aconselhável, mas enfim, não posso negar que existe um prazer em odiar o adversário. Não sou um desses. Mas reconheço que existe um prazer. Nelson Rodrigues dizia que a grande graça do futebol era tripudiar o adversário.

Veja: Não haveria aí uma distorção, torce-se mais contra o adversário do que a favor do próprio Time?
Marquinhos: É verdade, tem gente que torce mais contra um certo Time do que pelo próprio. Gente que faz parte da Torcida. Gente que odeia mais um Time do que ama o próprio. Palmeirenses que são mais anticorinthians do que Palmeirenses. Tem gente que vai ao jogo porque é antiflamenguista, anticruzeirense, antipalmeirense. Tem gente que não grita o nome do Clube, mas quando é pra xingar o Time adversário se esgoela. Faz parte da natureza da Torcida e do futebol. É espontâneo, a adrenalina fica a mil.

Veja: E os hinos das Torcidas Organizadas. Eles são incitam à violência?
Marquinhos: Há hinos de todos os tipos, desde aqueles que incentivam mesmo a violência até os mais carinhosos. Uma das nossas músicas tradicionais é aquela: 
Eu Sou da Força Jovem, eu Sou, O Bicho Vai Pegar, e Ninguém Vai Me Segurar, Nem a PM!, Todas as Torcidas cantam essa, Independente do São Paulo, Gaviões da Fiel, do Corinthians, qualquer uma. Mas há também os hinos mais carinhosos, do tipo: 
Eu sou da Força Jovem, onde o Vasco estiver, eu estarei com o meu coração, para exaltar a Cruz de Malta e cantar com toda emoção.
Quem introduz esses gritos é uma espécie de puxador de cantos.

Veja: Não lembra grito de guerra, um sujeito canta e entra todo mundo depois?
Marquinhos: Existem várias Torcidas que lembram Exército. Não é o nosso caso, faço questão de frisar. São Torcidas divididas em Batalhões, Comandos e Pelotões. Algumas Torcidas tem linha de frente, concebidas para enfrentar qualquer situação de violência. Normalmente, são sujeitos mal encarados. Dividem-se em 1º Comando, 2º Comando, 3º Comando e assim por diante. Verdadeiras gangues. 

Veja: Existe um ideário básico para fazer paste de um Torcida Organizada?
Marquinhos: Sim, há uma certa ideologia. Acima de tudo, nosso caso, é amar o Vasco. Estar onde ele estiver. Fazer pelo Vasco às vezes até mais do que faz por si mesmo. O pessoal da Mancha Verde, principal Torcida Palmeirense, costuma dizer: "Acima de nós só Deus". É o lema deles, e eu acho até bonito. Mostra a dedicação que eles têm a uma causa.

Veja: E os ídolos das Torcidas Organizadas ? Uma vez, no Morumbi, uma Torcida do Palmeiras ostentava uma bandeira com o Ditador Iraquiano Saddam Hussein travestido de Palmeirense.
Marquinhos: Eu nunca vi essa bandeira. Nós da Força Jovem usamos bastante a figura do Eddie  o boneco do grupo de Hevy Metal Iron Maiden. É que o pessoal curte um som heavy. Mas Torcida tem de tudo. Tem até uma Torcida Corinthiana chamada Pavilhão 9, composta de ex detentos do Carandiru. Aqui no Rio, a Torcida do Botafogo utiliza um buldogue bem bravo. A Torcida do Flamengo adora gente que faz uma guerrinha, como Saddan Hussein mesmo, ou o Che Guevara, ou o Fidel Castro. É só o cara fazer uma guerra que ele já vira ídolo da Torcida.

Veja: E os bandidos? Como eles agem nos Estádios?
Marquinhos: Há três tipos básicos de marginal em ação nos Estádios. Há aqueles que aproveitam a aglomeração para roubar. Há outros que ficam no meio da multidão para fumar maconha ou cheirar cocaína. E há pessoas que vão ao Estádio resolver rixas pessoais. Esses três tipos acabam puxando gente que não tem nada a ver para entrar em confusão. A verdade é que quando muita gente se junta, as pessoas enlouquecem. A maioria não se conhece e acha que pode fazer loucuras, sem medo de represálias.

Veja: E como se rouba nas arquibancadas?
Marquinhos: Acredite ou não, no Campeonato Carioca de 1994, houve arrastão, você imagina? Um grupo de vinte ou trinta pessoas ia para lá, saía correndo e roubava um monte de gente. Daí a Polícia decidiu fazer cordão de isolamento de 300 em 300 metros. O que os bandidos fizeram? Foram para as arquibancadas. Esse é um dos maiores problemas dentro dos Estádios Brasileiros hoje em dia.

Veja: Em que medida os membros de Torcidas Organizadas  integram as galeras Funk?
Marquinhos: Isso é uma coisa muito recente. Não interessa o que o cara faz fora da Torcida. O que incomoda é uma minoria que age no Estádio como se estivesse num baile funk. A torcida do Flamengo, por exemplo grita " Uh Tererê", o grito de guerra das galeras funk. Esse grito vem de uma música que faz sucesso nos bailes funk . "Uh tererê" é uma gíria adaptada. Significa maconha. Ficam gritando durante o jogo. Sempre há alguém no meio da arquibancada que entra esse grito. Se for Vascaíno, nós pedimos para ele parar com isso.

Veja: A violência praticada no campo tem a ver com aquela das arquibancadas?
Marquinhos: O pessoal gosta de ver uma briguinha em campo. O Edmundo, jogador do Palmeiras,faz o delírio da torcida. Ele é um animal - os palmerenses vivem gritando isso - porque é indisciplinado  debochado, mexe com o adversário. Isso dá brilho no jogo, mas não tem nada a ver com o que se faz nas arquibancadas. Não serve como exemplo para os torcedores. Quando Ayrton Senna morreu, Nelson Piquet disse que os acidentes na Fórmula 1 são o delírio dos telespectadores, aquilo que eles mais gostam de ver. Isso vale também no futebol é divertido e até engraçado ver briga entre jogadores ou contra o juiz. Uma briguinha, um tapinha, um empurrão no juiz é super folclórico  Faz parte do show. O que ninguém gosta - nem mesmo quem é de briga - são aquelas entradas para destruir o jogador adversário.

Veja: Como é a violência da Torcida Organizada contra os jogadores?
Marquinhos: Vascaíno que é vascaíno pode ser um perna-de-pau, mas tem que suar a camisa. Isso é tudo que cobramos de um jogador. Se continuar, chegamos até a pedir seu desligamento da equipe.

Veja: O jogador Colombiano Andrés Escobar foi assassinado por torcedores revoltados com um gol contra que ele marcou na Copa. O Senhor vê possibilidade de isso ocorrer no Brasil?
Marquinhos: Sinceramente? Sim. A loucura de um torcedor fanático não tem limites.

Veja: O Senhor acha que a identidade de uma pessoa tem a ver com o Time para que ela torce?
Marquinhos: Não tenho dúvidas. Vascaínos têm um modo de pensar totalmente diferente dos Flamenguistas. Somos melhores.
Fonte: Revista Veja 02 de Novembro de 1994

Força Jovem Revista Veja 1994

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