domingo, 9 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2012 A DESPEDIDA DO ANIMAL

                               “ão,ão,ão derruba a do anão” e “au,au,au. Estátua para o Animal”
                                                   Torcida provoca Romário e apóia Edmundo

2012                 A Despedida do Animal
        Edmundo, Juninho e Felipe. Três dos maiores jogadores da história do clube protagonizaram as manchetes dos jornais e a atenção de sua torcida no início do ano de 2012. O atacante fazia sua partida de despedida depois de abandonar os gramados em 2008. Os meias comandavam em campo o toque de classe do time que prometia colocar a nau vascaína no caminho das grandes vitórias. A esperança maior era o título da Taça Libertadores, mas antes o desafio seria o campeonato carioca e a promessa de acabar com o jejum de quase dez anos que incomodava bastante  a exigente torcida.
            A boa fase do time motivava o mercado editorial que lançava mais um livro sobre o clube. Desta vez era uma série de contos escritos pelo sociólogo Mauricio Murad, o músico Nei Lopes e o professor de literatura da UFF, Luis Maffei. “Contos da Colina. 11 ídolos do Vasco e sua imensa torcida bem feliz”. A obra conta doze contos, onze com uma estória em torno de um craque vascaíno, e um em que o protagonista é a torcida cruz-maltina.
No final de março, em partida amistosa contra o Barcelona do Equador (mesmo adversário da final da Liberadores em 1998) diante de 21.000 pessoas, Edmundo fazia sua despedida do clube em que atuou por 241 vezes marcando 137 gols: “A emoção entrou em campo bem antes de a bola rolar. Com os refletores do estádio apagados, Edmundo entrou em campo sozinho para ser saudado pelos milhares de torcedores que lotaram São Januário para ver o ídolo com a camisa do Vasco pela última vez. Número 10 às costas, o ex-atacante não conseguiu segurar a emoção e precisou enxugar as lágrimas. O próximo passo foi receber a braçadeira de capitão do apoiador Juninho Pernambucano. Depois de uma bela queima de fogos, Edmundo ainda recebeu uma placa do presidente Roberto Dinamite e fez o seu papel de ídolo ao cantar todo o hino vascaíno, que era tocado no alto-falante do estádio, em coro com os torcedores”.
Na partida que terminou 9 a 1, Edmundo marcou dois gols mas a emoção final ficou aos 40 minutos do segundo tempo quando o ídolo foi substituído e saiu dando a volta olímpica pelo estádio que o aplaudiu de pé.
Um mês depois Felipe, que havia recebido a braçadeira de Edmundo na sua despedida, faz uma de suas melhores exibições com a camisa do Vasco e marca dois gols na eliminação do Flamengo na semifinal do campeonato carioca. Em resposta ao atacante o Flamengo que havia provocado os vascaínos na véspera da partida decisiva, Felipe deu o troco e afirmou: “as partidas se ganham dentro de campo e não fora. Agora sim eu posso responder ao Vagner Love. Ele tem 28 dias para descansar e treinar para o Brasileiro. Realmente se ganha dentro de campo. Quem ganha a vida com a boca é cantor. Ele tem 28 dias para aproveitar”.
A decepção da torcida com a derrota para o Botafogo na final da Taça Rio só não foi maior que a tristeza com a eliminação para o Corinthians nas quartas-de-finais da Libertadores em São Paulo, em partida que o clube carioca teve grande atuação e viu o atacante Diego Souza perder um gol incrível que, certamente, daria a classificação para a próxima fase.
Em 2012 voltou a funcionar a Associação das Torcidas Organizadas do Vasco (ASTOVAS) depois de ficar mais de uma década desativada. Faziam parte da entidade os representantes das seguintes torcidas: Força Jovem, Ira Jovem, Guerreiros do Almirante, Renovascão, União Vascaína, Super Jovem, Rasta do Vasco, Vasboêmios, Vila Vasqueire, TOV e Pequenos Vascaínos. Tendo como presidente  Claudinho, ex-Presidente da Força Jovem.
Neste período dois livros importantes aumentariam a coleção de obras de leitores vascaínos. O trio Alexandre Mesquita, Eugênio Leal e Jefferson Almeida lançavam “Jogos Memoráveis do Vasco”. Outro livro importante foi a Torcida Brasileira, organizado por Bernardo Holanda, Victor Melo e João Malaia. Este último que havia defendido sua tese sobre o Vasco em 2010, escreve sobre as torcidas cariocas entre 1910 e 1940, destacando que nos anos 1920 tínhamos a maior torcida da cidade.
No meio do ano a principal notícia foi a aprovação da Lei Geral da Copa (12.663/12) no dia 5 de junho de 2012 sancionado pela Presidência da República. A lei trazia vários artigos polêmicos como a liberação do consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios, isentar a FIFA dos pagamentos das taxas áreas de restrições comerciais próximas aos locais dos eventos e a previsão de exclusividade da FIFA da divulgação, publicidade, realização de propagandas e vendas relacionadas aos eventos futebolísticos, delimitando um perímetro de 2 (dois) quilômetros dos locais de eventos.
Em 2012 a Câmara Municipal do Rio de Janeiro fazia seu último tributo ao “Dia do Vasco” em agosto. O evento criado pelo vereador Roberto Monteiro não teve prosseguimento nos próximos anos. Entre os muito homenageados estava  o guitarrista Celso Blues Boy, falecido neste mês de agosto, em Santa Catarina.
O estádio do Engenhão passou a ser o principal local das disputas dos clássicos cariocas com o fechamento do Maracanã entre 2010 e 2013, passando a receber grande atenção da imprensa e dos pesquisadores sobre sua localização, dificuldade de receber grandes torcidas rivais e o aumento do preço dos ingressos, além da diminuição do publico. Mas os maiores confrontos não aconteciam na chegada ao estádio que tinham as partidas escoltadas pelo GEPE e sim em locais distantes. Os jogos entre Vasco e Flamengo terminam em mortes em 2012. Várias medidas repressivas são tomadas para impedir novos crimes. No dia 21 de agosto, pouco depois de um clássico entre os dois clubes, a Força Jovem do Vasco é punida pelo Ministério Público por seis meses dos estádios após a conclusão de que a morte de um torcedor do Flamengo em maio tinha sido executada por membros da facção. Pouco depois  o alvo da perseguição era a Torcida Jovem do Flamengo em função  do assassinato no bairro de Tomas Coelho do torcedor do Vasco Diego Leal, de 30 anos, após uma briga com flamenguistas no domingo (dia 19), em provável ato de vingança pela morte do torcedor do Flamengo em maio deste ano. As duas torcidas recebem a mesma punição do Ministério Público: o afastamento dos estádios por seis meses.
Na mesma semana no jogo entre Vasco e Fluminense no Engenhão, um grupo de torcedores do tricolor era preso acusado por roubo e agressão. A reportagem é enfática em defender as medidas punitivas: “no país da próxima Copa do Mundo, a menos de um ano da Copa das Confederações, surgiu, enfim, um exemplo de como tratar o banditismo disfarçado de torcida organizada. Desde domingo, estão no presídio de Bangu 2, na zona oeste do Rio, 21 integrantes da Young Flu. O grupo foi preso pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), da Polícia Militar, acusado de espancar e assaltar dois torcedores do Vasco. A cadeia é o lugar adequado para quem se disfarça de torcedor para cometer barbaridades. E, como demonstra o passado recente das brigas de torcida, não basta banir os criminosos dos estádios. No caso do grupo da Young Flu, a confusão se deu fora e longe do Engenhão, onde Fluminense e Vasco se enfrentaram na tarde de sábado. Mas a prisão só poderá ser considerada exemplar se, em seguida, investigações ajudarem a extirpar o resto do bando - e não só da Young Flu, mas de outros grupos de delinquentes no Rio e no resto do Brasil” .
Em contraposição a esta perspectiva o historiador Marcos Alvito escreve um texto contestando a solução policial para as torcidas organizadas: “ao invés de perceber a violência das torcidas como fruto de patologias individuais ou coletivas, é preciso entendê-la como uma linguagem e se perguntar sobre a razão de, no Brasil, milhares de jovens escolherem pertencer a estes grupos. Murad relaciona a violência dos estádios (e em torno deles) com o alto grau de ilegalidade existente”[1] .
Embora a temporada de 2012 não tenha sido negativa o final do ano mostrou que a próxima temporada seria complicada. Nas últimas partidas do ano em São Januário a torcida Guerreiros do Almirante passa a acompanhar os jogos das sociais e protesta contra o presidente de forma veemente: “nós estamos TEMPORARIAMENTE NAS SOCIAIS, abandonando nosso tradicional lugar atrás do gol, para mostrar ao presidente Carlos Roberto de Oliveira, seus antigos e novos aliados, que SOMOS SÓCIOS E QUEREMOS MUDANÇAS!
As notícias da saída de Juninho para os EUA e a falta de pagamentos dos funcionários provocaram insatifação no clube no mês de dezembro: “cerca de 50 torcedores fizeram novo protesto em São Januário na tarde desta sexta-feira. O grupo voltou a atirar bananas para dentro do clube, além de gritar palavras de ordem contra o presidente Roberto Dinamite e toda a diretoria cruzmaltina. Inflamados, os torcedores exibiam faixas com os dizeres: “Juninho é rei! Obrigado pela verdade” e “O Vasco é gigante! Mete o pé, Bananite!”, enquanto soltavam fogos e gritavam pedindo que a diretoria colocasse em dia os salários de funcionários e jogadores”.
O fantasma de Eurico Miranda começava a voltar pelo estádio de São Januário e atormentar o sossego da gestão de Roberto Dinamite. Nos próximos anos, a disputa política interna voltaria com todo vigor. Para os vascaínos que começavam a sentir saudade do velho dirigente, o final do ano vinha com uma artilharia pesada do grupo de Eurico. Era lançado o livro “EURICO MIRANDA.Todos contra ele”, escrito pelo jornalista Sérgio Frias, com mais de 500 páginas descrevendo as lutas e os embates do dirigente. Rapidamente o livro esgotou nas livrarias e ganhou sucessivas edições no ano seguinte.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Alvito, Marcos. Maçaranduba neles!Torcidas organizadas e policiamento no Brasil. Revista Tempo | Vol. 19 n. 34 , 2012.

Vasco Engenhão 2012

Vasco São Januário 2012

quarta-feira, 5 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2011 O TREM BALA DA COLINA

                                                                      “Rei, rei, rei, Juninho é nosso rei”
                                                                               Canto da Torcida

2011                  O Trem Bala da Colina
            Ao assumir a presidência do clube em meados de 2008, Roberto Dinamite conseguiu uma trégua da torcida até o início de 2011 quando ocorrem as primeiras manifestações contra a sua administração. Em janeiro um grupo de opositores realiza um protesto em frente ao estádio de São Januário levando cartazes e bananas em alusão ao estilo do dirigente comandar o clube. Além do presidente o alvo dos protestos era o tecnico Paulo César Gusmão e os craques Carlos Alberto e Felipe. Gritos e cânticos irritados de “Vergonha, time sem vergonha”, “Vasco é tradição, não é humilhação” e “Felipe, seu pipoqueiro, fique sabendo que você só quer dinheiro”, puderam ser ouvidos durante a manifestação dos torcedores revoltados com o time que ainda não tinha vencido em cinco rodadas do Campeonato Carioca.
            A resposta de Dinamite veio em março no futebol de areia quando o  Vasco  se tornou campeão do I Mundialito de Clubes de Beach Soccer. O 'Gigante da Colina' venceu o Sporting Portugal por 4 a 2. "Essa é uma conquista inédita, é o primeiro título mundial do clube! Tem um sabor especial! O torcedor vascaíno tem que comemorar e muito essa vitória, somos os primeiros campeões mundiais!", vibrou o jogador Betinho, que é tetracampeão da Copa do Mundo FIFA de Beach Soccer (2006/07/08/09) pela Seleção Brasileira.
            O titulo inédito acabou rendendo uma camisa criada pelo departamento de marketing que exaltava o “Campeão de Terra, Mar e Areia”. Mas a verdade e que nos gramados a campanha na Taça Guanabara esteve longe de levantar um troféu e a ausência de público em São Januário foi constante. A GDA estende uma faixa de protesto no estádio: “se o time não joga, a torcida não vem”.
            Neste ano é lançado mais um livro da coleção “Ídolos Imortais”. Desta vez chegava às livrarias “Os dez mais do Vasco”, escrita pelos jornalistas Cláudio Nogueira e Rodrigo Taves. Na obra encontramos a biografia de BARBOSA - ADEMIR - DANILO - BELLINI - ORLANDO - VAVÁ - ROBERTO - ROMÁRIO - EDMUNDO – JUNINHO. Escolhidos através de uma votação de 10 jornalistas vascaínos: Tárik de Souza, Rodrigo Campos, Rafael Marques, Lédio Carmona, Hugo Lago, Fábio Tubino, Daniel Pereira e João Ernesto Ferreira, do Centro de Memória do Vasco.
Mas a temporada estava apenas começando e logo o time se recuperou e chegou à final da Taça Rio contra o Flamengo. Neste dia ocorreram inúmeros distúrbios pela cidade envolvendo brigas e conflitos entre as duas torcidas. O maior problema aconteceu na praça do Barreto em Niterói quando tiros foram disparados de um carro e tumulto generalizado no local, terminando com nove baleados e 102 torcedores presos entre eles 76 torcedores do Vasco e 25 do Flamengo. Em Campo Grande uma briga marcada pela internet acabou com alguns baleados e 1 morto.
Apesar da derrota para o Flamengo nos pênaltis, o time seguiu em frente e, pouco mais de um mês depois, se sagrou campeão da Copa do Brasil pela primeira vez.  Tanto o Vasco quanto o Coritiba buscavam o inédito título da competição nacional. Mesmo fora de casa, o Gigante trouxe o troféu para São Januário. E a conquista foi heróica, na visão de quem viveu aquela final em que  o time sofreu a intensa pressão no Paraná. O jogador Rômulo lembra a atmosfera da partida: "As ruas e o estádio estavam abarrotados. Tinha muito torcedor do Coritiba no Couto Pereira, e a torcida apoiou do início ao fim. A pressão foi grande naquele dia”, disse o volante. Ao retornar ao Rio de Janeiro, os jogadores desembarcam no aeroporto e são recebidos por uma multidão ansiosa em recepcionar os ídolos que partem em carreata pelas principais ruas do Centro até São Januário quando uma festa estava programada. Depois de 8 anos sem comemorar um título a torcida praticamente virou a madrugada comemorando o título mostrando que o clube ainda era capaz de mobilizar uma massa por toda a cidade que foi dormir ao som dos fogos e dos gritos de “ é campeão”. Uma nova música ganha as ruas da metrópole. Composta pelo MC Charles, o Trem Bala da Colina, era uma resposta criativa ao rival que tinha uma canção de um tal “bonde sem freio”. Na madrugada carioca o som do funk dizia: “Já tive Expresso da vitória, agora vamos pra ciima aqui não tem essa de bonde é o TREM BALA DA COLINA, é o trem bala bala bala bala da colina!Puxa o Trem Vamos para Cima!É o trem Bala da Colina”. Outra canção de bastante sucesso nesta Copa do Brasil, foi o “ Ahê, Pulaê, deixa o caldeirão ferver”
Ao lembrar deste dia, a atriz Juliana Paes recorda que comemorou o título assistindo pela TV em casa com seu filho de seis meses choravando na hora da decisão: “meu Deus, vou acudir o Pedro ou ver o jogo? Aí ele começou a gritar mesmo e eu fui dar de mamar. No momento em que amamentava, o juiz apitou, nem pude vibrar. Estavam começando os fogos, eu doida pra ir para a varanda, o grito entalado na garganta... Foi a comemoração mais solitária e silenciosa de toda a minha vida”.
A festa prosseguiu nesta semana com o retorno de Juninho ao clube depois de 10 anos. O jogador já havia anunciado sua volta em abril, mas somente no dia 11 de junho, justamente durante a entrega das faixas de campeão da Copa do Brasil, Juninho recebe uma grande homenagem do clube e de sua torcida. Estiveram presentes vários ex-jogadores de 2001, além de Geovani, ídolo dos anos 1980 e 90. Edmundo voltava a pisar no gramado desde a última vez em 2008 quando o clube caiu para a Série B. A cantora Fernanda Abreu atuou como mestre de cerimônias apresentando Juninho que entrou em campo através do túnel apelidado de “Trem Bala da Colina”.
Antes do campeonato brasileiro representantes das torcidas organizadas de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco firmaram na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro um pacto pela não violência. No encontro foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MP, um acordo que também incluiu o Ministério do Esporte, a Polícia Militar, a Superintendência de Desportos do Estado do Rio (Suderj) e a Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (FTORJ). Pouco depois, representantes da IRA Jovem e da FJV se encontram na FTORJ para um acordo entra as partes em litígio. O resultado, de acordo com a entidade, “é possível SIM, um debate franco de idéias e cobranças, agindo com HONRA, RESPEITO e impondo a PALAVRA DE HOMENS que somos”.
Na mesma época, um grupo de músicos vascaínos se reuniu para uma grande confraternização no Citibank Hall no dia 23 de agosto que gerou a gravação do DVD “Vamos Todos Cantar de Coração”. Estiveram presentes Nelson Sargento, Martinho da Vila. Paulinho da Viola, MC Charles, Fernanda Abreu, Teresa Cristina, Erasmo Carlos, Serjão Lorosa, Luiz Melodia, Dóris Monteiro, Celso Blues Boy, Dicró, Paulinho da Mocidade e  a bateria da Unidos da Tijuca.
O mês de agosto ainda reservou grandes emoções para os vascaínos que faziam boa campanha no campeonato brasileiro e na Copa Sul-Americana. No final do mês duas partidas contra o Fluminense (dia 21) e o Flamengo no Engenhão, movimentaram o público. Contra o tricolor, um grupo de 21 vascaínos foi preso acusado de preparar uma emboscada para os rivais. Eles não haviam seguido o Termo de Ajustamento Coletivo (TAC) que previa a escolta da polícia para o deslocamento até o estádio. No jogo contra o rubro-negro, o problema aconteceu dentro do estádio. O técnico do Vasco Ricardo Gomes teve um AVC durante a partida. Enquanto os  vascaínos gritavam o seu nome, no outro lado, vinham os apupos macabros de “uh, vai morrer”. Toda a imprensa comentou a atitude ridícula e desumana dos rubro-negros. No período em que o técnico se recuperava no hospital veio a triste notícia da morte de um dos maiores simbolos da torcida vascaína, o folclórico massagista Pai Santana. Na intenet vários torcedores fazem suas homenagens edeixam mensagens carinhosas. Para o vascaíno Robert ficou a lembrança: “quando eu era pequeno meu pai me levava aos jogos do Vasco, tanto no Maracanã, quanto em São Januário, a Torcida gritava Santana Santana ...Ai ele chegava com a nossa bandeira e tremulava ela a Torcida Vascaína ia a loucura !!! Eternamente Pai Santana !!!Deus ganhou um grande Vascaíno!!!”
A boa campanha do time não impedia da torcida enxergar os problemas que afetavam o futebol brasileiro que era alvo de inúmeras denúncias na imprensa internacional contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Durante o clássico entre Vasco e Botafogo no Engenhão, em novembro, membros da Associação Nacional dos Torcedores (ANT) recolhiam assinaturas para um abaixo-assinado pedindo a saída do dirigente.  O torcedor vascaíno Ricardo Massari foi um dos interessados em assinar a petição. Ele parou até para tirar foto ao lado das placas contra o presidente da CBF. "Temos que apoiar, está na hora do torcedor perceber que ele é um dos mais prejudicados com todas essas denúncias de corrupção".
Contra o Fluminense, na penúltima rodada do campeonato brasileiro a polêmica que tomou as redes sociais foi um vídeo postado na internet com o repórter da Rede Globo comemorando um gol do Vasco. O jornalista Eric Faria vibrava com o gol. Dezenas de posts a favor e contra colocam lenham na fogueira. “Bacana ver a torcida mulamba revoltada com o Eric Faria… Só porque ele comemorou o gol do Vasco kkkkkkkkkkk. O Repórter Eric Faria comemorando o Gol do Vasco! Por isso que fica falando mal do Fla no TT. Tá explicado!!!”
Em dezembro, antes da última rodada do campeonato brasileiro, em disputa acirrada por Vasco e Corinthians, é feita a primeira manifestação da campanha “O Maraca é Nosso”. Centenas de torcedores dos diversos clubes cariocas se concentraram enfrente a estátua do Belline contra a possível privatização do estádios e as reformas previstas que acentuavam a elitização do futebol, com o provável aumento no preço dos ingressos. Liderados pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, os torcedores também questionavam os custos elevados da obra: “o pensamento do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas é que o Maracanã é um bem público, é um patrimônio de todos os cariocas e dos brasileiros. É até um patrimônio da humanidade, que a gente não pode gastar R$ 1 bilhão de dinheiro público no Maracanã e entregar à iniciativa privada. Quer dizer, o Estado fica com o prejuízo e a iniciativa privada, com o lucro”, disse Marcos Alvito, um dos líderes do movimento.
Na contra-corrente do movimento de luta contra a descaracterização do Maracanã, um site oficial entrevistava torcedores do passado para lembrarem o futebol “dos velhos tempos”, confraternização dos torcedores rivais, a Copa de 1950 e nenhuma pergunta polêmica. Manoel Bigode, um dos fundadores da Força Jovem do Vasco e idealizador da Sala das bandeiras, dá seu depoimento marcado pela emoção de assistir a Copa de 1950 e compara as diferenças daquele tempo: “um fato que para os dias de hoje seria atípico, e que na época se via muito, eram torcedores de terno, gravata e chapéu Panamá no meio da antiga geral. Não há palavras para descrever a sensação que era assistir à final da Copa do Mundo (...) já entrei junto com a torcida do Flamengo e só nos separávamos quando terminava a subida da rampa. Íamos para direita e os flamenguistas para a esquerda. Cansei de ir com a camisa do Vasco em um bar freqüentado por flamenguistas”[1].
Um problema que persistiu neste período foi a divisão da Força Jovem com dois grupos disputando o controle da agremiação. Em entrevista a imprensa o representante do GEPE explica o fato e a resposta policial: “infelizmente, existe uma divisão entre a torcida organizada do Vasco da Gama, a Força Jovem. A Polícia Militar efetua um cordão de isolamento entre a mesma torcida organizada. Houve uma dissidência dentro da Torcida. Eles não aceitam a presidência do atual líder da torcida”. Para ele o motivo principal da divisão é essencialmentede ordem monetária: “hoje, a Torcida Organizada é um grande comércio (...) As pessoas lutam por esse domínio da torcida organizada para ter esse poder na mão. Isso hoje é o principal fator de desavença entre as torcidas organizadas”[2].
Para a última partida do ano a expectativa da torcida era conseguir vencer o Flamengo e esperar por um resultado positivo do Palmeiras diante do Corinthians.  Nesta semana o sonho da conquista da Tríplice Coroa (Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana) foi desfeito com a derrota no Chile, no entanto, para incentivar os jogadores, cerca de 200 torcedores compareceram ao aeroporto para prestigiar o elenco que regressava ao país.Feliz com a recepção calorosa, o técnico Cristóvão Borges disse que o time conquistou a confiança dos torcedores por ter demonstrado garra. O torcedor demonstra confiança porque sabe que o time sempre deu resposta. Eles são nossos aliados e jogam junto. Se hoje eles acreditam no título é porque percebem a nossa entrega desde o início. Fiquei muito feliz com essa recepção, e vamos levar essa energia para o campo”. Também o presidente Roberto Dinamite não escondeu sua satisfação afirmando: “dessa torcida eu espero tudo”.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: http://www.maracanario2014.com.br em 26 de Julho de 2011.
[2] Fonte: NETVASCO (transcrição) 24 de Novembro de 2011.

Vasco vasco.com.br 2011

Vasco São Januário 2011


domingo, 2 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2010 OITO BANDEIRÕES

                                          "Sem torcedor não há futebol, sem futebol não há alegria"
                                                                      Associação Nacional dos Torcedores

2010                         Oito Bandeirões

        O início de temporada foi feito no Espírito Santo com a participação entusiasmada de milhares de torcedores que recepcionaram os jogadores no aeroporto e acompanharam com bastante interesse os treinamentos da equipe não parando de cantar a música símbolo da volta do time a elite do futebol Brasileiro: “ O sentimento não pode parar, pois todo Vascaíno tem amor infinito, cantarei de coração, Vascooooooo da Gamaaaaaaaa”. A recepção dos jogadores foi organizada pela  27ª Família da Força Jovem que contava com cerca de 1.500 participantes e um patrimônio invejável: uma sede própria, 12 Bandeiras, 3 Faixas (sendo uma de 20 metros) e  bateria própria.
            A principal contratação para a temporada era o atacante Dodô que recebeu uma música em sua homenagem feita pelo MC Charles: “Dodô é o Poder”, uma adaptação de um funk. Outra música que prometia contagiar a galera em 2010 foi a escolhida pela GDA, também uma adaptação da música de Raul Seixas e Paulo Coelho, uma paródia de “Eu nasci há dez mil anos atrás”, transformada em “Eu nasci amando o Vasco demais”. Pelo Twitter, Paulo Coelho deu sua aprovação. “Como Vascaíno, preciso confessar que a escolha não poderia ter sido melhor”. No entanto as duas canções fizeram sucesso temporário.
            Em fevereiro a Força Jovem do Vasco (FJV) completou 40 anos de fundação recebendo felicitações do presidente do clube: “a Força Jovem do Vasco tem sido um diferencial na sua postura ao torcer pelo nosso grandioso Vasco, norte a sul do Brasil”. O evento é comemorado como uma nova etapa do clube, não faltando alfinetadas contra a antiga direção: “Eu acho que essa nova diretoria tem dado uma resposta a altura de sua demanda e exigência, a Força Jovem teve um tempo que ela caiu muito na antipatia do torcedor vascaíno que achava que a torcida era uma massa de manobra da antiga direção do clube, hoje não, hoje a gente respira novamente ares de independência”, avalia Roberto Monteiro, ex-presidente da torcida e vereador eleito em 2008.
 O bom relacionamento entre o clube e a sua principal torcida dava a oportunidade dos jogadores prestigiarem aos atos da torcida. A jovem promessa de craque Phillipe Coutinho participa de uma promoção presenteando a FJV para um sorteio de sua camisa.
A revista oficial do clube em março dedicou uma matéria especial sobre dois torcedores folclóricos da torcida vascaína que viraram celebridades nas arquibancadas atraindo a atenção de crianças que se aproximavam para registrar em fotografias a presença dos fantasiados: “Mister M e o Boneco inflável do Shrek são figuraças queridas na torcida do Vasco. O carisma de ambos pode ser avaliado na média de 500 fotos que em dias de grandes jogos, a galera do Gigante da Colina faz questão de tirar ao lado deles”.
A derrota do Vasco na final da Taça Guanabara para o Botafogo causou grande tristeza para a torcida que recebia outra notícia triste com a morte da torcedora-símbolo da TOV, Aida de Almeida. Tia Aida, como era conhecida, morre aos 84 anos no dia 11 de abril. Outra morte sentida foi a do radialista vascaíno Sérgio Nogueira, locutor oficial do Estádio de São Januário e apresentador do programa “Só Dá Vasco”, pela Rádio Bandeirantes. Em sua homenagem, a torcida União Vascaína faz uma bandeira de 4x4 metros com o seu rosto e os dizeres "A Voz da Nação Vascaína".
A relação positiva de Roberto Dinamite com a torcida do Vasco começa a ter os primeiros abalos neste semestre com a crítica de torcedores sobre as contratações para o campeonato brasileiro. A GDA que sempre teve uma atitude mais comedida em suas notas, parte para o ataque afirmando que “após quase 2 anos, poucas coisas mudaram positivamente no C.R. Vasco da Gama. A inércia da administração Roberto Dinamite, muito nos preocupa”. Entre as várias críticas estão os “são setores que necessitam de uma atenção especial, as Vice-Presidências Jurídica e Médica. Primeiramente, a VP Jurídica, que se tornou piada  para todos(...). A ineficiência de nosso Departamento Médico é vista a “olhos nus”(...) Estamos cansados de ver contratações de jogadores de times pequenos !!!!! Portanto, pelo acima exposto, estaremos de protesto, por tempo indeterminado”[1] A Força Jovem protestou com faixas. Numa delas se lia: “Pensar Grande é Agir Como Gigante-Contratações de Peso! Técnico de Ponta!” Para Jorge Mansur, presidente da União Vascaína, as novas contratações estão longe do esperado. O metarlúgico Davi de Oliveira Santos, Presidente da TOV, está de acordo com Mansur sobre a fragilidade do elenco vascaíno e a importância da contratação de reforços de peso para a campanha no Brasileiro.“Esse Time atual do Vasco é brincadeira”, lamenta a liderança [2]. Nestes dias uma notícia divulgada pela imprensa dizia que a torcida invadiu o campo de treino para ameaçar os jogadores. A FJV em nota se pronuncia sobre os fatos ocorridos. “Cerca de 30 torcedores foram cobrar atitudes dos jogadores vascaínos no treinamento de terça-feira em São Januário. Os mais cobrados pela Torcida foram o lateral-direito Élder Granja, o volante Nilton e os atacantes Elton e Dodô. A posição da Torcida era dar uma sacudida nos atletas. Em nenhum momento houve agressão. Foi um protesto pacífico”.
A maior briga da Força Jovem neste primeiro semestre não foi contra nenhuma torcida rival e sim com a sua própria rainha, Dani Sperle. A modelo que passou a namorar o ator pornô Alexandre Frota participa de um programa de televisão (Superpop) apresentado por Luciana Gimenez. Na ocasião seu namorado (que já foi integrante da Torcida Jovem do Flamengo), rasga uma camisa do Vasco. Em nota oficial a FJV afasta a rainha do cargo e convoca um concurso para a escolha da nova rainha da torcida.
Em maio, no site oficial a torcida divulga o resultado da escolha da nova rainha após vários dias de votação pela internet, Daniele Vilas Boas vence em um concurso muito disputado e com mais de 7 mil votos e 44 % de aprovação.
Pouco antes da Copa do Mundo na África do Sul é realizado em maio no Rio de Janeiro o 2º Seminário Nacional de Torcidas Organizadas. Cerca de 200 representantes de todas as principais torcidas organizadas do Brasil discutiram formas de combater a violência nos estádios e um conjunto de medidas elaboradas pela torcidas, polícias estaduais e membros do Ministério de Esporte e o Ministério da Justiça.
O Procedimento Operacional Policial começa a ser implantado no início deste campeonato brasileiro. “O procedimento começou a ser elaborado em 2009. Representantes de Governos, da sociedade e pesquisadores trocaram experiências e sugestões que originaram um documento com mais de 100 medidas de segurança. Entre as medidas está a escolha do tipo do armamento dos policiais, a tomada de depoimentos, como articular o atendimento de saúde nos estádios, formas de monitorar o deslocamento das torcidas e como será organizado o transporte público em dias de jogo”[3].
Também no Rio de Janeiro era lançado o livro de Bernardo Hollanda sobre a História das Torcida Organizadas Cariocas, baseado em sua  tese de doutorado defendida em 2008. Nele, o historiador faz uma brilhante análise da formação das torcidas organizadas na cidade, concentrando sua análise especialmente no final dos anos 1960 com a formação da Torcidas Jovens. Seu trabalho passa a ser uma referência para o estudo do tema e sua atuação tanto na FTORJ como nos debates acadêmicos passa a ser uma constante. Junto do sociólogo Maurício Murad e da antropóloga Rosana Câmara, Bernardo atua no sentido romper com o estigma preconizado pelos meios de comunicação sobre as torcidas.
O ano de 2010 foi marcado pelo recorde de lançamento de livros sobre o nosso clube. Ao todo foram sete livros com as mais diversas abordagens, começando pela pesquisa histórica de Alexandre Mesquita e Jeferson Almeida com "Um Expresso Chamado Vitória", que conta a trajetória do time vascaíno das décadas de 1940 e 1950, narrando como se formou a base que conquistou inúmeros troféus e teve como ápice o título de campeão sul-americano, no Chile. Já o geógrafo Marcelo Matos faz uma análise do contexto sócio-espacial de nosso estádio em “SÃO JANUÁRIO, Um caldeirão no centro de um bairro”. O Ex-goleiro vascaíno Valdir Appel (jogou entre 1965-1972) lançou 'O Goleiro Acorrentado'. Estudando um passado mais recente, tivemos "Vasco: Glórias, Títulos e Garra, 1996-2009". O trabalho feito pela jovem escritora e estudante de jornalismo Elisa de Vicq de Souza Dantas. Outra obra que fez sucesso foi “Vascão, o Gigante da Colina em quadrinhos”, de Ziraldo. Registrando, Mais uma novidade editorial era 'Amor Infinito', do fotógrafo Marcelo Sadio, com as imagens da campanha vitoriosa na série B, de 2009. Em novembro era lançado '365 motivos para ser vascaíno’, de Bruno Mazzeo e Sergio Almeida.
A moda entre as torcidas vascaínas em 2010 foi criar seus bandeirões. Na da menos que 8 bandeiras gigantescas eram abertas durante o clássico com o Flamengo no dia 01 de agosto. A torcida do Vasco deu um show de beleza e criatividade no Maracanã com a exibição de 8 bandeirões: o da Vasqueire, o Camisão e a da Cruz de Malta da GDA, o da Força Jovem, o da Pequenos Vascaínos, o da União Vascaína, o da Ira Jovem, e o da Rasta. Cada torcida monta uma verdadeira operação de guerra para trazer a bandeira para o estádio. A Pequenos Vascaínos descreve as características de seu pavilhão: “tem 100 metros de comprimento e 41 de altura, mas os números são ainda mais impressionantes, foram usados, 30 mil metros de linha e dez galões de tinta. O peso? São 400 quilos que só podem ser carregados por, pelo menos, 25 pessoas”.
Entre os torcedores outra moda que se popularizava era exibir nas redes sociais as tatuagens com imagens do clube. Com o sucesso do lançamento da camisa 3 do clube inspirada na Cruz Templária, o departamento de marketing criou a campanha “Vasco na Pele”, em que o tatuador Eric Codo fez 802 Cruzes Templárias na pele dos torcedores, conseguindo com esta proeza entrar para o Livro dos Recordes.
Em agosto por ocasião da comemoração dos 112 anos do clube, é realizado, pelo quarto ano consecutivo na Câmara dos Vereadores, o “Dia do Vasco”, sendo homenageados com a Medalha Pedro Ernesto (principal comenda da cidade) o Vice-Presidente médico do clube, Manoel Moutinho e o Ministro da Igualdade Social, Eloi Araújo. A Força Jovem foi homenageada pelo seu aniversário de 40 anos, através do primeiro presidente da torcida, Manoel Português, assim como alguns ex-jogadores: Alfinete, Gaúcho e Roberto Dinamite.
Na mesma semana houve outra comemoração da torcida em São Januário com a presença de um trio elétrico levando a rainha da torcida Daniele Vilas Boas e do MC Charles. Em seguida milhares de torcedores caminharam de São Januário até o Maracanã para o jogo com o Fluminense.
O jogo acabou sendo trágico para um dos diretores da torcida Força Jovem do Vasco (FJV), Antonio Marcos Alves de Oliveira, de 31 anos, conhecido como Marquinhos ou Gabiru. Segundo testemunhas, ele foi espancado por torcedores da Força Flu quando passava pela passarela da estação de trem de São Cristóvão, em direção ao Maracanã.
No final do ano de 2010 o site semprevasco realiza quatro grandes entrevistas com torcedores vascaínos com o título: “Torcidas Organizadas, associações ou  alas dentro do clube?”. Respondem as mais diversas perguntas Amâncio César (TOV), Beto Grajaú (FJV), Carlos Miranda (GDA) e a cardiologista, Dra. Zoraia Grigolato. Também a Revista Oficial do Vasco dedica suas páginas neste ano com reportagens sobre a Pequenos Vascaínos, a rainha da FJV, Jorge Mansur (União Vascaína) e Beto (Rasta).
A Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (CONATORG) realiza em Brasília uma assembléia no auditório da CUT-DF com a presença de lideranças de todo o país. Do Vasco foram representantes da Ira Jovem e da Força Jovem. Entre as principais deliberações: a) protesto na Esplanada dos Ministérios; b) o protocolo de petição no STF da ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade do Art. 39-B do Estatuto do Torcedor e; c) fundação da Federação Nacional das Torcidas Organizadas – FENATORG. Durante o evento foi votado uma moção de moção de agradecimento pelo empenho particular do Neguerê, vice-presidente da 22ª. Família da Força Jovem do Vasco – Distrito Federal, em favor deste movimento, sendo também acatado pela Confederação.
Em outubro de 2010, um grupo formado inicialmente de torcedores universitários no Rio de Janeiro insatisfeito com o fechamento do Maracanã e com as mudanças prometidas nos estádios, cria ANT (Associação Nacional dos Torcedores) e rapidamente centenas de pessoas de todo o Brasil começam a participar e criar filiais em seus estados. A meta do coletivo é definida em seus  sete pontos principais:
1. A exclusão do povo brasileiro dos estádios de futebol, fruto de uma política deliberada de diminuição da capacidade dos estádios, extinção de setores populares dos estádios e aumento abusivo dos ingressos
2. O desrespeito à cultura torcedora com a extinção de áreas populares como a geral, onde há uma tradição própria de participação no espetáculo que inclui assistir ao jogo de pé (o que acontece na Alemanha)
3. A falta de transparência no futebol brasileiro, há décadas nas mãos de dirigentes incompetentes e corruptos; exigimos a democratização das decisões acerca do futebol brasileiro com a participação dos torcedores; por exemplo: as sucessivas e milionárias reformas do Maracanã, feitas sem nenhuma consulta aos torcedores
4. A exploração politiqueira do futebol visando eleger candidatos que aproveitam-se da sua popularidade para conseguirem mandatos contra o povo
5. O controle das tabelas e horários dos campeonatos na mão da rede de televisão que há décadas detém o lucrativo monopólio das transmissões televisivas de jogos de futebol; horário máximo de 20h para o início das partidas durante a semana e 17h aos domingos
6. A retirada de comunidades de trabalhadores em nome da Copa do Mundo e das Olimpíadas
7. A falta de meios de transporte dignos durante os dias de jogos; exigimos esquemas especiais em dias de jogos
O coletivo da ANT faz campanhas nos estádios. No primeiro jogo entre Vasco e Flamengo no Engenhão é feita uma panfletagem divulgando os sete pontos de luta. O jogo é marcado pela extrema tensão entre as torcidas e com a possibilidade de novas mortes como aconteceu no clássico entre Vasco e Fluminense. O público não chegou a 30 mil pagantes. Um dos menores de todos os tempos. Através de um levantamento dos públicos nos jogos entre Vasco e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro entre 1971 e 2001. Do total de 29 jogos, em apenas 4 vezes tivemos menos de 30.000 pagantes[4].
Em novembro o presidente da FJV se afasta do seu posto e assume em seu lugar Juninho. Na saída do cargo Claudinho lista uma série de realizações durante a sua gestão: Sede Social, altura da FJV; CNPJ da torcida regularizado; Restabelecemos  a credibilidade da Torcida com o Clube e as autoridades; Novo site modernizado; Bateria reformada; 01 faixa de viagem;-02 faixas oficiais – preta e outra branca; 50 bandeiras; 01 Bandeirão de 90 x 40 (Um dos maiores do Brasil) e uma Boutique em dias de jogos.

Eleito o melhor zagueiro do campeonato brasileiro, o zagueiro Dedé tornou-se o principal jogador do elenco. Ele que quase foi dispensado no início do ano, deu a volta por cima e conquistou o coração dos torcedores que sonhavam com o clube voltar aos melhores anos na década seguinte.
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: http://www.guerreirosdoalmirante.com.br consulta em 26 de maio.
[2] Fonte: Jornal Meu Vascão.
[3] Fonte: http://www.uai.com.br.
[4] Fonte: Revista Placar: 1972 – 25.875;   1987 – 28.682;   1994 – 16.992 e  1998 – 21.848.

Vasco Maracanã 2010

Vasco Maracanã 2010


quarta-feira, 28 de junho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2009 AMOR INFINITO

                              “na primeira, segunda ou décima nona divisão, serei sempre Vasco”
                                                                       Aldir Blanc

  2009                      Amor Infinito
        Havia muita expectativa dos torcedores vascaínos e da imprensa em geral sobre o desempenho do presidente Roberto Dinamite para a temporada de 2009 quando o clube teria o desafio maior de voltar para a primeira divisão e formar um time capaz de honrar a tradição vitoriosa do clube.
            Como havia assumido o clube em meio a uma grave crise econômica e política, Roberto conseguiu o apoio das torcidas organizadas vascaínas e da grande mídia em seu começo de mandato. A culpa pela queda em 2008 caiu toda sobre os ombros do ex-presidente Eurico Miranda. Agora, passados seis meses e com uma grande reformulação no elenco, o novo presidente teria sua chance de mostrar todas as mudanças positivas que seriam implementadas.      
            Dentro e fora de campo esportivo, é visível que Roberto Dinamite tem uma simpatia de diversos setores da sociedade. Artistas, políticos, empresários, intelectuais e dirigentes esportivos manifestam publicamente que o Vasco é um novo clube. Aldir Blanc, desafeto de Eurico Miranda, lança o livro Vasco, A Cruz do Bacalhau, último livro da coleção da editora Ediouro, proibido na época do ex-dirigente. Blanc comenta o cenário político deste novo período: “foram afastados pelo voto democrático e livre, em eleições sem fraude, sem baixarias e, por incrível que pareça, porrada nos membros da oposição, como aconteceu no passado”. Roberto é apresentado como a antítese de Eurico, em lugar da truculência, da desonestidade, da ditadura, assume um democrata, liberal e moderno dirigente que promete reconciliar o clube com os inimigos declarados de Eurico Miranda.
            Agostinho Taveira, conselheiro do Vasco, é nomeado pelo clube para ser o elo de ligação com as torcidas organizadas. O maior desafio é fazer um diálogo com a FJV, envolvida em crises internas. A diretoria atual tem grande apoio do clube e se inicia um processo de aproximação entre as duas instituições.
            Para o campeonato carioca o clube apresenta seu elenco nos moldes dos times europeus e abre São Januário para a sua torcida que comparece em bom número. Mais de duas mil pessoas, numa sexta-feira pela manhã, atendem ao pedido da diretoria que faz uma festa com direito a foto oficial, chuva de papel picado e queima de fogos.
            Neste período a nova diretoria da FJV atuava intensamente para começar o ano corrigindo os erros do passado. Só de dívidas da última gestão são quase R$ 50 mil reais. Uma reunião entre os lideres de fora da cidade é realizada nas arquibancadas de São Januário. “No dia 10 de Janeiro em reunião histórica nas arquibancadas de São Januário, estiveram presentes os líderes de diversas Famílias de fora da Cidade do Rio de Janeiro. São elas: 12ª Família (Caxias/Petrópolis), 15ª (Nova Friburgo), 16ª (Teresópolis), 17ª (Volta Redonda), 18ª (Juiz de Fora), 19ª (Campos), 20ª (Região dos Lagos), 22ª (Brasília), 23ª (São Paulo), 35ª (Belo Horizonte), 36ª (Bahia), 45ª (Cuiabá), 57ª (Goiás) e 59ª (Itaboraí). Também participaram da reunião os Dinossauros e os membros da nova Família Costa Verde”.
            Na festa de comemoração dos 39 anos da torcida, o clube abre as portas da sede no Calabouço para a torcida fazer a sua confraternização. Estavam presentes os componentes de diversas gerações e membros de torcidas de outros estados, como a Mancha Verde que retribuiu a visita da FJV a sua festa em São Paulo, no mês de janeiro, comemorando os 26 anos de fundação. Na ocasião a FJV é presenteada com um quadro e um troféu em homenagem a “Amizade Perpétua” da “união sinistra que ninguém segura”.
            No campeonato de 2009 o grande momento foi o jogo entre Vasco 2 x 0 Flamengo no Maracanã quando 5.000 componentes foram a pé de São Januário até o palco do jogo: “a caminhada ocorreu sob o clima de paz e confiança e há tempos não víamos a torcida tão coesa e decidida a ajudar o Vasco nos enfrentamentos contra o seu rival. Este grande ato, o maior da história da torcida, aconteceu no feliz domingo em que a Mulambada levou um sacode de 2 X 0. Dentro de campo, a equipe foi aguerrida e acreditamos que esta foi a forma que o time usou para retribuir a calorosa recepção da massa Vascaína”.
            Fora de campo a FJV aproveitou que a banda Iron Maiden fazia um show na Praça da Apoteose, em março, para presenteá-los com camisas do clube e da torcida. Em abril era inaugurada a nova sede na rua Uruguaiana, no centro da cidade. “A FJV escreve um novo capítulo em sua história. O espaço, duas salas no Centro do Rio, representa um ponto de encontro para os associados e amigos. Na comemoração desta conquista, o goleiro Tiago e o atacante Rodrigo Pimpão, marcaram presença, assim como inúmeros Chefes de Família e a Rainha Daniele Sperle”.
No Dia Internacional das Mulheres (8 de março) a FJV em São Januário, com apoio da Família Feminina, distribui duas mil rosas para as torcedoras além de brindes femininos e produtos de beleza. O presidente da Força Jovem, Luís Cláudio, o Claudinho, reforçou a boa intenção da Torcida Organizada: “queremos trazer as mulheres de volta aos estádios, dos quais se afastaram devido a violência nas arquibancadas. Para isso, começamos a Campanha Força Feminina nos Estádios”.
Em maio começa a campanha para o Vasco conseguir alcançar 100 mil sócios. Tratava-se do projeto de marketing intitulado “O Vasco é Meu”. Uma ambiciosa atividade de propaganda que contou com chamadas em todos os meios de comunicação, utilizando atores e atrizes famosos convocando a torcida para aderir a este novo modelo de pertencimento clubístico.
A primeira grande divergência da FJV com a administração de Roberto Dinamite surge quando um membro da diretoria vascaína resolve criar uma grade em São Januário numa “modernização” do estádio, visando criar novos setores. A torcida reagiu e o clube voltou atrás e retirou as grades. A FJV emite uma nota sobre a sua posição no caso chamado pela torcida de “Grade da Vergonha”: “setorização injusta, que somente pode ser feita como parte de uma reforma mais ampla do Estádio que proporcione conforto e segurança para todos os setores. Separações não combinam com a alma popular que marca o espírito vascaíno. São Januário é um orgulho para todos. A história de nosso Estádio marcou não só o esporte, mas a própria vida política do Brasil. Sem medo de exageros, São Januário está entre os símbolos da democracia em nosso país. O Vasco é povo e em nosso Caldeirão: Trabalhadores, Empresários e Estudantes misturam-se, sem preconceitos, unidos pelo Amor ao Vasco”.
Nesta época é criada a FTORJ (Federação das Torcida Organizadas do Rio de Janeiro) com intuito de unir as torcidas cariocas que passavam por uma intensa campanha da mídia pela extinção das mesmas. Dois vascaínos fazem parte da primeira diretoria: o Vice-Presidente Patrimonial e Social, Jorge Henrique da Silva Matos, “Policinha” (Força Jovem do Vasco) e do  Conselho Fiscal, Rodrigo Granja Coutinho dos Santos “Batata” (Ira Jovem). Em julho a FJV participou do Seminário das Torcidas Organizadas que os Ministérios do Esporte e da Justiça realizou na Cidade de São Paulo. Contou também com a participação da FTORJ.
            Começa o campeonato brasileiro e a torcida do Vasco comparece em peso nos jogos em São Januário. Mas o grande destaque serão os jogos no Maracanã quando a torcida dará grandes demonstrações de amor ao clube com recordes de renda e jogos com público superior a quase todos os outros da 1ª divisão. O clube lança uma campanha televisiva chamada “O Vasco é Meu” para atrair novos sócios. Vários artistas aderem a campanha fazendo depoimentos favoráveis ao novo ambiente que o clube passava.
            A Força Jovem lança o desafio para os seus integrantes não esmorecerem e ajudarem o time a vencer seus jogos em casa: “Faça a diferença para o Vasco voltar à Série A e para mostrar para todo o Brasil qual é a Maior e Melhor Torcida Organizada do País. Guerreiros unidos pelo mesmo ideal: a Força Jovem e o Vasco!”
            A GDA completava 3 anos em agosto e já experimentavam  as primeiras contradições com o crescimento do número de participantes e a dificuldade de controlar suas ideias originais com a nova realidade. Neste mês eles lançam um manifesto: “fazendo chegar ao público em geral, às autoridades legalmente estabelecidas e em particular à mídia, quem somos, o que somos e o que pensamos: antes e acima de qualquer coisa Um grupo de Vascaínos que se uniu para amar o clube, sem nenhum interesse financeiro ou político-partidário!” Antes identificados com o  modelo das torcidas argentinas, eles ampliam o discurso para os ultras italianos e garantem que ter uma identidade nacional: “buscamos inspiração no apoio incondicional das Barras Sul-Americanas, na consciência política dos ULTRAS da Europa, estilos diferentes de torcer das nossas tradicionais Torcidas Organizadas (T.Os), onde é obrigatório cantar durante todo o jogo, não importando o placar da partida e onde buscamos levar o torcedor a se associar à sua paixão, com o objetivo de participar mais ativamente dos destinos do seu Clube. Mas não somos uma ‘cópia pura e simples’ de nada estrangeiro: nos consideramos um passo além! Juntamos o apoio ‘enlouquecido’ latino, a atividade política, sem ser partidária, dos europeus, com a ginga e o bom humor típico dos cariocas. Isto sintetiza o Movimento Guerreiros do Almirante!”.
            Também em agosto contra o Ipatinga no Maracanã, a FJV estreia seu novo bandeirão depois de 10 anos que havia sido feito a última grande bandeira. Acusados pela oposição de usarem a torcida para se beneficiar, a FJV escreve em seu site oficial: “que esse bandeirão sirva de “cala boca” para todos que erguiam os dedos para apontar e dizer que nós só queríamos dinheiro. É verdade, que nossa torcida teve algumas Diretorias assim, interessadas apenas em ganhar dinheiro, mas nós somos diferentes, queremos dinheiro para investir na Torcida e levá-la de volta ao seu merecido lugar como grandiosa. A nossa obrigação é com a Força Jovem do Vasco e nós vamos fazer de tudo para devolvê-la ao status de maior, melhor e mais unida”. 
            Neste momento de recuperação do clube e da FJV muitas acusações são feitas sobre as diretorias passadas. O que revela a necessidade deste grupo querer romper totalmente com as práticas anteriores e recriar uma identidade positiva da torcida junto aos antigos membros e a massa vascaína. São feitas várias campanhas sociais como o sopão e a campanha do agasalho, além da criação da TV Força no final do ano, sendo a primeira torcida a ter TV própria acessada através do seu site. Era uma resposta direta contra quem queria acabar com as torcidas organizadas mas  utilizando suas imagens para promover os seus produtos: “quando a televisão mostra e faz as chamadas pros jogos, mostram e vendem nosso espetáculo, em torcidas organizadas há muita gente de bem, que é sadia, que tem instrução, respeito e caráter, não podemos deixar essa mídia fajuta, a mesma mídia que lucra com a nossa festa, que vende nossa imagem, nos sufocar, pressionando o nosso fim, dizendo que somos marginais, violentos e tudo mais que ouvimos”, defende André Sagat.
            Durante todo o ano são feitas grandes entrevistas com os membros da nova diretoria da FJV divulgadas pelo site. Em muitas delas não faltam acusações sobre as antigas diretorias: “a torcida vem de guerra em cima de guerra, briga em cima de briga chegou uma hora que ninguém estava agüentando mais (...) uma dívida no qual chegava a quase de 50 mil reais deixada por outras diretorias e que prejudicava a torcida de diversas maneiras” (...) “quando assumimos a torcida, não havia um bambu sequer, tínhamos dois bandeirões, várias bandeiras lindas, bateria maravilhosa, tudo isso foi roubado pela antiga diretoria vendida ao Eurico, será que esses caras são Força Jovem?”.
            Nas entrevistas todas são unânimes em lembrar o passado glorioso da torcida na década de 1990 quando a facção alcançou o seu maior sucesso sendo temida e invejada por todo o país: “a Força trilhou sua grande trajetória na pista, chegando a ser eleita a Melhor Torcida do Brasil, ficamos conhecidos nacionalmente, somos a Torcida com mais vitórias na pista, envolvida nos maiores combates, conquista de territórios, de matérias (faixas, bandeiras, bandeirão, bateria), grandes vitórias em outros estados (...), quem não se lembra da campanha “EI, EURICO, 171”, mas de 2000 até 2007, perdemos espaço, credibilidade, diretores da torcida a venderam literalmente, lucraram muito através dela, abandonaram nossos associados, isso gerou muita briga, desunião, muitos se afastaram, a mística de ser força jovem foi manchada, surgiram dissidências, uma situação lamentável. Agora que estamos voltando, a torcida recuperou a identidade, depois de tantas brigas internas, retornamos aos trilhos” afirmou André Sagat (Paquito), Vice Presidente da Força Jovem do Vasco. Ele também faz um apanhado geral sobre as alianças mantidas pela FJV neste período: Mancha Verde, Galoucura, Cearamor, Mancha Azul, todas do Bahia, Inferno Coral, Fanáutico, Força Jovem do Goiás, as do Paysandu, do Grêmio, Torcida Jovem do Botafogo”.
            O jogo mais marcante da campanha de retorno a série A foi contra o Juventude, no Maracanã, quando milhares de vascaínos tomaram o estádio desde cedo fazendo uma festa inesquecível para os presentes e todo o Brasil, já que a partida foi transmitida ao vivo para todo o país. A FJV realizou um gigantesco Mosaico que cobriu todo o setor verde do Maracanã. Nele estava escrito o nome da Força Jovem. No segundo tempo do jogo, onde o cruzmaltino pode garantir a volta à primeira divisão do futebol brasileiro, torcedores vascaíno recolheram a principal faixa da organizada e abriram uma com os dizeres: "Eurico - 2ª divisão. A história não perdoará. Obrigado Dinamite". Em todo o estádio começaram os gritos de “Ei, Eurico, vai tomar no cu”.
            Apesar de o time ser limitado, a campanha de 2009 entra para a história da torcida como um momento de reerguimento de todos: clube e torcida. A esperança de dias melhores foi o que ficou nos jogos memoráveis deste ano. Em cada vascaíno era possível perceber o orgulho da torcida que passou a usar a camisa do time durante todo o ano e mostrar o seu sentimento de fidelidade. A mensagem no site da FJV antes do campeonato brasileiro parecia ser profética: “Cada capítulo do futuro se escreve no presente. Este é o nosso tempo e a torcida sabe do seu papel e vai fazer a festa, A nossa missão é estar junto ao Vasco da Gama em mais uma histórica virada. Nosso amor não tem divisão”
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

 
Vasco Maracanã 2009

Vasco Maracanã 2009