quinta-feira, 17 de março de 2011

FORÇA JOVEM 1997: ENTREVISTA COM MARCELO HE-MAN

Entrevista de Marcelo He-Man ao Site Oficial do MUV em 2002.

Porque He-Man?
- É da época do desenho He-Man. 
Nós fizemos uma bandeira com a figura dele (1987), que tem uma Cruz de Malta no peito. 
Além disso, eu freqüentava academia e aí ficou He-Man, que me acompanha até hoje.

Como foi a sua ascensão dentro da Força Jovem? Você planejou um caminho político até chegar à Presidência?
- Não, só pensava em ajudar, sem pensamento político mais jovem, ajudava o pessoal carregando bandeiras e fazendo batuque. 
Depois, em 1985, passei a fazer parte da Diretoria; atuando, ora na Tesouraria, ora na parte de Patrimônio, mas sem querer me envolver muito. Achava que estudar, trabalhar era mais importante. Em 1997, assumi a Presidência, em um período que a Torcida passava grandes dificuldades. Havia um esvaziamento, motivado, principalmente, por campanhas pífias do Vasco a nível nacional.

Na sua época de Presidente, como era sua relação com o Eurico? 
- Quando eu entrei pra Torcida, o Presidente era o Eli Mendes, que tinha outra visão política do Vasco. 
Quando eu assumi, o Eurico sentiu que seria diferente, eu queria fazer a Torcida totalmente Independente do Clube.
Criamos até o slogan "A Maior Torcida Independente do Brasil" com a junção da extinta Força Independente, isso começou a incomodá-lo. 
Há muito tempo atrás, fomos apresentar ao Eurico uns projetos que tínhamos, como de uma rádio comunitária que só falasse do Vasco e da Torcida, e de outros projetos para a Torcida. 
Ele não quis nos ouvir e, de uma forma bem clara, disse que não estava ali para dar apoio a algo que um dia poderia se virar contra ele. Completou falando que não permitiria intromissão, que não queria no Vasco uma Torcida forte, com força política, deixando claro que Torcida pra ele é um bando de gente ignorante e manipulável.

A campanha do Eurico 171 começou nessa época? 
- Não, foi um pouco antes. Depois de um jogo com o Flamengo em 1996, quando Eurico xingou torcedores que foram a São Januário protestar (perdemos o jogo por 4x2). 
 No protesto houve infiltrações de pessoas que não eram da Torcida, e depredaram a butique do Estádio. Ele nos acusou disso, sem lembrar que componentes da Força Jovem fizeram um cordão de isolamento em frente à sala de troféus, para protegê-la. 
Nesta época ele começou uma série de retaliações: tomada da Sala de São Januário, tentativa de proibição do ingresso do material da Torcida dentro do Estádio e proibição do uso da camisa da Força Jovem.
Depois de todas as tentativas frustradas ele jogou a toalha. O que o Eurico e qualquer um tem que saber é que não adianta proibir bandeira, camisa e faixas, o que nos move é a paixão e o amor pelo Vasco, e por ele somos capazes de grandes sacrifícios.

Como você justifica sua liderança até hoje para alguns membros da Força? 
- Nunca explorei o Clube. Sempre fui uma pessoa que tratei todos os componentes por igual, principalmente os menos favorecidos. Em 1997, não tínhamos sala, ingresso e ônibus, mas mesmo assim, consegui aumentar o numero de torcedores com independência. Isso deu credibilidade. 
Meu trabalho de reestruturação da Torcida começou bem antes de eu assumir a Presidência. A estruturação da Torcida em "Famílias" foi um trabalho realizado em 1990. 
Para facilitar a mobilização e organização da Torcida houve a necessidade de dividir o Rio de Janeiro em setores (conjunto de bairros) que foram denominados de "Família". 
Na época fiquei responsável por todo o estudo de divisão dos Bairros, interagindo com os membros que seriam impactados pela nova filosofia. 
Após algumas mudanças a pedido dos componentes, marcamos uma reunião em cada Família para divulgarmos a nova estrutura organizacional e escolha do líder, com isso conseguimos resultados que estão aí até hoje. 
Em 1997 quando assumi a Presidência, ampliei esse trabalho, incentivando a representação da Força Jovem em todos os Estados do Brasil e alguns países do Mundo. 
A ampliação das Famílias por todo o Brasil foi importante para afirmar a presença do Vasco em todo o território nacional e internacional. 
Vemos isso nas transmissões dos jogos do Vasco vendo sempre uma faixa e uma bandeira da Força Jovem. 
Pena que a Força esteja em um caminho ideologicamente errado. 
Mas, acredito que estejam vendo quem é o Eurico.

Você fez algum tipo de trabalho social à frente da Torcida? 
- Vários. Campanhas de doação de sangue, alimentos, agasalho, coibi o consumo de drogas, aconselhei muitos garotos e ajudei financeiramente alguns deles.
A importância social da Torcida é muito grande, pois é nela que o jovem se espelha para formar parte de sua personalidade. 

Por falar em drogas, o que você pensa a respeito? 
- Recrimino as drogas com todas as minhas forças. 
A Força Jovem sempre procurou conscientizar os seus componentes.
Quando entrei coloquei cartazes e monitorava os jogos, se aparecesse algum desavisado pedíamos para se retirar da Torcida. 
Era importante que pudéssemos levar a família para Força Jovem. 
E todas as outras torcidas sabiam, que dentro da Força, não havia lugar para drogas.

Como surgiu o EDDIE na Força Jovem? 
- Tínhamos a necessidade de colocar um símbolo para a Torcida e o Alonso, um grande amigo, Engenheiro Agrônomo, hoje morando na Espanha, teve a idéia do Eddie por ser uma caveira simpática, um símbolo identificado com os jovens, símbolo do Iron Maiden.
 Teve um concurso pra escolher o melhor mascote das Torcidas do Brasil e nós ganhamos disparado com o Eddie. 


Força Jovem 1988

Força Jovem  1991

Força Jovem 1993

Força Jovem 1997

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