domingo, 31 de maio de 2015

FORÇA JOVEM 1997: TORCIDA QUER MASTROS DE BAMBU NA DECISÃO DO BRASILEIRO

A Força Jovem faz reunião hoje, às 11h, com representantes da Polícia Militar para tentar a liberação da entrada de bandeiras com mastro de bambu no domingo.
“Como somos irmãos dos Palmeirenses, não há risco de conflito”, disse o Presidente da FJV Marcelo Mendonça, o Marcelo He Man. (19 de Dezembro)

POLÍCIA PROÍBE BANDEIRA COM MASTRO
 As Torcidas do Vasco e do Palmeiras foram proibidas ontem de entrar com bandeiras com mastro de bambu no Maracanã.
Em reunião com o comando do 6º Batalhão da Polícia Militar do Rio, representantes das duas Torcidas conseguiram a liberação de faixas e instrumentos musicais no Estádio, que também estavam na lista de proibições. Estão vetados também fogos e sinalizadores.
As faixas poderão ser usadas desde que não atrapalhem o campo de visão das filmadoras que serão usadas pelos policiais para identificar causadores de tumultos.
A Força Jovem já tinha confeccionado 80 bandeiras de 4 X 4 m, com mastros de bambu de 7 m de comprimento cada, segundo o seu Presidente, Marcelo He Man, 31 anos, além de outra de 40 x 60 m, também proibida. (20 de Dezembro)

23ª FAMÍLIA SÃO PAULO
Os integrantes da Força Jovem Sampa, 23ª Família, filial paulista da maior Organizada Vascaína, viajarão nos ônibus da Mancha Verde. (20 de Dezembro)
Fonte: Jornal Folha de São Paulo 19 e 20 de Dezembro de 1997

Força Jovem Folha de São Paulo 1997

Força Jovem Folha de São Paulo 1997

Força Jovem Folha de São Paulo 1997



sábado, 30 de maio de 2015

FORÇA JOVEM 1994: REESTRUTURAÇÃO DAS FAMÍLIAS

INFORMATIVO FJV: COMPONENTES DA FORÇA JOVEM
Devido ao enorme crescimento da nossa Torcida em todo o Rio de Janeiro e fora dele, tivemos a necessidade de reestruturar as nossas Famílias.
Para isso possa acontecer precisamos a presença de todos os componentes na nossa Sede localizada a Rua Manoel Vitorino nº 873 sobreloja, Piedade, em frente Estação de Trem (Rua da Universidade Gama Filho).
Veja em  seguida o dia da Reunião de sua Família.
Dia 10 de Outubro (segunda) as 19,30 horas: 1ª e 3ª Família.
Dia 11 de Outubro (terça) as 19,30 horas: 2ª,  5ª e 11ª Família.
Dia 12 de Outubro (quarta) as 12,30 horas: 4ª,  6ª e 14ª Família.
Dia 13 de Outubro (quinta) as 19,30 horas: 7, 8ª e 12ª Família.
Dia 14 de Outubro (sexta) as 19,30 horas: 9 e 10ª Família.

OBJETIVOS DA REUNIÃO
Escolha de Novos Líderes
Reestruturação das Famílias
Assuntos Gerais.

“Na Reestruturação das Famílias o Líder da 4ª Família, era o Léo da Pavuna, ele ficou até 1999.  Eu era o Líder do pessoal de Madureira, puxava o bonde de Madureira para a nossa Sede na Pavuna e Marechal,  foram 8 anos de invencibilidade. Nós na pista nos tornamos a maior Família da FJV”. Falou Índio.

Força Jovem 1994

Força Jovem 1994

sexta-feira, 29 de maio de 2015

PEQUENOS VASCAÍNOS 1982: COPA LETRA DE FUTEBOL AMADOR

No início da década de 1980, a "Pequenos Vascaínos" possuía um dos mais fortes times de futebol amador do Rio de Janeiro, tendo se destacado em várias competições. 
Uma das mais importantes de que participou foi a "Copa Letra", disputada entre Fevereiro e Maio de 1982, que foi o maior campeonato de futebol amador já realizado no mundo e valeu à equipe campeã passagens para assistir à Copa do Mundo, na Espanha. 
Com uma belíssima campanha, a "Pequenos Vascaínos" conquistou invicta a 3ª Colocação da competição, além do Troféu de "Melhor Torcida"!

A CAMPANHA INVICTA:
1ª Fase:
Pequenos Vascaínos 1 x 0 S. Viana
Pequenos Vascaínos 1 x 0 Real
Pequenos Vascaínos 1 x 0 Clube dos Telegrafistas do Brasil
Pequenos Vascaínos WO ACR Esporte Clube

2ª Fase:
Pequenos Vascaínos 3 x 1 Letrinha
Pequenos Vascaínos 2 x 1 Bolinha
Pequenos Vascaínos 1 x 0 Santos

Semifinal:
Pequenos Vascaínos 1 x 1 Modus Rio Sports (Modus 4 x 3, nos pênaltis)

Decisão do 3º Lugar:
Pequenos Vascaínos 1 x 0 Estrela Solitária

Atletas: Ivan Gonçalves Rocha, Paulo Roberto Martins Gonçalves, Antônio Carlos Costa da Cunha, Cláudio Rosa da Silva, Ademir Costa da Cunha, Gilberto Rosa, Haroldo Lopes da Silva, Luiz Fernandes da Silva, Amaurino Alves de Queiróz, José Joaquim Rocha de Almeida, José Henrique Oliveira da Silva, Wilson Genuíno da Silva Jr, José Nascimento Conceição, Antônio Carlos de Oliveira, Luiz de Oliveira Moura e Laerte Alves das Chagas.
Fonte: http://www.geocities.ws/mcoutinhoesantos/pqvascop.htm


Pequenos Vascaínos Jornal dos Sports 1982

Pequenos Vascaínos Jornal dos Sports 1982

Pequenos Vascaínos 1982

Pequenos Vascaínos 1982

Pequenos Vascaínos 1982

Pequenos Vascaínos 1982

Pequenos Vascaínos 1982



quinta-feira, 28 de maio de 2015

LEGIÃO DA VITÓRIA 1942: A LEGIÃO DA VITÓRIA APRECIADA PELOS MAIORAIS DO VASCO

“Uma Torcida Organizada e disciplinada, constitui um fator de Triunfo”, declara o Sr Albano Lourenço Ferreira.
A notícia divulgada em primeira mão por Jornal dos Sports, sobre a organização da Legião da Vitória, constituiu o assunto obrigatório de todas as palestras no grêmio da Cruz de Malta. É uma ideia que desde já pode ser considerada vitoriosa, se levarmos em conta o sucesso alcançado pelas caravanas esportivas organizadas no último campeonato pelo rapazes alegres do Vasco da Gama. 
A Legião da Vitória terá o condão de reunir fraternalmente todos os Vascaínos, proporcionando-lhes ao mesmo tempo horas de intensa alegria. 
As partidas de futebol, regatas e outras disputas esportivas, terão muito mais importância, quando os legionários Vascaínos, com umas canções e afinados conjuntos musicais alegrarem as praças de esportes da cidade. Tudo isso será feito dentro de um ambiente de disciplina e respeito, afim de que o elemento feminino possa tomar parte nas caravanas da Legião.

FALA O PROCURADOR DO VASCO SR. ALBANO LOURENÇO FERREIRA
Em palestra com Jornal dos Sports, declarou-nos o seguinte:
“O Vasco da Gama está vivendo os seus maiores dias. Tudo é possível no nosso Clube. Não há partidos políticos nem descontentes. O que se nota, agora, é uma onda de entusiasmo e confiança mutua, que nos conforta e anima. Todos desejam ver o Vasco integrado dentro da sua própria grandeza.”
E prosseguindo.
“A Legião da Vitória, era em organização, e uma demostração positiva de que os Vascaínos que se mantinham céticos e descrentes, já confiam em futuros triunfos.”
Essa prova de confiança a administração do Sr Ciro Aranha não pode passar despercebida pois denota-se com clareza os propósitos de colaboração espontânea dos associados com a Diretoria.
São ainda palavras do Procurador Vascaíno.
“A organização da Legião da Vitória deve merecer os aplausos de todos os Vascaínos. Será o grito unisono da merecida cruzmaltina, ressoando nos ouvidos, dos atletas em disputa. Será um estimulante na luta e uma consagração na vitória.”
Assim terminou Sr Albano Lourenço Ferreira. 
Fonte: Jornal dos Sports 12 de Fevereiro de 1942

Legião da Vitória Jornal dos Sports 1942





quarta-feira, 27 de maio de 2015

FORÇA JOVEM 2015: AÇÃO SOCIAL DA FORÇA JOVEM 43ª FAMÍLIA MACAPÁ

No ultimo dia 07/05/2015 a cidade de Ferreira Gomes localizada a cerca de 140 km da capital amapaense, Macapá, sofreu com uma forte inundação causada pela abertura das comportas da Usina Hidrelétrica Cachoira Caldeirão situada as margens do Rio Araguari que corta a cidade, cerca de 1,4 mil famílias foram atingidas e cerca de 227 pessoas estão desabrigadas.
Sem qualquer sentimento clubístico e deixando de lado toda e qualquer rivalidade que possa existir com pessoas que possam ser torcedoras de outros clubes a 43ª Família do G.R.T.O Força Jovem do Vasco se mobilizou para arrecadar donativos que possam diminuir a dor dessas famílias e levar um sinal de que sim, ainda existe esperanças e nada está terminado, nesse momento de dor e tristeza a FJV mais que uma Torcida Organizada se coloca como colaboradoras daqueles que precisam de uma demonstração de carinho e de alguns minutos de atenção.
A Diretoria do G.R.T.O. Força Jovem do Vasco parabeniza toda a 43ª Família Macapá pela grande atitude.
Deus fica perto de onde as pessoas demonstram amor umas às outras.
JUNTOS SOMOS MAIS FORTES
VASCO POR AMOR, FORÇA JOVEM POR IDEAL
Diretoria do G.R.T.O. Força Jovem do Vasco

Força Jovem Ação Social da 43ª Família Macapá 2015

Força Jovem Ação Social da 43ª Família Macapá 2015


Força Jovem Ação Social da 43ª Família Macapá 2015

Força Jovem Ação Social da 43ª Família Macapá 2015

Força Jovem Ação Social da 43ª Família Macapá 2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

MANCHA NEGRA 2015: CAMPANHA DO AGASALHO

A Mancha Negra do Vasco vem por meio de sua Diretoria solicitar a colaboração de todos os seus associados e componentes para poderem levar um agasalho, cobertor ou edredom a milhares de pessoas que realmente necessitam da nossa ajuda e de nosso apoio. 
Mancha Negra Vasco solicita que as doações sejam somente de peças novas! 
Temos a completa certeza absoluta que um gesto embora pareça pequenino aquecerá as noites geladas de inúmeras famílias. 
Mancha Negra do Vasco espera que todos os Distritos da Torcida aqueçam as famílias que realmente necessitam do nosso calor! 
Atenciosamente, 
Diretoria da Mancha Negra Vasco

Mancha Negra Maracanã 1999

Mancha Negra Maracanã 1999

segunda-feira, 25 de maio de 2015

FORÇA JOVEM 2015: FJV TRABALHANDO NOVAMENTE A FAVOR DOS NECESSITADOS

O G.R.T.O. Força Jovem do Vasco com sua nova Diretoria já começa a mostrar trabalho, alguns membros da diretoria e integrantes no dia 23/05/2015 se reuniram para doar um Sopão Beneficente, calçados, suco, água, sobremesa, cobertores e agasalhos nos bairros da Pavuna e São João de Mereti na cidade do Rio de Janeiro. A idéia surgiu em uma reunião da diretoria onde uma das pautas discutidas foi os projetos sociais desenvolvidos pela Torcida.
Por iniciativa dos diretores de Ações Sociais da Torcida Rodrigo Blindado Silva e Germaine Porto e do Vice-Presidente Jefferson Barreto, que acreditam no papel social da Torcida, integrantes de algumas Famílias se organizaram para a distribuição, que contou com a ajuda especial da JD Fight e Tribo dos que doam amor (voluntários do bem), que cozinhou (agradecimento especial Tia Jane) e ajudou a servir o sopão.
Os integrantes reuniram-se à 00:00h na rua Mercúrio na Pavuna (em frente a delegacia), na praça da Pavuna foi atendido os moradores de rua do local, depois foi para o centro de São João de Mereti na praça da Matriz e depois fomos caminhando pela rua dos Bancos, onde fica a maior concentração de moradores de rua, onde distribuíram porções de sopa, suco, refrigerante, sobremesa (doce de leite e doce de abóbora), calçados, roupas, agasalhos e cobertores para os moradores de rua.
Essa ação faz parte de um novo projeto social desenvolvido pela nova diretoria da Torcida que visa o auxílio ao próximo.
Para o Vice-Presidente, Jefferson, o papel da Torcida vai muito além dos assuntos envolvendo o Vasco da Gama. “A Torcida é uma extensão do Clube, mas também uma instituição que tem deveres com a sociedade e nós da Força Jovem vamos fazer a nossa parte”, acredita Jefferson.
Muitos mostram apenas o lado negativo das torcidas organizadas, mas a Força Jovem vem mais uma vez surpreender e mostrar o seu lado social e a favor dos mais necessitados. A felicidade dos moradores de rua com a nossa chegada se refletiu no rosto e no sorriso deles à espera do sopão. “Foi Jesus Cristo quem mandou vocês”, afirmou um morador de rua. Muitos disseram que essa foi a única refeição que eles fizeram durante todo o dia.
A nova Diretoria da FJV acredita no poder da ajuda social e está empenhada em fazer a diferença. E dessa maneira a Força Jovem dá mais uma prova de que é diferente e que pretendemos ir além, para deixar a nossa marca na história da FJV.
É a Força Jovem trabalhando novamente a favor dos necessitados.
Veja mais de 50 fotos da ação social neste link:http://www.forcajovem.com.br/site/site/galerias/ver/?id=171
NOSSA FORÇA PRODUZ SOLIDARIEDADE!!
A Família promete, demora, mas cumpre!!
Diretoria do G.R.T.O. Força Jovem do Vasco

Força Jovem Ação Social 2015

Força Jovem Ação Social 2015

Força Jovem Ação Social 2015

Força Jovem Ação Social 2015

domingo, 24 de maio de 2015

GUERREIROS DO ALMIRANTE E FORÇA INDEPENDENTE 2015: GDA E FORÇA INDEPENDENTE SÃO SUSPENSAS POR 30 DIAS

As Torcidas do Vasco, Guerreiros do Almirante e Força Independente foram suspensas por 30 dias por uso de piscas na final entre Vasco x Botafogo no Maracanã.
Comunicado oficial da Guerreiros do Almirante:
Guerreiros, informamos que pelo uso de Piscas no nosso espaço da arquibancada do Maracanã após a Final do campeonato carioca, recebemos uma punição de 30 dias a partir do dia 21/05/2015 e NÃO PODERÃO ENTRAR MATERIAL COM DIZERES GUERREIROS, GS3 OU SAÍDA 3.
Ficaremos sem faixa, barra e instrumentos, mas não ficaremos sem a voz! VAMOS CANTAR AINDA MAIS NESSES JOGOS.
PERDE-SE A VOZ, GANHA-SE A HONRA /+/

Força Independente 2015

Guerreiros do Almirante 2015

sábado, 23 de maio de 2015

TOV 2005: DEPOIMENTO DE TIA AIDA. FUNDADORA DA TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO (TOV), EM 1944. QUARTA PARTE

Data da Gravação: 26/07/2005
Entrevistada: Aida de Almeida (1925-2010)
Entrevistador: Bernardo Buarque
Transcrição: Juliana Paula L. Mattos
Edição: Pedro Zanquetta Junior

Gostaria que você falasse um pouco sobre as viagens de ônibus que fez com a torcida. Você foi a muitos lugares acompanhar a equipe?
Ao longo de todos esses anos, eu corri o Brasil, sofri muito. Certa vez, nós fomos a Belo Horizonte enfrentar o Cruzeiro e a torcida do Atlético Mineiro, que era nossa rival, nos atacou. Eles fecharam a Afonso Pena com pedras e tambores de óleo. Ficamos encurralados e descemos todos dos ônibus. Tomamos uma enxurrada de pedras que quebrou os vidros dos nossos cinco veículos. Os homens da nossa turma pegaram bambus e houve uma pancadaria. Oito pessoas ficaram feridas. Eu fui sozinha acompanhá-las no hospital. O Amâncio César levou uma facada na perna. Uma moça que estava com dois meses de gestação ficou desesperada achando que ia perder o bebê. Um rapaz que chamávamos de Psirico me dizia que tinha quebrado o pescoço. Eu fiquei doida! Enquanto isso, a Dulce foi para a delegacia pedir policiamento. Acabamos retornando sem vidros, com um vento terrível e sem comer nada. Foi uma loucura aquilo. Uma emissora filmou o confronto e minha mãe ficou horrorizada ao ver aquelas cenas. Fomos massacrados. Contudo, quando o Atlético Mineiro veio jogar aqui, nós demos o troco. Eles apanharam demais.
Em outra ocasião, passamos por algo parecido em Santos. Saímos tranquilamente do estádio, porém quando chegamos na estrada, apedrejaram nossos ônibus e precisamos ficar abaixados. Foi um sacrifício. Deus me livre! Já em Porto Alegre, a Dona Adélia – tia do Zico – foi atingida por uma garrafa e teve que ficar hospitalizada. Nesse dia, não sobrou um bambu inteiro. O Amâncio César briga bem e ficava na dianteira enquanto nós nos defendíamos com bambus até a polícia chegar. Em São Paulo, também apanhamos um bocado. Éramos muito bobos, não tínhamos aquela malícia da briga. Em contrapartida, os outros eram sabidos, malvados...

Havia cidades onde vocês não enfrentavam problemas nessas viagens?
O único lugar em que não apanhamos foi em Goiânia. Que cidade linda! Na primeira vez que estivemos lá, saímos daqui à meia-noite de sexta-feira e chegamos lá vinte e quatro horas depois. Só paramos duas ou três vezes para o pessoal almoçar e jantar. Fomos em dois ônibus alugados e eu estava com a Dona Adélia, a Maria Helena, a Janete e a outra Maria. Ao chegarmos, nos hospedamos em um hotel barato e decidimos conhecer a noite da cidade. Fomos parar em um bar cheio de prostitutas e de homens que lidavam com arroz. [Risos] Jantamos lá de madrugada e fomos alvo de muitas brincadeiras por parte das moças. Foi muito engraçado! [Risos] Saímos de lá às quatro horas e, às sete, já estávamos em pé para conhecermos Caldas Novas. Infelizmente, os proprietários dos hotéis de lá não nos deixaram entrar em nada porque éramos um bando de torcida.
Outro lugar que nos recebia bem era Curitiba. Estive lá três vezes em partidas contra o Paraná Clube e o Atlético Paranaense. A cidade é muito gostosa, embora tenha havido pancadaria em uma das vezes. Gostei também de Santa Catarina. Aquela região é espetacular! Conheci uma turma de vascaínos em Blumenau e há pouco tempo atrás eles me procuraram para batizar a torcida deles.

Você é madrinha de muitas Torcidas do Vasco da Gama?
Eu batizei umas cinco ou seis organizadas. Fui madrinha da Vascastelo de Vitória, da Vasbrasília... Todavia, apenas a de Nova Iguaçu ainda existe. Sempre tive um respeito por parte das torcidas. Agora que estou com certa idade, um rapaz da Pequenos Vascaínos me disse: - “É, tia, chegou a sua vez...”. Eu não ligo, pois estou sempre na minha e nunca precisei do Vasco. Sempre paguei para entrar no Maracanã e tenho livre acesso ao clube porque meu título é remido. Tenho 70 anos de clube e um escudo de ouro.

Sua presença nas arquibancadas e no clube ainda é constante, não é?
Atualmente, vou quando quero e posso ao Maracanã e ao São Januário. No segundo é mais fácil, pois tenho uma cadeirinha e todo mundo sabe que aquele lugar é meu. Eu vou cedo para o clube, sento, converso passo na presidência, tomo um café, dou um beijo no Eurico... Frequento São Januário desde os 7 anos, quando ia com meu pai. Sempre senti um amor enorme pelo Vasco da Gama e isso faz com que eu dedique a maior parte da minha vida ao clube até hoje.
 http://www.ludopedio.com.br/rc/index.php/entrevistas/artigo/2335

TOV adesivo da década de 1980




sexta-feira, 22 de maio de 2015

TOV 2005: DEPOIMENTO DE TIA AIDA. FUNDADORA DA TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO (TOV), EM 1944. TERCEIRA PARTE

Data da Gravação: 26/07/2005
Entrevistada: Aida de Almeida (1925-2010)
Entrevistador: Bernardo Buarque
Transcrição: Juliana Paula L. Mattos
Edição: Pedro Zanquetta Junior

Você participou da organização de um concurso de beleza na torcida vascaína, não é?
Sim. Esse concurso começou no final dos anos 1970 e se chamava Rainha das Torcidas do Vasco. A iniciativa de organizá-lo foi da Iara Barros e o realizamos por 19 anos. Em algumas edições, conseguimos colocar mais de três mil pessoas no Bola Preta. Fizemos muitos em São Januário também. As moças que concorriam eram belíssimas! Elas desfilavam com camisa da Torcida e shorts e depois com vestido de gala. Eu conheço quase todos os restaurantes famosos do Rio de Janeiro em virtude desse concurso. Quando entrávamos em contato com eles e dizíamos que levaríamos as candidatas, todos abriam as suas portas. Íamos com as garotas e suas mães e todo mundo comia e bebia à vontade.

E os bailes de Carnaval do clube, você costumava freqüentar?
Sim. Os nossos bailes eram muito bonitos e decentes, com a presença de muitas famílias. A cada ano fazíamos uma fantasia diferente. Em uma ocasião, alguns americanos vieram nos filmar e ficaram encantados com a beleza dos nossos trajes.

Como é a sua relação com o Eurico Miranda?
O Euriquinho é muito bom. Que coração aquele homem tem! Sempre que vou ao clube sou recebida por ele com um carinho enorme. Ele me cumprimenta: - “Oi, Aida! Tudo bem? Cadê meu beijo?”. Eu lhe digo que é o filho que não tive e ele fica todo prosa. O Eurico é dedicadíssimo à família, tem paixão pelos filhos e a senhora dele é um doce. Oh, criatura boa! Aturá-lo não é fácil, porém ela está sempre alegrinha e dá atenção a todo mundo.
No último domingo, inclusive, ele brigou no clube e eu quase entrei no meio. Um cara ficou reclamando: - “Ah, esse homem não compra jogador. O dinheiro fica não sei o que...”. O Eurico partiu para cima dele no final do jogo, bem na hora que eu estava lá perto da presidência para tomar café. Eu ia me encontrar com o seu Eduardo e a filha, para eles me trazerem para casa. Ouvi aquela brigalhada e a turma separando. Cheguei para o Eurico e disse: - “Aí, meu Deus do céu! Foi bom eu nem ter ouvido o que ele disse, senão era eu ia bater no homem.” [Risos] Eu gosto muito do Eurico pelo seu valor. Eu vejo o que esse homem tem sofrido para levar o Vasco adiante. Ele aceitou trinta e um jogadores que se ofereceram ao clube. Infelizmente, eles não vivem a vida do clube. A culpa não é do presidente.

O clube conquistou grandes títulos ao longo dos mandatos dele, não é?
Exatamente. Vivemos muita coisa bonita! Vencemos no remo, no basquete e no futebol nos sagramos campeões brasileiros, da Libertadores da América, fomos a Tóquio... A partida contra o Palmeiras no Campeonato Brasileiro foi linda. Não havia mais onde botar o pé no Maracanã. Estávamos perdendo de 3 a 0 e viramos para 4 a 3. A gente só escutava todo mundo dizer: - “Ah, eu queria este presidente no meu clube!”. E agora, a oposição quer comandar o Vasco. Tem muito cruzmaltino ordinário...
Muita gente não sabe, mas o Vasco tem um colégio dentro do estádio e, além disso, oferece três mil refeições por dia. Serve café da manhã, almoço e lanche da tarde. Qual clube faz isso? Os meninos que estão nas categorias de base têm estudo e moradia. Eu mesma, quando ia lá, ajudava bastante o cozinheiro nas suas tarefas.
Afora isso, temos o Hospital Santa Maria no qual sou conselheira. Inclusive, no dia da eleição para a presidência do clube, quase me atraquei com pessoas que estavam chamando o Eurico de ladrão no hospital. O Doutor Sílvio precisou me retirar de lá. Ele me advertiu: - “Aida, vou mandar meu motorista te levar antes que você apanhe aqui”.
Estou bastante aborrecida porque nas nossas últimas reuniões tem se cogitado a venda daquele hospital imenso para um grupo bancário e um dos maiores plantadores de soja do país. Eu fico indignada com isso, pois me recordo que em 1944, a minha família investiu 11 contos na construção do prédio. Era muito dinheiro. Dava para comprar uma casa com esse valor! Com o Vasco acontece a mesma coisa. Muita gente está doida para se apossar do clube. Apesar de adorar o Roberto Dinamite, o considero muito bonzinho e isso pode ser um problema.

Você tem contato com o Roberto Dinamite?
Sim. Temos um carinho um pelo outro e quando nos encontramos, ele me abraça, dá um beijo na minha cabeça...

Ele sabe que você apoia o Eurico Miranda?
Com certeza. No dia da eleição, o Eurico costuma ficar em pé na entrada do Departamento Infanto-Juvenil desde o início do pleito, às nove da manhã, até o término, sem comer nada. Nesta última, que envolveu ele e o Roberto, eu fiquei lá sentada ao lado dele com as beneméritas dona Maria Emília e Edneia até a hora do almoço. Quando fui votar, encontrei o Roberto no ginásio. Ele abriu os braços, me abraçou, beijou e eu lamentei: - “Pois é, Roberto...”. Ele brincou: - “Ah, está bom, tia. Vai votar”. Gosto dele, todavia acho que não tem condições de fazer uma boa administração por ser um menino apagado na assembléia. Ninguém escuta falar dele. Quem o elegeu foram os adoradores do seu futebol. Agora, na segunda eleição, já não teve o mesmo sucesso que na primeira e na próxima será ainda pior.
Fonte: http://www.ludopedio.com.br/rc/index.php/entrevistas/artigo/2332

TOV Tia Aida de Almeida 1978



quinta-feira, 21 de maio de 2015

TOV 2005: DEPOIMENTO DE TIA AIDA. FUNDADORA DA TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO (TOV), EM 1944. SEGUNDA PARTE

Data da Gravação: 26/07/2005
Entrevistada: Aida de Almeida (1925-2010)
Entrevistador: Bernardo Buarque
Transcrição: Juliana Paula L. Mattos
Edição: Pedro Zanquetta Junior

O Vasco da Gama começou como um Clube de Regatas, não é?
Exatamente. Eram lindas as regatas! Eu as adorava e me deram muitas emoções, pois ganhávamos várias. Quando eu via nossos remadores chegando na frente dos do Flamengo ou do Botafogo, sentia vontade de me atirar na água de tanta beleza que via. Tivemos competidores belíssimos no Vasco, como o irmão da Carmen Miranda, o campeoníssimo Mocotó (Amaro Miranda da Cunha). Ele remava sozinho - em single skiff - e quando estava na água, era vitória garantida.
Certa vez, eu, meu irmão e dois amigos saímos antes das seis da manhã de nossa casa no Méier e fomos de carro até a Gávea para assistir as regatas. Costumávamos levar carne assada, frango... Um monte de comida. Nesse dia em especial, ganhamos a regata juvenil, a reserva e o campeonato profissional! Partimos de lá em carreata e entramos em São Januário cantando com uma banda que tocava a Marcha da Vitória. Comemoramos demais e cheguei em casa toda suja. [Risos] Para minha mãe, aquilo era o fim.

Quando você começou a acompanhar a equipe de futebol, era freqüente a presença feminina nas arquibancadas?
Nas décadas de 1940 e 1950, havia muitas mulheres nos estádios. Quando começamos com a Torcida Organizada, íamos bem vestidas ao Maracanã e ao São Januário. Todas usávamos sainhas abaixo do joelho. Era muito bonito. Hoje em dia, não há mais educação. Fico horrorizada com os palavrões que até as crianças gritam. 
A Força Jovem do Vasco, bem como as outras, entoa músicas com dizeres horrorosos. Naquele tempo, não tinha cabimento uma coisa dessas, pois famílias inteiras iam ao estádio e existia respeito. Os rapazes que nos acompanhavam, por exemplo, ficavam atrás de nós para nos proteger. Atualmente, eu entro no ônibus e é uma pouca vergonha. Não tem mais aquela calma, as brincadeiras sadias... Afora isso, as pessoas não possuem tanto dinheiro. Antes, todo mundo entrava nos restaurantes, comia e pagava sua conta. Se as torcidas forem agora, acontece uma roubalheira... Deus me livre! Inclusive, quando posso, me afasto da Força Jovem.

A Torcida Uniformizada do Vasco foi a primeira do clube e a segunda do Brasil. Como surgiu a ideia de fundá-la?
Ela apareceu na sede social por iniciativa de um grupo de torcedores seletos do qual eu fazia parte. Nós íamos juntos aos Estádios nos dias de jogos e costumávamos nos reunir na minha casa, na da dona Idalina David ou na da Madame Bastos, uma das maiores estilistas do Rio de Janeiro na época. Além das mulheres, havia o Tião (Sebastião Gonçalves Carvalho) – dono de uma fábrica de caixas de papelão - e o Tony, que era comandante da Polícia Especial e, depois passou para a Polícia Federal.
No início, as torcidas não eram essa bagunça que se observa hoje. Nós começamos frequentando as partidas no clube e, em 07 de Março de 1944, criamos a Torcida Uniformizada do Vasco ( Nota do Blog: Na verdade a TOV é de 1944, a TUV foi fundada em 1954). Sou a dona da carteirinha 0001, de fundadora. Depois decidimos trocar o nome para TOV, Torcida Organizada do Vasco.

Como eram os primeiros uniformes que vocês usaram nas arquibancadas?
As mulheres vestiam uma blusinha chemise e os rapazes, camisas. Nos dois tipos havia um bolsinho onde era bordado “TUV”. Tínhamos uma faixa enorme com os dizeres: “Felicidade, teu nome é Vasco”. Algum tempo depois, fizemos outra para levarmos ao campo do Bonsucesso, do Olaria, do Botafogo... Nela, grafamos: “Com o Vasco onde estiver o Vasco”.
Aliás, nas partidas contra o alvinegro no Caio Martins, éramos recebidos por uma multidão de Vascaínos pobrezinhos de Niterói que nos conheciam e sabiam que levávamos comida. Eu, a Madame Bastos, o Tião, a dona Idalina e suas filhas queríamos nos exibir um mais que o outro e sempre exagerávamos na quantidade de alimentos que carregávamos. Sobrava bastante e eles costumavam ficar perto de nós para comerem o que não íamos levar de volta.

Além do uniforme e das faixas, vocês tinham cantos próprios?
Sim. O Tião era o responsável por criar muitas das músicas que entoávamos nas arquibancadas. Por exemplo, quando vencemos o América e conquistamos o Campeonato Carioca de 1950, ele compôs uma marchinha de carnaval que dizia: “Zum, zum, zum, zum, Vasco 2 a 1; Ademir pegou a bola e desapareceu; Osni está procurando onde a bola se meteu”. Havíamos sido o primeiro clube campeão no Maracanã e fomos de lá até São Januário cantando isso. Foi tão bonito!
As nossas canções falavam sobre os jogadores e o time e nenhuma tinha xingamento. Outra composta pelo Tião era: “Ê Sabará, ê Sabará; olê mulher rendeira; olê mulher renda; me ensina a fazer renda, que eu te dou o Sabará.” O Sabará (Onofre Anacleto de Souza) era um atacante maravilhoso. A Lurdinha, filha da Dulce, era louca por ele. Nós tínhamos ídolos e o meu era o Augusto. Aquilo é que era beque! O time era Barbosa; Augusto e Bellini; Eli, Danilo e Jorge; Chico, Friaça, Ademir, Ipojucan e Maneca. Infelizmente, a maioria deles morreu pobre. Hoje, todos os atletas querem ser milionários, porém não querem se dedicar ao clube. Muitas vezes eu vi o Eli jogar com febre. Ele reclamava: - “Aida, estou me sentindo muito mal, mas vou jogar”.
Era um espetáculo presenciar isso.
Além de inventar os cantos, o Tião foi o responsável pelo apelido de “urubu” dos flamenguistas. Numa noite houve um clássico contra o rubro-negro e nós gritávamos para eles: - “Oh, cachorrada!”. Naquela época, a TUV se concentrava exatamente no meio do campo e estávamos com raiva porque eles haviam roubado nosso espaço das tribunas. No meio do alvoroço, ele decretou: - “Cachorrada, não. A partir de agora, eles vão ser urubus!”.

A rivalidade com o Flamengo é bastante forte e antiga, não é?
Exatamente. Desde que eu me entendo por gente, sempre foi assim. É curioso, pois não há uma oposição tão forte em relação ao Botafogo ou ao Fluminense. Na verdade, ninguém o suporta porque a torcida é maior. É o mesmo que acontece com o Corinthians em São Paulo.
Recordo que no primeiro clássico entre Vasco e Flamengo no Maracanã ocorreu uma disputa por espaço entre o nosso grupo e a Charanga do Jaime de Carvalho - que foi a primeira Torcida a surgir. A partida aconteceu em um domingo e, quando subimos a rampa, nos posicionamos do lado direito das tribunas e eles do lado esquerdo. Como os torcedores não usavam camisas nas arquibancadas, nós precisamos mandar os rubro-negros embora da nossa área. 

Diante daquela situação, eu, a Neide, a Margarida Portugal, a Norma Uchoa e a Dona Idalina David fomos até um guarda e pedimos para ele chamar o Jaime. Ele era um gentleman e nos tratava com muito carinho. Conversamos e ficou estabelecido que ele iria chamar os torcedores dele para lá e nós faríamos o mesmo quanto aos nossos. A divisão que começou naquele dia permanece até hoje. Daqui a uns anos, eu já não estarei aqui, mas sei que isso vai durar para sempre.

Em algumas publicações, aparecem como fundadores da Torcida um homem chamado João de Lucca e, em outros, uma torcedora chamada Dulce Rosalina. Eles faziam parte desse grupo inicial?
Não! O João de Lucca nem sequer fez parte da TOV ou de alguma outra Organizada. Ele era apenas um torcedor que usava um megafone na Sede social do Clube e entoava gritos de guerra durante as partidas. Sua participação se restringia a isso. Quem fazia a Torcida mesmo éramos nós. Íamos para todos os lugares acompanhar os jogos, sempre com muita linha e classe. Não como hoje, todos mal vestidos e cheirando mal.
Muita gente desconhece os verdadeiros fundadores porque eu nunca fui de dar entrevistas. Eu saía do Clube e ia para casa. Quanto à Dulce Rosalina (Presidente da TOV entre 1956 e 1969 e de 1970 a 1976), fui eu quem a levou para a Organizada e tempos depois a expulsei, pois ela nos traiu. Eu a conheci no campo do Bonsucesso quando ela havia recém-chegado de São Paulo, após se separar do seu marido. Ele era jogador de futebol e foi o autor do primeiro gol no Maracanã, na partida de inauguração entre cariocas e paulistas. A Dulce sentou-se ao meu lado, gostei dela e a chamei para fazer parte do nosso grupo. Ela começou a participar bastante e, num dado momento, quando eu estava com dificuldades em conciliar a liderança da Torcida com minhas obrigações profissionais e familiares, entreguei-lhe o comando. Todavia, ela foi falsa conosco.

Em que contexto aconteceu esse rompimento entre vocês?
Na campanha da eleição para a presidência do Clube em 1976. Eu, ela, o Amâncio César (Presidente da TOV de 1976 a 1988), o Antônio e o Ely Mendes (Presidente interino da TOV entre 1969 e 1970) havíamos redigido e assinado uma declaração definindo um setor no qual deveríamos trabalhar para a reeleição do Agathyrno Silva Gomes. Mal havíamos acabado de fazer isso, ela saiu de onde estávamos e foi direto para o escritório do candidato da oposição, o Medrado Dias. No dia seguinte, um jornal publicou a foto dos dois juntos, acompanhada de uma legenda que dizia: “Dulce Rosalina apoia Medrado Dias”. Ela estava na miséria e aceitou dinheiro em troca de sua aliança. Quando vimos aquilo, decidimos excluí-la e colocamos o Amâncio César - que era professor e tinha gabarito - em seu lugar à frente da Torcida.
Logo após esse fato, eu a encontrei no Maracanã e ela estava reclamando para um grupo da nossa decisão. Chegou a se aproximar de mim e dizer coisas que não gostei. Acabei acertando-lhe uma bofetada! Ela não reagiu e depois me pediu desculpas. A minha mãe gostava dela e me repreendeu demais. Fora do nosso grupo, ela acabou fundando a Renovascão e se doou ao Clube. A Dulce era filha de um português que, além de proporcioná-la uma excelente educação, ainda deixou-lhe uma herança considerável. Entretanto, ela perdeu tudo. Quando ainda fazia parte da TOV, era bastante ativa. Corria atrás da feitura das bandeiras, fazia as campanhas, organizava os ônibus de viagem e contribuía com dinheiro do próprio bolso. Muitos se aproveitaram pelo fato de ela ser uma mulata bonita e ter dinheiro. Depois, passou a amanhecer e adormecer no clube, sem exercer nenhuma atividade remunerada. Apenas ficava sentada, conversando. Ela faleceu há um ano e meio atrás, aos 80 anos, e ia ser enterrada em cova rasa. Felizmente, o Rui Soares Proença de Souza, dono da Casa Cruz, ficou sabendo disso e arcou com os custos do funeral.
Infelizmente, muitos dos torcedores daquela época têm acabado assim. O Jânio de Carvalho passou por algo parecido e o Ramalho (Domingos do Espírito Santo Ramalho) só não sofreu o mesmo por lhe restar os filhos e devido à ajuda do Eurico Miranda que mandou bandeira, coroa...

O Ramalho foi um torcedor-símbolo de grande notoriedade, não é?
Sim. Ele era conhecido internacionalmente. Chamou a atenção do Presidente Juscelino Kubitschek e um cineasta chamado Mário Peixoto chegou a escrever alguns versos para ele. Em Bonsucesso, na casa de sua família, há coisas belíssimas guardadas. Eu sou madrinha da filha dele e ainda mantenho contato. Ele me convidou para amadrinhá-la após vencermos, em 1957, o Torneio Teresa Herrera, em Corunha, na Espanha. Aliás, dentre as tantas taças que ficam no salão do clube, essa é a mais bonita. Quando ganhamos esse campeonato, não tínhamos televisão ainda e era difícil saber os resultados das partidas que ocorriam fora do país. No dia da final, eu recebi um telefonema do Mário Figueiredo, diretor da Rádio Continental e ele disse que se o Vasco ganhasse era para comparecermos lá e fazermos uma homenagem. Assim que recebi esse convite, telefonei para o bar que o seu Ramalho freqüentava e solicitei: - “Por favor, seu Domingos, chame o seu Ramalho para mim”. Ele atendeu e eu perguntei: - “O Vasco está jogando na Espanha, você tem alguma novidade sobre o jogo? Se ganharmos, vamos todos para a Rádio Continental”. Ele não sabia o resultado e liguei para São Januário. Eles me disseram que havíamos ganhado e avisei todo mundo: Dona Idalina, Neide, Norma, seu Ramalho, Margarida... Com exceção da Madame Bastos, que estava ocupada, toda nossa turma foi para a rádio. Ao chegar lá, o seu Ramalho bateu com um talo de mamona no meu ombro e disse: - “Oh, comadre!”. Eu retruquei: -“Por que, comadre?”. E ele: - “Minha filha nasceu hoje!”. Fiquei bastante feliz e batizei: - “Então, ela vai se chamar Teresa Herrera”. Ele aceitou e me convidou para ser a madrinha dela.
Naquele dia, estávamos todos eufóricos e conseguimos colocar o Mário Figueiredo em contato via telefone com o presidente do clube. Ele entrou ao vivo na programação e nós gritamos: - “Casaca!”. Nós choramos aqui e ele, lá. Foi incrível!

Quando começou a ser usado o Grito da Casaca?
Essa canção é eterna e surgiu por volta de 1900, nas competições de regatas. É um grito simples, mas muito bom: “Ao Vasco, nada?; Tudo!; Então como é que é?; Casaca, casaca, casa, casa, casaca; A turma é boa, é mesmo da fuzarca!; Vasco, Vasco, Vasco!”. Está na cabeça da gente. Atualmente, acho muito bonito quando a equipe está perdendo e entoam: - “O Vasco é o time da virada; o Vasco é o time do amor; Ôôô”. Gosto também daquele outro: “É gol, é gol; A rede vai balançar; Vai balançar; Vasco da Gama, meu bem; é campeão da terra e do mar”.
http://www.ludopedio.com.br/rc/index.php/entrevistas/artigo/2326

TOV Tia Aida de Almeida 2005



quarta-feira, 20 de maio de 2015

TOV 2005: DEPOIMENTO DE TIA AIDA. FUNDADORA DA TORCIDA ORGANIZADA DO VASCO (TOV), EM 1944. PRIMEIRA PARTE

Data da Gravação: 26/07/2005
Entrevistada: Aida de Almeida (1925-2010)
Entrevistador: Bernardo Buarque
Transcrição: Juliana Paula L. Mattos
Edição: Pedro Zanquetta Junior

Iniciando, gostaria que você se apresentasse e dissesse onde e quando nasceu.
Meu nome é Aida de Almeida. Sou carioca da gema, nascida no dia 19 de janeiro de 1925, na Rua do Senado, onde vivi até os 15 anos. Depois, eu e meus familiares moramos em outros endereços, mas nunca deixei de freqüentar o Estádio de São Januário.

Seus pais também nasceram no Rio de Janeiro?
Não, eles eram portugueses da antiga província da Beira Alta, na região da Serra D’Estrela. Minha mãe era de uma cidade belíssima chamada Mangualde. Ela nos contava que lá havia casas antigas pequeninas com o teto baixo por causa do frio e com um sótão onde armazenavam linguiças, vinho e azeite. Sempre sonhei em ir para lá, contudo os anos se passam e não consigo. Agora está mais difícil, pois a vida encareceu e o euro está muito valorizado. Meu irmão fez essa viagem e voltou dizendo que as moradias se tornaram maiores e mais modernas.
A minha mãe nasceu em 1900 e veio para o Brasil em 1918. Ela era prima do meu pai e eles se casaram cedo, antes de imigrarem. A nossa família tinha o costume de casar todo mundo entre eles, de forma bem fechada. O próprio irmão do meu pai se casou com a irmã da minha mãe. Todos tinham sobrenome Cabral e Almeida.

Então, você cresceu com uma forte influência portuguesa, não é?
Exatamente. Tanto na educação quanto na alimentação. Eu fui criada com carne de carneiro, cabrito, coelho, bacalhau... Todos esses ingredientes típicos de Portugal. Na minha juventude, nunca comi carne de porco no Natal. Era bacalhoada com couve tronchuda, rabanadas, polvo, soda, guaraná, vinho e diversos tipos de frutas. Naqueles tempos, não tínhamos geladeiras como as de hoje e conservávamos os alimentos em uma caixa de madeira com gelo. A minha mãe entrava na cozinha com as empregadas às cinco da manhã e cozinhava até às oito da noite quando o jantar era servido. Essa era a tradição. A ceia não começava à meia-noite como hoje. Tenho duas primas que ainda fazem tudo como antigamente.

Qual era a ocupação do seu pai?
Ele era proprietário de uma fábrica de caixas de madeira de pinho, do Paraná. Após a sua morte, meu irmão, que era economista, passou a administrar a empresa. Algum tempo depois, nos mudamos para o bairro de Maria da Graça e montamos uma indústria grande. Todavia, com o desenvolvimento do plástico, as caixas de madeira começaram a declinar e só havia interesse nas feitas com sarrafo para carregar tomate. Os lucros diminuíram, entretanto conseguimos resistir por um bom tempo.

Quantos irmãos você teve?
Éramos duas meninas e dois meninos, porém meu irmão caçula faleceu aos 18 anos devido a um problema do coração. Ele jogava como goleiro no Vasco, mas nos deixou cedo, assim como meu pai que morreu aos 38 anos. Naquela época não havia antibióticos e meu pai teve uma infecção na pleura. Tínhamos um bom médico que atendia na própria Rua do Senado e ele fez o que pode. Quando a doença se espalhou, levaram meu pai para a região serrana de Friburgo, mas não adiantou.
Por outro lado, a minha mãe viveu até os 83 anos. Ela era uma dama elegantíssima e não recebia ninguém a não ser de sapato e meia. Infelizmente, não puxei isso dela e sou muito bagunceira. [Risos]

O seu pai também era vascaíno?
Sim, inclusive, contribuiu bastante para a aquisição do terreno do clube em São Januário. Após o expediente na caixotaria na Rua do Senado, ele seguia de bonde até o bairro da Saúde e participava de muitas reuniões. Alguns tomaram a frente mais do que ele, contudo ajudou e dava dinheiro. Embora muitos digam que aquele espaço foi cedido pela Prefeitura, recordo de ouvir meu pai comentar com as visitas: - “O terreno foi muito caro. Custou 2 contos!”.

E sua mãe, torcia?
Ela dizia que na nossa família todo mundo só falava em Vasco e que, por isso, era América. Certa vez chegou a ser homenageada pelo clube e recebeu flores em seu aniversário com uma mensagem: “À americana...”.

Como foi sua formação escolar?
Comecei meus estudos na Escola Municipal Celestino da Silva, na Rua do Lavradio. De lá, fui para o Colégio Marista São José, na Rua Conde de Bonfim. Quando nos mudamos para Lins de Vasconcelos, eu e meu irmão passamos a estudar na Moderna Associação Brasileira de Ensino, na Rua do Riachuelo, perto dos Arcos. Eu me formei em Ciências Contábeis e ele em Economia. A MABE era uma instituição séria de Ensino Superior. Agora me parece que virou uma bagunça, tem primário, ginásio... Depois de morar em Lins, eu me mudei para Copacabana, onde permaneci por 40 anos. Há 16 anos, vim morar aqui na Tijuca.

Além das Ciências Contábeis, você tem uma vocação para as Artes Plásticas, não é?
Desde cedo sempre gostei muito de desenhar. Pintei um número grande de telas e presenteei bastante gente, porque não conseguia vende-las. Cheguei a ganhar alguns prêmios e ainda guardo algumas por seu significado como uma de um porto de pesca da Noruega, outra do lugar que minha mãe nasceu, conforme ela descrevia, com oliveiras e uma rampinha onde minha avó lavava roupas... Tenho um primo e uma prima que também pintam. 
Cheguei a ter aulas com uma pintora que estudava na Faculdade de Belas Artes e era minha vizinha. Eu tinha muita vocação, porém não continuei porque precisava fixar muito os olhos na tela e minha visão não estava boa. Além disso, eu ajudava o meu irmão na contabilidade da fábrica e ia bastante para Maria da Graça.

Então, você trabalhava na fábrica também?
Sim. Após a morte do meu pai, meu irmão assumiu o negócio da família aos 17 anos. Minha mãe precisou emancipá-lo para ele poder assinar os documentos e gerir tudo. Ao completar a maioridade, ele estava estudando no MABE comigo. Eu não queria ir para a fábrica, a minha vontade era ser granfina e jogar tênis no Vasco. A minha professora era a Maria Helena Mourinho, rival da Maria Ester Bueno. O pai dela, o Dr. Paulo Amorim, era meu médico. Eu era uma mocinha bonita e queria ser chique com aquela sainha de tênis. Algum tempo depois, o esporte caiu muito e eu o abandonei, fui para a natação.

Você chegou a se casar?
Ao longo de meus anos como torcedora, conheci muita gente, entre eles, alguns jogadores de futebol, mas sempre mantive distância. Gostei muito do Paulinho de Almeida (Lateral-direito que atuou no Vasco da Gama entre 1954 e 1964) e chegamos a namoricar por telefone. Certa vez, o time fez uma excursão à Europa e ele quis tirar um retrato comigo. A foto saiu no Jornal dos Sports e minha mãe reclamou demais: - “O que é isso? Você é namorada dele para sair no jornal?”. Ela era esquisita e havia muito moralismo naquela época.
Eu tinha um namorado até o ano passado. Nós nos conhecemos em 1977, por intermédio de uma amiga. Ele era um Major do Exército recém-viúvo e eu, uma solteira de 42 anos, alta e elegante. Quando minha mãe soube, exigiu: - “Você está nessa idade, mas, se for sair de casa, precisa casar. Se não for assim, pode esquecer que tem uma mãe”. Eu acabei ficando em casa. Ao longo desses anos todos, ele serviu em Brasília, Curitiba e Campo Grande e, quando vinha ao Rio, nós passeávamos e, às vezes, viajávamos juntos. Ele ia embora, eu ficava. Antes de ir para os bailes de gala, eu esperava ele telefonar e, só depois, ia. A minha mãe não sabia que nós nos encontrávamos e reclamava: - “Vá logo! Os meninos já estão lá embaixo te esperando”.
Quando ela adoeceu, eu contei a verdade: - “Pois é, agora a senhora está ruim, meus irmãos estão casados e eu estou sozinha”. Depois da morte dela, eu achei que iria me casar com ele, contudo a filha dele, que estava divorciada e com dois filhos para criar, se opôs porque o pai a ajudava financeiramente. 
Atualmente, ele é General de quatro estrelas e teve um derrame. Ele me pediu para ir cuidar dele, contudo não quero nem saber. A filha que tome conta. A última vez que ele falou comigo pelo telefone, até perdeu a voz de tão debilitado. Não sei se ele ainda está vivo. Foram 30 anos de relação e de telefonemas diários. Um dia desses joguei trinta e tantas cartas dele no lixo. Sempre que possível, eu mandava uma correspondência. A moça dos Correios até achava graça e fazia piada: - “Ih, lá vai carta para o namorado!”. Eu contava sobre o Vasco e minha vida, porém escondia às idas aos bailes de gala. [Risos]

Esses bailes de gala que você frequentava eram realizados no clube do Vasco da Gama?
Sim, na sede da Lagoa que é lindíssima. Dávamos festas incríveis antigamente e até hoje os bailes são realizados lá. No próximo dia 21 de agosto, aniversário do clube, vai haver uma sessão solene. Quando completamos 100 anos, houve uma comemoração belíssima no Copacabana Palace. Ainda guardo o convite com carinho.

TOV Tia Aida de Almeida 2005