sexta-feira, 30 de setembro de 2016

GUERREIROS DO ALMIRANTE 2016: GDA COMEMORA 10 ANOS COM FESTA NO DIA 9 DE OUTUBRO

Atenção torcida Vascaína! 
Vem aí a Festa de 10 ANOS do Movimento Guerreiros do Almirante. 
Convidamos a todos que fazem parte desta história, torcedores Vascaínos e torcidas aliadas para comemorar conosco esta primeira década de apoio incondicional ao Club de Regatas Vasco da Gama. 
*Breve informações de atrações. 
DJ's 
- DJ MrzN 
- DJ Raul LPD (Baile do Almirante) 
- DJ Foca (Baile do Almirante) 
• BANDA GDA - TREME TERRA 
• CANTO CRUZMALTINO 
SORTEIO DE MATERIAIS DA TORCIDA 
INGRESSOS UNISSEX 
• ANTECIPADO: R$10,00 
• NA HORA: R$15,00 
CAMAROTES 
12 Pessoas: R$240,00 
35 Pessoas: R$700,00 
VENDAS DE INGRESSOS 
- Sede Guerreiros do Almirante (dias de jogos e eventos) 
- Bar da Guerreiros 
Em frente à entrada social de São Januário. 
- Quiosque Cocoloko 
Avenida Lúcio Costa, altura do nº 2940 
- Tabacaria Ultra420 
Galeria River - R. Francisco Otaviano, 67 - Loja 48 - Arpoador 
- Liderança da Torcida e Líderes de Bairros 
** Comidas e Bebidas serão vendidas no local. Não será permitida a entrada portando Bebida ou Comida. 
Fonte: Facebook Guerreiros Do Almirante – GDA e NETVASCO

Guerreiros do Almirante Festa de 10 anos 2016

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

IRA JOVEM 2016: AÇÃO SOCIAL DA IRA JOVEM DIA DAS CRIANÇAS

A comissão IJV BXD, vem convocar todos os seus sócios, componentes, membros e simpatizantes a comparecerem no dia 12 de Outubro, à partir das 10:00 horas da manhã, em frente a Social de São Januário para podermos realizar mais esse Evento Beneficente da Torcida dedicado a Criançada, com Brincadeiras, Lanches, Distribuição de Brinquedos e muitos mais.
Solicitamos a todos que desejem participar, para irem vestidos com a camisa oficial da Torcida ou a camisa do Vasco.
"Enquanto houver um coração infantil o VASCO será imortal".
Contamos com a presença de todos!!
Atento. A Comissão.

Ira Jovem Ação Social Dia das Crianças 2016

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1935 CONCURSO DOS JOGADORES

“votos,votos para Rey”
      apelo de Polar aos vascaínos
1935                Concurso dos Jogadores

Enquanto a cidade do Rio de Janeiro se preparava para o carnaval cantando o grande sucesso daquele ano, a marchinha de André Filho, “Cidade Maravilhosa”, o verão carioca era sacudido com os amistosos das equipes argentinas na capital do país e com a repercussão da saída do Vasco da Liga Carioca de Futebol, em função de uma briga com o Flamengo, originado de uma discussão no remo, no final de 1934.
            Era a primeira vez que os times do Boca Juniors (campeão argentino em 1934) e do River Plate se apresentariam no Rio de Janeiro, numa excursão que incluiria uma seqüência de amistosos na cidade de São Paulo.
De sua chegada até sua despedida do país não faltaram fotos dos jogadores argentinos nas primeiras páginas, especialmente no dia 18 de janeiro quando os argentinos posam amigavelmente com vários jogadores do Vasco ao treinarem juntos em São Januário, como forma de preparativo para o primeiro amistoso contra o Botafogo no dia 20 no mesmo estádio. Diga-se de passagem, o Boca ainda não havia construído o seu estádio.
Ao empatar em 3 a 3, o Vasco comemorou o resultado como uma vitória pois perdia de 1 a 3 e temia-se uma nova goleada dos argentinos que venceram o Botafogo por 4 a 0. O grande destaque da partida foi o meia Fausto, considerado o melhor homem em campo, o que motivou o líder da torcida[1] vascaína, João de Luca, promover uma lista para comprar uma medalha de ouro em homenagem ao jogador.
O intercâmbio com o futebol brasileiro acabou aumentando o interesse dos clubes argentinos de contratarem mais jogadores do Brasil. Em fevereiro de 1935 é anunciada a venda de Waldemar de Brito (Botafogo) para o San Lorenzo. Mas a maior investida do futebol argentino naquele ano ainda estava por vir: no dia 6 de fevereiro estoura a notícia de que o Boca já havia iniciado os entendimentos  para levar Domingos da Guia (Vasco) para disputar o campeonato argentino de 1935. Dois dias depois fez a vez de anunciarem a negociação de Fausto com outro clube argentino, o San Lorenzo.
Nem mesmo a grande atuação de Domingos da Guia (considerado o melhor jogador em campo) salvou o Vasco de um resultado muito ruim. O River venceu facilmente por 4 a 1. Entre os destaques dos argentinos estava Moreno, que viria  a ser um dos principais jogadores de todos os tempos do River Plate, fazendo parte do lendário time dos anos 1940, intitulado “la Maquina”.
            Uma seleção brasileira era formada as pressas para enfrentar o River Plate em sua despedida do Brasil. A CBD convoca principalmente jogadores do Vasco, motivando seus torcedores pois seria a possibilidade deste clube fazer uma revanche contra os argentinos.
            Na despedida do River havia a promessa de, num futuro próximo, um novo jogo entre ele e o Vasco na Argentina (o que acabou não acontecendo). A partida seria a última de Domingos que, em poucos dias, deixaria em definitivo o Vasco para se juntar com as estrelas do Boca Juniors. Sua saída foi dramática para o clube brasileiro que, por duas semanas, fez uma série de contrapropostas para evitar sua saída. Neste período os jornais procuraram acompanhar passo a passo o empenho dos dirigentes vascaínos (que fizeram de tudo para manter o atleta no clube). Terminado o carnaval de 1935 o jogador embarcaria para Buenos Aires, onde seria campeão argentino no mesmo ano.
Os jogos contra os argentinos foram um sucesso de público, o que motivou a seguinte manchete do Jornal dos Sports em 27 de fevereiro: "Vasco proporá a CBD a realização de um torneio que representará um autêntico Sul-Americano Interclubes".
            Se preparando para o campeonato carioca de 1935, o clube recebe uma pressão dos torcedores e sócios vascaínos, para a reintegração de Tinoco ao elenco, ele que foi um dos que abandonaram o clube para disputar a Copa na Itália em 1934: “o Sr João de Lucca, um dos “Leaders” da Torcida Vascaína. Dirige ele o movimento pelo veterano Campeão do Vasco. Divulgamos hoje o abaixo assinado que os Sócios e torcedores do Club cruzmaltino dirigirão a Diretoria, solicitando o cancelamento da pena de eliminação sofrida pelo conhecido player Tinoco. (...) A lista principal de assinaturas está em poder do João de Lucca, um dos Leaders da Torcida no Largo de São Francisco, esquina com Ouvidor.. “Estamos trabalhando pelo indulto de Tinoco. É um Vascaíno da velha guarda e  não pode estar afastado do Club.” (...) É o abaixo assinado dos sócios e torcedores, o Vasco decidiu cancelar a pena imposta ao half... Não precisamos destacar a justiça de tal medida. Acompanhando o movimento encabeçado por Fausto e trabalhado pelos conhecidos torcedores Vascaínos João de Lucca e Júlio Gamado junto a Torcida”[2].
            De agosto até o final do ano a campanha da torcida vascaína foi para eleger o goleiro Rey como o maior ídolo do futebol carioca, numa promoção das “Balas Favoritas”. A última campanha para conhecer o maior ídolo carioca tinha sido em 1930 e Russinho do Vasco foi o escolhido. Agora era a vez do líder da torcida vascaína, Polar, fazer campanha pelo maior estrela do clube no momento e que segundo alguns era namorado da cantora vascaína Aracy de Almeida. Diz a reportagem: “CONCURSO DAS BALAS FAVORITA DOS JOGADORES. Um apelo de Polar aos torcedores do Vasco da Gama, apoiada pelo keeper dos cruzmaltinos. Polar, cabo chefe de Rey, esteve em nossa redação em companhia do grande e popular arqueiro Vascaíno. O festejado propagandista disse-nos:“Sou o cabo Chefe aqui do meu amigo Rey, candidato dos Vascaínos no Concurso das Balas Favorita dos Jogadores. Todos dizem que a Torcida do Vasco é a mais poderosa do Rio, entretanto, o Rey ainda permanece em segundo. É um absurdo. Apelo para os torcedores do Vasco da Gama. Demostremos o nosso valor, a nossa pujança (,,,) Rey, o arqueiro Vascaíno, disse-nos. “Entrei no Concurso, confiante no valor extraordinário da Torcida do Vasco da Gama. Espero que todos os Vascaínos se coliguem e levem-me votos, afim de que na próxima apuração, a nossa Torcida sobrepuje a do Flamengo (...) Rey e Polar pediram-nos tornar público, que hoje, estarão no Estádio do Vasco, para receber dos vascaínos sinceros votos das Balas Favoritas dos Jogadores”[3].
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] A renda foi de mais de 121 contos, para um excelente público.
[2] Fonte: Jornal A Noite 18 e 28 de Março de 1935,
[3] Fonte: Jornal dos Sports 22 de Agosto de 1935.

Vasco Jornal dos Sports 1935

Vasco Jornal dos Sports 1935


terça-feira, 27 de setembro de 2016

TUV 1954: TORCIDA UNIFORMIZADA DO VASCO INCENTIVANDO COM ENTUSIAMO

Felicidade, teu nome é Vasco, com esta legenda, a Torcida cruzmaltina, na arquibancada, vem se fazendo notar, incentivando com entusiamo invulgar os pupilos de Flávio Costa. 
Em pouco tempo, o grupo se avolumou e hoje, devido aos esforços de Vascaínos abnegados, constituem-se uma das vistosas Torcidas de nossos campos, Organizada e Uniformizada.
A foto focaliza alguns membros da comissão organizadora, durante a visita que fizeram ao programa “Bola na Trave” da Rádio Vera Cruz, quando Rodrigues Filho teve ocasião de entrevistar Álvaro Ramos patrono da Torcida vendo-se ainda as senhoritas Margarida Portugal, Hilda David, Marlene e a senhora Idalina David Barbosa, acompanhadas dos fãs, Tião, Fausto, Pereirinha e outros. 
Com uma turma destas, não é de admirar, conseguir o glorioso grêmio da Colina, vitórias inolvidáveis.
Fonte: Jornal Gazeta de Notícias 24 de Setembro de 1954 

TUV Jornal Gazeta de Notícias 1954

TUV Jornal Gazeta de Notícias 1954

TUV Jornal dos Sports 1954

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

LEGIÃO DA VITÓRIA E TOV 1943: ORGANIZA-SE A TORCIDA DO VASCO

No seio do Clube de Regatas Vasco da Gama vem sendo realizado um movimento no sentido de reunir os adeptos Cruzmaltinos numa grande Torcidas Organizadas. 
A comissão que orienta o movimento é composta dos srs João de Lucca, Olympio Pio dos Santos, Valdemar de Oliveira e Armindo Pimenta.
O uniforme oficial da Torcida Vascaína será o seguinte: calça branca, paletó preto sem gola com um bolso ao lado esquerdo, atravessado por uma cinta branca em diagonal, contendo no centro, em vermelho, a cruz de malta, camisa esporte com gola branca.
Fonte: Jornal Diário da Noite 13 de Janeiro de 1943

Legião da Vitória e TOV  Jornal Diário da Noite 1943

Legião da Vitória Olympio Pio Jornal Radical 1942

domingo, 25 de setembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1934 O REI MOMO É VASCAÍNO

 “aclamado o Rei da Folia”
    Affonso Silva, o Polar
1934                 O Rei Momo é Vascaíno

            O carnaval carioca nos anos 1930 passava por grandes transformações com sua popularização, aliada com a força crescente do rádio comercial e da indústria fonográfica. Novos atores sociais começam a aparecer, entre eles a figura do Rei Momo. No ano de 1934 era feita a primeira eleição para a escolha do representante oficial da folia e venceu o vascaíno Polar: “Affonso Silva foi aclamado o Rei da Folia. Encerrou-se ante ontem, o brilhante e oportuno Concurso instituído pelos nossos colegas da A Pátria, para a escolha por votação popular, do folião que devia ser aclamado Rei Momo. Após um prélio renhido e entusiasmo, os cariocas escolheram para exercer as altas funções de Rei da Folia o consagrado folião Affonso Silva, o Polar, que era candidato da casa O Mandarin. Chaby, o vigoroso folião dos Fenianos alcançou o segundo lugar, deixando Chico Rocha em terceiro” [1].
            Para o campeonato carioca o Vasco montava uma verdadeira seleção trazendo jogadores do exterior, como Domingos da Guia (Argentina) e Leônidas (Uruguai). Fausto retornava ao clube, além de outras contratações. O time ficou conhecido com “esquadrão dos 100 contos”, uma fortuna para a época.
            A vitória incontestável em campo animou os torcedores que organizaram uma caravana para São Paulo para ver o clube disputar uma partida em retribuição a visita dos paulistas ao Rio de Janeiro: “CARAVANA VASCAÍNA PARA SÃO PAULO: O Vasco está organizando um Trem especial para conduzir a São Paulo os seus associados, adeptos e amigos, afim de que os mesmos possam assistir, domingo, na Capital bandeirante, a revanche que ele proporcionará ao São Paulo F. C. As instruções para os que quiserem seguir na Caravana Vascaína, já se acham abertas na secretaria do Club de Domingos. O referido Trem especial partirá Sábado e estará de volta, domingo a noite” [2].
Para este jogo a torcida sabia que não veria mais o talento de Leonidas da Silva vestindo a camisa do Vasco. O atleta seria contratado a peso de ouro pela CBD para representar o Brasil na Copa do Mundo da Itália. Leônidas tornou-se um dos profissionais que foram contratados pela CBD no final de abril. Na volta ao Brasil, Leônidas seria transferido ao Botafogo.
A CBD praticava o amadorismo marrom, pois oficialmente era contra o profissionalismo mas a maioria dos melhores jogadores do Brasil jogavam nas ligas profissionais. Para montar a seleção brasileira, a entidade máxima do futebol brasileiro passou a assediar os jogadores com propostas econômicas vantajosas. “Os jogadores que a CBD mais cobiçava estavam praticamente todos numa só equipe o Vasco da Gama de Leônidas e seus negros famosos. Domingos, Fausto, Tinoco e o goleiro Rey foram os mais assediados” (Ribeiro, 1999. p. 55). Para evitar que o clube perdesse mais jogadores a diretoria pedia aos torcedores e associados que se cotizassem e ajudassem o clube com propostas financeiras que cobrissem a CBD. Deu certo, menos com Tinoco que também se juntou ao elenco que disputou o mundial na Itália.
Outras caravanas de torcedores teriam prosseguimento em toda a cidade do Rio de Janeiro acompanhando os atletas de várias modalidades esportivas. Até mesmo para prestigiar o basquete infantil em Vila Isabel, foram requisitados 5 ônibus especiais, organizado por João de Lucca, o chefe da torcida Vascaína, conforme sinalizava o Jornal dos Sports. Pouco depois uma outra grande caravana seguia para a Gávea para uma disputa no basquete adulto. Culminou com um amistoso em Bangu entre um combinado da CBD e o time local, assim descrito: “para conduzir a Torcida do Vasco, a “Frente Única Vascaína” fretou um Trem especial, no qual também seguirão os jogadores do combinado cebedense” (Diário da Noite 22 de dezembro).
No final do ano o Botafogo, clube que tinha maior prestígio junto a CBD, comemorava o tricampeonato (disputando com clubes de menor expressão em 1933 e 1934) conseguiu se aliar com o Vasco para formar uma nova liga de futebol no Rio de Janeiro. Embora oficialmente recusasse o profissionalismo o clube aceitava o modelo misto do profissionalismo e amadorismo. Na prática era uma tendencia inevitável para o clube não acabar: “quanto mais o clube gastava, melhor para ele. Os clubes que não gastavam, os clubes amadores, as moscas. Os sócios desertando, os torcedores não aparecendo nos campos. O Botafogo viu-se reduzido a 300 sócios, dos 3.500 que tinha” (Mario Filho, 2003, p.205). Aos poucos o Botafogo ia se convencendo que o amadorismo estava com os dias contados, era preciso largar o amadorismo e contratar jogadores, de preferência brancos, com exceção de Leônidas.
            A saída do Vasco da Liga Carioca de Futebol foi em função de uma briga entre dirigentes de Vasco e Flamengo no campeonato de remo no final de 1934. Os cartolas do Botafogo, aproveitando-se deste impasse, sugeriram aos cartolas do Vasco que recorressem a CBD. Assim, restou ao Vasco largar a Liga com Flamengo, Fluminense e América e juntar-se ao Botafogo.
A força da CBD no campo esportivo ganhou novos contornos quando o Vasco (campeão carioca de 1934) tomou a atitude de  romper com a Liga Carioca de Futebol (LCF), que era ligada a FBF e passar para o lado da CBD, se juntando ao Botafogo na criação da Federação Metropolitana de Futebol (FMF) em substituição a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Juntamente com o Vasco saíram o São Cristóvão (vice-campeão em 1934) e o Bangu. Estes dois clubes de menores torcidas, mas de tradição e legítimos representantes das Zonas Norte e Suburbana.. O clube carioca que mais se beneficiava com esta decisão era o Botafogo tricampeão carioca pela AMEA (1932-33-34), quando disputou os dois últimos campeonatos com clubes de menor expressão. Na disputa entre a AMEA e a LCF, esta saía na vantagem em 1933 e 1934 com campeonatos de maior público, cobertura na imprensa e reunião dos maiores craques. Em 1935, com a cisão do futebol carioca, a divisão de interesse do público seria mais equilibrado.
            Em São Paulo, os dois principais clubes (Palestra e Corinthians) rompiam com a FBF e passavam para o lado da CBD, o que apontava uma possível retomada da entidade dos rumos do futebol brasileiro. O presidente do Conselho Deliberativo da CBD, Luiz Aranha, junto do delegado da entidade, Carlito Rocha, foram dois personagens importantes para a compreensão do processo que ocorria naqueles anos de embate político, ideológico e pessoal. O primeiro dirigente era irmão do futuro ministro das relações exteriores do Governo Getúlio Vargas (1930-1945), Oswaldo Aranha, e o segundo era dirigente da AMEA desde os anos 1920. Os dois foram os grandes articuladores para trazer o Vasco para o seu lado e enfraquecer a Liga Carioca de Futebol, que tinha um inegável domínio do futebol carioca desde a criação do profissionalismo em 1933. Os dois dirigentes eram ligados ao Botafogo, clube carioca que mais lutou contra o profissionalismo e a inserção dos negros em seus times.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] Fonte: Diário de Notícias 02 de Fevereiro de 1934.
[2] Fonte: Jornal A Noite 13 de Maio de 1934

Vasco Jornal A Noite 1934

Vasco Jornal A Noite 1934


sábado, 24 de setembro de 2016

RENOVASCÃO 2002: DULCE ROSALINA CRUZ DE MALTA NO CORAÇÃO E PIONEIRISMO NOS ESTÁDIOS

Se hoje em dia são raras as mulheres integrando Torcidas Organizadas, imagine então comandando uma há 46 anos, quando elas ainda não haviam conquistado a atual posição de destaque na sociedade. Pois foi isso o que aconteceu com Dulce Rosalina, de 67 anos, ex Presidente da Torcida Organizada do Vasco (TOV), a primeira a ser fundada no Clube. Dulce foi convidada para assumir o comando da TOV em 1956, aos 22 anos, e permaneceu no cargo por duas décadas. Foi uma revolução. Nunca uma Torcida Organizada havia sido presidida por uma mulher.
“Jaime de Carvalho, Paulista, Tarzan, Elias, Juarez e Gama se tornaram meus amigos. Nós nos dávamos muito bem e até saíamos juntos para jantar”, lembra, referindo se aos Líderes das Torcidas de Flamengo, Fluminense, Botafogo, América, Bangu e Campo Grande.
Considerada a torcedora símbolo do Vasco, Dulce se lembra com saudades daquele tempo.
“Brigas era coisa rara. Só Tarzan, do Botafogo, era meio perturbadinho e, as vezes, arranjava confusão”, revela, bem humorada.
E completa, afirmando que é pé quente: “No meu primeiro ano na presidência da TOV, o Vasco foi campeão”.
Dulce Rosalina começou, então, a implantar suas idéias pioneiras, como papel picado, serpentina e muitas bandeiras para enfeitar a Torcida. Com sua iniciativa e seu carisma, foi conquistando o respeito de todos.
Em 1968, Dulce estava no ônibus da Torcida que ia para São Paulo e se chocou com uma carreta na Via Dutra. Ela foi operada pelo Médico Lídio Toledo, ex Botafogo e Seleção, e ficou dois anos afastada da TOV.
Mas seu casamento com a TOV chegou ao fim em 1976. Firme nas suas convicções, Dulce Rosalina não concordava com as interferências do então Presidente do Vasco, Aghatyrno Silva Gomes.
“Eu brigava muito com o Presidente. Ele queria mandar na Torcida e isso eu não admitia”, justifica-se, sem esconder a raiva que ainda sente.
Ela saiu da TOV, mas não do Vasco. Confirmando a vocação de Líder, fundou a Renovascão e continua presente até hoje no Clube e nas arquibancadas.
Fonte: Jornal dos Sports Setembro de 2002

Vasco Dulce Rosalina Jornal dos Sports 2002

Jaime de Carvalho Jornal dos Sports 2002

Pauilista Jornal dos Sports 2002

Tarzan Jornal dos Sports 2002

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

VASCO 2016: "TIME DA VIRADA": A HISTÓRIA DA CANÇÃO QUE EMBALA O VASCO

Famosa música criada pela Torcida Vascaína foi inspirada na Beija-Flor e volta à tona para duelo com o Santos, pela Copa do Brasil. Ouça as versões na voz de Neguinho
Em   cada ocasião na qual o Vasco precisa superar uma situação adversa, a expressão "Time da Virada" é resgatada.
 O que pouca gente sabe é como surgiu a música.
Atual presidente da TOV (Torcida Organizada do Vasco), Jorginho ( Obs: ele é Diretor, a Presidente é Márcia Soares), homônimo do atual treinador, garante que a criação é de um antigo membro do grupo, inspirada no samba da Beija-Flor de 1978 (ouça Neguinho da Beija-Flor cantar as duas versões no vídeo acima). E arrisca lembrar a primeira vez em que fanáticas gargantas cruz-maltinas avisaram que o Vasco é o time da virada, é o time do amor. 
- A música é nossa. Foi o Henrique que fez. Mas ele sumiu da torcida, tem mais de 10 anos. Ninguém sabe por onde ele anda. Ele era muito bom nessas músicas, morava em Nova Iguaçu. Foi num jogo contra o Fluminense, que o Vasco virou para 2 a 1 com gol do Bismarck - lembrou o torcedor. 
O jogo em questão aconteceu em 29 de maio de 1988. O Vasco perdia para o Fluminense até os 35 minutos do segundo tempo, quando Vivinho e Bismarck garantiram a vitória e o título da Taça Rio - em seguida, o Cruz-Maltino conquistaria o Campeonato Carioca em cima do Flamengo. 
Entretanto, o Vasco carregava a fama de especialista em viradas desde muito tempo.
Em 1975, uma seqüência de resultados conquistados desta maneira fez surgir a expressão "Vascão Vira-Vira". Faltava a trilha sonora. 

O REFRÃO IMORTALIZADO DE NEGUINHO
A inspiração veio de um samba da Beija-Flor. Em 1978, a escola de Nilópolis conquistou seu terceiro título do Carnaval com "A criação do mundo na tradição nagô". A música, na verdade, foi a junção de duas versões concorrentes. De um lado, ficou a letra de Gilson e Mazinho; do outro, que seria adaptado pela torcida vascaíno, o refrão composto por Neguinho da Beija-Flor.
- Neste ano eu nem ia fazer samba. Minha irmã de criação, chamada Dilsa, falou pra eu fazer. Tinha baile para eu ir em Mesquita, ela insistiu, me deu caneta, papel. Comecei meia-noite, terminei 6h. Tirei um cochilo, gravei no gravador só a voz e entreguei. No dia seguinte 9h, dei a fita cassete para o Joãozinho (Trinta, carnavalesco). O samba chegou na final e juntou com o do Gilson e do Mazinho - contou Neguinho. 
Flamenguista roxo, o cantor não se incomoda com o fato de uma de suas principais composições ter sido imortalizada pela torcida do Vasco. Vai além: agradece.
- É especial. Ficou para a história, foi o primeiro tricampeonato. Agradeço ao Vasco por ter imortalizado o samba. De 1978 para cá são 38 anos, e o Vasco não deixou o samba morrer. Como bom flamenguista e fã de futebol, agradeço à torcida do Vasco pela imortalidade.
Embalado pela tradicional música, que ganhou popularidade mesmo nos anos 1990.
Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2016/09/time-da-virada-historia-da-cancao-que-embala-o-vasco-em-novo-desafio.html e NETVASCO

Vasco time da virada

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VASCO 2016: TORCIDA FAZ UMA LINDA FESTA NA CHEGADA DOS JOGADORES

 A torcida do Vasco fez uma linda festa na chegada dos jogadores, no jogo Vasco x Santos pela Copa do Brasil no dia 21 de Setembro de 2016 em São Januário.
Quem organizou essa festa, chamada de Rua de Fogo, foi a Comissão de Festas Cruzmaltina.
“Não somos uma torcida organizada, não somos um grupo político. Somos vascaínos apaixonados por festa na arquibancada.”
Confira o vídeo da chegada dos jogadores no Facebook oficial da Comissão de Festas Cruzmaltina.
https://www.facebook.com/comissaodefestasvasco/videos/789694624503560/

Vasco Rua de Fogo São Januário 2016

Vasco Rua de Fogo São Januário 2016

Vasco Rua de Fogo São Januário 2016


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1933 LIDERANDO O PROFISSIONALISMO


                                                                                    “Maravilha Negra” 
                                                                                    Apelido de Fausto

1933                     Liderando o Profissionalismo               

Com o sucesso dos jogadores na Copa Rio Branco no Uruguai em 1932, a preocupação dos dirigentes e torcedores seria a mudança dos craques para o futebol argentino ou uruguaio que adotaram o profissionalismo antes do Brasil. Antes de 1933, a transferência dos jogadores era carregada de polêmica. Os jogadores, muitas vezes, recebiam diversas acusações. Com o profissionalismo chegando nos países vizinhos no inicio dos anos 1930, a possibilidade de transferência de nossos ídolos parecia se tornar iminente.
 Para evitar a debandada geral dos atletas, no começo de 1933 ocorre a tão esperada criação da profissionalização do futebol brasileiro. Tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro e, em seguida em vários estados, os clubes criam suas próprias ligas e enfrentam a CBD que continuava defendendo o amadorismo. No Rio, os clubes formaram a (LCF) Liga Carioca de Futebol, defendendo o profissionalismo, com exceção do campeão do ano anterior, o Botafogo, que permaneceu na AMEA.
No entanto, a discussão entre amadorismo x profissionalismo, dividia a opinião da imprensa, dos torcedores e dos dirigentes. Foi o caso do Vasco em que parte do clube era a favor e uma outra era contra. Com a vitória do grupo que defende as mudanças, a reação veio de todos os lados. De São Paulo chega um telegrama dos principais jogadores daquela cidade que termina afirmando: Salve Vasco da Gama, libertador”
            Seria uma nova realidade em que muitos jogadores teriam que se readaptar ou desistir do futebol. Com o futebol profissional, o perfil social dos jogadores seria bastante alterado. “O jogador, de boa família não tinha só medo de se tornar profissional, tinha vergonha também. O medo era de perder aquela vida gostosa de amador (...) se jogava mal, ninguém abria a boca. Eu sou amador não devo nada ao clube. O clube  que lhe devia” (Mario Filho, 2003, p.196).
            A relação do torcedor com o jogador profissional será diferente da relação do torcedor com o jogador amador. Épocas distintas, realidades diferentes, questões próprias para cada período histórico, o certo é que essa mudança foi ocorrendo e, sem que ambos percebessem, a relação foi se alterando substancialmente. Antes “o torcedor, encarnando o clube, quando se aproximava de um jogador, se sentia como devedor insolúvel diante de um credor generoso. Todo gratidão” (Mario Filho,2003, p.197).
O primeiro jogador a sentir o peso da mudança foi o goleiro Jaguaré do Vasco, ele que sempre fazia suas diabruras em campo, nos tempos de amadorismo. Quando em 1933 fez uma das suas “ficou olhando espantado para a direita e para a esquerda, só vendo gente de punho cerrado, ameaçando, tudo com escudo do Vasco no peito: “Palhaço! Vai para o circo, palhaço” (Mario Filho, 2003, p.196).
            Com a nova fase do futebol, o torcedor sabia que a qualquer momento seu ídolo poderia mudar de clube, que os jogadores de seu time não teriam o mesmo amor à camisa que outros tiveram, em tempos de amadorismo. Com as transferências se multiplicando, mesmo antes do profissionalismo, o futebol viveu a época do amadorismo marrom, quando muitos já recebiam para jogar, mas não assumiam abertamente e mudavam de clubes quando havia interesse particular.
            Na verdade o desempenho em campo do jogador seria o critério prioritário para o torcedor elogiar ou xingar o seu representante em campo. Ser amador ou profissional não seria, num primeiro momento, um drama tão grande para os torcedores como era para os jogadores. Como afirma Mario Filho “o fato de um jogador assinar um contrato, receber dinheiro do clube, viver do clube, como se dizia, não lhe diminuía a popularidade, não lhe tiraria a consideração do torcedor, pelo contrário (...) o torcedor, dependendo do (...) jeito do jogador (...) preferia o profissional, o que ganhava para jogar” (Mario Filho, 2003, p. 203).
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco Revista Careta 1933




terça-feira, 20 de setembro de 2016

VASCAÉ 1977: FAIXA, A TORCIDA PÉ QUENTE QUE JÁ NASCEU CAMPEÃ

Durante a vitoriosa campanha do Carioca de 1977, uma faixa da Vascaé, cruz-maltinos de Macaé, interior fluminense, acompanhava o time sintetizando o sentimento dos fiéis pelo Clube:
“A Torcida pé quente que já nasceu campeã”.
Lá embaixo, no último degrau das arquibancadas, a Vascaé (de Macaé) desfilava sua alegre e enorme faixa: "A torcida pé-quente que já nasceu campeã. (Fonte Revista Placar 1977)

Vascaé 1977

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

VASPANEMA 1982: INGRESSO CARO SAÍDA DE COMPONENTES

Na edição do “Cor-de-rosa” – como era chamado carinhosamente o Jornal dos Sports – traz o depoimento indignado do torcedor, associando o esvaziamento de sua Torcida, a Vaspanema, aos constantes aumentos de preços:
“Na semana passada estivemos com dirigentes do Vasco e eles nos garantiram que os preços das arquibancadas seriam de 300 cruzeiros no Maracanã e 250 nos demais Estádios. Esses caras estão ficando malucos. No início do ano, minha Torcida tinha 150 componentes e no final de 1981, estava reduzida a menos da metade.
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Janeiro de 1982 e TEIXEIRA, Leonardo Antônio de Carvalho. “Congregar, Congraçar e Unir: a atuação da Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (1981-1989)”. 2014. 116 f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2014.

Vaspanema Plastico da década de 1980 fonte blog Almanak do Vasco

domingo, 18 de setembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1932 EMBAIXADOR OLÍMPICO

Torcida do Vasco em Los Angeles
Manchete do Jornal

1932                       Embaixador Olímpico

           
            Para evitar as transferências foram criadas várias leis, algumas mais rigorosas e outras mais brandas. No começo dos anos 1930 valia a lei do Estágio, em que o jogador não poderia atuar no novo time como titular por um período de um ano. Apesar das leis, das reações dos torcedores, a verdade é que as mudanças continuavam acontecendo, tanto é que um jornal chegou a mostrar em uma grande manchete que 1932 seria o ano dos “borboletas”.
            Os próprios jogadores não sabiam como seria o futuro do futebol e davam respostas contraditórias sobre o profissionalismo, ora atacando, ora defendendo. Em agosto de 1931, Domingos afirmava: “sou contra o profissionalismo que destrói o sentimento familiar e patriotismo dos homens. Jamais sairei do Rio para o estrangeiro, como servo do futebol”. Dois meses depois o próprio jogador afirmava numa outra entrevista, uma posição totalmente diferente: “o profissionalismo e uma necessidade inadiável para o progresso do nosso futebol e a honestidade dos nossos rapazes (...) se eu for convidado a atuar num clube de profissionais, com vantagens, repito, abandonarei o amadorismo. Não me envergonharei de ser profissional” (Hamilton, 2005. pp. 70-71).
            Em 1932 o Vasco contratava o zagueiro Domingos da Guia mas pelo regulamento não poderia lançá-lo no time principal naquele ano, aguardando o tempo da Lei do estágio. A torcida teria que se contentar em ver o jogador disputando as partidas da preliminar.
            Depois do sucesso do concurso para enviar um torcedor ao Uruguai em 1930, a próxima competição internacional que mobilizou as redações cariocas foi a Olimpíada em Los Angeles, nos Estados Unidos. Dessa vez a disputa era para ser embaixador olímpico e contou com a participação conjunta do “Diário de Notícias e Jornal dos Sports vão custear as despesas com a ida de duas pessoas a Los Angeles para assistir aos Jogos Olympicos. Affonso Silva, o Polar, um dos mais fortes concorrentes ao Grande Concurso instituído pelo Diário de Notícias e o Jornal dos Sports, esteve, ontem em nossa redação, depois da apuração que havíamos realizado”[1].
Pouco depois uma outra notícia mostrava uma mobilização dos vascaínos para assistirem aos jogos em Los Angeles como atividade de turismo, inaugurando uma pratica que se tornaria habitual no final do século XX quando os esportes competitivos e suas competições mais famosas virariam uma nova fonte de receita para as agências de turismo. Na época a imprensa destacou desta forma o interesse na viagem: “A TORCIDA DO VASCO EM LOS ANGELES. O grande Club vai organizar uma caravana. O Sr Manoel Ramos o primeiro inscrito. A Torcida Vascaína é uma das mais entusiasmada que possuímos. É ardorosa, o seu entusiasmo não conhece limites. Os defensores do Vasco tem sempre a anima-los numerosos adeptos do seu Club. Ainda agora, os torcedores Vascaínos vão ter oportunidades de demonstrar o seu ardor. A Agência Exprinter, que está organizando uma grande caravana para ir a Los Angeles, assistir aos jogos Olimpicos, entre em combinação com o Vasco da Gama, afim de que um grupo de torcedores do prestigiado Club possa torcer pelos seus atletas na importante competição mundial.As inscrições estão com o Sr Raul Campos, Presidente do Club. O primeiro Vascaíno a inscreve-se foi o Sr Manoel Ramos, ex-tesoureiro da AMEA, e uma das figuras mais queridas do Club da Cruz de Malta”[2].
Em dezembro de 1932 a Seleção Brasileira foi disputar a Copa Rio Branco no Uruguai. Mesmo enfrentando o boicote dos paulistas, formando um time de desconhecidos e a pressão para não escalar Leônidas, o Brasil consegue vencer os uruguaios  por 2 a 0, com 2 gols de Leônidas.
Ao voltar para o Brasil, os jogadores foram recebidos como verdadeiros heróis, pois tinham vencido a seleção bicampeã olímpica (1924 e 1928) e atual campeã do mundo de 1930, quando muitos esperavam um resultado adverso.  “E foi uma recepção digna de heróis no cais do porto carioca. Milhares de pessoas aguardavam os jogadores para uma festa fabulosa (...) a polícia teve ate de montar um cordão de isolamento, tamanho era o delírio dos torcedores (...) do porto os jogadores seguiram em carro aberto e desfilaram pelas ruas do Rio. Era  gente por todos os cantos. Da janela dos prédios chovia papel picado, nas ruas era um só grito:  Brasil! Brasil!” (Ribeiro, 1999, p.50).
O próprio presidente Getúlio Vargas fez questão de receber e homenagear os jogadores no Palácio do Catete. Aquela seria a primeira vez que o político perceberia a força do futebol e a importância dos jogadores como novos heróis nacionais. Juntar sua imagem com aqueles heróis populares vai ser sua marca nos próximos anos.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Diário de Notícias 14 de Fevereiro de 1932.
[2] Fonte: Jornal dos Sports 01 de Julho de 1932

Vasco Jornal dos Sports 1932

Vasco Jornal Diário de Notícias 1932

sábado, 17 de setembro de 2016

RENOVASCÃO 1990: DULCE ROSALINA RECEBE O TROFÉU BOLA DE OURO

O Jornalista José Jorge de Souza, foi o criador do Bola de Ouro, tradicional evento criado nos anos 1970, sua primeira festa aconteceu em 30 de Março de 1972, no Rio de Janeiro (RJ). que homenageava os destaques do ano em rádio, jornal e televisão. 
O Bola de Ouro era considerado "O Oscar da Comunicação Esportiva" (fonte: http://www.portalmidiaesporte.com)
Dulce Rosalina recebeu 4 vezes o Troféu Bola de Ouro.
Na primeira foto do acervo de Poncinho, de Dezembro de 1990, Dedineia da Renovascão, Aida de Almeida da TOV, Dulce Rosalina da Renovascão, Amâncio César da TOV, Zeca da Pequenos Vascaínos e Peralta na Sala de Troféus em São Januário.

Renovascão Dulce Rosalina Troféu Bola de Ouro 1990

Dulce Rosalina Troféu Bola de Ouro 1999

Dulce Rosalina Troféu Bola de Ouro de 1999

Poncinho com o Troféu Bola de Ouro de 1999 de Dulce Rosalina 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

VASCAMBI 1975: FUNDAÇÃO

Juntos somos fortes, uma Torcida tradicional da Cidade de Paracambi, fundada em 20 de Junho de 1975 que une dois amores em comum, o Vasco e a Cidade de Paracambi RJ.
Fonte: https://twitter.com/vascambi


AGRADECIMENTO
Quero agradecer em nome da Torcida Organizada Vascambi aos componentes da Torcida Organizada Vasco Real, além das Vascachaça, Vascaxias e a Dulce Rosalina (TOV) pelo prestígio que nos deram ao visitar Paracambi.
Sérgio Roberto, Paracambi RJ
Fonte: Jornal dos Sports 07 de Julho de 1976

Vascambi

Vascambi Jornal dos Sports 1976

Vascambi São Januário 1976

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

VASCANECO 1980: HISTÓRIA

Torcida Organizada do Vasco, que foi fundada e acabou na década de 1980.

Vascaneco Pacaembú 1984

Vascaneco São Januário 1985


VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1931 1,2,3,4,5,6 E 7

  “Russinho! Russinho! Russinho!”
       Torcida grito o nome do ídolo
1931                        1,2,3,4,5,6 e 7

        Um jornal esportivo que marcaria o futebol carioca acabava de ser lançado no começo deste ano. Era o Jornal dos Sports que, em março de 1931, começava a circular pela cidade e logo se tornaria uma referência para os torcedores. Seu primeiro dono não foi Mario Filho, como muitos pensam. Seu proprietário era o empresário Argemiro Bulcão que contratou Mario Filho para ser um dos editores.
            Mario Filho foi um dos responsáveis pelas transformações que se operavam no futebol dos anos 1930, sendo um dos mais importantes líderes na imprensa na campanha de tornar o futebol profissional. Atento ao desenvolvimento dos meios de comunicação em todo o mundo, o jornalista acompanhava o crescente interesse do público consumir notícias esportivas nos países europeus e nos países vizinhos (Argentina e Uruguai). Lá os jornais já desempenhavam um importante papel de promoção do espetáculo esportivo transformando-os em grandes espetáculos de massa.
          A excursão vitoriosa do Paulistano pela Europa em 1925 ainda estava na memória dos torcedores e dirigentes do Velho Mundo com o estilo brasileiro de jogar futebol. Na mesma época os clubes e as seleções da Argentina e Uruguai também foram para a Europa e realizaram muitas proezas em campo. O resultado disso é que o futebol europeu passou a olhar o futebol sul-americano com outros olhos e começou a levar os maiores ídolos para os clubes do velho continente.
            Os clubes uruguaios e argentinos deixaram de viajar e trataram de iniciar um processo de profissionalização antes que muitos jogadores abandonassem os seus países. É nesse contexto de profundas transformações no futebol mundial e brasileiro que o Vasco embarca para a Europa para uma grande excursão, sendo o primeiro time carioca a realizar tal empreitada.
            O Vasco jogou 12 partidas em Portugal e na Espanha, de junho a agosto, tendo obtido 8 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, com 45 gols e 18 contra, resultados que beneficiaram a fama ascendente do futebol brasileiro. No entanto, ao regressar ao Brasil, dois dos maiores ídolos não retornavam ao clube seduzidos com as propostas do exterior: Fausto e Jaguaré.
A torcida reclamou e não quis saber naquele momento que o clube ganhava uma reputação internacional de grande valor para os próximos anos. O que os cruzmaltinos queriam era o título carioca e ele não veio. O Vasco deixou escapar o titulo do campeonato em 1931 nas últimas rodadas, assim como ocorreu em 1930. Mesmo favorito desde o início da competição e com um ponto de vantagem sobre o América na última rodada, o Vasco perde em São Januário para o Botafogo por 3 a 0. Simultaneamente, o América derrotou em seu campo o Bonsucesso por 3 a 1 e levanta a taça.
A torcida não acreditava que o clube que em abril aplicava uma goleada histórica sobre o Flamengo por 7 a 0 e tinha os melhores jogadores da cidade, deixasse escapar o título que todos julgavam como certo.
Naquele mesmo ano em maio, antes da viagem para a Europa, Vasco e Fluminense em São Januário faziam uma partida que entraria para a história, não pelo o que acontecia em campo, mas por ser a primeira partida no Brasil a contar com uma transmissão radiofônica direto do estádio na íntegra. Antes as partidas eram transmitidas mas apenas nos intervalos dos programas e se resumiam a relatos dos principais acontecimentos. O rádio esportivo dava os seus primeiros passos numa época em que ainda era proibida a propaganda comercial. No ano seguinte quando o rádio começa a receber propagandas, sua programação mudará completamente. Os jogos de futebol passam a ser uma das maiores atrações, junto de programas de calouros, radionovelas, noticiários e programas de variedades. No entanto, a reação inicial dos clubes foi proibir as transmissões esportivas alegando que o rádio tirava público do estádio. Esta visão seria transformada em meados dos anos 1930 quando o rádio passa a ser o principal meio de comunicação para a massificação do futebol. E, ao contrário do que pensavam os dirigentes da época, só fez aumentar o público e transformar os clubes cariocas em clubes nacionais, em virtude das principais estações de rádio estarem na cidade,
            Tanto o rádio como a imprensa escrita foram fundamentais para acirrar os ânimos entre cariocas e paulistas que disputavam o campeonato de seleções estaduais em setembro de 1931. Em São Januário mais de 50.000 pessoas foram acompanhar a partida decisiva para conhecer o novo campeão brasileiro. A vitória dos cariocas terminou com uma grande euforia com os torcedores invadindo o gramado e carregando os jogadores em triunfo. Antes disso, eles já demonstravam sua opinião exigindo a presença do jovem jogador do Bonsucesso e grande revelação do futebol carioca de 1931, Leônidas da Silva: “os torcedores já em pé nas arquibancadas de São Januário gritavam o nome de Leônidas” (Ribeiro, 1999, p.23).
            Uma semana antes o Brasil, com uma seleção formada por jogadores cariocas, jogava contra o Uruguai (atual campeão do mundo) no estádio das Laranjeiras e vencia por 2 a 0, conquistando a Copa Rio Branco.
Enquanto Leônidas “estourou” no futebol em 1931, outro jogador que ganhava fama internacional nestas partidas era o zagueiro Domingos da Guia, que seria contratado pelo Vasco em 1932. Ele que fez sua estréia no Bangu em 1929, com 17 anos, já era considerado um astro do futebol carioca em 1930, com atuações destacadas pela imprensa.
Nascidos quase no mesmo ano (Domingos em 1911 e Leônidas em 1913), ambos enfrentaram os dilemas na mudança do amadorismo para o profissionalismo, enfrentaram o preconceito social e começaram suas carreiras em clubes pequenos: Domingos (Bangu) e Leônidas (Bonsucesso).
Embora no futuro fossem identificados como craques que marcaram o Flamengo, tanto Leônidas como Domingos da Guia passaram por vários clubes ao longo dos anos 1930 e 1940. O atacante jogou no Sírio, Bonsucesso, Penarol, Vasco, Botafogo, Flamengo e São Paulo. O zagueiro defendeu o Bangu, Vasco, Nacional, Vasco, Flamengo e Corinthians.
            Para os jogadores a mudança de clube poderia ser traumática, como relembra Domingos da Guia numa entrevista ao jornal Última Hora em 1957: “no amadorismo, quando o jogador mudava de time era o fim do mundo. Ele passava a ser apontado na rua como um miserável traidor. E havia os exagerados, que cuspiam a sua passagem, num esgar medonho de nojo. Em suma mudar de clube era uma coisa mais ignóbil que um adultério. Aquele que por qualquer motivo, trocava de camisa, era chamado de borboleta. Mas esse nome bonito lírico, não disfarçava a ofensa mortal. O craque chamado de borboleta rugia de humilhação e de remorso” (Hamilton, 2005. p. 86).
Mudar de time não era muito aceito pelos torcedores nesta época. O jogador sabia que teria problemas com os  torcedores do seu antigo clube. Basta lembrar o que ocorreu com o jogador Penaforte ao trocar o Flamengo pelo América em 1927. Depois de vencer o  América na final do campeonato carioca do mesmo ano, o Flamengo e sua torcida organizaram uma passeata para enterrar o zagueiro Penaforte. A passeata terminaria diante da própria sede do América. Na ocasião, acabou ocorrendo uma briga generalizada entre os torcedores do América e do Flamengo.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco Jornal Diário da Noite 1931