sexta-feira, 29 de setembro de 2017

EXORCI-VASCO 1975: A FESTA MAIS LINDA

“Foi linda sob todos os aspectos a festa da inauguração dos refletores de São Januário. É impressionante a grandiosidade do nosso Clube, sempre pioneiro. 
O Vasco enche de orgulho a nós torcedores, que cada dia nos envaidecemos de tê-lo dentro de nossos corações. 
Não mais existe noite em São Januário, e agora com o gigante da colina acordado e muito difícil acreditar que tudo não seja Vasco. 
Parabéns Almirante e aos coirmãos um pequeno conselho: Vá assistir jogos em São Januário.”
Comando Exorci-Vasco.
Fonte: Coluna Bate Bola do Jornal dos Sports 27 de Março de 1975

Exorci-Vasco Jornal dos Sports 1975

Exorci-Vasco Jornal dos Sports 1975

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

TOV 1960: VASCO E FLAMENGO DUELO DAS TORCIDAS

Apresentando-se coma arrogância de quem é dono do mundo ou se prepara para conquistar um planeta qualquer, a Torcida do Vasco da Gama deu um verdadeiro show no Maracanã, vencendo o Duelo das Torcidas que teve o seguinte resultado:
Títulos para o Vasco:
1)    Batuque
2)    Bandeira mais bonita
3)    Torcedora mais elegante, Srta Lizeni Arruda
4)    Samba
Títulos para o Flamengo
1)    Torcedor mais abnegado, arracado pelo estoicismo de Jaime de Carvalho.
Fonte: Jornal dos Sports 1960

TOV Jornal dos Sports 1960

TOV Jornal dos Sports 1960

TOV Jornal dos Sports 1960



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1916 CHUVA DE LARANJAS NA 3ª DIVISÃO

                                                 “Há de fato uma coisa séria para o carioca: o football”
                                                                               Cronista João do Rio


1916             Chuva de Laranjas na 3ª Divisão

         Após obter filiação junto a Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT), o clube consegue se inscrever no campeonato[1] sabendo das dificuldades que iria enfrentar até chegar a almejada divisão onde se encontravam os principais times de futebol carioca. Naquele período o esporte já era o favorito da população em todas as camadas sociais e a proliferação de clubes e times de futebol era uma realidade incontestável.
            No início de janeiro era eleito presidente Marcílio Telles, um ex-remador mas que compreendia a nova época e estava disposto a incluir o futebol como um esporte de destaque no clube. Diga-se de passagem, quando Marcílio foi presidente do clube em 1911 ele já havia esboçado a criação de um departamento de futebol mas fora vetado pelos principais associados e dirigentes ligados ao remo. Agora o momento era mais propício para levar seu projeto adiante.
Os atletas do remo sabiam que a cada ano a febre do “esporte bretão” contagiava uma massa de novos praticantes e assistentes. No entanto, a vida dos torcedores vascaínos foi dura no primeiro campeonato e a realidade era que ainda não contávamos com um elenco à altura da tradição do remo. Uma campanha lastimável termina com a última colocação.
A estréia em jogos oficiais seria no dia 3 de maio no campo do Botafogo na rua General Severiano. Uma derrota por 10 a 1. Para comemorar somente a proeza do gol de Adão António Brandão, um atleta campeão do remo, além de praticar atletismo, ciclismo e outras modalidades esportivas. O jogador seria uma das figuras lendárias na história do clube, dedicando toda a sua vida como atleta e, depois, como conselheiro.
Reza a lenda que os sócios do clube jogaram laranjas nos jogadores quando retornaram para a sede de Santa Luzia, afinal aquele placar não era comum nos jogos de futebol e a humilhação atingia o nome do clube, campeão do remo.
A certeza de todos os associados aficcionados pelo clube e pelo futebol era de que seria preciso reformular o departamento de futebol e procurar atletas dos outros times do subúrbio para reforçar o elenco.
A primeira vitória (e única!) aconteceu em outubro diante do River F.C. no campo do São Cristovão. O campeão foi o Icarahy. Os outros clubes que disputaram a Terceira Divisão foram: Parc Royall (Progresso) e Brasil.
Entre as novidades no futebol brasileiro estava a fundação da Confederação Brasileira de Desportes (CDB) entidade que comandaria o destino do futebol nos anos seguintes.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] De acordo com o jornal Tico-tico de 9 de fevereiro de 1916, “o campo oficial do Vasco será o do Botafogo F. Club, a rua General Severiano, usando os jogadores o seguinte uniforme: calção branco. Camisa preta com punho e gola brancos”

Vasco Revista Tico Tico 1916

terça-feira, 26 de setembro de 2017

VASCO ILHA 1977: FUNDAÇÃO

E mais uma vez, com alegria, junta-se as outras facções Vascaínas, para mostrar a força do Vascão.
È a nova Torcida do Vasco, a Vasco Ilha.
Fundada por meninos que desde cedo sabem o que é bom.
Seus fundadores, Renato, Wilton e Reinaldo, sob a batuta de seus pais Wilson e Nelson.
Futuramente a Vasco Ilha será tão grande quanto as outras facções Vascaínas.
Aproveitamos para convidarmos a gurizada a participar conosco da Vasco Ilha.
Vasco Ilha, uma nova alegria de torcer.
Renato, Reinaldo e Wilton. RJ
Fonte: Jornal dos Sports 01 de Maio de 1977

OBS: Foram duas Torcidas do Vasco na Ilha do Governador, a Vasco Ilha fundada em 1977 e Vaskilha, que foi fundada em 21 de Janeiro de 1982 e acabou em 1987.

Vasco Ilha Jornal dos Sports 1977

Vasco Maracanã 1978

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

VASCO 1898: PRIMEIRO UNIFORME

Clube de Regatas Vasco da Gama
“Documento que cumpre o artigo V do Capítulo I do Códico da União de Regatas Fluminense.
O uniforme do Clube será o seguinte.
Boné preto com borda preto e branco
Camisa preta com gola larga faixa branca, tendo a Cruz de Malta encarnada sobre o preto.
Cinto branco
Calção preto
Meias pretas
Sapatos brancos.
A flâmula será preta com uma listra branca ao centro, tendo em encarnado a Cruz de Malta e as iniciais VG.
O pavilhão será preto com uma listra branca ao centro, tendo igualmente em encarnada a Cruz de Malta e as no canto superior, CRVG.
A Sede do Clube de Regatas Vasco da Gama é em seu edineio na Ilha das Moças.
Secretaria do C. R. Vasco da Gama, 7 de Novembro de 1898, (a) Luis Antônio Rodrigues, 1º Secretário.”
Fonte: Jornal Última Hora 15 de Agosto de 1956

Vasco Jornal Última Hora 1956

Vasco Jornal Última Hora 1956

domingo, 24 de setembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1915 O SPORT FAVORITO DOS CARIOCAS

                       “os homens em ação, as doutrinas militantes, os atos de arrebatamento 
                      e bravura tornam os índices nos quais as pessoas passam a se inspirar”
                                                    Nicolau Sevcenko, historiador


1915                O Sport Favorito dos Cariocas

        Tricampeão de remo da cidade, o Vasco iniciava temporada daquele ano fazendo uma regata  íntima, uma atividade comum entre os clubes náuticos para promover o lazer entre os seus sócios e atletas. O jornal Gazeta de Notícias noticiou a festa vascaína realizada: “na Avenida Rio Branco em frente ao Monroe (palácio que não existe mais) foi armado um palanque de onde os sócios e convidados do simpático centro náutico assistiram a disputa dos diversos páreos (...) grande era a assistência que aplaudia os vencedores”[1]
            Mas o assunto que despertou o maior interesse neste ano veio com o criação do Departamento de futebol do Vasco que surge depois da extinção do Lusitânia. O Lusitânia Sport Club foi fundado em 1914 por vários membros da colônia portuguesa. Um dos principais organizadores do novo clube era Álvaro Nascimento Rodrigues, também conhecido como Cascadura, ou Zé de São Januário (jornalista e futuro Benemérito do Vasco).
            O interesse maior dos seus associados era de reunir os seus atletas (todos portugueses) em disputas internas, no entanto, um grupo dissidente achava que o melhor caminho era fazer como os outros clubs de imigrantes que não restringiam a presença de sócios pela nacionalidade. Este grupo era minoritário e teve que aceitar a negativa da Liga Metropolitana de sua filiação.
            No final de 1915, este mesmo grupo se rearticulou para fazer uma fusão com o Vasco e conseguir superar duas barreiras: a entrada na Liga principal de futebol no Rio de Janeiro e vencer a resistência de associados cruzmaltinos que não desejavam a presença do futebol no clube.
            Em uma assembléia Extraordinária no mês de novembro, o presidente do Vasco da Gama, Raul da Silva Campos, conseguiu o apoio necessário e ficou deliberada a criação da seção de futebol. Muito contribuiu para isso atuação de Dionísio Teixeira[2], sócio da Soto Mayor & Cia, uma importante empresa mercantil, que com o seu prestígio conseguiu reverter a oposição de alguns vascaínos e ainda levou para o clube vários associados do Lusitânia.
            O momento era o melhor possível para aproximar o clube de um esporte que contagiava toda a cidade. De acordo com o jornal O Imparcial, de 1907 até 1915, o número de clubes de futebol havia triplicado. “Se em 1907 constavam do noticiário dos grandes jornais 77 clubes de diferentes perfis sociais, em 1915 apareciam 216 (...) essa proliferação de clubes teve como conseqüência imediata e surgimento de novas ligas e campeonatos”, conclui o historiador Leonardo Miranda, autor de Footballmania (2000, p.121).
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] Fonte: Gazeta de Notícias, 27 de abril de 1915.
[2] Fontes: Blanc, Aldir. A cruz do Bacalhau, Rio de Janeiro, Ediouro, 2009, p.64 e Jornal O Correio da Manhã de 07 de agosto de 1927.

Vasco foto site sempre vasco

sábado, 23 de setembro de 2017

VASGUAÇU 1983: FESTA DE 6 ANOS DA VASGUAÇU

A Vasguaçu, uma das mais animadas Torcidas Organizadas do meu Vasco, marcou para o dia 10 de Dezembro a Festa em que entregará o Troféu Almirante a várias personalidades.
A Vasguaçu, que estará, na mesma data, comemorando 6 anos de existência, pretende reunir na Festa Vascaínos famosos, entre quais Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Chacrinha, Martinho da Vila, Roberto Dinamite, Paulo Giovanni, Gonzaguinha e o Presidente Antônio Soares Calçada.
Fonte: Jornal dos Sports 13 de Novembro de 1983

Vasguaçu Jornal dos Sports 1983

Vasguaçu década de 1980

Vasguaçu São Januário 1978



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

FORÇA JOVEM 1976: DECISÃO DA TAÇA GUANABARA

Vasco 1 x 1 Flamengo, Vasco campeão nos pênaltis.
A Força Jovem, comandada por Ely Mendes, preparou, o material que vai utilizar amanhã, a tarde, no Estádio Mário Filho: 1.000 metros de pano preto e branco; 300 folhas de isopor; 18 faixas de 10 metros de comprimento por 2.50 m de altura, além de 60 peças de bateria, que serão reforçadas com uma Ala da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel e outra do Boêmios de Irajá, cedida pelo Presidente Rutler Machado.
Fonte: Jornal dos Sports 12 de Junho de 1976

Força Jovem Jornal dos Sports 1976

Vasco Maracanã 1976

Vasco Maracanã Jornal do Brasil 1976

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

TOV E LEÔES VASCAÍNOS 1969: BASQUETEBOL VASCO X BOTAFOGO

Um colete de gesso que se estende pelo braço esquerdo imobilizando-lhe os movimentos, Dulce Rosalina entra na redação do JS amparada, passos lentos, cara sofrida. Vai dizendo logo que não pode ir ao jogo mas acrescenta não poder ficar de braços cruzados, em casa, sem ao menos ficar de braços cruzados, em casa, sem ao menos fazer um apelo pelo seu Clube:
- Eu tenho que fazer este apelo aos jogadores Vascaínos. Eles tem que vencer este jogo de logo mais e partirem para a negra com outras disposição. O título precisa ir para São Januário. Chega de vices.
Precisamos dessa alegria. Vice em futebol de salão, em remo, no Campeonato Carioca de Futebol e na Taça de Prata, é ser vice demais.
Dulce Rosalina vai torcer em casa, pelo rádio, porque o Dr Lídio Toledo ainda não a deixa ir ao Maracanãzinho. Mas a Torcida estará firme no Maracanãzinho, sob o comando de Vanderlei Soares Moura e Abílio Moreira Valente. Assim, apesar de não poder comparecer, Dulce tem uma queixa:
- Soube que estão proibindo paus de bandeira e de bateria, no Maracanãzinho. Não me conformo, pois bandeira no alambrado fica fora do espetáculo. Bandeira é para ser agitada, largada no ar. E a bateria? Sem ela a Torcida fica sem compasso no grito. Deviam deixar.
E Dulce vai embora do JS como chegou. Andando com dificuldade, amparada. Mas com uma crença firme que o Vasco vence hoje e vai a negra. Ai então ela estará lá, torcendo novamente, recuperada do acidente de que o amor pelo Vasco foi o causador. E ficaria feliz, recuperada e campeã, finalmente, sem mais esta história de vice.
Fonte: Jornal dos Sports 22 de Janeiro de 1969

TOV e Leões Vascaínos Jornal dos Sports 1969

TOV Maracanã 1969

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1914 VALOROSO CENTRO NÁUTICO

                                                                                                                “pó-arroz”
                                                                                              Início do apelido do tricolor

1914                   Valoroso Centro Náutico

            Enquanto a equipe de remo do Vasco alcançava um inédito tricampeonato, a seleção brasileira de futebol realizava duas proezas: em julho vence um time de profissional da Inglaterra (Exeter City) e, em setembro, conquista o primeiro título ao vencer a Argentina na casa do adversário. Os dois resultados foram cruciais para que o nacionalismo despertado pelo esporte motivasse uma grande confiança na capacidade do futebol representar a nação. Considerando que aquele ano foi o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), isso não era pouco.
Milhares de pessoas receberiam os atletas que regressaram da Argentina no Cais do Porto. A repercussão na imprensa foi de surpresa tanto diante da vitória como o entusiasmo no Brasil. O nacionalismo começava a caçar as chuteiras. A revista O Malho registrava a façanha dos jogadores: “o domingo último marcou uma data gloriosa para o Sport brasileiro, com a vitoria de nosso team sobre o scratch argentino, na conquista da Copa tão benemeritamente ofertada pelo General Julio Roca ex-presidente da Argentina. O match teve assistência de público superior a 15 mil pessoas”.
            Para o Vasco, a vitória no campeonato de remo foi o motivo de grandes comemorações dos sócios e torcedores vascaínos que celebraram a conquista com o tradicional passeio de barco e um animado pic nic na Ilha do Engenho. De acordo com o jornal A Gazeta de Notícias a programação era extensa com a saída no Cais do Porto pela manhã e a volta depois das 17 horas. Muitas atividades foram programadas, como o almoço, sorteio de brindes, danças, passeios pela ilha, competições esportivas e diversas outras atividades recreativas. Cabe o registro do grau de organização do clube que designava várias comissões para o sucesso da atividade. Estas foram assim divididas: Recepção, representação e imprensa; Buffet, Dança, Música etc. Já o Correio da Manhã preferiu destacar a presença feminina: “compareceram muitas senhoras e gentis senhoritas que emprestaram notável encanto ao belo passeio”[1].
            Este foi um ano repleto de glórias para Claudionor Provenzano, considerado um dos maiores atletas de clube de todos os tempos. Sua figura imponente e seus títulos, deram-lhe grande divulgação. Sua imagem foi uma das mais usadas pelas revistas para enfatizar o caráter vigoroso do remo. Em seu peito repleto de medalhas, característica das fotos dos remadores da época, há ainda o registro de sua coragem heróica capaz de salvar vidas no mar: “é, também, um valente nadador, sendo muitas as pessoas que tem arrancado à morte dentro do mar”[2]
No campeonato de futebol ocorreram algumas novidades: o Flamengo sagrava-se campeão pela primeira vez, o Fluminense ganhava o apelido de “pó-de-arroz” da torcida do América (na verdade o apelido era para o jogador Carlos Alberto que havia trocado o América pelo Fluminense e usava o produto para disfarçar a pele escura) e a última colocação do Payssandu, tradicional clube da elite (formado por descendentes de ingleses). Com esta classificação, o clube teria que havia conquistado o campeonato em 1912, agora teria que jogar na Segunda Divisão.
A explicação para o apelido do Fluminense “pegar” é dada por Mario Filho no livro O Negro no Futebol Brasileiro (2003, p.60). Para o jornalista, o clube procurar ser o mais elitista de todos os clubes. Mesmo entre as agremiações na Zona Sul, são associados procuravam se destacar dos demais: “o Fluminense (...) era muito cheio de coisa, queria ser mais do que os outros, mais chique, mais elegante, mais aristocrático. O pó-de-arroz pegou feito visgo”.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte; Correio da Manhã 14 de dezembro de 1914,
[2] Revista FON-FON, 1914.

Vasco Revista Fon Fon 1914

terça-feira, 19 de setembro de 2017

VASCO 1898: PORQUE VASCO DA GAMA

O livro “Memória do Cinquentenário” organizado por Candido Fernandes de Carvalho explica, a página 21, transcrevendo uma crônica de José da Silva Rocha, porque aquele grupo de jovens de 1898 escolheu para o Clube que fundava o nome Vasco da Gama.
“1898 era todavia mais do que um dos últimos anos do século, era o ato que assinalava o quarto centenário da descoberta do caminho das Indias, pelo Almirante Vasco da Gama, o capitão-mor escolhido por D. Manuel, o Venturoso para comandar as naus que haviam de empreender e concluir aquela expedição “que apesar de muito estudada e cuidadosamente preparada, exigia um chefe experimentado e corajoso.”
E os rapazes que trabalhavam, criaram e fundaram a nossa agremiação desportiva, escolheram logo o nome do grande argonauta para patrono do clube. 
Assim ficou assentado entre os fundadores. Tanto que não há em toda a história do Clube de Regatas Vasco da Gama, cujo cinquentenário se esta festejando neste mês, um só passo revelador  de qualquer dissenção em torno do seu título...”
Fonte: Jornal Última Hora 17 de Agosto de 1956

Vasco Jornal Última Hora 1956

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1913 BRASILEIROS X PORTUGUESES

                                                                             “Remos à proa, medalhas ao peito”
                                                                                               Lema do Clube

1913                    Brasileiros x Portugueses

            A versão tradicional sobre a origem do departamento de futebol no C. R. Vasco da Gama remonta a visita de um selecionado português para enfrentar o Botafogo F.C em julho de 1913. Durante as disputas acirradas a questão da nacionalidade levou a comportamentos exacerbados em ambos os lados. A repercussão dos jogos acabou por incentivar a comunidade portuguesa residente na cidade em criar os seus próprios times.
            No entanto, com já demonstramos nos anos anteriores, alguns relatos diferentes registram que a vontade de montar uma equipe de futebol dentro do clube já vinha sendo tentada em inúmeras ocasiões, na medida em que o futebol ganhava cada vez mais a divulgação da imprensa e um número significativo de clubes surgia por toda a cidade, em diversas camadas sociais, comprovando que o futebol já teria desbancado o remo como esporte preferido para a sua prática bem como entre os assistentes.
            Enquanto os atletas do remo partiam em busca de mais um campeonato, os sócios mantinham sua fidelidade aos seus ídolos e garantiam um relativo sucesso de público nas regatas mais concorridas. Na última do ano, ocorrida no final de outubro, os torcedores comparecem em peso, tanto nos setores mais populares “a amurada da Avenida Beira-Mar se via uma linha cerrada de espectadores apreciando os movimentos dos páreos náuticos” quanto nas áreas mais nobres do Pavilhão, “com crescido número de pessoas da nossa melhor sociedade”[1].
A revista Fon-fon, especializada em reportagens sobre a vida moderna na cidade e em acompanhar o novo estilo de vida que o mundo seguia, registrava que no Rio de Janeiro, o desenvolvimento da prática esportiva como grande espetáculo seguia os mesmos passos dos países mais avançados do mundo e cita que a cidade carioca estava se igualando a França, Inglaterra, EUA, ou seja, em lugares que o esporte havia se desenvolvido. Antes praticados como exercício de lazer ou para a manutenção da saúde, agora haviam se transformado em eventos sociais que davam uma nova identidade as zonas urbanas: “as nossas festas esportivas evoluíram incontestavelmente e hoje em dia uma corrida no Derby, ou no Jockey, uma regata em Botafogo, ou uma partida de football tem a importância de um acontecimento na vida da cidade”[2].
                A verdade era de que o remo ainda era o esporte mais tradicional da cidade e durante as principais competições, a presença de público era bem significativa, no entanto, como paixão popular, o futebol já dominava as atenções de parcelas significativas da sociedade, tanto entre as elites da Zona Sul, como entre os moradores do Centro, Zona Norte e Suburbana.
            O futebol contava com aspectos favoráveis como a ampla possibilidade de ser praticado por toda a cidade, numa época de expansão urbana e crescimento populacional para todas as regiões, especialmente a zona suburbana. O local se revelou um verdadeiro celeiro de craques formados nos mais diversos clubes que se formavam para a prática exclusiva do futebol.
            Outro fator que beneficiou o futebol foi a rivalidade entre paulistas e cariocas e vice-versa. Também ocorre um maior intercâmbio com outros países e a possibilidade do futebol representar a nação. O sentimento nacionalista foi reforçado neste ano com as vitórias sobre os selecionados português (em julho) e chileno (em setembro) e contra a equipe inglesa do Corinthians (em agosto).
            No clube, a cada ano era inventada uma nova moda para atrair futuros sócios e garantir o fortalecimento da instituição que vivia uma época de glórias com a conquista do bicampeonato de remo. No último dia do ano, era promovido pelo grupo dos “Mademoiselles Barbados” uma festa irreverente, conforme anunciava o jornal O Imparcial em 30 de dezembro de 1913. Mais uma demonstração que o clube procurava expandir suas atividades além das esportivas e se constituir numa autêntica família ampliada.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] Fonte: A Imprensa, 20 de outubro de 1913.
[2] Fonte; Revista Fon-Fon, 23 de agosto de 1913.

Vasco Revista O Malho 1913

sábado, 16 de setembro de 2017

FORÇA JOVEM 1980: MORRE VOVÓ GEORGINA

A FORÇA JOVEM ESTÁ DE LUTO
O futebol carioca está de luto e o Vasco da Gama mais ainda. 
A nossa querida Vovó da Torcida Força Jovem era sem sombra de dúvidas um símbolo vivo de amor e dedicação ao nosso querido Clube de Regatas Vasco da Gama o seu e o nosso clube de coração.
Sempre presente em todos os jogos, lá estava a nossa saudosa, com a sua voz cansada, seu amor sempre grande e sua fidelidade exemplar. Sempre torcendo pelo nosso Vasco.
Lembro-me daquele jogo Vasco 3 a 1 Fluminense, pela Taça Guanabara, deste ano, quando a Força Jovem acendeu suas velas em sinal de protesto a diretoria do Clube pela má campanha do time. 
A nossa querida Vovó, com a sua chama de amor Vascaíno sempre acesa, levantou-se e com as poucas forças que lhe restavam, foi levantando as enormes bandeiras com a ajuda de alguns, em meio a pessoas revoltadas com o time. Ela sozinha, iniciou o grito de Vascoooo!
Acompanhada, depois, por alguns, aquele gesto ficou e ficará para sempre em minha memória. 
A Vovó mostrou-nos que ser Vascaíno não é somente vibrar nas vitórias, comparecer em massa quanto o time atravessa boa fase, vaiar quando  o gol demora a sair. 
Ser Vascaíno é, acima de tudo, amar o Vasco, em qualquer circunstância. 
Descanse em paz Vovó. Você estará sempre presente em nossos corações.
Mário Gomes, Copacabana (04/09/1980)

MISSA DE UM ANO
No Rio, hoje a Torcida Força Jovem celebra missa de um ano pela morte de Georgina Carvalho de Barros (Vovó), uma das mais fervorosas torcedoras Vascaínas, na Capela de Nossa Senhora das Vitórias, em São Januário (18/08/1981)

SALA DO MARACANÃ TIA GEORGINA
Ely Mendes lembra que hoje, faz dois anos da morte da Tia Georgina que, com 84 anos, era exemplo de dedicação a Força Jovem.
Em homenagem a este símbolo do torcedor Vascaíno, a Sala da Força Jovem no Maracanã, a ser inaugurada brevemente, será batizada com o nome da Tia Georgina. (18/08/1982)
Fonte: Jornal dos Sports 04 de Setembro de 1980, 18 de Agosto de 1981 e 18 de Agosto de 1982

Força Jovem Jornal dos Sports 1980

Força Jovem Jornal dos Sports 1980

Força Jovem Jornal dos Sports 1980

Força Jovem Jornal dos Sports 1977

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ANARQUIA 1990: VENHA FAZER PARTE DA ANARQUIA DO VASCO

Você, Vascaíno, que esta interessado em participar de uma grande Torcida, entre para a Anarquia, uma das melhores Torcidas do Vasco da Gama. Temos camisas e bonés para vender. Os interessados podem nos procurar na Sala 342-B no Maracanã, para fazerem suas carteirinhas. Basta procurar Alexandre ou Glória.
Alexandre Azevedo Cavalcante, Niteroí, RJ (02/03)
Vascaíno, se você gosta de torcer pelo seu time, venha para a Anarquia. Faça a escolha e venha para a melhor.
Você que ainda não entrou em Torcida por falta de oportunidade, ainda há tempo, entre nessa você também. Junte-se a Anarquia do Vasco.
Marcelo Magalhães Morgado, Méier, Rio de Janeiro (03/11)
Fonte: Jornal dos Sports, Coluna Bola em Jogo, 02 de Março e 03 de Novembro de 1990

Anarquia Jornal dos Sports 1990

Anarquia Jornal dos Sports 1990

Anarquia Jornal dos Sports 1990

Anarquia Maracanã 1989

Anarquia Maracanã 1989

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

RESENVASCO 1980: DIRETORIA

O presente tem como finalidade apresentar a nova Diretoria da Resenvasco para o biênio 1980/81, que está assim constituída.
Presidente: Paulo Altivo Almada
Vice Presidente: José Edson de Medeiros
Tesoureiro: Norival da Silveira Diniz
Secretário: José Maurício da Silva
Relações Públicas: Valdir F. de Lima
Chefe de Torcida: João Luís de Oliveira e Silva (Cacareco)
E também informar que a mesma estará durante o Campeonato Estadual, incentivando e levando o seu apoio ao Clube de Regatas Vasco da Gama
Valdir F. de Lima, Relações Públicas
Fonte: Jornal dos Sports 05 de Setembro de 1980

Resenvasco Jornal dos Sports 1980

Resenvasco Maracanã Jornal O Globo 1981

Resenvasco São Januário 1982

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1912 TORCENDO PELOS RIVAIS

                                          “os jornais não falavam em outra coisa. Páginas e coluna
                                                       deles eram ocupadas com história de ‘matches’”
 Lima Barreto, escritor

1912                 Torcendo pelos Rivais

        Um clube no início do século geralmente se dedicava a alguns poucos esportes ou era criado exclusivamente por causa de uma atividade física que tivesse mais interessados. Isso começou a mudar com a proliferação de clubes exclusivos de futebol. Em 1912 a febre da criação desses  “clubes de football” era uma realidade em toda a cidade do Rio de Janeiro. Neste ano era criada a Liga Sportiva Suburbana, englobando clubes de futebol desta região da cidade. Uma prova que o “esporte bretão” não era mais de domínio exclusivo dos clubes da elite da Zona Sul.
            O sucesso do futebol começava a ser notado em todas as áreas. Nos estádios mais lotados, no aumento de divulgação na imprensa e na paixão do torcedor. E este foi o ponto fulcral para os amantes do esporte. Apesar do intenso ardor que o público acompanhava seus clubes nas regatas, o sentimento mais aflorado já se manifestava nos gramados onde se disputavam acirradas partidas. Era a “paixão do futebol. Era isso que assustava o clube de remo. De tal modo que foi uma luta convencer o Flamengo a entrar para o futebol. O Flamengo com sessenta sócios, se tanto, sem um campeonato de remo, impôs condições, fez tudo para não ser um clube de futebol” (Mario Filho, 2003, p.54). A criação do Departamento de futebol no Flamengo (final de 1911) não foi algo simples, pois havia um certo ciúme do setor dominante que achava que este “modismo” poderia afastar o clube de seu esporte mais importante.
            O crescente interesse pelo futebol também continuava no Vasco por meio de seus sócios e atletas que acompanhavam os jogos e torciam pelos seus clubes. Mas estes “torcedores de futebol do Vasco” ainda sonhavam com a possibilidade do nosso clube competir de igual para igual com os poderosos Fluminense, Botafogo e, a grande novidade do ano, o Flamengo, tradicional rival das regatas, que montava seu time após desentendimentos entre atletas do Fluminense  (campeão em 1911) e seus dirigentes. O memorialista vascaíno José da Silva Rocha (1975) relembra a atitude contraditória dos vascaínos entre 1911 e 1916: “aos domingos, após os jogos do campeonato, muitos sócios desciam dos bondes (...) e reuniam-se na sede de Santa Luzia comentando as peripécias dos encontros que tinham assistido. Alguns torciam pelo Fluminense, outros pelo Botafogo, pelo América, pelo Flamengo (...) os encontros eram aliciantes. Não se podia assisti-los sem tomar partido por um dos grupos em luta”
            Com a conquista do campeonato de Remo de 1912, o grupo vascaíno que se opunha se tornou mais forte e coube aos associados mais interessados na prática do futebol buscarem outras alternativas, talvez até participando de criação de clubes de futebol pelos seus locais de moradia ou de trabalho.
            Pelo campeonato carioca de futebol organizado pela Liga Metropolitana a vitória coube ao Payssandu, um clube da elite carioca, formado por muitos descendentes de ingleses. Esta foi a primeira e única conquista do grêmio. Os outros participantes foram: Mangueira, São Cristóvão, Bangu, America e Rio Cricket.
            A disputa pelo interesse da população entre o futebol e o remo viveu momentos que ora será favorável a um, ora o outro terá mais destaque. Por exemplo, no primeiro Fla-Flu disputado em 7 de julho de 1912, os jornais noticiavam com desalento que houve “pequena concorrência, calculada talvez em 800 pessoas”[1]. Mas é preciso olhar com cuidado as informações, pois nem sempre a imprensa soube representar corretamente como a paixão do público foi mudando de esporte preferido.
No mesmo dia do primeiro Fla-Flu era disputada uma regata organizada pelo Club Boqueirão do Passeio, mobilizando a maior parte das atenções da imprensa. No dia da competição estava presente o ex-presidente da Argentina Júlio Roca, que cumpria a missão diplomática de reaproximação entre os dois países. A importância dessa visita para o desenvolvimento do esporte no Brasil ainda não foi estudada pelos pesquisadores. Nos próximos anos o futebol brasileiro vai ser o maior beneficiado, com a realização de jogos entre times e selecionados dos dois países. Em 1914, será formada a primeira seleção brasileira para disputar a Copa Roca da Argentina. A partir daí vão se estreitar os laços entre outros países da região para formar a Confederação de Futebol da América.     Além de ser o ano do primeiro Fla-flu no futebol, o ano teve ainda como destaque a entrada de sócio para o Fluminense do escritor Coelho Neto, empolgado com o clube das Laranjeiras e a paixão pelo futebol de seus filhos. O literato será um dos maiores símbolos da história do tricolor, além de ter criado o hino do clube em 1915.
            O Botafogo disputou um campeonato paralelo em 1912, ao criar Associação de Football do Rio de Janeiro (AFRJ), em virtude de um protesto pela suspensão de um atleta seu no ano anterior. Além do Botafogo, campeão da competição, disputaram os seguintes clubes: o Cattete, o Internacional. O Germânia, o Paulistano e o Petropolitano.
O ano termina em festa para os torcedores vascaínos. O tradicional passeio para o pic nic na Ilha do Engelho é realizado contando com a presença de mais de 500 pessoas que lotam uma barca. Todas as principais revistas da época     (Fon-fon, O Malho e Careta) registram em fotos os momentos de descontração, animação e festividade. Era a arrancada para o inédito tricampeonato no Remo.
A grande estrela da festa do primeiro campeonato era uma embarcação chamada Íbis. Ela “tornou-se uma lenda no remo do Rio de Janeiro do início do século XX. O barco de fina fabricação italiana, construído nos estaleiros da Galinari & Co, de Livorno/ITA, ganhou a alcunha de "O Barco Invencível". Sua estréia ocorreu em julho de 1912 e reinou absoluta com dezenove vitórias consecutivas, um grande feito para época “[2].
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: ASSAF e MARTINS, Fla-Flu , o jogo do Século, RJ, Letras & Expressões, 1999.
[2] Fonte: www.crvascodagama.com.br/história

Vasco Revista Careta 1912