sábado, 31 de dezembro de 2016

VASCO 2016: FELIZ ANO NOVO, FELIZ 2017


FELIZ 2017


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

FORÇA JOVEM 2016: ORGANIZADA FALA DE RETORNO

A Organizada do Vasco Força Jovem retorna aos estádios em 2017. A proibição judicial de que integrantes entrem em estádios acaba no fim desde 2016. Em meio de nota, os líderes comemoram a possibilidade da volta, ressaltando inclusive que este é o “maior presente” que o Vasco poderia ter- em alusão a promessa do Presidente Eurico Miranda que foi cumprida no acerto com Escudeiro.
“Contratação? Presente de Natal? Maior reforço do C. R. Vasco da Gama já está contratado e não vai custar nada aos cofres do Clube. G.R.T.O Força Jovem do Vasco de volta a bancada, este é o maior reforço do Vasco para 2017! Nossa volta será em grande estilo”, afirmou a nota.
Vale lembrar que o Presidente Eurico Miranda não teve um bom relacionamento com as demais Organizadas neste fim de temporada, sendo necessário inclusive uma reunião da Diretoria, elenco e lideranças.
Fonte: Jornal O Lance

Força Jovem Jornal O Lance 2016

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

GUERREIROS DO ALMIRANTE 2016: GDA REALIZOU AÇÃO SOCIAL DE NATAL NA BARREIRA DO VASCO NO DIA 24/12

Ocorreu no último sábado (véspera de Natal) uma Ação Social realizada pelos Guerreiros do Almirante junto com a associação de moradores, para presentear as crianças da nossa famosa ' Barreira do Vasco ' visando proporcionar um melhor Natal. 
Ajudar a comunidade da Barreira sempre foi uma marca registrada da nossa torcida desde a nossa fundação, pretendemos realizar muito mais no ano que vem. 

Não foi um ano fácil para a torcida, mas realizar esse Ato nos deixa muito mais confiantes para ter um 2017 muito melhor do que foi este ano. 
/+/ Enquanto houver um coração infantil o VASCO será imortal /+/ 
Ao VASCO, tudo! 
Fonte: Facebook Guerreiros Do Almirante – GDA e NETVASCO

Guerreiros do Almirante Ação Social de Natal 2016

Guerreiros do Almirante Ação Social de Natal 2016

Guerreiros do Almirante Ação Social de Natal 2016

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1960 TÁ CHEGANDO A HORA

                                                                    “Vasco, o orgulho da Guanabara”
                                                                             faixa da torcida


1960                        Tá chegando a hora


Embora a “Era de Ouro” (1958-1970) no futebol brasileiro tenha sido marcada pela presença de muitos craques, os vencedores dos campeonatos cariocas em 1959 e 1960 eram formados por times sem grandes craques, sem as estrelas da seleção. Para alguns dirigentes a “era das grandes estrelas” estava chegando ao fim, o negócio era formar times com bons e baratos jogadores. O Botafogo não pensou assim e manteve praticamente quase todos os seus ídolos. Já o Vasco escolheu uma opção diferente: começava uma política de se desfazer aos poucos dos grandes ídolos. Para os dirigentes vascaínos, vender seria um grande negócio e o clube poderia continuar com sua trajetória de títulos. Primeiro venderam Almir (1960) para o Corinthians, depois foi a vez de Orlando Peçanha para o Boca Juniors (1960), em seguida seria Bellini (1961) para o São Paulo (sem esquecer de Vavá vendido logo depois da Copa de 1958 para o Atlético de Madri).
O mesmo destino teria o atacante vascaíno Delém. Grande destaque da seleção brasileira nos jogos contra os argentinos.  O jogador teve ótimas exibições contra os rivais na disputa pela 9ª Copa Roca. Ao todo ele marcou 4 gols em três jogos. O oportunismo do jogador acabou por despertar o interesse dos clubes platinos e logo seria negociado para o River Plate no ano seguinte.
Justamente os anos 1960 começaram com a surpreendente conquista do América do campeonato carioca de 1960, primeiro ano do Estado da Guanabara após a transferência da capital do país do Rio de Janeiro para Brasília. Era um título aguardado com muita ansiedade pela torcida rubra que não conquistava um campeonato desde 1935, ou seja, 25 anos atrás, quase na época do fim do amadorismo. Foi a vitória de um time que não contava nem com o apoio inicial dos próprios torcedores, descrentes com os insucessos nos anos 1950 com equipes consideradas favoritas.
Na final com o Fluminense, o palco foi o estádio do Maracanã que receberia naquele dia quase 100.000 pessoas, mesmo com a transmissão ao vivo pela TV. Dividindo as arquibancadas com o Fluminense, o América contou com a ajuda das outras torcidas cariocas. Vascaínos, flamenguistas e botafoguenses se uniram aos americanos e conseguiram ocupar a metade do estádio. Após a derrota, o tricolor Nelson Rodrigues explicava como o campo esportivo foi tomado pelos torcedores: “vejam vocês todos contra o Flu e o Flu sem ninguém. O América teve torcedor que não conhecia a cor da camisa americana. Um desses, ao começar o match, cutucou-me sôfrego, o olho rútilo: - Qual é o América? Qual é o América? Dei-lhe a informação. E ele pôs-se a torcer como um alucinado. É, ele pôs a torcer como um alucinado. No fim, o camarada lançou-se aos soluços, nos braços da pessoa mais próxima (...) Todo o potencial afetivo de uma cidade foi aplicado num único time (...) O América mereceu a ternura de toda uma cidade. Sujeitos que não conheciam o Maracanã, que não sabiam se a bola era redonda ou quadrada, torciam por ele. Foi, amigos, o América por nesse momento, o clube mais amado do Brasil” (VALLE, 2004, p.71).
De acordo com Fernando Valle, autor de alguns livros sobre a história do América, seu clube era o grêmio carioca que mais deixou de crescer sua torcida ao longo dos anos 1930, 1940 e 1950. Ao contrário dos outros clubes grandes que só aumentaram suas torcidas, o América foi ganhando o perfil de uma associação de classe média, da região de Grande Tijuca, um grêmio amado por todos (o segundo time do coração) mas alvo de constantes gozações. Os rivais diziam que o América “nadava, nadava e morria na praia”. Os adversários diziam que sua torcida cabia numa Kombi, formada por simpáticos torcedores como Lamartine Babo e Marques Rebelo, entre outros. Lamartine foi escolhido pelo clube como torcedor símbolo do América. No dia seguinte da conquista ele desfilou pelas principais ruas da cidade, em carro aberto, fantasiado de diabo (símbolo do clube), à frente de um extenso cordão de torcedores. (VALLE, 2004). O escritor Marques Rebelo, escreveria nesta época uma belíssima crônica sobre o título intitulada  “Poema de um coração rubro”, num trecho ele reafirma a importância da conquista como congraçamento das torcidas: “o delírio dos assistentes americanos, vascaínos, botafoguenses, rubro-negros, são-cristovenses, de todos enfim, pois era a efusão de uma cidade inteira que ali se representava (...) não sei como foram meus passos depois que a luta se encerrou, com cem mil bandeiras se agitando, bandeiras que não traziam as três inicias do América – eram bandeiras de todos os clubes cariocas, inclusive a do glorioso tricolor, vencido que se irmanava ao vencedor com ternura e respeito. (VALLE, op.cit, p.140)
Para o torcedor que freqüentava os estádios, a grande novidade na década de 1960 foi a popularização dos pequenos rádios de pilha que se tornaram fiéis acompanhantes dos torcedores. Nas emissoras cariocas a disputa por anunciantes e audiência provocava uma corrida por novidades: “comentaristas de arbitragens, pontos atrás das metas, reporteres-volantes (...) tudo aquilo que compõe hoje (...) o rádio esportivo começou ali” (Máximo, 1996, p.52). A disputa acirrada era entre os principais narradores: Oduvaldo Cozzi pela Mayrink Veiga, Valdir Amaral pela Radio Globo e Jorge Curi pela Nacional que apresentava João Saldanha estreando nos microfones.
Durante os anos 1960 as torcidas jamais deixaram de cantar ainda mais quando a vitória estivesse próxima ou, melhor ainda, quando o título fosse uma questão de tempo. A música mais ouvida nesta época era “Está Chegando a Hora”[1]. O relógio se aproximando dos minutos finais e a torcida vencedora gozando a adversária: “Ai, ai, ai ... tá chegando a hora!” Para o cronista Armando Nogueira, é neste momento que o torcedor se vinga de uma semana de aborrecimentos e poucas realizações. E pela catarse das massas que o futebol vai dar sentido profundo de superação do dia a dia: “dentro dele (Maracanã), o carioca do povo canta, no domingo, as vitórias que lá fora a vida talvez lhe negue a semana inteira” (1973, p.168).
Ao criar fortes vínculos afetivos, tanto a música quanto o futebol, souberam expressar e dramatizar aspectos básicos da cultura nacional e da vida dos torcedores: “música popular e futebol tem muitos aspectos comuns, que aproximam os dois como elementos da cultura brasileira. Em ambos predomina a espontaneidade, a criatividade e a improvisação e em ambos a arte subordina a técnica. São instituições fortemente identificadas entre si” (MURAD, 1996, p.172).
Com a popularização do futebol, do rádio e do disco é que essa relação se consolidou. A partir daí, Noel Rosa, Ary Barroso, Ciro Monteiro, entre outros, se aproximavam cada vez mais do universo esportivo. Lamartine Babo, por exemplo, além de ser um grande compositor popular, criador de inúmeras marchinhas de sucesso, soube como ninguém realizar isto através dos novos hinos dos clubes criados por ele, recheado de expressões populares, dos sentimentos dos torcedores das arquibancadas. Logo, logo, junto com as marchinhas de carnaval, as torcidas entoaram seus novos hinos nos estádios, principalmente no Maracanã.
Ao inventar um instrumento de sopro (talo de mamona) o som produzido pelo vascaíno Ramalho entrou no gosto dos torcedores e estes já sabiam quando  o torcedor-músico estava nas arquibancadas. Para Mario Filho (1994, p.126), Ramalho conseguiu manter sua individualidade, num lugar (Maracanã) que “apagava” as pessoas com o som da massa: “o Maracanã teve isso de ruim acabou com a figura humana (...) para gritar ele tem que unir a própria voz a dos outros, senão ninguém escuta (...) o Maracanã aniquilou o torcedor como individuo, que o pluralizou, tornando-o em multidão”.
Juntos, torcedores organizados ou não, faziam dos jogos uma festa popular que encantava jogadores e o grande público. “O futebol levou a música para as arquibancadas, compondo a interação entre torcedores e destes com os jogadores, através de um sistema de comunicação muito  singular, formado por cânticos e ritmos”(MURAD, op.cit., p.173). Da mesma forma o antropólogo Luiz Henrique Toledo (1996, p.155) apreende a marca registrada das canções nas arquibancadas: “a música, enquanto elemento de expressão e comunicação, é parte fundamental da maneira pela qual o torcedor apreende e vivencia o futebol”.
Acompanhando o Botafogo em nas constantes viagens pelo exterior, o comentarista esportivo João Saldanha comparou a torcida mexicana com a carioca "é muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida" (in PEDROSA, 1967, p.174). E ainda cita a presença de músicos que animam os jogos ou os jogadores com instrumentos típicos daquele país. Contudo, o que mais marcou foi a invenção do grito de “olé”. Garrincha, nesta excursão do Botafogo, daria uma exibição que provocaria uma reação de profundo entusiasmo na torcida mexicana criando espontaneamente o grito de olé. Naquele dia que surgiu a gíria do “olé", tão utilizada posteriormente no Brasil.
Enquanto nesse tempo Garrincha encantava os torcedores de todo o mundo, um outro clube carioca dava vexames internacionais por onde passava. Em sua excursão pela Europa, o Flamengo era fragorosamente derrotado pela seleção da Bulgária por 6 a 0. Mais a vergonha maior estava a caminho. Jogando contra o “poderoso” clube da Escócia, Motherwell, uma nova goleada: 9 a 2. Uma pena que os búlgaros e escoceses não conhecessem o “olé” dos mexicanos.
            No ano seguinte a torcida carioca pode entoar o “olé” no jogo entre Santos e Flamengo. Jogando no Maracanã pelo Torneio Rio-São Paulo, Pelé comanda um massacre ao derrotar os rubro-negros pelo placar de 7 a 1. Adotado pelos cariocas, o time do Santos sempre recebia a contribuição dos torcedores cariocas em seus jogos. Sem dúvida, milhares de vascaínos puderam encarnar nos rivais gritando o “olé” e cantar ao final da partida “lá, lá , laiá, esta chegando a hora”...
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Uma marchinha de Rubens Campos e Henricão de 1942., Cf (HOLLANDA, 2004).

Vasco Jornal Diário Carioca 1960

Vasco Jornal O Globo 1960

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

FORÇA JOVEM E TOV 1991: TORCIDA PREVÊ MAIS BRIGA NO MARACANÃ

As cenas de violência ocorridas no Maracanã, antes e durante a partida entre Vasco e Flamengo, ainda são comentadas em São Januário. Enquanto Antônio Brás, Chefe da Força Jovem, acredita que, contra o Fluminense, o ambiente estará menos carregado, componentes da Torcida Organizada do Vasco (TOV), preveem mais confusão.
“Há rivalidade com todos os times e a Torcida Força Jovem do Vasco parece gostar de briga”, diz Amâncio César da TOV.
Alguns dos componentes desta facção foram acusados de disparar contra rubro-negros. Brás está otimista, mas reconhece ser difícil controlar 2 mil componentes de sua Torcida.
“Já expulsamos 32 esse ano, mas é difícil evitar tumultos”.
Fonte: Jornal O Globo 20 de Setembro de 1991

Força Jovem e TOV Jornal O Globo 1991

Força Jovem Jornal O Globo 1991

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

TOV 1959: ATÉ GARRINCHA FESTEJOU A VITÓRIA DO VASCO

D. Dulce Rosalina, Chefe da Torcida Organizada do Vasco, conta que, deixando o Maracanã, rumou com sua gente para São Januário, lá encontrando os portões fechados e tudo as escuras. 
Houve decepção, seguida de revolta, bastando dizer que ameaçaram uma invasão, o que foi evitado pelo Vice Presidente Hilton Faria, que chegou a tempo para mandar abrir o portão. 
Apenas não encontraram a chave da luz, tendo a Torcida sambando mesmo no escuro, na pista de atletismo.
-Saindo de São Januário as 3 horas, fui dormir depois de 4 horas. E as 10 horas já estava no auditório da Rádio Nacional, onde o Paulo Gracindo, no seu programa, prestou homenagem a Torcida do Vasco. Por sinal que fomos muito bem tratados por ele, que é Rubro Negro.
Rouco, quase sem poder falar, D. Dulce pegou o repórter pela mão e disse:
- Sabe quem estava lá também? O Garrincha.
- O Garrincha?
- Sim. Ele havia comparecida ao programa, a convite de Angelita Martinez. Mas na hora da confusão, isto é, quando a Torcida do Vasco entrou a sambar no auditório, ele também caiu no samba.
Eu fiquei encantada com ele, pois e a simplicidade em pessoa. E achou que o Vasco havia merecido ser campeão.
Fonte: O Jornal 20 de Janeiro de 1959

TOV O JORNAL 1959

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1960

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FORÇA JOVEM E TOV 1982: FOGUEIRINHAS NO MARACANÃ

Como as Torcidas Organizadas levavam muito papel era comum no fim dos jogos torcedores juntarem esses papeis e colocar fogo em plena arquibancada.
“A ASTORJ se pronunciou pela coluna, muitas vezes, no intuito de garantir segurança dos torcedores no estádio. Prova disso são os constantes pedidos para que as torcidas não utilizassem fogos de artifício nas partidas, tampouco fizessem “fogueirinhas”.
Era comum que a entrada dos times no gramado fosse recepcionada por rolos de papel higiênico, fazendo um espetáculo visualmente bonito. Contudo, após os jogos, torcedores que permaneciam na arquibancada queimavam os restos desse papel e, em alguns momentos, acabavam provocando queimaduras.”
Fonte: Jornal dos Sports 04 de Setembro de 1982 e TEIXEIRA, Leonardo Antônio de Carvalho. “Congregar, Congraçar e Unir: a atuação da Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (1981-1989)”. 2014. 116 f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2014.

APELO DE ELY MENDES
Ely, da Força Jovem do Vasco pede aos Vascaínos que forem hoje ao Maracanã para evitar as fogueirinhas de depois dos jogos, pois isso, além de ser perigoso em si, costuma provocar brigas entre torcedores.
Fonte: Jornal dos Sports 15 de Junho de 1982

Força Jovem Maracanã 1982

TOV Maracanã 1982

Força Jovem Jornal dos Sports 1982

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

IRA JOVEM 2016: AÇÃO SOCIAL MORADORES DE RUA DA 7ª PROVÍNCIA NITEROI/SÃO GONÇALO

No dia 01 de Outubro de 2016 a 7ª Província Niterói/São Gonçalo da Ira Jovem do Vasco distribuiu comida aos moradores de Rua nos bairros do Centro, Nova Cidade e Alcântara na cidade de São Gonçalo
7ª Província sempre ajudando o próximo


Ira Jovem 7ª Província Ação Social 2016

Ira Jovem 7ª Província Ação Social 2016

Ira Jovem 7ª Província Ação Social 2016

Ira Jovem 7ª Província Ação Social 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1959 SUPER-SUPER VASCO


                                                                “Felicidade, seu nome é Vasco”
                                                                            faixa da torcida

1959                    Super-Super Vasco

Para o último jogo das finais do campeonato carioca de 1958 disputada em janeiro de 1959 entre Vasco e Flamengo, o esquema de segurança era gigantesco. Segundo a revista Manchete Esportiva foram mobilizados 60 guardas municipais, 300 PMs  e 2 choques da PE (com 32 cada) mas não foram registrados muitos confrontos entre os torcedores, o maior problema, apontado pela  revista, era o grande número de cambistas, acobertados pelos policiais. Apesar da transmissão ao vivo pela TV para a própria cidade, sem aviso prévio, o público da final foi um dos maiores da história do clássico que, segundo Roberto Assaf, foi na década de 1950 que surgiu a expressão “Clássico dos Milhões”, para as partidas entre Flamengo e Vasco.
A comemoração do título após o jogo e durante a semana ganhou grande repercussão na imprensa que deu ênfase as carreatas promovidas pelos vascaínos que tomaram a cidade de alegria:
DO MARACANÃ A SÃO JANUÁRIO, A TORCIDA FESTEJOU O TÍTULO
Verdadeiro Carnaval no trajeto da vitória, Valdemar fez o percurso a pé e uniformizado, Tráfego interrompido nas imediações do Estádio do Vasco, Coronel de cabeça raspada .....
Mais de duas horas depois de terminado o encontro, foi que os cruzmaltinos conseguiram deixar o Estádio do Maracanã. A saída do maior do mundo, grande multidão de torcedores se acotovelava, aguardando o momento de ovacionar, de perto os heróis da grande jornada. Escolas de Samba, casacas, enfim, um verdadeiro carnaval, com serpentinas e confete, era o que se via nas imediações do Maracanã.
TORCEDORES INVADEM A CAMIONETA
O delírio chegou ao auge, quando a camioneta que conduzia os campeões começou a movimentar-se, procurando abrir caminho entre os torcedores. Ai, então, o espetáculo foi indescritível. Torcedores mais entusiasmados dependuravam-se no veículo, procurando tocar nos seus ídolos. Alguns deles, mesmo, chegaram, não sabemos como, a alcançar o teto da camioneta.
O TRAJETO DA VITÓRIA
Em todo o percurso do Maracanã a São Januário, ouvia-se os gritos de Vasco! Vasco!. Torcedores apareciam as portas dos bares, garrafas em punho, para saudar a passagem dos campeões. Outros se acotovelavam no meio fio das calçadas e a aproximação da camioneta cruzmaltina, atiravam-se a sua frente. Foguetes espoucavam no ar e ao som dos tamborins, homens, mulheres e crianças cantavam no ritmo quente do samba, a grande vitória cruzmaltina. O tráfego ficou totalmente interrompido na Rua São Luís Gonzaga, pois os guardas eram poucos para conter o entusiasmo dos torcedores. Também dos ônibus e lotações vinham os casacas. Um grande cortejo de carros e caminhões era improvisado, rumo a São Januário.
CARNAVAL EM SÃO JANUÁRIO
Tudo o que se pode observar durante o trajeto dos campeões foi pouco em relação ao que se viu nas imediações do Estádio do Vasco. Assim, as Ruas General Almério Moura, Ricardo Machado, Dom Carlos e Bonfim foram tomadas pela massa de torcedores. Nenhum carro conseguia romper a barreira humana e o carnaval se prolongou madrugada adentro. Somente as 4 horas da manhã os jogadores chegaram ao Estádio, debaixo de uma ovação tremenda.
OS PORTÕES NÃO FORAM ABERTOS
Os torcedores aguardavam, impacientes a abertura dos portões do Estádio, a fim de que pudessem comemorar, em pleno gramado, a sensacional vitória. Entretanto, como os portões permaneceram fechados, tiveram mesmo de se contentar com o carnaval de rua, o que não chegou a arrefecer o grande entusiasmo dos cruzmaltinos” [1].
.         Depois da conquista, dirigentes e torcedores organizam uma nova festa promovendo uma carreata que chegou ao centro da cidade no mesmo clima carnavalesco do dia do campeonato. Desta vez o estádio de São Januário foi aberto para os torcedores comemorarem o título em sua casa:
“COM UM DESFILE DE MAIS DE 3 HORAS, OS VASCAÍNOS COMEMORAM O TÍTULO DE 1958
Rei Momo presente a Festa do Vasco - Depois do Cortejo, a batalha de confetes em São Januário – Carros, Jipes e Caminhões, percorram as Ruas da Cidade, debaixo de chuvas e de aplausos.
Com um brilhantismo incomum, a Torcida do Vasco da Gama festejou, sábado último, pelas ruas da Cidade, a conquista do Super-Supercampeonato de 1958. O cortejo, formado por vários carros alegóricos, caminhões, carros de passeio e jipes, deixou o Estádio de São Januário as 13 horas.
O TRAJETO
Seguindo pela Rua General Almério Moura, os veículos ganharam a Av. Brasil, seguindo pela Av. Rodrigues Alves, Praça Mauá, Rua Acre, Rua Uruguaiana, Largo da Carioca, Rua Almirante Barroso, Avenida Rio Branco, Cinelândia, Praça Paris, Lapa, Santa Luzia, México, Av. Nilo Peçanha, Av. Rio Branco. Presidente Vargas, retornando ao ponto de partida.
VERDADEIRO CARNAVAL
Durante todo o trajeto, o povo aplaudia a passagem dos Vascaínos com foguetes, confetes e serpentinas, em verdadeiro carnaval pelas ruas da Cidade. Rei Momo abria o cortejo da vitória, num bonito carro alegórico, seguido pelo carro que



[1] Fonte: Jornal O Globo 19 de Janeiro de 1959.

Vasco Revista Careta 1959

Vasco Jornal Estado de São Paulo 1959

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

RENOVASCÃO 2004: INAUGURAÇÃO DA RUA DULCE ROSALINA

Dulce Rosalina foi a torcedora símbolo do Vasco da Gama até falecer, em 19 de Janeiro de 2004.
A torcedora foi homenageada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que em decreto de 22 de Janeiro de 2004, mudou o nome da antiga Rua do Reservatório para Dulce Rosalina.
Abaixo, a íntegra do documento.

DECRETO Nº 23925 DE 22 DE JANEIRO DE 2004
Altera a denominação do logradouro que menciona, situado no Bairro Vasco da Gama, na VII Região Administrativa, São Cristóvão. O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais e, considerando o recente falecimento de D. Dulce Rosalina, aos 79 anos, torcedora-símbolo do Clube de Regatas Vasco da Gama, exemplo da paixão carioca pelos times de futebol da cidade, DECRETA:
Art. 1.º A Rua do Reservatório, CL 08023-4 reconhecida pelo Decreto n.º 1165, de 31 de outubro de 1917, passa a denominar-se Rua Dulce Rosalina.
Art. 2.º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2004, 439º ano da fundação da Cidade. 

CÉSAR MAIA.
Por Marcelo Rozenberg
Fonte: http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/dulce-rosalina-925 e fotos acervo de Poncinho

Inauguração da Rua Dulce Rosalina 2004

Inauguração da Rua Dulce Rosalina 2004

Áureo Ameno e Poncinho Inauguração da Rua Dulce Rosalina 2004

Inauguração da Rua Dulce Rosalina 2004

Poncinho Inauguração da Rua Dulce Rosalina 2004

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

TORCIDA DO VASCO 1922: PARADANTAS O PRIMEIRO CHEFE DE TORCIDA DO RIO

Com a morte de Jaime de Carvalho, e a revelação segundo a qual o pioneirismo das chefias de Torcida no futebol brasileiro data de longo tempo, de repente virou polêmica.
Os polemistas são jovens sensíveis, empenhados em conhecer melhor aspectos muito pouco ou literalmente nada esmiuçados do esporte neste País.
Agora, com justiça, eles estão reclamando pormenores mais expressivos que comprovem a existência dos antigos líderes esquecidos. 
Resposta aos que nos interpelaram: na medida, e com base em velhas entrevistas e breves anotações tomadas ao caso, em cerca de 30 anos de jornalismo, o primeiro Chefe de Torcida a surgir pelo menos no Rio, foi o Vascaíno Paradantas, alegre caixa de Banco. O ano era 1922. 
Seguramente, o entusiasmo de Paradantas tinha suas raízes na empolgação da ruidosa subida do Vasco da Segunda para a Primeira Divisão da Liga Metropolitana, um episódio tão espantosamente relevantes para o desenvolvimento do futebol carioca, como, por extensão, do Brasil inteiro.
Texto de Geraldo Romualdo da Silva
Fonte: Jornal dos Sports 06 de Maio de 1976

Torcida do Vasco Jornal dos Sports 1976

Vasco Paradantas

domingo, 18 de dezembro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1958 BELLINI LEVANTA A TAÇA

                                                                                “A Taça do Mundo é nossa”
                                                                                             Marchinha de 1958


1958                    Bellini levanta a Taça

O campeonato carioca de 1958 estava marcado para começar depois da Copa do Mundo na Suécia. Por isso a maior preocupação dos torcedores vascaínos no primeiro semestre era acompanhar a convocação da seleção. A alegria em São Januário foi imensa com a convocação de três jogadores no dia 31 de março: Bellini, Orlando e Vavá.
Nesta época as atenções ainda estavam voltadas para as rádios que transmitiam as partidas para o Brasil (a TV brasileira ainda mostrava as partidas da Europa). Com a torcida se reunindo em locais públicos, vibrando e se emocionando com a seleção. O torcedor número um do Brasil foi o Presidente da Republica JK, que fazia questão de torcer junto de convidados, ao lado de um imenso rádio. Neste mundial, o futebol finalmente consegue dar ao povo brasileiro a maior alegria com uma conquista internacional de forma incontestável. Todo o país vibrava com a narração dos locutores de rádio, o poeta vascaíno Ferreira Gullar, se espantava com sua atitude tão apaixonada: “sem saber como nem porque, vi-me de repente de ouvido grudado ao rádio, submetido a uma tortura diabólica “. E narra porque estranhava sua atitude “confesso que há muitos anos o futebol deixara de me interessar. A derrota de 1950 no Maracanã (...) tornou-me um descrente do nosso futebol. Em 1954, ouvi por acaso alguns jogos, e a Hungria confirmou meu pessimismo (...) é por isso que não consigo acreditar que somos mesmo campeões do mundo”. Constatado o resultado, o poeta se incorpora aos vencedores e adere a folia em ”um domingo de felicidade nacional e a euforia com que todos acordaram esta semana para recomeçar a vida. A cidade hoje vai parar para abraçar os seus heróis.”
Em plena Copa do Mundo a TOV organiza um baile no Clube Municipal com orquestra de Raul de Barros, reunindo astros do rádio e da televisão, refletindo como a competição fazia todos quererem se encontrar para comentar os jogos e garantir a confraternização por todo o mês.
            Se aqui no Brasil a torcida comemorou como nunca, fazendo verdadeiros carnavais após as partidas, nos estádios suecos, a torcida brasileira, foi comandada por Cristiano Lacorte, torcedor do Botafogo, paraplégico, que tornou-se uma figura tão popular que no mesmo ano acabou se elegendo vereador pela  cidade do Rio de Janeiro.
Na volta para o Brasil, os jogadores tiveram direito de passeio no carro do Corpo de Bombeiros após desembarque da delegação no Brasil. Com as ruas cheias, os jogadores comemoravam com os populares até o Palácio do Catete onde seriam recebidos pelo presidente JK. Era a recuperação do sentimento de auto-estima do brasileiro.
Foi o reconhecimento internacional e a conquista do campeonato de 1958 que ajudaram a fazer dos jogadores, ídolos nacionais de primeira grandeza. Este é um dado importante no processo de popularização do futebol. A partir daí, o Maracanã ficaria pequeno para receber os campeões do mundo. Como todos os jogadores atuavam no Brasil, as competições regionais eram a grande atração do segundo semestre daquele ano, com partidas que lotavam o “maior do mundo”.
Duas semanas depois da conquista na Suécia começava o campeonato carioca com transmissão direta da TV, pela primeira vez, apesar da oposição dos dirigentes. Seria uma competição de encher os olhos, pois Vasco, Botafogo e Flamengo forneceram vários jogadores para a seleção e agora o público carioca teria seus ídolos de volta como os melhores do mundo. Não é pó acaso que o campeonato de 1958 é apontado como um dos melhores de todos os tempos. Terminando com a disputa dos três times em equilíbrio de forças na final duas etapas decisivas, chamada de Super-super[1]. Era a primeira no Maracanã, que Vasco e Flamengo, detentores das maiores torcidas disputavam uma final.
A torcida vascaína ainda vivia uma indefinição (pelo menos para a imprensa) de qual o seu líder e onde ficariam os sócios: “a Torcida Social do Vasco, um novo grupo que surge em São Januário, nos moldes das grandes Torcidas norte-americanas, destinado a incentivar o quadro de futebol ao longo do certame da Cidade (...) constituída exclusivamente de associados do Clube e que se singularizará por um detalhe, o grupo ficará sempre na parte Social sendo que no Maracanã ficará localizada atrás do gol, nas cadeiras cativas, local destinado aos associados dos Clubes que mandam o jogo no maior Estádio do Mundo. Os torcedores usarão um boné, mas não levaria charanga, devendo conduzir no painel com dizeres alusivos, estréia amanhã a noite, em São Januário, sendo aguardada com vivo interesse, já que representaria incentivo a mais ao esquadrão cruzmaltino, que tão bem iniciou o campeonato de 1958” [2].
No primeiro Vasco e Flamengo a imprensa promoveu a tradicional disputa entre as duas torcidas. Cada clube apresentava os seus líderes. No Vasco junto com o conhecido Ramalho, aparece uma “nova liderança” de cartola. Um símbolo da torcida do Fluminense. O torcedor português, conhecido como Cartola (João Martins) pretende ser chamado, a partir daquele momento, de Casaca, traje que usava junto da cartola.
Em outra reportagem Cartola ou Casaca explica mais alguns detalhes das mudanças que ocorriam na torcida vascaína, destacando um personagem pouco conhecido e que era o responsável pela bateria da torcida: “Agora estamos com um grande plano de unificar a Torcida. A da parte Social vai acabar, fazendo a fusão com a da arquibancada. Estamos pensando até numa Sede. A Sede do torcedor Vascaíno. Álvaro Ramos, nosso patrono, os dirigentes da Diretoria atual e da passada prestigiam a iniciativa e temos certeza que conseguiremos apresentar novidades. Agora quando ele chegar ao Maracanã o Eli, Chefe do batuque, vai comandar os casacas para o Casaca”[3].
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] SUPERCAMPEONATO 20.12.1958 Vasco 2 x 0 Flamengo  - 03.01.1959 Vasco 0 x 1 Botafogo  SUPER-SUPERCAMPEONATO 10.01.1959 Vasco 2 x 1 Botafogo - 17.01.1959 Vasco 1 x 1 Flamengo. Fonte: Site oficial do Vasco
[2] Fonte: Jornal Diário da Noite 24 de Julho de 1958.
[3] Fonte: Jornal Diário da Noite 19 de Setembro de 1958. Ely é descrito por Casaca como “ um criolo alto e forte que comanda o samba. Há oito anos acompanha a Torcida do Vasco e é um dos administradores.”

 
Vasco Jornal Diário da Noite 1958

Vasco Jornal Extra 2013

sábado, 17 de dezembro de 2016

IRA JOVEM 2016: BUENOS MUCHACHOS - UNA EXCURSIÓN CON LOS TORCEDORES DE VASCO DA GAMA

El de musculosa negra tiene el ceño fruncido y los puños cerrados. Esta tenso. No lo suficiente para evitar que su pierna derecha sacuda al de musculosa blanca que, contra su voluntad y honor, caerá irremediablemente al piso. La foto está en el Watt Sapp. Llega del contacto “Pedro Ira Jovem”. Luego de risas virtuales y emoticones negros llegan las palabras: “Soy yo contra la Força Jovem hace 10 años. Una pelea difícil. Mañana nos juntamos bien temprano en Iraja para ir al partido en Mina Gerais. Te espero. Vasco Carajo!!!”
Sábado 6:00 am. Barrio Santa Teresa, centro de la ciudad de Río de Janeiro. El rostro del Cristo Redentor bendice al sol de siempre, solo que hoy, día de partido, parece un balón incandescente. Un taxi, dos subtes y el ómnibus 712 en sentido Iraja me pasean por calles desérticas.  Agujas imaginarias arañan las 8:00 de la mañana cuando llego al destino.  Jóvenes se tambalean entre un olor a meada que voltea. Hileras de laburantes se abarrotan en silenciosas filas que intentan divisar un colectivo que nunca llega. Es la zona norte de la “cidade maravilhosa”. El Cristo Redentor da la espalda, igual… tanto da, ni siquiera un puntito gris queda de él.
En la plaza del barrio Iraja hay casi 50 personas. Cuarenta y tantos hombres y dos mujeres. Nadie supera los cuarenta años.  Ellos visten medias, short, musculosas y gorras negras  de la torcida organizada “Ira Jovem”, ellas usan camisetas blancas del equipo Vasco da Gama. “En tierra de iraquiano, urubú no se cría. El terror viste de negro. Ira Jovem” dice la musculosa de Jefferson que cubre los dos tatuajes del equipo de sus amores.  Los iraquianos son ellos, los urubú son los hinchas del Flamengo. Entre ambos una historia de goles, cargadas y velorios.
Son casi las 10 de la mañana, según lo acordado llevamos 2 horas de atraso para viajar a Minas Gerais donde el Vasco jugará un nuevo partido por la segunda división del campeonato brasilero. A nadie parece importarle la espera. Suena funk y los muchachos bailan. Los cariocas y su relación con el tiempo es un misterio que desafía cualquier ingenio. Lejos de ser un tirano de hierro que todo lo deglute o lo disciplina, el tiempo es vivido por los cariocas como algo moldeable, flexible, laxo, manejable. Ellos se imponen al tiempo y no al revés. Y eso se hace cuerpo. De ahí que casi todo movimiento corporal carioca –danza, música, fútbol, gestualidad–  sea menos una pelota de tenis que sigue un curso lineal, domesticado y predecible; y se asemeje mucho más al trayecto de un huevo que arrojado al movimiento se zigzaguea en un recorrido tan oscilante como impredecible.
Desde la esquina un desgastado motor anuncia la llegada de un colectivo gris azulado. Es el nuestro. Ya arriba comprobamos que los vidrios polarizados no se abren. “Me voy asfixiar”, uno lamentó. “Es una pecera”, otro bromeó. “Dejen de llorar”, alguien ordenó.  Mientras la partida se atrasa –más todavía– porque la compra de la bebida no avanza, Pedro, máximo líder de la torcida, el presidente y dos de la “línea de frente” ya están en ruta en un auto propio. Prevenir de controles y retirar las entradas son sus razones. Finalmente la cerveza, la cachaça y el vodka tienen su triunfal recibimiento. Ahora sí. El motor tartamudea, las gargantas desafinan y un humo espeso nos abraza. Partimos..

Lejos de ser un tirano de hierro que todo lo deglute o lo disciplina, el tiempo es vivido por los cariocas como algo moldeable, flexible, laxo, manejable. Ellos se imponen al tiempo y no al revés.

PODER JOVEN
Torcidas organizadas es el nombre con el que se conoce en Brasil a los grupos de hinchas que colectivamente acompañan a un club de fútbol. El paralelismo con las “barras bravas” argentinas es tentador, pero al acercar la lupa rápidamente se ve que la comparación solo sirve para familiarizar lo diferente.  En Río de Janeiro las torcidas organizadas surgen durante la década del cuarenta. La “Charanga do Flamengo” de 1942 y la “Torcida Organizada do Vasco” de 1944 –comandada por la mujer Dulce Rosalina– son algunas de las pioneras en su género.  Corren tiempos donde una máxima ordena las tribunas: un club, una torcida, un líder.  Sin embargo, a partir de la década del sesenta el mundo comienza a ser otro y los viejos adagios se tambalean ante temporales ideológicos. Las rispideces intergeneracionales y la sublevación juvenil  llegan a las tribunas cariocas. Una prepotente juventud reclama nuevas formas de organización y participación que los viejos líderes no parecen encarnar.
Brasil ya está sumergido en los primeros años de una dictadura militar que lo aterrará por 21 años.  La clausura de las formas tradicionales de participación y expresión torna tan necesario como urgente la apertura de válvulas de escape. El fútbol, gran dramatización de la vida cotidiana, se presenta oportuno. Jóvenes ávidos de protagonismo y organización crean torcidas disidentes que se autodenominan “torcidas organizadas jóvenes”. Nace una nueva forma de “torcer” que hace de la juventud, la masculinidad agresiva, el amor al club, la solidaridad entre pares y el gusto por la pelea alguno de sus emblemas.
En el Club de Regatas Vasco da Gama la principal torcida organizada es la “Força Jovem”. Nace el 19 de febrero de 1970 y rápidamente gana fama a fuerza de puños. Esa costumbre le vale una pena y en el año 2013 es prohibida en todos los estadios brasileros hasta el 2017. El castigo se escuda en el estatuto del torcedor, un menjunje  variopinto de leyes diseñado para “modernizar” el fútbol brasilero. En esa “modernidad” profesada las torcidas organizadas son una piedra en el zapato.

 La ondulación de nuestra marcha se ralentiza hasta pararse en seco frente a un puesto de comida que solo tiene forró y pobreza para ofrecer. “Opa opa paradita pa robar” se corea en un colectivo donde no hay nada más ofensivo que el silencio.

Sin la força jovem,  hoy la tribuna del Vasco da Gama es un archipiélago de torcidas organizadas. “Ira jovem”, nacida el 7 de enero del 2006, es una de las principales. En su mito de origen –como en todo mito– no parece estar muy claro donde empieza lo real y donde termina lo imaginario. Su reconstrucción es la de un rompecabezas donde las piezas más que encastrar se superponen. Esos retazos de memoria imperfecta hablan de alguna plaza del barrio Iraja. Allí Pedro convoca a una veintena de vascaínos que en su mayoría son ex miembros de la força joven, como él,  y que entre cervezas recalentadas y carnes asadas escuchan un discurso que finge ser espontaneo. Pedro propone crear una torcida organizada. Ya cuentan con un financista que prestará el capital originario, un “chefe de morro”,  es decir, alguien del que se sabe poco porque se pregunta poco.  Los oyentes aceptan. Solo queda cumplir con una tradición: hacer una bandera con el nombre y el escudo de la torcida en menos de 15 días.  Antes del plazo previsto la obra se consume. La tela negra viaja hasta el morro custodiada con recelo y paranoia. Llega hasta la cima de la favela. El financista la ve, sonríe con vanidad, bebe un vaso de cachaca en nombre de dios y ordena organizar un baile funk en la comunidad para conmemorar el nacimiento de la Ira Jovem.

POSTALES EN MOVIMIENTO
Tupidas montañas decoran la geografía.  Arboles tropicales desfilan por el ventanal. Nosotros en movimiento, la naturaleza también: germina, florece, poliniza, expone. También mata, desintegra, pudre, oculta. Para llegar a Mina Gerais primero tenemos que atravesar las sierras tropicales de Río de Janeiro.  La ondulación de nuestra marcha se ralentiza hasta pararse en seco frente a un puesto de comida que solo tiene forró y pobreza para ofrecer.  “Opa opa paradita pa robar” se corea en un colectivo donde no hay nada más ofensivo que el silencio. Una orden y nadie roba nada. En el encantador caos carioca, a veces parece que lo único organizado son las torcidas.
Mi compañero de asiento es Thiago. Escucharlo hablar me lleva al partido de la Matanza, verlo me trae de vuelta a Rio de Janeiro.  Negro, de cuerpo tallado, voz ronca y rostro alerta Thiago refleja un carioca de pura cepa, pero los casi 10 años que vivió en Argentina le dejaron un castellano conurbanizado que desorientaría a cualquier estereotipador serial. “Extraño cuatro cosas de Argentina: el fernet, el dulce de leche, las minas y el chimichurri” me dice con una mirada nostálgica que parece buscar tras los cristales algo que nunca sabré.  

COSAS DE HOMBRES
Alfonso me ofrece otra cerveza y van… él es el líder de la “provincia” Baixada Fluminense. Así se los llama a los subgrupos que componen Ira Jovem.  Cada “provincia” congrega varios barrios de una misma zona. Es una división territorial. A su vez, cada una de ellas tiene un líder que forma parte de la “diretoria”, la máxima autoridad colegiada de la torcida organizada, por encima de ella solo está la voluntad y los caprichos de Pedro, principal referente del colectivo.  En el hombro derecho de Alfonso  hay un hombre en posición de lucha que se irgue sobre unas letras en negro que deletrean “Jiu-jítsu”. El tatuaje despierta mi curiosidad. “Yo hago Jiu-jitsu, muay thai y boxeo. Acá casi todos entrenamos juntos. No nos gusta perder el ritmo”.
Comienza una discusión sobre famosos peleadores de artes marciales que inútilmente intento memorizar. Ante la frustración decido jugar. Me cuelgo escuchando los simpáticos usos que hacen los brasileros de los diminutivos. Una formidable manía de reducir todo a la mínima expresión que tiene una clara función social: tornar más agradable lo inevitablemente dramático (narrando cómo un grupo de jóvenes golpeó salvajemente a otro, Cesar exclamó “são só menininhos” – son sólo chicos–) o relajar situaciones formales o tensas (Alfonso contó cómo después de llegar casi a los puños con un amigo la discusión se zanjó con una invitación a beber una “cervejinha”). Pero Thiago me trae de vuelta al debate de las artes marciales al nacionalizar una comparación “los argentinos no son buenos con las piñas. Yo viví allá y se lo que te digo. Acá, en este ómnibus hay algunos que no sirven pero la mayoría son excelentes peleadores. Fijate, de acá de Brasil salieron los mejores luchadores. Hay una tradición. Ya vas a ir a una fiesta nuestra, siempre peleamos entre nosotros para hinchar las bolas”
El charla se corta en seco. Desde el fondo del colectivo gritan “bautismo!”,  “bautismo!”, “bautismo!”. La tercera alerta es suficiente, el pasillo del colectivo esta liberado. Todos y cada uno de nosotros está en su asiento, de pie, cantando y golpeando lo que tenga  a su costado o sobre su cabeza. “Quien va”? grita Tulio, el hermano de Pedro que quedó como responsable del colectivo. “Quién está viajando por primera vez”? vuelve a preguntar ante un colectivo que expectante aplaude. Desde el fondo un joven se saca la camiseta. Tiene un tatuaje de letra china y unos pocos pelos en el pecho, los dos adornos llevan poco tiempo de vida.  Tulio enumera reglas que nadie nunca leyó pero que todos comprenden: “sin correr, sin agarrar, sin remera y lo más importante… ida y vuelta”.
El joven fuerza una sonrisa. Repasa el duro y severo recorrido que lo separa del respeto. A su alrededor sus co-etarios lo animan, al final del túnel los mayores lo esperan.  Da un tembloroso primer paso con su pierna derecha y un aluvión de manos abiertas golpea su humanidad. Apura el paso pero no corre. Avanza. Resiste. Aguanta. Sabe qué está siendo evaluado. Su pálido torso se va colorando con las marcas de sus futuros pares. Sigue avanzando. Aprieta su mandíbula y sus puños, contiene quejidos y lamentos, el reconocimiento está cerca. Cuando llega al final del pasillo los golpes de los mayores generan éxtasis entre los menores. Son las manos del poder que bendice a uno de ellos.

Me cuelgo escuchando los simpáticos usos que hacen los brasileros de los diminutivos. Una formidable manía de reducir todo a la mínima expresión que tiene una clara función social: tornar más agradable lo inevitablemente dramático

LA VUELTA
La agonía se redobla.  Los chasquidos de la piel sacudida truenan en seco. No se detiene. Cuando llega al asiento número 20 del colectivo alguien le agarra el brazo. La desesperación le gana a la malicia y el joven se libera. Pasó lo peor. Levanta la cabeza por primera vez y en el horizonte divisa la meta, la pertenencia, la membrecía, el respeto, el reconocimiento, el prestigio. Cuando llega al final del pasillo esas mismas palmas que lo castigaron ahora lo ovacionan. Sonríe con naturalidad y orgullo…sabe que ahora es uno más de los muchachos.
EL CRONISTA Y EL TORCEDOR 
La tropical vegetación atlántica quedo atrás. En el estado Minas Gerais las montañas, por fuera, son más discretas. Por dentro rebosan en riquezas y tragedias. En la punta de una de ellas el colectivo se detiene. Mear y sacar fotos es la primera tarea. Ya estamos en la ciudad Juiz de Fora, según mis compañeros de ruta es solo un “pequeño”  municipio. Tiene 500.000 habitantes. Siguiendo la pendiente de la montaña se alcanza a divisar el Estádio Municipal Radialista Mário Helênio donde en menos de dos horas va jugar Tupi Football Club contra Vasco Da Gama.
La cúpula de la torcida organizada nos recibe. Pedro saca del bolsillo un mazo de ingresos. Hay más manos que entradas. Unos pocos comienzan a planificar como burlar la seguridad del estadio, otros dejan sus huellas en las paredes residenciales de un barrio refugiado en sus ventanas y prejuicios. Aparecen las banderas, la percusión y la “faixa” que identifica la torcida. Son los emblemas del honor. Pregunto dónde estaban esos objetos. Nadie me contesta, mi curiosidad queda flotando entre ese sigiloso misterio que siempre rodea a lo sagrado.
La escena se carnavaliza. Zurdos, repiques, tamborines, cuícas y pandeiros  sambean el himno del vasco. Las banderas de caña de bambú llegan con aires nuevos. Su ondulación corta el ardiente sol siestero y regala soplos refrescantes. Los muchachos se juntan, amontonan, mezclan. Los cuerpos que durante horas se hacinaron en un colectivo piden moverse, pero fusionados, confundidos en uno. En una masa compacta saltan y cantan. De la caterva brota Pedro, se escapa del anonimato y encara en mi dirección, arrastrando una sonrisa que sabe a deber cumplido
– Como estuvo el viaje?
– Bien, muy divertido
– Son buenos muchachos. Toma acá tenes tu entrada. Somos muchos y nos dieron pocas. Si no entramos todos vamos a invadir
– No hay drama
– Te bautizaron?
– No, por suerte no
– Bien, pero en la próxima creo que no te salvas.
Me da una palmada en la espalda con fuerza de bautismo y continua su marcha triunfal, sonriendo y saludando a cuanto vascaíno se cruce en su camino.
El sol está agonizando… pero todavía calienta y seca. Pido una cerveza cuyo precio inútilmente trato de regatear. El acento me devela. Mientras el vendedor busca la botella en un océano de hielo, telgopor y vidrio, me pregunta qué hace un argentino en un recóndito municipio de Mina Gerais en un partido de la segunda división del campeonato brasilero. Con la sinceridad de lo espontaneo confieso: “soy hincha del Vasco”. El vendedor pesca una cerveza congelada y la estira hacia mi “para vos argentino loco”.
Bebo la birra a tragantadas, tarareo una canción que sin saberlo aprendí en el viaje y antes de encarar para el portón del estadio me ajusto los cordones de las zapatillas. No quiero pecar de principiante en el momento de la invasión.
Texto de Nicolás Cabrera: Argentino, doutorando em Antropologia Social na Universidade de Córdoba, atualmente está no Rio para uma temporada de estudos na UFF.
"Pesquiso torcidas organizadas e sua relação com a violência. Como em toda pesquisa, minha motivação tem algo de biográfico. Sou torcedor do Belgrano e frequento o estádio desde menino. Nunca aceitei as explicações sobre a violência ser culpa das organizadas. 
O que eu via no estádio não era o que eu ouvia fora deles." (Fonte Site O Globo)


Ira Jovem Site Revista Islandia 2016

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