quarta-feira, 31 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2001 RITMO DE FESTA

  “sempre a Força é o tema das conversas. O que ela cantou, quem ela aplaudiu ou vaiou”.
                      Pedrinho, atacante e ídolo da torcida.

2001                             Ritmo de Festa


            Do desastre em São Januário no final de 2000 até a transferência para o dia do jogo no Maracanã em janeiro, o noticiário esportivo foi tomado por uma polêmica envolvendo o dirigente Eurico Miranda e a TV Globo que detinha a exclusividade dos direitos de imagens da final do campeonato brasileiro. O cartola acusava a emissora de prejudicar o clube e a mesma se defendia com reportagens sobre a CPI do Futebol, acusando Eurico e outros deputados.
            O embate ganhou um capítulo-extra quando o time do Vasco estampa em suas camisas o logotipo do SBT, emissora de Silvio Santos, rival a TV Globo. Em campo o time do Vasco vencia o São Caetano e a torcida comprava a briga do dirigente cantando “Ritmo, ritmo de festa”, do programa do famoso apresentador e gritava “ão, ão, ao Show do Milhão”, também para provocar a emissora carioca que teve um trabalho redobrado neste dia, com os seus técnicos de som diminuindo o coro da torcida quando os vascaínos começavam a cantar músicas provocativas. Quem assistia maravilhados com a torcida vascaína eram os integrantes do grupo Iron Maiden, Eles que se apresentariam no Rock in Rio naqueles dias: “o baterista Nicko McBrain, o baixista Steve Harris e o guitarrista Adrian Smith se declararam amantes do futebol e receberam camisas do Vasco na chegada ao Maracanã, na metade do primeiro tempo. Segundo declararam, pretendem utilizar cenas dos torcedores do Vasco da Gama em seu próximo videoclipe”[1].
            Neste momento Eurico não está sozinho contra este setor da imprensa pois a Força Jovem foi acusada provocar o incidente. Enquanto o dirigente vai ser acusado de superlotar o estádio, a torcida organizada foi denunciada de ser a responsável de uma briga entre os integrantes da facção que teria provocado o corre-corre e a conseqüente destruição do alambrado e daí a centena de feridos. Em janeiro o presidente da Força Jovem comparecia à delegacia para prestar depoimento e se defendia: “quem tinha que dizer se o jogo seria ou não reiniciado eram os comandantes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e do Policiamento, e eles foram favoráveis ao reinício da partida e na minha opinião, tínhamos perfeitas condições para isso”[2]. Marcelo revelou também que a FJV recebeu uma carga de 3 mil ingressos do Vasco para o jogo.
            Em fevereiro o dirigente, associados do clube e a FJV promovem uma carreata até a sede da Rede Globo numa manifestação de desagravo reunindo mais de 200 carros e cerca de 1.000 torcedores que gritavam palavras de ordem: ““A, e, i, o, u, domingo tem Eurico na banheira do Gugu”, “CPI para a TV Globo” e “Fora Rede Globo, fora do Brasil”, foram as principais palavras de ordem na carreata realizada ontem pela Força Jovem do Vasco, em desagravo ao que os organizadores consideram uma suposta campanha do Sistema Globo contra o Presidente do Clube, o Deputado Eurico Miranda, acusado de enriquecimento ilícito em reportagem do Jornal Nacional”[3]
            Não era somente a FJV que brigava com a Rede Globo. Havia uma intensa campanha pelos meios de comunicação de acabar com as torcidas organizadas em todo o país como forma de debelar a violência crescente entre os torcedores. Em São Paulo uma série de medidas judiciais impedia as torcidas de entrarem nos estádios com suas faixas, bandeiras e camisas. No Rio estas medidas ainda não tinham sido implementadas mas a pressão contra as organizadas era intensa. A FJV se defende em seu jornal: “é inadmissível que, ao se discutir a complexa questão da violência nos Estádios, alguns venham com a simplista solução de “acabar com as Torcidas Organizadas”. Propor o fim das Organizadas não passa de preguiça mental. Ora, quem quiser ir para os Estádios apenas para brigar vai continuar indo, existindo ou não Torcidas Organizadas. Temos aqui próximo o exemplo do Estado de São Paulo, que proibiu as T.Os. A proibição foi um retumbante e previsível fracasso. A violência aumentou ainda mais e em dias de clássicos o centro de São Paulo virá uma praça de guerra”[4].
            Em outra reportagem a FJV lembra do passado do clube de lutar pelos negros e pobres que jogavam em seu time e na batalha da transformação do futebol em esporte popular contra aqueles que defendiam um esporte de caráter elitista. Num tom ufanista, a matéria intitulada “VASCO E FORÇA JOVEM CONTRA TUDO E CONTRA TODOS”, prega a união dos vascaínos contra todos os que atacam o clube visando defender interesses financeiros ou proteger os rivais dos vascaínos: “hoje, mais de 100 anos depois da fundação, o Vasco continua ousado e enfrenta uma poderosa máquina que tenta, a todo custo, dominar o futebol Nacional. Como em todas as outras batalhas, nessa também o Vasco sairá vitorioso. A Força Jovem estará na linha de frente para garantir que o nosso Clube, para amargura e desespero dos nossos adversários, continue sendo o maior Clube do Futebol do Mundo”[5].
            Mas o maior enfrentamento da FJV neste ano estava por vir. Em maio a torcida passa a hostilizar o ídolo Romário que responde de forma agressiva. Estava iniciada uma nova batalha que perduraria até meados de 2002.
            Desde que Romário se tornou profissional em 1986 até 1988, quando ele foi vendido para o futebol holandês, o jogador saiu do Vasco como um grande ídolo, sem nenhum problema de antipatia com a torcida. No entanto, a relação foi estremecida com a sua volta ao Brasil em 1995 para o arqui-rival e para piorar com uma declaração infeliz de Romário: “o que eu posso falar para torcida do Vasco, é que quando tiver um Vasco e Flamengo, levar lenço para o Maracanã porque vão chorar muito.” Nem mesmo algumas grandes atuações de Romário com a camisa do Vasco em sua volta no final de 1999 fizeram os vascaínos esquecerem aquela declaração, somada as comemorações tímidas de gols contra o Flamengo.
            Em maio após ser vaiado pela torcida em um jogo pela Copa Mercosul, o artilheiro saiu de campo fazendo gestos obscenos com os dois dedos médios em riste apontando para a arquibancada na direção da FJV. A reação da torcida foi imediata e no jogo seguinte levava para São Januário uma faixa escrita: “Romário, agora é sério. Mexeu com a Força Jovem, vai parar no cemitério”. Além disso, a torcida começou a gritar o nome de seu maior desafeto no clube e ídolo da torcida, com o coro de “Ah, é Edmundo”.
            No entanto, a concórdia no seio da torcida estava longe de ser alcançada. Entre os torcedores da própria FJV havia divergências sobre gritar o nome de Edmundo. Para completar havia um clima tenso com os associados do clube que ficavam sentados nas cadeiras e a FJV que passa a ofendê-los: ““Ei social, vai tomar no c..”.
            A Revista Placar faz uma grande reportagem sobre todos os desentendimentos procurando ouvir todas as partes. Romário se defende acusando a FJV de interessada apenas em pedir dinheiro dos jogadores. Diga-se de passagem, uma prática comum no futebol brasileiro, incentivada pelos atletas, inclusive por Romário. O jogador não poupa críticas: “eles só sabem pedir dinheiro. É grana para CD com músicas de torcida, para fazer faixas e bandeiras e para organizar churrasco entre eles. Mas quem quer ter dinheiro precisa é de trabalho. Comigo não vão ter tostão furado sequer”. 
            Jogando lenha na fogueira, a revista coleta um depoimento de José Carlos Peruano, Presidente da Associação das Torcidas Organizadas do Flamengo, que afirma querer receber o jogador de volta: “não temos nada contra Romário, pelo contrário. Ele sempre mostrou muito respeito pela torcida e pelo Flamengo”.
            Eurico Miranda procura apaziguar os ânimos pois ele tinha um ótimo relacionamento com o jogador e tinha feito as pazes com a torcida naquele período. Para evitar novos atritos o clube aumenta a sua segurança e o jogador passa a andar com, pelo menos, 15 homens fazendo sua proteção pessoal.
            Se Romário não tinha o carinho dos torcedores e Edmundo não estava mais no clube, um novo ídolo era preciso. Entre os vários craques do time, Pedrinho era o mais identificado com o clube. Jogador das categorias de base desde os seis anos quando começou no futsal, o atacante sempre demonstrava nos depoimentos orgulho de vestir a camisa de seu clube do coração. Em entrevista ao jornal da FJV, ele afirma: “apesar de ser jogador profissional, nunca vestirei a camisa do Flamengo”. Em seguida ele faz outra declaração de amor ao clube: “eu me cobro a vitória como profissional e como torcedor do Vasco. Podem acreditar, quando o Vasco perde eu sofro tanto quanto qualquer vascaíno”. E na contra-corrente de Romário, o jogador declara o respeito que ele tinha pela facção: “A Força é fundamental. A gente sabe que algo tem importância no futebol quando é muito comentado entre os jogadores”.
            Os principais conflitos entre as torcidas organizadas depois dos anos 1990 ficaram longe das imediações dos estádios. Com o trabalho do GEPE e o auxilio do sistema de monitoramento através das câmeras, a atuação do JECRIM, ficou mais difícil para os torcedores agirem impunemente. Entretanto, os atos de violência se expandiram rapidamente para locais distantes dos jogos e, até mesmo, em dias comuns. Em novembro os líderes da torcidas aceitam a proposta de Chiquinho da Mangueira, presidente da SUDERJ e propõem um pacto de paz no Centro de Imprensa do Maracanã: “estavam lá: Márcio da Torcida Jovem do Flamengo, Paulo Aparício da Raça Rubro Negra, Papagaio da Força Flu, Marcelo Zona Sul da Força Jovem, Campinho da Young Flu e André da Fúria Jovem do Botafogo. Eles assumiram o compromisso de acabar com a violência fora dos Estádios. Dar um fim as brigas que acontecem antes e depois dos jogos”[6].
            Neste ano a USP (Universidade de São Paulo), principal universidade do país, apresenta uma pesquisa que comprova o poder da torcida vascaína apresentando-a como a 3ª maior, superando São Paulo e Palmeiras, como muitas pesquisas então diziam. “De acordo com a pesquisa, o Flamengo lidera com 23,1 milhões de torcedores, seguido pelo Corinthians com 19 milhões. O time de São Januário viria logo atrás, com 16,5 milhões”[7]. Foram entrevistados 17 mil brasileiros, nas 100 maiores cidades do Brasil, com idade entre 12 e 60 anos que também disseram (29%) o que clássico de maior rivalidade do país é Vasco e Flamengo.
            Contudo, a pesquisa de maior relevância para os vascaínos foi a tese de doutorado de Silvio Ricardo da Silva na Faculdade de Educação Física da UNICAMP, com o título: “Tua imensa torcida é bem feliz – A relação do torcedor com o clube”, baseado em sua experiência pessoal e em entrevistas com torcedores vascaínos, Sílvio investiga a dinâmica do funcionamento do sentimento dos torcedores e as manifestações atualizadas e ressignificadas com o tempo. Ele também identifica uma variedade na maneira de vibrar com o clube o que desfaz a maneira estereotipada de como os torcedores são representados pelos meios de comunicação. Por isso, ele relativiza os sentidos da paixão pelo futebol acompanhando o sistema de significados criados historicamente no ato de torcer, utilizando o instrumental teórico da antropologia social através da construção cultural do ato de torcer por um clube.
            Entre os fatores que levaram os entrevistados torcerem pelo Vasco, predominou a influência familiar, mas outras variáveis foram constatadas, como a identidade portuguesa e a suburbana, ambas periféricas expressões simbólicas periféricas definidoras da formação histórica do clube diferentes das torcidas dos outros grandes clubes, localizados na zona sul e sem uma identidade de imigrantes na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, uma fase de sucesso do clube é apontada como fator de orgulho e fonte de afirmação na sua escolha clubística. Nesse sentido são apontados quatro momentos históricos fundamentais na disputa esportiva: os anos 20, a época do “Expresso da Vitória” nos anos 40, os anos 70 com o ídolo Roberto Dinamite e a geração anos 90 com grandes times e título da Libertadores.
            Enquanto Edmundo jogava pelo Cruzeiro no campeonato brasileiro, Romário vinha sofrendo perseguição implacável da torcida. Apesar de o “baixinho” estar em ótima fase, o confronto entre os dois em São Januário mostrou que a FJV continuava do lado do “Animal”. Embora o Vasco tenha vencido por 3 a 0, com três gols de Romário, durante toda a partida, a facção gritou o nome do atacante do Cruzeiro (ele entrou no segundo tempo, pois vinha de uma contusão). Na hora que o Cruzeiro teve um pênalti a seu favor, Edmundo cobra e o goleiro Helton defende. Ao final do jogo, em entrevista a caminho do vestiário, Edmundo confessa que não iria comemorar o gol. Em seguida o presidente do Cruzeiro declara que ele não jogaria mais em seu clube e que deveria jogar no Vasco.
            Na partida seguinte, Romário enfrenta o Flamengo e humilha o adversário com três gols na goleada por 5 a 1. Para a FJV ele faz gestos com a mão no ouvido pedindo para eles gritarem algo contra ele. O restante da torcida comemora a goleada e tripudia sobre o rival que vive uma péssima fase e é ameaçado de rebaixamento.
            Romário terminaria o campeonato brasileiro como artilheiro da competição com 21 gols. No fim do ano, contra o São Paulo, ele é o destaque novamente em outra goleada histórica do time da colina: 7 a 1 sobre os paulistas. Romário marca três vezes para alegria de seu filho Romarinho que assiste o jogo atrás da meta do São Paulo recebendo sempre o abraço carinhoso do pai nos momentos de comemoração dos gols. Ao final da partida a imprensa indaga ao atacante se ele fica no Vasco. A mesma pergunta é feita ao garoto de seis anos que diz que sim. Romário diz ter um grande respeito pela instituição e que todos sabem que ele (o filho) é vascaíno, mas dependeria de um acordo com os dirigentes.
            A relação de amor e ódio entre Romário e a nossa torcida ainda seria recheado de outros episódios...
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] www.uol.com.br 19 de janeiro de 2001.
[2] Fonte: Jornal do Brasil 09 de Janeiro de 2001.
[3] Fonte: Jornal do Brasil 08 de Fevereiro de 2001.
[4] Fonte: Jornal da Força Jovem 2001
[5] Fonte: Jornal da Força Jovem 2001.
[6] Fonte: Jornal do Brasil 20 de Novembro de 2001
[7] Fonte: JB On Line 04 Junho de 2001.

Vasco Jornal da Força Jovem 2001

Vasco Maracanã 2001



terça-feira, 30 de maio de 2017

TORCIDA DO VASCO 1936: DIA DA TORCEDORA DO VASCO

Fotos publicadas no dia 25 de Abril de 1936 na Revista Careta.

Torcida do Vasco Revista Careta 1936

Torcida do Vasco Revista Careta 1936

segunda-feira, 29 de maio de 2017

VASCAÍNOS DA MANGUEIRA 1979: ESTRÉIA

Você, que é torcedor Vascaíno e que vai ao Mário Filho sempre, assistir aos jogos do Vascão e está interessado em participar de alguma facção, procure a Vascaínos da Mangueira.
Estrearemos domingo, em São Januário no Vasco x Olaria. 
As camisa estarão a venda nas arquibancadas do Estádio. 
“Não Torça sozinho, junte-se a nós e participe do movimento de Torcida Organizada Vascaínos da Mangueira. (05/04)
Fazemos parte da Vascaínos da Mangueira, inaugurada em 06 de Maio de 1979. 
Ao chegar aos Estádios, vocês encontrarão, além de mim, o Inácio, o César, o Sérgio e o Cláudio. Somos um grupo muito unido e união é o que deve existir sempre em qualquer Torcida Organizada.
Fátima Gil, Mangueira (16/05)

PARABÉNS DA PEQUENOS VASCAÍNOS
Venho, por meio desta badalada e incrementada coluna, parabenizar a rapaziada da Mangueira, que decidiu, com bom senso, formar uma Torcida Organizada do Vascão da Gama.
Vascaínos da Mangueira, é como se chama a mais nova Torcida do Vascão e, em nome da Diretoria da Pequenos Vascaínos quero aproveitar o ensejo e cumprimentar os fundadores.
Cecília Lima, Centro, Rio de Janeiro (22/05)

BATIZADO
No dia 08 de Maio foi realizado o batismo de uma nova facção Vascaína, a Vascaínos da Mangueira. E nós da Vaspanema, tivemos a honra de batizarmos tão simpática facção em meio a tantas que o Vasco possui. Vocês não imaginam como isso é importante para nós. O padrinho foi Roberto Dinamite.
Bola pra frente, rapaziada, que este chão é nosso.
Um abraço a toda nação Vascaína, especialmente, a nossa afilhada, a Vascaínos da Mangueira.
Sérgio Zagnolli, Vaspanema, Ipanema, Rio (29/05)
Fonte: Jornal dos Sports 05 de Abril, 16, 22 e 29 de Maio de 1979

Vascaínos da Mangueira Jornal dos Sports 1979

Vascaínos da Mangueira Jornal dos Sports 1979

Vascaínos da Mangueira Jornal dos Sports 1979

Vascaínos da Mangueira Jornal dos Sports 1979

Vascaínos da Mangueira Maracanã 1979



domingo, 28 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2000 AHH, É CHOCOLATE

                                 “o Vasco é o time da Virada, o Vasco é o time do Amor”
                                               Canção consagrada pelos vascaínos                                                                                             

2000                       “Ahh, é Chocolate!!!”

O ano começava com as atenções voltadas para a disputa do Campeonato Mundial de Clubes organizado pela FIFA e disputado no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a final marcada para o Maracanã. Aliás, era o momento do público conhecer como ficou o estádio remodelado, interditado para obras que teria sua divisão das arquibancadas em 3 cores de cadeiras (brancas, verdes e amarelas). Enquanto isso a tradicional Geral era fechada por orientação da entidade máxima do futebol.
Havia a expectativa da revanche contra o Real Madrid que ficou no grupo de São Paulo, mas para isso o Vasco deveria passar na primeira fase pelo Manchester United, um time também de altíssimo nível e que trazia muitas estrelas do futebol internacional.
O jogo entre Vasco e Manchester foi disputado no Maracanã que recebeu milhares de vascaínos que também assistiram ao vivo em todo o Brasil, inclusive RJ, pela TV Bandeirantes. A Rede Globo por ser excluída, boicotou a divulgação dos jogos, se limitando a mostrar os gols nos dias seguintes.
No estádio Mario Filho além das tradicionais torcidas organizadas vascaínas, uma estranha torcida intitulada Flamanchester viu Edmundo e Romário fazerem uma exibição soberba na vitória do Vasco por 3 a 1.
Classificado para a final contra o Corinthians (que superou o Real Madrid), o Vasco empata sem gols o que acabou provocando a disputa por pênaltis. O jogo foi tenso de início ao fim e a torcida vascaína sentiu mais este clima angustiante e não teve um papel decisivo. Os corintianos, em menor número, não sentiram o peso do favoritismo vascaíno e estavam satisfeitos com o jogo defensivo das duas equipes. Talvez estivessem mais confiantes no bom desempenho do goleiro Dida na cobrança de pênaltis. E foi o que aconteceu: a cobrança errada de Edmundo deu a vitória aos paulistas que comemoraram em cima dos vascaínos uma chance tão sonhada para os cariocas.
A “insuspeita” Revista Placar comenta a atitude tímida dos vascaínos no final: “os líderes negam ter perdido no grito, mas admitem que havia algo errado.  A torcida do Vasco é assim. Se com 5 minutos sente que o negócio não está bom, ela se retrai”, analisa Alexandre de Lima, o Cebola, Presidente da Força Jovem. “A Torcida só esfriou na prorrogação, com a tensão”, diz Amâncio Cezar, Presidente de Honra da TOV. Um possível motivo é que algumas Organizadas não conseguiram nem metade dos ingressos pedidos[1]
Enquanto os vascaínos viam com dissabor seu título ser perdido em casa, a modelo e rainha da Força Jovem, Viviane Araújo, continuava com uma carreira em ascensão. Ainda em janeiro, pela segunda vez, ela seria capa da Revista Sexy e estrelava na televisão no programa humorístico de Chico Anísio (outro vascaíno), Escolinha do Professor Raimundo, interpretando a fogosa aluna Rosinha.
Começa o campeonato carioca e também uma disputa pessoal pela liderança do grupo entre Romário e Edmundo, revelando que a união entre os dois astros durante o Mundial em janeiro era temporária. Edmundo reclama publicamente de Romário que se torna o capitão do time e cobrador oficial de pênaltis e de Eurico Miranda, cartola que dá apoio a Romário. Na primeira oportunidade Edmundo dá uma entrevista e chama Romário de “príncipe” e Eurico de “rei” do clube. Pouco tempo depois, Romário dá o troco em uma entrevista no intervalo de um jogo e após marcar um gol: “todos estão felizes, o rei, o príncipe e o bobo”. A guerra pública entre os dois ídolos estava declarada. A torcida ficava mais com Edmundo, mas o melhor momento em campo era de Romário que se consagraria na final da Taça Guanabara de 2000 contra o Flamengo em pleno domingo de Páscoa. Romário marca 3 vezes na goleada de 5 a 1 com direito a ovos distribuídos antes da partida pelos dirigentes do Vasco e gritos de “Ahh, é chocolate” e “Sai da frente que o Romário é chapa quente”. Foi o melhor momento do clube naquele semestre que perderia o campeonato carioca para o maior rival[2] e veria Edmundo trocar o Vasco pelo Santos.
O campeonato brasileiro começava e a torcida vascaína tinha que ouvir das rivais a provocação intolerável depois de perder duas vezes o carioca, o Mundial e o Rio-São Paulo: “ooooôôô, vice de novo”. A resposta viria no final do ano...
No final do ano com as eleições para prefeitos e vereadores e para presidente do clube, novamente a política agita a agremiação. Áureo Ameno, radialista e famoso vascaíno se elege pedindo votos aos torcedores e Roberto Monteiro, ex-presidente da Força Jovem se candidata pela primeira vez a vereador ostentando o apoio de Lula (que seria eleito presidente em 2002).
Em novembro Eurico Miranda vence a eleição pela primeira vez como presidente do clube. A campanha conta com o apoio das maiores figuras do clube e com ajuda da FJV que faz campanha para Eurico nos estádios.
O melhor momento dos vascaínos estava reservado para a final com o Palmeiras pela Copa Mercosul. Os dois times já haviam se enfrentado numa final no início deste ano com a vitória dos paulistas no torneio Rio-São Paulo. Na ocasião a torcida vascaína estava repartida com Edmundo que foi vaiado e aplaudido pela FJV que estava dividida. Uma parte da torcida gritava “ahh, é Edmundo” e outra xingava “Edmundo vai tomar no cu”. Estas tensões internas na torcida foram objeto de estudo da dissertação de mestrado em Antropologia na UFF, de Fernando Manuel Bessa Fernandez, intituladoCampo de força: sociabilidade em uma torcida organizada de futebol”, defendido em setembro de 2000 e orientado por Simoni Guedes.
Dessa vez Edmundo não estava mais no Vasco e a final (3ª partida) era em São Paulo no Parque Antártica. A virada histórica por 4 a 3 é a melhor lembrança daquele ano na partida que ficou conhecida como a “Virada do Século”. Nunca os gritos de “o Vasco é o time da virada, o Vasco é o time do Amor”, fizeram tanto sentido. A partida transmitida ao vivo pela Rede Globo, pode ser acompanhada por todo o Brasil que viu uma verdadeira festa dos torcedores no estádio que gritavam em alto e bom som “oooôôô, vice é o caralho”. A vingança dos vascaínos era contra todos aqueles que cantaram durante o ano em qualquer partida do Vasco por todo o Brasil.
Esta partida entrou para o imaginário do torcedor vascaíno que logo ganhou contornos épicos em campo e ares mitológicos na memória da torcida. A lembrança do local e com quem assistiu o jogo, a frustração e o sentimento de revolta com o resultado inicial, terminando com a explosão de alegria ao fim da partida, foi a reação mais comum. No entanto, outros torcedores foram a extremos. O cantor Erasmo Carlos relata o que aconteceu em sua casa: “meu filho Carlos Alexandre (depois do 3° gol) no ato prometeu: ‘se o Vasco fizer mais um eu fico 3 horas na piscina’. O detalhe é que chovia no Rio de Janeiro e a temperatura estava bastante fria (...) quando Romário fez o 4° gol meu filho se jogou na água e lá ficou até o fim da promessa. Nunca chorei nem gritei tanto como naquele dia”[3], relembra o músico.
Talvez se o Vasco tivesse vencido nos pênaltis o Corinthians no início do ano pelo Mundial não gerasse tanto impacto emocional como esta partida rendeu para os torcedores. Simbolicamente, a Copa Mercosul de 2000, não era um campeonato tão importante como o Mundial em janeiro, mas a forma como foi conquistada (com 1 a menos, no campo do adversário e de virada) deu uma marca histórica que nos consagrava como o “Time da Virada”.
Faltava ainda terminar com “Chave de Ouro” e vencer o Campeonato Brasileiro no final do ano contra o surpreendente São Caetano. O primeiro jogo era no mesmo palco da “Virado do Século”, o Parque Antártica. Pelo lado da torcida do Vasco não faltou motivação já que cerca de 6.000 vascaínos invadiram São Paulo em 100 ônibus carregando as torcidas organizadas, além de um avião fretado e mais os que foram por conta própria.
Na última partida em São Januário milhares de pessoas superlotam o estádio. Entretanto, uma briga nas arquibancadas provoca a derrubada do alambrado, centenas de feridos e a interrupção do jogo. Foi uma tragédia mostrada ao vivo para todo o país que poderia ter manchado aquele grande título. A decisão dependeria das autoridades esportivas e mais uma polêmica com os meios de comunicação que acusavam o clube de abarrotar o estádio.
            O capitulo final deste ano só seria escrito em janeiro de 2001...
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Revista Placar 2000.
[2] Pedrinho fez embaixadinhas na Taça Guanabara e na decisão do Campeonato Carioca do mesmo ano (2000), o Flamengo estava sagrando-se campeão estadual e o flamenguista Beto resolveu responder Pedrinho na mesma moeda: com embaixadinhas. A torcida foi à loucura com os gritos de “Uh embaixadinha! Uh embaixadinha!”.
[3] Fonte: Mesquita, Alexandre; Leal, Eugênio e Almeida, Jefferson. Jogos Memoráveis do Vasco. Rio de Janeiro. Editora IVentura, 2012.

Vasco Maracanã 2000

Vasco Jornal O Globo 2000

sábado, 27 de maio de 2017

TORCIDAS DO VASCO 1984: CONCURSO O ÍDOLO DO RIO

O Concurso O Ídolo do Rio, promovido pelo Jornal dos Sports, Roberto Dinamite foi o grande vencedor, com um apoio das Torcidas Organizadas do Vasco.
Em 2º Lugar ficou Alemão do Botafogo, em 3º lugar Paulo Vitor do Fluminense, em 4º lugar ficou Bebeto do Flamengo em 5º lugar Romerito do Fluminense.
Fonte: Jornal dos Sports 24 de Novembro, 05 de Dezembro de 1984 e 11 de Janeiro de 1985

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1984

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1985

Torcidas do Vasco Jornal dos Sports 1985

sexta-feira, 26 de maio de 2017

RENOVASCÃO 1982: HOMENAGEM A DULCE ROSALINA

Realizou-se sábado passado o Torneio Dulce Rosalina, disputado nas modalidades de Futevôlei, Peteca e Vôlei, em comemoração ao 7º Aniversário do Montenegro de Ipanema, Dulce Rosalina, a Chefe da Torcida Renovascão, do Vasco da Gama, recebeu do Dr Francisco Horta, uma placa alusiva ao evento.
Agradecemos a todos os atletas e dirigentes do Montenegro, pelo sucesso do Torneio, que mais uma vez, confirmou o prestígio da grande torcedora Dulce Rosalina e a força do timaço de Ipanema.
Fonte: Jornal dos Sports 11 de Maio de 1982

Renovascão Jornal dos Sports 1982

Dulce Rosalina foto acervo de Poncinho 1982

quinta-feira, 25 de maio de 2017

VASCACHAÇA 1975: FUNDAÇÃO

Meus amigos estamos pela primeira vez escrevendo para o nosso Bate Bola, para dizer da fundação da mais nova Torcida Vascaína. 
Estou me referindo a Vascachaça, que vai ser um tremendo estrondo. 
Esta Torcida é daqui do Engenho de Dentro e foi fundada por: Delmar, Renato, Capoeira, Alexandre, Cláudio Nô, Ricardo, Marcos Gordo, Paulo, Zequinha, Zeca Treca, Miltinho, Délio, Dayse, Elias, Milton Chiquinho, Wilson, Paulo Palavrada, Lilico, Ricardo Orelha, Samuel, Tatão, Claudionor, Jussara, Nádia e Cláudio. É isso ai, minha gente.
Esta Torcida vai botar pra quebrar, e dar muitas glórias ao nosso grande time. (10/07)
A Torcida Organizada Vascachaça da Rua Bento Gonçalves, Engenho de Dentro, comunica aos torcedores Vascaínos que estará organizando excursões em diversas cidades brasileiras por ocasião do Campeonato Nacional, a partir de agosto. 
Os interessados é só procurarem o Sr Delmar ou Cláudio Nô no Bar Napoleão. (19/07)
Claudionor, Delmar, Alexandre, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro
Fonte: Jornal dos Sports 10 e 19 de Julho de 1975

Vascachaça Jornal dos Sports 1975

Vascachaça Jornal dos Sports 1975

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1999 A VOLTA DE ROMÁRIO

                                        “é com tristeza que eu recebo o notícia do Romário no Vasco”
                                                                                      Amâncio Cesar - TOV

1999                      A volta de Romário

Disputando o torneio Rio-São Paulo no início de 1999, o Vasco chega às finais contra o Santos. Na primeira partida na capital paulista, as câmeras focalizam um curioso torcedor vestido como o famoso mágico do programa do Fantástico da Rede Globo, o Mister M. Um personagem que fez sucesso ao desvendar os truques dos outros mágicos, sempre usando uma máscara e com uma roupa preta cobrindo todo o seu corpo. No decorrer da partida ela dá uma entrevista e acerta o placar de 3 a 1 para o Vasco.
No dia seguinte ele já era uma celebridade. Em tempos de BBB, 15 minutos de fama na TV transforma um simples anônimo num personagem conhecido, enfim, um novo símbolo nas arquibancadas. José Pedro dos Santos, o Mister M, usou graxa e liquid paper para compor seu personagem. “Com os diversos telefonemas anônimos, inclusive com ameaças de morte, ele agora só vai aos jogos escoltado pela Força Jovem”. Ao longo do ano, durante os jogos do Vasco sua imagem é buscada pelas câmeras. Em outros tempos com estádios lotados sua localização seria mais difícil, mas em jogos as 22 horas com transmissão pela TV, a imagem da massa do passado é substituída pelos personagens folclóricos fabricados pela TV. Aos poucos sua fama traz contatos com jogadores do clube e torcedores que lhe procuram para descobrir quem é o homem da máscara.  “Como parte do uniforme, Mister M utiliza uma camisa autografada por Amaral. Eu tenho um ótimo relacionamento com os jogadores. O Juninho é o meu rei, amigo especial, me deu a sua cesta de Natal e fez a felicidade das minhas 2 filhas”. Para José Pedro, a resposta mais gratificante vem das crianças. “Os torcedores mirins me pedem autógrafo, vivem me cercando. Eu acho o máximo”[1].
Fora do estádio, a torcida do Vasco que levou milhares de pessoas para São Paulo, teve muitos problemas, mas quem sofreu bastante foi Dulce Rosalina: “para a torcida carioca foi reservada apenas o portão 11 do Morumbi, o que aumentou o sofrimento de quem já havia enfrentado sete horas de viagem. E quem acabou sofrendo a fúria dos santistas foi Dulce Rosalina, da torcida Renovascão. Ela foi atingida na cabeça por uma pedrada contudo, felizmente, o ferimento não foi tão grave[2].
Numa pesquisa realizada pelo Jornal Lance/Ibope, entre as Torcidas Organizadas. A FJV foi considerada a Torcida mais violenta do Brasil. Também foram apresentados 5 quesitos: Arquibancada, Faixas/bandeiras, Organização, evolução e componentes ativos. A FJV foi melhor em 4 dos 5 quesitos. Resultado, a FJV foi eleita a melhor Torcida do Brasil. “A Maior Torcida Independente do Brasil, é como seus integrantes se referem à Força Jovem, que ao longo destas três décadas, montou uma invejável estrutura, além da Sede no Centro do Rio, têm em seu patrimônio, 130 bandeiras, 12 faixas e uma bateria completa com 150 instrumentos”, revela o Presidente Alexandre Cebola.
Apesar do inegável crescimento da torcida Força Jovem nos anos 1990, a década terminou com um racha que provocou a saída de muitas lideranças. A disputa pelo poder começou em 1998 e terminou em maio de 1999 com a fundação da Torcida Mancha Negra. Pior do que uma dissidência foi o que veio a seguir. Em várias partidas, as torcidas entravam em confronto aberto: “Antes da partida que o Vasco goleou o Madureira por 8 X 1, as Torcidas Organizadas Força Jovem e Mancha Negra do Vasco, brigaram nas arquibancadas, exigindo a presença do policiamento. A Mancha Negra é uma dissidência recente da FJV e seus integrantes queriam vingar a agressão da facção rival a José Pedro dos Santos, 29 anos, torcedor conhecido por Mister M[3].
Uma outra celebridade que começava a despontar era a estonteante Viviane Araújo, modelo que iniciava sua carreira pela TV, é apresentada como representante da torcida ao zagueiro Mauro Galvão. Os dois juntos posam para fotografias com a torcedora vestida com uma roupa da Força Jovem, numa tentativa de mudar a imagem da torcida. O jogador recebe beijos da “atriz, modelo e manequim Viviane Araujo, a nova Rainha da Torcida Força Jovem. Cena incomum em São Januário, cerca de 20 torcedores estenderam faixas por todo o Estádio e levaram Viviane a campo para ser coroada por Galvão.“Isto é melhor do que treinar”, brincou o zagueiro, posando ao lado da moça. “O Vasco vai ganhar de 3 X 0”, arriscou o palpite Viviane, mesmo sem muito conhecimento de causa[4].. Seu reinado durou de 1999 a 2002. Na apresentação no Maracanã contra o Flamengo, a Força faz uma grande festa no gramado do Maracanã.
A maior rivalidade no futebol carioca na década de 1990 continuou com Vasco e Flamengo. Durante este período por mais que medidas diferentes fossem tomadas, as brigas e confrontos permaneciam. A novidade era que também surgiam longe do estádio: “Acessos ao Maracanã, como as Rampas da UERJ e do Bellini, continuam a ser palco da violência dos torcedores. Passam-se os meses, muda-se o campeonato, mas os torcedores continuam os mesmos. E o Não a Violência tão pedidos por todos os jogadores de nada vale, pelo menos antes de a partida começar.Os Vascaínos continuam proibidos de chegar ao Maracanã pela Rampa de Bellini e os rubros negros não podem nem sonhar em entrar no Estádio pela Rampa da UERJ.Os integrantes da FJV, se localizam em pontos estratégicos para surpreender os flamenguistas. Um dos locais onde se instalam foi a Av. Brasil, perto do Viaduto de Bonsucesso, onde agrediram os torcedores rubro negros que desciam dos ônibus[5].
No final do ano o roubo de uma bandeira do Flamengo contou com a intermediação dos presidentes dos clubes para evitar um confronto de grandes proporções: “o Presidente do Flamengo Edmundo dos Santos Silva, chegou a temer pela segurança do público no clássico de domingo entre Vasco e Flamengo depois que a Torcida Jovem do Flamengo teve uma enorme bandeira roubada na madrugada de terça feira para quarta. Edmundo, que ligou para o Vice Presidente do Vasco Eurico Miranda, foi as rádios e apelou que o material fosse devolvido. Embora sem provas, integrantes da Jovem acusam a facção Vascaína Força Jovem de ter cometido o delito.No fim da tarde, a bandeira, que tem o formato da camisa do Flamengo, reapareceu nas proximidades da Sede da Torcida, na Cinelândia. Ricardo Magrinho, um dos diretores da Torcida Jovem, conta que a bandeira estava guardada numa casa alugada nas proximidades do Maracanã. O vigia teria permitido a entrada de um sujeito, que se disse membro da Torcida, e saiu com o material, além da bandeira, foram levados 50 bambus e instrumentos, que não foram resgatados”[6].
Enquanto as duas torcidas brigavam por toda a cidade, Romário se desentendia com a diretoria do Flamengo e faz um acordo com o Vasco. Sua volta ao clube no final de  1999 não teve a repercussão grandiosa na torcida vascaína que olhava aquela contratação com desconfiança. Romário, fez várias declarações de amor a torcida rubro-negra no período em que esteve no clube da Gávea entre 1995 e 1999. Sua chegada foi uma surpresa e não foram poucos os que não acreditavam mais em seu futebol: Para o ex Presidente da TOV Amâncio César, “é com tristeza que eu recebo a notícia do Romário no Vasco. E acredito que grande parte da Torcida também está triste. Ele desdenhou do Vasco e esqueceu que um dia poderia voltar. Ele precisou ser escorraçado do Flamengo para ter a consciência do que o Vasco é mais forte”. Já para o presidente da Mancha Negra, Fernando Leal, “o Romário tem que reconquistar os torcedores Vascaínos. Ele falou muita besteira”[7].
Para encerrar, vamos destacar duas músicas que eram cantadas pelos vascaínos contra os rubro-negros:

Força Jovem
uh terror do Rio!
Força Jovem
uh terror do Rio!

A Força é Rei, do Vasco
A Força do Vasco, Rei, Rei
A Força do Vasco, Rei, Rei
A Jovem não precisa nem dizer
A Raça não precisa nem falar
Chegando no Maraca a porrada, vai rolar...
A Força! Rei!
do Vasco! Rei!
A Força do Vasco! Rei! Rei! (bis)...

            No mesmo dia que o Vasco anunciava a volta de Romário, um jornal paulista lembrava dos 30 anos do gol 1000 de Pelé no Maracanã contra o Vasco. A reportagem entrevista Dulce Rosalina que conta a emoção de torcer contra e a favor do rei: “Consolo foi que o Rei disse que era Vasco de coração. Torcedora símbolo do Vasco de 65 anos,foi ao Maracanã há exatos 30 anos.(...) Dulce não resistiu ao encanto do maior jogador do mundo e aplaudiu o milésimo gol do Rei.“Não íamos brigar com o Pelé, porque ele já havia dito que era torcedor do Vasco de coração”, diz. “Claro que eu não queria o gol, mas depois comemorei” (...) Dulce afirma que toda a Torcida do Vasco reverenciou o craque após a cobrança.“Era aquela emoção por causa dos mil gols e nós batemos palmas.” Há 43 anos acompanhando os jogos do Vasco, em 1969 Dulce integrava a Torcida Organizada do Vasco (TOV), a mais antiga e festiva do Clube. (...) A partida tornou-se marcante para Dulce porque foi disputada quando ela passava por uma situação delicada. Um ano antes, a aposentada quase perdera o braço em um acidente automobilístico, a caminho de um jogo entre Vasco e Corinthians, em São Paulo.“Naquela ocasião, eu estava começando a ir ao Estádio novamente.”Para ela, o gol de Pelé, mesmo contra o seu time, foi o que a motivou a voltar a acompanhar jogos de futebol[8].
Na década de 1990, foi possível identificar 19 Torcidas Organizadas do Vasco: Força Jovem, Torcida Organizada do Vasco (TOV), Pequenos Vascaínos, Renovascão, Anarquia, Feminina Camisa 12, Força Independente, Mancha Negra, Resenvasco, Servasco, Tulipas Vascaínas, Vasboavista, Vascoração, Vasguaçu, Vaspirata, Vasqueire, Vasco Pita, Garra Cruzmaltina e Fanáticos.
O final dos anos 1990 também estimulou a produção editorial de livros sobre futebol. Os vascaínos poderiam ter uma coleção de livros que começava a aparecer com mais freqüência nestes anos. São obras sobre o clube, seus ídolos, sua história (a mais bonita de todas) e seus torcedores. Em 1999 destacaríamos o livro de Roberto Assaf e Clóvis Martins, sobre o Clássico dos Milhões, Vasco e Flamengo. Com uma extensa pesquisa sobre todos os jogos (total de 300) entre os dois clubes até 1999, apresentando várias estatísticas, as súmulas dos jogos e uma análise do contexto esportivo e social de 62 partidas. Também era lançada em 1999 a biografia do zagueiro Mauro Galvão, que chegou ao clube em 1997 já com mais de 30 anos e imediatamente virou ídolo absoluto quando defendeu nosso clube. Por fim, três torcedores vascaínos lançam uma obra escrita pelo olhar do quem sempre acompanhou o clube pelas arquibancadas e pelo ângulo emocionado dos fãs de futebol. Trata-se de Estórias de Vascaínos de Mauro Prais, Além deles, vale lembrar o livro oficial do clube lançado em 1998 em comemoração ao centenário.
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: s.d. torcidasdovasco.blogspot.com
[2] Fonte: Jornal O Globo 04 de Março de 1999.
[3] Fonte: Jornal do Brasil 20 de Maio de 1999.
[4] Fonte: Jornal do Brasil 04 de Junho de 1999.
[5] Fonte: Jornal do Brasil 04 de Outubro de 1999.
[6] Fonte: Jornal do Brasil 30 de Novembro de 1999.
[7] Fonte: Jornal do Brasil 19 de Novembro de 1999.
[8] Fonte: Jornal Estado de São Paulo 19 de Novembro de 1999 .

Vasco Jornal O Globo 1999

Vasco Revista Placar 1999