terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

TOV 1992: VASCO JÁ PREPARA FESTA PARA O JOGO COM O SPORT

Se em campo a fase do Vasco é a melhor possível, fora dele os Vascaínos andam cada vez mais animados. Ontem, os Chefes das principais Torcidas Organizadas do Clube estiveram em São Januário para preparar a festa que acontecerá domingo no Maracanã, antes e durante o jogo contra o Sport. Bandeiras novas, maiores que as normais, serão estreadas e muito papel começou a ser picado.
“Só pedimos aos Vascaínos não filiados a Torcidas que compareçam e fechem o anel do Maracanã. Será um treino para a festa que faremos no outro domingo diante do Flamengo”, comentava Amâncio César Chefe da TOV.
Fonte: Jornal do Brasil 20 de Março de 1992


TOV Jornal do Brasil 1992

TOV São Januário 1992

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

TOKAV 2002: UTILIDADE PÚBLICA

A Torcida Organizada Kamikazes Vascaínos no dia 22 de Outubro de 2002, foi declarada pela Câmara Municipal de Rio do Sul “Utilidade Pública”.


TOKAV 2002

TOKAV 2002

TOKAV 2002

TOKAV 2002

TOKAV 2002

domingo, 26 de fevereiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1976 VIVA SANTO ANTÔNIO !!!

                                                             “Entusiasmo, Disciplina e Respeito”
                                                                       Lema da Torcida

1976                     Viva Santo Antônio!!!
Uma das afirmações do cronista Nelson Rodrigues sobre o comportamento do torcedor se encaixa perfeitamente com os acontecimentos  da torcida vascaína nos anos de 1976 e 1977. Diz ele: “o que nós procuramos no futebol é o sofrimento. As partidas que ficam, que se tornam históricas, são as que mais doem na carne, na alma”.  Nesta época foram duas decisões concluídas somente na disputa por pênaltis, ambas vencidas pelo Vasco e são eternamente lembradas pelos vascaínos que puderam tripudiar o adversário e sobre seus ídolos.
Na final da Taça Guanabara de 1976, Zico perde o pênalti defendido por Mazaropi. O rubro-negro era considerado pela imprensa carioca o sucessor de Pelé na seleção e era exímio cobrador de pênaltis. No ano seguinte, Tita era a mais jovem promessa do clube da Gávea e sucessor de Zico. Ambos foram derrotados pelo mesmo jogador e no mesmo local: no gol ao lado direito, atrás da torcida do Vasco que consagrava um novo herói, o jovem Mazaropi, que substituía outro grande ídolo, o argentino Andrada.
Disputada em dia de Santo Antônio, a partida entrou para o folclore vascaíno como o resultado do apoio sobrenatural. De um lado, Dulce Rosalina atribuiu a vitória ao santo católico, de outro, o massagista Santana, também conhecido como Pai Santana, considerou que o resultado veio através de seus “trabalhos espirituais”. Em entrevista a Revista Placar, Dulce relembrava: “como no dia 13 de Junho,  é dia de Santo Antônio. Sabia que naquele dia o Vasco seria Campeão da Taça Guanabara. Não tinha dúvida alguma. Afinal, Santo Antônio é português, nasceu em Lisboa. Então, o Zico tinha de perder aquele pênalti. Não deu outra coisa”.
Tanto Roberto (que marcou na cobrança de penaltis) quanto Zico já eram apresentados pela imprensa carioca como os grandes craques da nova geração do futebol brasileiro. Este reconhecimento será ampliado com a vitória da Seleção Nacional no Torneio do Bicentenário da Independência dos EUA. Os dois jogadores foram destaques na conquista do primeiro título da seleção com os jogadores atuando como titulares.
Iniciado o campeonato brasileiro de 1976, prosseguiam as caravanas dos clubes pelos estados, sendo a mais famosa a chamada “Invasão Corintiana” nas semifinais, quando milhares de torcedores de São Paulo vieram ao Rio de Janeiro acompanhar o seu clube que disputava uma partida decisiva contra o Fluminense no Maracanã.
Se nesta partida nenhum grande incidente envolvendo as torcidas foi registrado, o mesmo não podemos dizer do jogo entre Vasco e Atlético, em Minas Gerais. Na coluna do jornalista João Saldanha ele alerta para um problema que vinha se tornando corriqueiro nos jogos entre os dois clubes mas que se estendia para outros jogos. Era uma revanche da torcida mineira que já tinha sofrido quando jogou no Rio de Janeiro quando teve vários feridos e ônibus destruídos.
Saldanha faz questão de isentar as torcidas organizadas nos atos de agressão partindo da lógica de que são os torcedores que não viajam que cometem tais delitos. Os que viajam, na sua opinião, sabem que isso é uma covardia, um desestímulo para as novas viagens e uma agressão gratuita. “As Torcidas Organizadas, são torcidas que estão sempre no campo e que em parte acompanham o time, jamais tomam atitudes agressivas. Já contei o fato, quando Dulce Rosalina foi com seu grupo confraternizar com um pequeno número de torcedores do Internacional, para salvá-los de outros torcedores Vascaínos que já estavam começando a incendiar. Os que tascam ou agridem torcedores de outros Estados são exatamente elementos que não fazem parte de caravanas ou das Torcidas renitentes ou Organizadas”, conclui o cronista isentando categoricamente qualquer envolvimento das associações. Uma conclusão que poderia ser estendido por toda a imprensa que até aquele momento dá total apoio as organizadas.
Também em junho de 1976, o Jornal do Brasil faz uma grande reportagem com o presidente da Força Jovem, Ely Mendes, com o título: “TORCIDA ORGANIZADA O VERDADEIRO ESPETÁCULO É O DAS ARQUIBANCADAS”, a matéria traça um simpático perfil do líder e explica como funciona a arrecadação de dinheiro, a relação com o clube e os jogadores, o sistema de representação, enfim, considera a presença das torcidas como algo necessário para incrementar a beleza de uma partida. “Só de carteirinhas temos 300 sócios. É uma Torcida grande e a primeira a organizar uma ala em Escola de Samba: Vasco da Vila, na unidos de Vila Isabel. A maior caravana a acompanhar um Clube para fora do Rio foi organizada por nós. Eram 88 ôninus, lotando a Avenida Rio Branco, do Edificio Cineac a Praça Mauá. E já apresentamos a maior bandeira feita no Brasil: 1 mil 250 metros de pano. Os integrantes da Força Jovem pagam Cr$ 10.00 de mensalidades e tem uma Diretoria reeleita de oito e oito meses. Quem não trabalha não tem regalias. Tudo como incentivo do Presidente do Clube”, afirma Ely Mendes.
Ao contrário dos anos 1980 em diante quando os líderes serão denunciados constantemente pela imprensa como favorecidos pelo clubes,  de responsáveis por tudo de errado no futebol, a matéria isenta quando o assunto é violência, considerando um ato irracional, próprio do comportamento das massas: ““Depois que estoura a boiada, não há jeito. Em Belo Horizonte num jogo do Vasco com o Cruzeiro, voltamos com o ônibus todo quebrado. Mas as rivalidades entre os Clubes já foram maiores. De qualquer maneira, sem elas, não existiria o Maracanã”.
Em agosto o jornal O Globo, faz uma manchete destacando a participação da torcida do Vasco, especialmente enfatizando as duas principais organizadas: “FORÇA JOVEM E TOV: TORCIDA DO VASCO, COM GRITOS E MUITA FÉ, LEVOU TIME Á REAÇÃO”. Tratava-se do jogo entre Vasco e Fluminense, quando o Almirante depois de estar perdendo por 2 a 0, consegue reagir e empatar em 2 a 2: “a participação ativa da Torcida do Vasco se tornou decisiva ao empate de ontem contra o Fluminense. Foi ela, após o gol de Roberto, que levou o time a frente com seus gritos e uma vibração fora do comum, intimidando os torcedores adversários e até mesmo os jogadores do Fluminense, que não contavam com aquela reação (...) até Toninho empatar não houve um minuto de descanso, a charanga não parou de tocar. Cada oportunidade perdida era um incentivo para a jogada seguinte. Os gritos de Vasco, Vasco, Vasco em um som uníssono e vibrante, faziam estremecer o estádio. O empate foi comemorado como vitória. Torcedores felizes, descontraídos, alegres com o resultado, num jogo em que tiveram participação ativa e decisiva. Luís Carlos reconheceu isso a saída do Estádio, ao abraçar Dulce Rosalina” .
O ano terminava com eleição para presidente no clube. Duas chapas concorriam: pela situação Agathyrno Gomes lutava pela sua reeleição, enquanto pela oposição disputava Medrado Dias que contava com o apoio da líder da TOV, Dulce Rosalina. As outras principais torcidas organizadas ficaram com o candidato da situação que acabou vencendo. Por causa deste motivo e por outros desentendimentos no seio de sua organização, Dulce sai de seu grupo e resolve fundar a torcida Renovascão, em março de 1977. Depois de 20 anos na liderança da TOV e principal referência na imprensa, a torcedora-símbolo de São Januário aposta suas fichas no crescimento das pequenas torcidas e no enfraquecimento das tradicionais. Justamente no ano da morte da principal liderança da mais tradicional torcida do Flamengo. Em 1976, morria Jaime de Carvalho, da Charanga.
            A multiplicação de torcidas parecia uma tendência irreversível naqueles anos. Um vascaíno escrevia para a coluna do Jornal dos Sports e publicava uma lista das faixas por ele identificadas nos estádios, em um total de 28 Torcidas Organizadas do Vasco: Força Jovem, Adeptos de Petrópolis, Torcida Organizada do Vasco (TOV), Vascante, Vascancela, Olavasco, Vascooper, Pievasco, Vascarepaguá, Vascambi, Vascaxias, Vascachaça, Vasco Real, Vascalhau, Saravasco, Exorci-Vasco, Alfivascos, Vaspenha, Buda-Vasco, Com o Vasco onde o Vasco estiver, Feminina Camisa 12, Elite Vascaína, Presvasco, Vascopo, Vascoelho, Vascanem, Vasquita e Pequenos Vascaínos”. No ano seguinte, o número de Torcidas vascaínas saltava de 28 para 40, na contagem de outro correspondente cruzmaltino.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco O Globo 1976

Vasco O Globo 1976



sábado, 25 de fevereiro de 2017

VASCO 2009: CONCURSO DE MÚSICA DOMINGOS DO ESPÍRITO SANTO RAMALHO

A atuação do CASACA! na integração da nação cruzmaltina é uma das marcas registradas do grupo. É seu objetivo principal procurar fornecer meios para o torcedor vascaíno poder se manifestar, livrando-o do cerceamento de idéias realizado pela quase totalidade da mídia esportiva brasileira, sabidamente anti-vascaína, além de divulgar e valorizar a cultura vascaína, com suas centenárias tradições e seus inabaláveis valores.
Uma das figuras que mais contribuíram para essa integração dos vascaínos foi o saudoso Domingos do Espírito Santo Ramalho, ou somente Ramalho. E foi com seu nome que batizamos o 1º Concurso de Música Vascaína organizado pelo CASACA!.
O objetivo do concurso é a divulgação e promoção de projetos individuais ou coletivos no âmbito da música que tenham por tema o Club de Regatas Vasco da Gama. De abril a julho, recebemos dezenas de músicas candidatas. A escolha das vencedoras foi resultado do somatório das notas de três beneméritos/conselheiros do clube.
Sem mais delongas, vamos à classificação final! 

1º LUGAR: A CRUZ E A ESTRELA (DODÔ DA BAHIA) 
Que estrela é aquela que eu vejo a brilhar? 
Lá na Colina sempre a me esperar… (Refrão) 

Nasci e de pequeno, de uma família legal 
Fui batizado na religião. 
Mas ninguém me contou que um dia 
Eu descobriria uma grande paixão. 
Meu nome é Domingos Ramalho, 
Dulce Rosalina, João e Dodô 
Eu vim do Recife, Belém de Janeiro, 
Lisboa, Paris e em São Salvador. 

Cresci, estudei, joguei bola, zoei 
A galera vestia um pano de cor 
Não posso explicar a razão 
Mas não tinha vontade de ser torcedor. 
Foi aí que eu vi, uma caravela 
Que trazia na vela a cruz do Senhor 
E tinha uma história tão linda 
Tão cheia glória, que me arrebatou. 

Meus 7 sentidos na hora vibraram 
De tanta alegria que meu corpo dançou 
A Alma tomada de espanto 
E o teu nome santo, a galera gritou: 

Vasco, Vasco, Vasco, Vasco…
 

2º LUGAR: TORCIDA CRUZMALTINA (MÁRIO PIMENTEL) 
O Vasco tem histórias eu vou contar 
Tinoco, Fausto e Mola vou relembrar 
Muita emoção na estação 
O Expresso vai chegar. 

Vem trazendo Ademir 
Barbosa o maior goleiro que eu vi 
Desse esquadrão eu virei fã 
Maneca, Danilo e Ipojucan. 

Mas hoje o canto é pra reunir 
Vascaíno não pode se dispersar 
Pecado é se dividir 
O Vasco nasceu pra gente amar. 

Agora eu quero falar 
Da torcida cruzmaltina 
Desculpe se o poeta chorar 
É saudade da Dulce Rosalina
 

3º LUGAR: DÁ-LHE VASCO (OTÁCIO DE ANDRADE) 
Casaca, casaca, casaca! 
A turma é boa, ela é mesmo da fuzarca 
Casaca, casaca, casaca! 
A turma é boa, ela é mesmo da fuzarca 

Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe Vasco 
Tua vitória me acelera o coração 
Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe Vasco 
Tua galera te quer sempre campeão 

Bate um, bate dois, bate três 
e bate outro, outro mais 
Tem bola na quadra, tem bola na rede 
Tem o remo e cada vez te quero mais
 

A premiação será entregue no Jantar de Aniversário da Oposição do Vasco, no dia 20/08 às 20h30, na Casa dos Poveiros. 
O 1º lugar ganhará um troféu comemorativo e uma camisa oficial do Vasco.
Os 2º e 3º lugares ganharão medalhas comemorativas. 
Parabéns a todos os participantes! Parabéns aos vencedores do Concurso! Que suas músicas se espalhem pelas arquibancadas de São Januário como os acordes do talo de mamona do Ramalho! Que se eternizem nas gargantas dos vascaínos, assim como a lembrança de Ramalho está eternizada nos nossos corações! 
Fonte: Casaca 15 de Agosto de 2009

Vasco 1º Concurso de Música Domingos do Espírito Santo Ramalho 2009

Vasco 1º Concurso de Música Domingos do Espírito Santo Ramalho 2009

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

FORÇA JOVEM 2001: NOVO HORÁRIO DIVIDE TORCEDOR

Para alguns, atrapalhará o programa da família. Outros não mudarão rotina.
A mudança de horário da final do Campeonato Estadual, de 17 horas para 15 horas, em função do racionamento de energia, gera polêmica entre os torcedores Vascaínos e rubro-negros.
Rodrigo Moreira, o Torpedo, Vice Presidente da Força Jovem do Vasco, afirma que nada muda na rotina do domingo. “A diferença é que teremos que nos reunir mais cedo em são Januário para conferir o material e ir para o jogo. Não dá para almoçar com a família mas tudo bem”.
Fonte: Jornal do Brasil 19 de Maio de 2001

Força Jovem Jornal do Brasil 2001

Força Jovem Maracanã 2001

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

PEQUENOS VASCAÍNOS 2000: SEDE CENTRAL

Foi inaugurada a Sede Central no dia 10 de Janeiro de 2000, na Av. Mereti 1740, Vila da Penha no Rio de Janeiro.

Pequenos Vascaínos 2000

Pequenos Vascaínos 2000

Pequenos Vascaínos 2000

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1975 NA CADÊNCIA DO SAMBA

                                                                          “Um, dois, três, Botafogo é freguês”.
                                                                                           Coro tradicional
1975                  Na Cadência do Samba

O sonho de toda torcida organizada é crescer e se tornar eterna como é o próprio clube, mas nem sempre isso é possível, pelo contrário, ao longo dos anos, o que mais aconteceu nas arquibancadas do Maracanã e de São Januário nos anos 1970, foi o nascimento e morte de inúmeras torcidas.
A crise na Força Jovem no final de 1974 teve como reflexo imediato a saída de muitos integrantes e várias lideranças. Muitos abandonaram definitivamente as organizadas mas outros fundaram novas torcidas, como a Exorci-Vasco, fundado por Valfrido, um dos principais líderes da Força Jovem, responsável pela bateria. Logo em janeiro de 1975 ele anunciava nos jornais: “você, que gosta de curtir uma boa, tomando sua cerveja nos intervalos de jogos e vibrando sob a bateria incrementada daqueles que sabem das coisas, venha fazer parte da Exorci-Vasco, a nova Torcida, que terá o comando de Valfrido, que vai sacudir o Mário Filho em dias de jogos do Vascão, segurando a ferradura do estádio e levando a alegria a todos”.
Outra torcida que surgiu neste período e que se tornou tradicional foi a Pequenos Vascaínos fundada em 20 de Agosto de 1975. “A Torcida foi criada pelo meu pai, Jorge Macedo, no quintal da minha casa, na Rua Carlina, nº 93 Olaria e um amigo, sr. Cláudio e seus filhos adolescentes, Jorge e Lúcio, disse Valéria Macedo, filha do Fundador Jorge Macedo. Desde esta época, adota como lema: “VAMOS TORCER SEM VIOLÊNCIA”. Em 1979 assumia o comando Zeca, que ficou por muitos anos liderando.
A temática da violência já dominava a preocupação das principais lideranças apesar da imprensa não acompanhar o problema com mais atenção. Em maio uma iniciativa da torcida Flachop promovia um torneio de futebol de salão no clube Milionários em Pilares. Entre os participantes estavam a Força Jovem do Vasco, a Young Flu do Fluminense, a Flachopp do Flamengo e a Torcida Jovem do Botafogo.
Os conflitos maiores entre as torcidas continuavam nos jogos entre os clubes fora do Rio de Janeiro. Na sua estreia na Libertadores, os vascaínos sofrem na partida contra o Cruzeiro no Mineirão. Um torcedor denuncia na coluna  de cartas do Jornal dos Sports a tensão da partida: “depois de ter assistido ao jogo entre Vasco e Cruzeiro, tive o desprazer de ver aquilo que um torcedor brasileiro não deve fazer nunca. No final da partida houve de tudo, meus caros. O comportamento dos torcedores foi lamentável (...) Infelizmente o que se passou foi uma lástima, pois eu mesmo tive que vir de carona, pois meu ônibus foi completamente danificado. Isso para não falar dos torcedores que ficaram em situação pior”. Já pelo campeonato brasileiro em 1975 uma outra carta relatava a forma amistosa com que os vascaínos eram recebidos no Paraná e registrava a paz selada entre vascaínos e cruzeirenses no mesmo ano. O que demonstrava a capacidade das torcidas organizadas ainda negociarem acordos de pacificação e reconhecer que o problema maior da violência em meados doa anos 1970 estava entre os torcedores não-organizados de cada estado que faziam do bairrismo, o seu sentimento principal: “a Torcida Força Jovem do Vasco tem o prazer de agradecer ao simpático povo curitibano e em particular à Torcida do Coritiba MUC (Movimento Unido Coritibano), pela maneira simpática e carinhosa como recebeu os integrantes da caravana da ‘Forja’, uma verdadeira lição de desportividade e hospitalidade. Daqui, só podemos dizer aos colegas de Curitiba que não vamos esquecer o carinho de vocês e apenas aguardaremos a oportunidade para retribuirmos. O mesmo aconteceu em BH, na quarta-feira, quando a Torcida Jovem do Cruzeiro apagou toda aquela mancha deixada por uma minoria irresponsável, na última vez em que estivemos em Belo Horizonte”.
O crescimento e o fortalecimento das Escolas de Samba do Rio de Janeiro nos anos 1970 foi acompanhado do aumento da participação dos torcedores organizados junto as agremiações carnavalescas. A medida que as principais torcidas utilizavam instrumentos de percussão para animar as partidas foi natural que os torcedores se integrassem nas escolas e vice-versa.
Reconhecido como um clube adorado por muitos sambistas, o Vasco da Gama podia se orgulhar de ser o preferido no mundo do samba, de que seus ilustres sambistas faziam questão de manifestar seu amor pelo Almirante. Dentre eles, podemos destacar Jamelão, Aldir Blanc, Guinga, Nelson Sargento, Martinho da Vila e Paulinho da Viola que liderados pelo jornalista Sérgio Cabral, sempre pontuavam a relação entre o seu clube de origem popular e o ritmo musical consagrado pelos cariocas.
Nesta época ocorreu a popularização dos sambas enredos que logo viravam hits nas arquibancadas, o melhor exemplo era a música “Domingo” da União da Ilha do Governador de 1976. Já nos festejos de 1970 a torcida contava com o apoio da bateria da Mangueira, escola que meia  Alcir freqüentava. Foi assim com a Vila Isabel em 1975, com a Portela, o Salgueiro, enfim, foi se consolidando esta aproximação entre torcedores e sambistas.
O próprio clube de São Januário soube explorar este filão com o concorrido Baile do Almirante, sucesso nos  carnavais da década de 1970 e 80. Traçando um paralelo entre o Vasco e o Flamengo, o jornalista Sérgio Cabral compara a diferença entre um carnaval de caráter popular e outro com traços elitistas: “pega o carnaval do Vasco em São Januário, aquele imenso salão com 12,15 mil pessoas gente de Vaz Lobo, Penha, Madureira. O Flamengo era o baile ‘Vermelho e Preto’, era uma coisa assim, chique”.
Na década de 1970 o mercado editorial registra uma ampliação de livros cuja temática eram os relatos das memórias dos protagonistas da História, se tornando o grande filão de venda de livros da época que viveu uma expansão de vendas em função da crescente ampliação da classe média e do aumento do nível de escolaridade da população brasileira.
Em 1975 era lançado o livro de José da Silva Rocha, ex-presidente do clube e uma memória viva dos primeiros anos. Rochinha, como era conhecido foi um ex-atleta de vários esportes do Vasco nos anos 1910 e 1920. Trabalhou muitos anos na imprensa esportiva e resolve fazer esta grande obra de caráter histórico e memorialístico. O livro é o primeiro volume que vai de 1898 até 1923. Porém, os outros volumes não foram escritos.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


Vasco Jornal do Vasco 1975

Vasco 1975

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

FORÇA JOVEM 1984: TORCIDAS PEDIRAM DIRETAS JÁ

No jogo entre Vasco e Fluminense, a festa no Maracanã, que recebeu a renda recorde de Cr$ 638 milhões 160 mil, com 128 mil pagantes, começou por volta das 15 horas, quando as duas Torcidas lotaram o Estádio. 
Enquanto o Hino Nacional, que ninguém ouvia por problemas de som, era executado, as Torcidas pediram em coro por “Diretas Já” e “um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos eleger o Presidente do Brasil.”
Fonte: Jornal do Brasil 28 de Maio de 1984

Força Jovem Jornal do Brasil 1984

Força Jovem 1984

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1974 DINAMITE NELES!

                                          “Presente, Passado, Futuro. Força Jovem é isso”
                                                               Lema da Torcida     

1974                     Dinamite Neles!
Durante o período do “milagre econômico” o Brasil viveu uma febre de grandes construções, especialmente de gigantescos estádios de futebol, mas também foram erguidas pontes, estradas, viadutos, rodovias, enfim, era a crença de que o país cresceria rapidamente rumo ao progresso e ao desenvolvimento urbano. No Rio de Janeiro a principal obra do milagre foi concluída em março de 1974. Justamente no ano do fim do “milagre econômico” era inaugurada com toda a pompa pelos militares a Ponte Rio-Niterói, um monumento a opção do uso do automóvel como meio de transporte de massa.
O novo presidente do Brasil, o general Ernesto Geisel, assume o poder no mesmo mês da inauguração já com os efeitos da crise internacional com a escalada dos preços do petróleo no mercado externo.
Não era só a inflação que o governo queria esconder mas as mazelas sociais que insistiam em permanecer como a grande desigualdade nas grandes cidades. Com elas o aumento da violência começava a  se disseminar como podemos constatar na carta de um torcedor vascaíno alertando para a sequência de conflitos entre as torcidas e o modus operanti dos agressores: “as cenas de vandalismo continuam se repetindo a cada dia em que o Flamengo atua no Mário Filho (...) quando esses covardes que só atacam em bando tentaram arrancar a bandeira das mãos de um torcedor pertencente à Força Jovem do Vasco, além de agredi-lo a socos e pontapés”. A carta termina com uma ameaça de revide. O que provavelmente aconteceu. A escalada de violência se institucionalizava enquanto nenhuma medida de controle por parte de dirigentes e autoridades se efetivada.
Em agosto de 1974 a torcida vascaína foi agraciada com um título marcante. Conquistávamos em pleno Maracanã diante do Cruzeiro nosso primeiro título brasileiro diante de mais de 110 mil pagantes que realizaram uma festa pela cidade por toda a madrugada. A Revista Placar estampa em sua capa uma bela foto da Torcida Força Jovem, que promoveu a comemoração do título em São Januário e na quadra da Unidos de Vila Isabel.
A conquista reforçou a importância  da torcida Força Jovem que teve mais espaço no Maracanã com a cessão de mais uma sala para os vascaínos: “ainda não tínhamos Sala e éramos obrigado a guardar os materiais, as bandeiras e a bateria junto com a Organizada da Dulce (TOV), foram 2 anos assim, até que o Ely perante ao Otavio Pinto Guimarães, que na época era o Presidente da ADEG (Depois mudou o nome pra SUDERJ) e Federação Carioca, o Ely conseguiu a Sala para a Torcida em 1974” relembra Carlinhos Português. Mais que um espaço para guardar materiais. Ali seria o local de construir um projeto coletivo de torcida baseada na organização, no trabalho e na memória da própria torcida: “o pensamento de todos era fazer com que a nossa Sala fosse um exemplo, aonde todos não só nós  componentes, mais todos os vascaínos pudessem entrar e se sentir orgulhoso”, conclui o torcedor.
Enquanto hoje em vivemos numa civilização com excesso de imagens, com a facilidade de tirar fotos, gravar vídeos, de ter tudo ao alcance em segundos, nos anos 1970 conseguir ver a imagem de sua torcida era uma emoção só captada nos estádios a não ser através dos noticiários esportivos e reportagens em jornais e revistas. Mas o que deixava o torcedor em êxtase, além dos estádios, era na exibição dos cinejornais nas salas de cinema.
Junto com o futebol, o cinema era a maior diversão das massas nestes anos e o futebol era presença marcante nos cinejornais que antecediam os filmes, especialmente o Canal 100, ficou guardado na memória dos torcedores entre os anos de 1959 e 1986. Embora a TV em cores já fosse uma realidade, a verdade é que a grande parte da população não tinha acesso as imagens coloridas a não ser no cinema e com a vantagem da tela gigantesca. O gramado verdinho, a festa das bandeiras coloridas e os closes dos torcedores da geral enchiam de emoção acompanhada da música característica do cinejornal.
A equipe do Canal 100, comandada por Carlinhos Niemeyer, produz em 1974 um filme que se tornou sucesso de bilheteria com mais de 1 milhão de espectadores.Trata-se do filme Futebol Total, com imagens da Copa do Mundo na Alemanha e do futebol carioca, demonstrando que quando o futebol é bem filmado ele tem público, ao contrário do que muitos que afirmavam que o futebol não era assunto de cinema.
Ainda em 1974 era lançado o filme de Oswaldo Caldeira, Passe Livre, baseado na vida do jogador Afonsinho (ele jogou no Vasco em 1971), sua luta por liberdade profissional e uma visão menos idílica sobre a profissão de jogador de futebol. No filme há belas imagens das torcidas cariocas no Maracanã, mas o destaque é sobre o autoritarismo dos dirigentes de futebol.
O ano fecha com a decisão do campeonato carioca entre Vasco e Flamengo para mais de 100 mil torcedores. Uma tragédia antes de o jogo começar marcou a torcida vascaína: “a explosão de 1 mil 500 bolas de gás, pouco antes do jogo, provocou queimaduras em 25 torcedores. Sete foram internados em estado grave. O acidente começou quando fogos de artifícios atingiram as bolas, que seriam soltas no momento em que o Vasco entrasse em campo”. O problema aconteceu justamente na parte onde ficava a Força Jovem e vários membros da torcida ficaram feridos “apesar da proibição, a torcida da geral começou a soltar fogos de artifício. Uma faísca caiu sobre as bolas, ocasionando a explosão e o incêndio no placar eletrônico. Todos os que estavam próximos saíram queimados, enquanto outros se feriram durante o tumulto que se seguiu”. Apesar de ninguém ter falecido ocorreu um grande descontentamento entre parte da torcida e vários integrantes se afastavam da mesma naquele momento.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco Jornal O Globo 1974

Vasco Revista Placar 1974



domingo, 19 de fevereiro de 2017

FORÇA JOVEM 2017: PARABÉNS FORÇA JOVEM 47 ANOS

Hoje oficialmente a Torcida Organizada Força Jovem do Vasco completa 47 anos de existência.
Um sonho que começou em 29 de março de 1968, após o fim da torcida Leões Vascaína.
Um grupo então resolveu que teriam que mudar e um novo conceito de torcida nascia.
O Vasco na época passava por problemas político e assim começou a nascer uma nova força dentro do clube.
1969 foi o grande passo desse sonho, a primeira faixa que foi colocada na lagoa com os dizeres "" VASCO O MÉIER TE SAÚDA "" e a mesma levada para o maracanã junto com uma outra que dizia "" FELICIDADE SEU NOME É VASCO "".
19 de Fevereiro de 1970 a torcida foi oficializada e nisso a mudança de conceito de torce e apoiar o Vasco, o ano que o Vasco se tornou campeão de terra e mar.
Essa mesma torcida que fez a maior caravana já vista e que foi copiada por muitos, essa caravana foi em 1971 para São Paulo, num jogo contra os gambás, a Rio Branco ficou tomada com 87 ônibus de um torcida só.
Como também não falar de a FJV ter sido a primeira torcida de fora a ir a Fonte Nova na Bahia em 1973.
A primeira torcida a levar bolas de gás ao maracanã na decisão do brasileiro de 1974
A primeira torcida a enfeitar o maracanã onde nas marquise do maracanã tinha enfeites com tiras de pano preto e branco e escrito Força Jovem e cruz de malta separando 1976/77.
A primeira torcida a passar um bandeirão por cima do público.
A primeira torcida ser homenageada por uma escola de samba, Portela em 1979.
Falar da Força Jovem é lembrar de vários guerreiros que lutaram e deram a vida por essa torcida.
Falar da Força Jovem é lembrar que somos uma grande família.
Falar da Força Jovem é falar da maior torcida organizada do Brasil e do mundo.
Falar da Força Jovem é amor, é carinho e saber que não estamos falando somente de um torcida e sim de um clube de uma família.
"" Se não der pra mim não vai dar para você, sou Vascaíno, Batizado
Eu sou da Força Jovem e ninguém vai me segurar""
PARABÉNS FORÇA JOVEM DO VASCO
UM SONHO QUE SE TORNOU REALIDADE 
47 ANOS
Por Francsco Carlos, o Português


Força Jovem 47 Anos 2017

Força Jovem 47 Anos 2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

GUERREIROS DO ALMIRANTE 2017: GDA PUBLICA NOTA SOBRE TORCIDA ÚNICA NOS CLÁSSICOS CARIOCAS

O movimento Guerreiros do Almirante vem a público repudiar a decisão da justiça em realizar os clássicos cariocas com torcida única. Nós, torcedores, não podemos pagar por um erro, enquanto os verdadeiros culpados não são responsabilizados pela falta de segurança dentro e fora dos estádios. 
Um jogo ocorre entre dois times e é inadmissível que impeçam as duas torcidas de promoverem as festas nas arquibancadas. Já acatamos diversas mudanças impostas pela justiça, mas uma decisão como essa, nos deixar sem poder apoiar nosso time, é de total falta de respeito com quem realmente ama o futebol. 

Nós vivemos pelo Vasco e vamos lutar, mais uma vez, por ele. Somos o maior patrimônio do clube e não podemos aceitar que nos deixem de fora. 
Fonte: NETVASCO

Vasco Maracanã 2016

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

FORÇA JOVEM E PEQUENOS VASCAÍNOS 1993: BEBETO VIRA ENREDO DE ESCOLA DE SAMBA

Bebeto virou Enredo de Escola de Samba. Tudo bem, é só do quarto grupo. 
Mas o Presidente da Balanço de Lucas Ari da Ilha garante que o craque estará na Av, Rio Branco com a camisa azul e branca do La Corunã (Espanha) sobre uma bola de futebol giratória, no único carro alegórico do desfile....
O Presidente da Balanço de Lucas confessa que se preocupa com o número de componentes previsto, 2.500. 
A Riotur determina 500 para as Escolas do quarto Grupo e Ari conta com a participação de várias Torcidas, como Força Jovem e Pequenos Vascaínos.
Fonte: Jornal do Brasil 04 de Fevereiro de 1993

Vasco Bebeto Jornal do Brasil 1993

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1973 O OVO DA SERPENTE ENTRE A FESTA E A GUERRA

                                             “Difícil é acreditar que tudo não seja Vasco” 
                                                               Rachel de Queiroz

1973   O Ovo da Serpente, entre a Festa e a Guerra
A rivalidade entre os dois clubes das maiores torcidas no Rio de Janeiro ganha mais emoção com a contratação do armador Zanata que troca o Flamengo pelo Vasco. A resposta rubro-negra é a compra do artilheiro do Atlético Mineiro, Dario. Um jogador que foi o alvo da polêmica em 1970 envolvendo a opinião do então técnico da seleção brasileira, João Saldanha e o Presidente da República, o General Médici.
O Chefe da Nação era um dos maiores entusiastas do futebol do atacante e sua contratação era uma forma do Flamengo aproximar o presidente de  seu clube do coração. Por outro lado, era importante para o governante melhorar sua imagem popular comparecendo aos jogos do Flamengo na tribuna de honra junto de seu tradicional radinho de pilha.
Os anos de 1972 e 1973 são decisivos para definir o comportamento das torcidas organizadas cariocas para toda a década seguinte. Vasco e Flamengo fizeram 15 partidas nestes anos. Entre elas estava a decisão da Taça Guanabara de 1973 que teve a maior cobertura da imprensa sobre os preparativos das torcidas para uma decisão.
Foi neste contexto de grande envolvimento emocional que a torcida vascaína esteve organizada e mobilizada para um jogo como nunca antes. Havia a necessidade da torcida provar que ela era superior a rival. Organizar uma festa memorável, fazer um carnaval fora de época no mês de maio, este era o intuito dos vascaínos que levaram para o Maracanã: “três mil toneladas de papel picado, 50 faixas, uma bandeira de 1250 metros quadrados que será levantada com 150 metros de corda, uma bateria com mais de 50 peças e uma banda de música, são as armas da Torcida Força Jovem, para ajudar o Vasco a conquistar a 9ª Taça Guanabara”. Todo este aparato envolveu dias de trabalho e dedicação dos torcedores. Muito além do envolvimento do torcedor  em um dia de jogo. Toda esta entrega, sacrifício e amor ao clube, forjam aos poucos uma nova identidade nos torcedores organizadas que começam a se perceberem como “os verdadeiros torcedores”, os “autênticos”, ao contrário do “torcedor comum” que só chega na hora da decisão. Aos poucos este sentimento foi se consolidando no seio das principais torcidas que começavam a cultivar um amor sem paralelo as próprias torcidas organizadas. Ser da Força Jovem, por exemplo, era mais do que exaltar seu amor pelo clube, mas provar para si mesmo que ele era capaz de realizar um trabalho voluntário, coletivo, de união entre pessoas voltadas para o mesmo ideal.
O trabalho de cortar papel picado por toda a semana, preparar faixas, arrecadar dinheiro com rifas para ter a bateria inteira, confeccionar um bandeirão, enfim um ritual de devotamento que consolida uma nova forma de perceber sua relação com o futebol, com o clube e a própria torcida marcada pela renúncia, pelo desinteresse, pelo altruísmo de construir algo maior que a si próprio.
Todo este sacrifício marcado também pelo signo da festa, da alegria, da comemoração sem limites, da confraternização, do espírito carnavalesco provoca pelas músicas, pelos cantos e por uma zombaria coletiva contra os adversários.
A festa e a guerra caminharam juntas com as torcidas, até que ponto uma leva a outra, ou onde uma começa a outra termina, são discussões permanentes entre todos aqueles que estudam o fenômeno dos torcedores.
Neste mesmo ano aparecem várias denuncias de torcedores organizados ou não nas cartas de leitores alertando para o aumento da incidência de casos de violência nas arquibancadas e fora dos estádios. A crítica do torcedor tem um endereço certo: a ausência do poder público em tomar medidas de revide e fazerem vistas grossas contra atos que se tornavam rotineiros, mas tratados como meras desavenças: “porque está virando rotina ao final de cada jogo em que participe o Flamengo, a agressão física e moral aos torcedores adversários. Gostaria que fossem tomadas providências, pois senão saberemos revidar esse vandalismo. Existe aquele ditado: quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
Uma reclamação típica dos anos 1990 já é dita neste período quando os torcedores percebem que o ambiente tenso e agressivo impede e inibe a presença de crianças e mulheres: “tempo bom aquele amigo, em que podíamos ir ao Maracanã, com a família. Quem sabe um dia nossos filhos ou nossos netos, possam também desfrutar desse espírito de cordialidade que havia entre as torcidas”. A queixa revela que as brigas já vinham aumentando nos anos anteriores e as rixas se acentuavam no decorrer do tempo. E com lucidez, percebe que não será de um dia para o outro que o problema ia ser facilmente resolvido.
Alguns torcedores já antecipavam que os chefes não conseguiam controlar a violência das mesmas e que suas lideranças vinham se enfraquecendo diante de novos lideres com atitudes diametralmente opostas aos guias tradicionais. Eis a declaração do torcedor: “alguns componentes da Força Jovem vão ao estádio apenas para brigar ou fazer confusão... o fato é que o Ely Mendes é boa pessoa mas não tem pulso suficiente para comandar a Força Jovem do Vasco, que no início era uma torcida bacana, mas que agora virou bagunça”.
Os próprios torcedores organizados criaram iniciativas para debelar o comportamento agressivo fazendo encontros antes dos jogos com demonstrações públicas de que as brigas eram fotos isolados e iniciativas que não contavam com o apoio das lideranças. Se realizaram encontros chamados “ Conversação da Paz” entre membros da TOV e da Flamante e a Torcida Jovem do Flamengo.
Neste ano a Revista Placar e o Jornal dos Sports promovem uma campanha para decidir qual é o clube mais querido do Rio: Vasco ou Flamengo. O resultado revela a vitória da torcida vascaína, garantindo um total de 157.157 votos, contra 125.604 do Flamengo, 28.594 do Fluminense e 27.416 do Botafogo, numa prova incontestável do prestígio cruzmaltino. Os números, evidentemente, não expressavam a real divisão da popularidade dos clubes nas cidade. Mas registrava que a forte rivalidade entre os clubes permaneceria nos anos seguintes. As próximas grandes decisões do decênio provariam isso, incrementadas pela rivalidade com a ascensão de duas novas estrelas: Roberto e Zico, assumiriam a condição de eternos ídolos de seus clubes já no ano seguinte.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco Canal 100 1973

Vasco Canal 100 1973



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

VASPANEMA 1982: FUTEBOL MAIS CARO FAZ TORCIDA PROTESTAR

Boicote, colocação de faixas nos Estádios e outras manifestações de protesto. 
Foi isso que provocou, ontem, entre várias facções de Torcidas do Rio, o anúncio de que o preço de arquibancada nos jogos do próximo Campeonato Estadual serão majorados para Cr$ 400,00, com novo aumento quando a partida tiver carácter decisivo.
“Na semana passada estivemos com dirigentes do Vasco e eles nos garantiram que os preços das arquibancadas seriam 300 cruzeiros no Maracanã e 250 nos demais estádios, Esses caras estão ficando malucos. No início do ano minha Torcida tinha 150 componentes e no final de 1981 estava reduzida a menos da metade.” Disse Topo-Gigio, Vice Presidente da Vaspanema.
Fonte: Jornal O Fluminense 06 de Janeiro de 1982

Vaspanema Jornal O Fluminense 1982

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

LEGIÃO DA VITÓRIA 1943: A TORCIDA UNIFORMIZADA EM DESFILE NA RÁDIO TUPI

Nos estúdios da Rádio Tupi será levado a efeito hoje, as 21horas, a primeira concentração da Torcida Uniformizada do Rio de Janeiro.
Para essa grande concentração foram convidados os Chefes das Torcidas de todos os Clubes esportivos da capital, bem assim autoridades.
A concentração da Torcida Uniformizada será irradiada para todo o Brasil, bem assim a marcha “Ninguém pode atrapalha”, que será cantada por todos os torcedores cariocas.
A primeira audição da marcha “Ninguém ode atrapalhá” contará com a presença dos srs Vargas Netto, Flávio Costa e Luiz Vinhares.

UM APELO A TORCIDA DO VASCO
João de Lucca e Paschoal Pontes, solicitam por nosso intermédio o comparecimento de todos os torcedores Vascaínos, as 20,30 horas, nos estúdios da Rádio Tupi , para participarem dos ensaios da Torcida Uniformizada do Rio de Janeiro.
Fonte: Jornal dos Sports 25 de Novembro de 1943

Legião da Vitória  Jornal Diário da Noite 1943

Legião da Vitória  Jornal dos Sports 1943