terça-feira, 31 de janeiro de 2017

VASKILHA 1982: HISTÓRIA

Torcida da Ilha do Governador, que foi fundada em 21 de Janeiro de 1982 e acabou em 1987, por falta de verba e discussões políticas internas, porém 20 componentes, não se conformaram e foram para a Força Independente, que tinha sido fundada em 21 de Dezembro de 1987.
Teve como Chefe, Paulo Succini (Paulinho), e como Presidente, Joaquim Ferreira da Silva (Joaquim da Eletrolândia) e como Tesoureiro, Jorge Ferreira.

Vaskilha São Januário 1982

Vaskilha Chefe Joaquim da Eletrolândia 1983



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

TORCIDA DO VASCO 1937: A TORCIDA DO VASCO COMPARECERÁ EM MASSA Á RECEPÇÃO DOS BRASILEIROS

A cidade recebeu com sympatia a feliz iniciativa do Vasco da Gama no sentido de organizar uma grande manifestação que será prestada aos valentes brasileiros que tanto brilharam no Prata, por ocasião do seu regresso. E agora depois do desfecho agitado do Campeonato Sul Americano, ainda mais acentuado é o desejo da população do demonstrar aos nossos bravos patrícios, toda a sua imensa gratidão.
A comissão designada pelo Presidente Jorge Mattos é composta dos srs Egas Muniz, Euzebio Queiroz e Castro Menezes, elaborou, como já noticiamos um vasto programa que poderá causar pleno sucesso.

COMPARECERÃO TODOS OS TORCEDORES DO VASCO
Ontem, a tarde recebemos uma visita de João de Lucca e Olympio Pio, os dois populares Chefes da Torcida Vascaína. Trouxeram-nos uma informação interessante, os torcedores do Vasco estarão presentes a grande recepção.
“E queremos lançar um apelo por intermédio do O Jornal, diz João de Lucca, a todos os torcedores de outros Clubes, no sentido de que sigam o exemplo dos Vascaínos, comparecendo em massa ao desembarque da rapaziada.”
“Não há a menor dúvida, observou Olympio, de que a iniciativa do Vasco está vitoriosa.” A delegação Brasileira será prestada uma homenagem que refletirá fielmente todo o entusiasmo com que recebemos as notícias dos seus grandes feitos.
Olympio Pio e João de Lucca expõem seus planos ao repórter.
Fonte: O Jornal 04 de Fevereiro de 1937


Torcida do Vasco O Jornal 1937

Torcida do Vasco O Jornal 1937



domingo, 29 de janeiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1968 ACIDENTE NA DUTRA

                                          “Ôlêê, ôláá/ o nosso Vasco/ tá botando pra quebrar!”
                                                                  Canto da torcida

1968                          Acidente na Dutra

Para o time do Vasco que não disputou nada importante no ano anterior restava esperar o ano de 1968 que entrou para a História pela ebulição em todo o mundo com os protestos nas ruas e cidades feitos pelos estudantes. Em fevereiro o clube inicia a temporada com uma excursão para a Bolívia disputando cinco partidas. Coincidentemente a Bolívia era o país em maior evidência naquele período conturbado pois, quatro meses antes, era ali que foi morto o guerrilheiro Che Guevara.
 Em março um estudante era morto no Rio de Janeiro. O jovem Edson Luis foi assassinado por policias num confronto entre estudantes e policiais no restaurante dos secundaristas. Na manhã seguinte a manchete do Jornal dos Sports contrastava entre a alegria da torcida vascaína com a liderança do campeonato carioca e a noticia da morte do estudante. A política invadia outras áreas, o próprio futebol e a imprensa esportiva não ficaria a parte.
Enquanto a ditadura militar aumenta a repressão, o crescimento do movimento estudantil, apontava possíveis novos caminhos para a população oprimida com a ditadura militar e até para os protestos dos torcedores que provocariam, a partir daqueles anos, novas feições as torcidas. Neste período surgem várias dissidências nas torcidas organizadas. Era uma geração de jovens torcedores que questionavam as antigas lideranças. De acordo com o historiador Bernardo Hollanda (2012, p.109), ”os membros mais novatos das torcidas refletiam a seu modo tais questões, de uma maneira, é claro, um tanto diluída, difusa, indireta”.
O novo contexto político-social que sufocava ampliação e o fortalecimento de movimentos reivindicatórios, em função do endurecimento do regime autoritário e do Estado militarizado, criava, ao mesmo tempo, brechas que condensavam os impasses daqueles anos. É o momento onde “o foco da preocupação política foi deslocado da área da Revolução Social para o eixo da rebeldia, da intervenção localizada, da política concebida enquanto problemática cotidiana, ligada a vida, ao corpo, ao desejo, a cultura em sentido amplo”(HOLLANDA e GONÇALVES, 1982, p.66).
            Podemos situar o final dos anos 1960, como um momento importante para redefinir o papel dos torcedores no Rio de Janeiro. O mesmo fenômeno se dava em São Paulo[1] (TOLEDO, 2000) e em diversos outros países (GIULIANNOTI, 2002). Provando que fatores internos e externos ao futebol, traziam novos componentes para as mudanças que configuravam a diversidade de conflitos e contradições das sociedades contemporâneas.
Seguindo a tendência de valorização do povo nas manifestações populares, era lançado, em maio de 1968, uma obra pioneira: o livro “Torcedores de Ontem e de Hoje”, baseada na pesquisa de João Antero de Carvalho retratando em crônicas alguns torcedores cariocas. Entre eles, os tradicionais vascaínos Cartola, Tavares, Ramalho e Dulce Rosalina.
Um marco editorial deste ano foi a publicação de dois livros importantes sobre futebol: Gol de Letra e Olho na Bola. O primeiro era uma antologia deste esporte reunindo os maiores escritores brasileiros. No segundo, 25 famosos cronistas esportivos abordam diversos temas desde o craque até os cartolas suburbanos, tema do cronista Álvaro Nascimento, também conhecido como Zé de São Januário. Álvaro era uma dos mais antigos jornalistas, começando a carreira em 1922. Ele foi o primeiro proprietário do Jornal dos Sports (fundado em 1931). Continuou no jornal depois de vendê-lo para Mario Filho em 1936, escrevendo uma coluna por mais de 40 anos (Uma Pedrinha na Chuteira). Era famoso por sua paixão clubística, sendo Benemérito do Vasco.
Em campo a esperança vascaína de uma conquista veio em junho na decisão do Campeonato Carioca e, mesmo com um time inferior ao Botafogo, a torcida vascaína acreditava na “escrita” e preparava uma grande festa para comemorar o título. A folia começaria no Maracanã e terminaria em São Januário. Os preparativos já haviam sido acertados entre dirigentes e torcedores que levaram muito material de incentivo ao time: “FESTA DO VASCO JÁ ESTÁ PRONTA. O Vasco vai distribuir mil bolas de gás para seus torcedores na entrada do Maracanã. Os balões tem o escudo do Clube e serão soltos pelos torcedores na hora em que o quadro entrar em campo. Além disso, o Vice Presidente Social, Sr Valdemar Diniz, já entregou  cem caixas de serpentinas e outra de confete para Dulce Rosalina, Chefe da Torcida Organizada. Ainda sem saber como entrará com eles no Maracanã, o Vasco pretende distribuir NCr$15 mil de fogos de artifício para seus torcedores e vai dar também 300 faixas para serem colocadas no Estádio e mil bandeiras do Clube no tamanho 1.50 metros por 0.80.FESTA PREPARADA. Para a Festa no Clube, se o quadro for campeão, já foram compradas 500 caixas de cerveja e 200 de refrigerantes. O Ginásio de São Januário foi lavado ontem e já está preparado para um Baile, que contará com a Orquestra Homero e um conjunto de lê-lê-lê[2]”.
O Vasco foi derrotado de forma arrasadora pelo resultado de 4 a 0 e, assim, continuava mais um ano (10 anos) sem o título carioca. A torcida do Botafogo em êxtase comemora provocando os vascaínos gritando “olé” e “”Botafogo”, além de cantar “é ou não é/ piada de salão/ o time português querer ser campeão” (Augusto, 2004).
A festa alvinegra aconteceu em pleno mês de junho. Do lado de fora do estádio aumenta o número de manifestações estudantis violentamente reprimidas. Um dos piores episódios aconteceu no campo do Botafogo em General Severiano, quando a PM encurrala 400 estudantes que faziam uma assembléia na Faculdade de Economia da UFRJ. Em 26 de junho acontece no Rio de Janeiro a Passeata dos Cem Mil. Para o jornalista Zuenir Ventura, autor do livro 1968, o ano que não terminou, este dia “foi um dos espetáculos de rua mais impressionantes a que o Rio de Janeiro jamais assistiu”. Um ano antes, os torcedores liderados por Dulce Rosalina, já apoiavam os jogadores organizados que fizeram uma passeata em defesa da manutenção da taxa da FUGAP no Maracanã[3].
Em agosto, seguindo o clima de organização dos movimentos populares, as torcidas reunidas na Federação Carioca de Futebol recebem uma homenagem e anunciam “uma novidade, com o projeto de formação de uma inédita entidade desportiva: a Associação de Torcedores do Futebol Carioca. Mediante sugestão de um dirigente do América, Ícaro França, firmava-se ali um acordo para a criação da ATFC, uma associação representativa dos interesses dos torcedores cujos patronos seriam o Presidente do Vasco, Reinaldo Reis, e o próprio Jornal dos Sports, conforme assegurava seu diretor-secretário, o professor Ênio Sérvio” (Hollanda, 2010).
A harmonia entre as torcidas cariocas contratrastava com as constantes brigas com as torcidas de estados vizinhos. Assim como em São Paulo, lugar que os cariocas eram recebidos a pedradas, em Minas Gerais, o tratamento não era diferente. Em 1967 ocorreu uma grande briga entre as torcidas de Botafogo e Atlético em Belo Horizonte. A resposta  dos cariocas veio neste ano com a união das torcidas de Vasco e Botafogo, no Maracanã, contra os atleticanos: “os torcedores do Rio de Janeiro não pareciam ter esquecido o que ocorrera em Belo Horizonte em 1967 (Atlético MG X Botafogo). A recepção hostil aos torcedores do Atlético ocorreria em uma partida no Maracanã, contra o Vasco da Gama, válida também pela Taça de Prata. O numeroso deslocamento dos atleticanos ao Rio seria objeto de charges de Henfil, ele próprio um mineiro simpatizante do clube de sua terra, com a chamada: “A torcida do Atlético veio em 20 ônibus”. Na matéria com título dúbio, “Galo cantou no estádio”, um repórter falava da presença marcante da massa atleticana e a reação pouco hospitaleira de setores da torcida cruzmaltina à sua presença. Os vascaínos tentavam intimidar e ameaçar nas arquibancadas os torcedores adversários, com ações antidesportivas que repugnavam aquele repórter. É possível ter uma idéia da gravidade dos confrontos por meio da carta de um correspondente mineiro intitulada “Nem choro nem vela”, na qual articula com clareza memória e ressentimento: “Estamos esperando a torcida do Vasco para o jogo contra o Cruzeiro aqui no Mineirão no próximo dia 27. Saibam os torcedores do Vasco que nós não nos esquecemos do que aconteceu aí no Estádio Mário Filho naquele jogo em que o Atlético perdeu. Fomos vítimas de uma verdadeira selvageria e estamos aguardando o troco para o próximo dia 27. Atenção torcedores do Vasco: venham quentes porque a torcida mais famosa e potente do Brasil – a do Atlético Mineiro – está à espera de vocês. Vocês ainda se lembram do que aconteceu naqueles jogos contra o Botafogo? Pois é, vocês começam e depois não queremos choro nem vela. Vamos ver se os vascaínos são bons cabritos e não berram” (Rômulo Brandão Torsequi, BH, MG)” (Hollanda, 2010).
Anos depois, no programa “O Baú do Esporte” ( Rede Globo), um jovem na torcida do Vasco leva uma guitarra[4] e um amplificador para o estádio e leva o som do rock para as arquibancadas. Em seguida aparecem cenas de brigas e correrias entre os torcedores do Vasco que invadem a área reservada aos atleticanos.
Com a ampliação do número de clubes no campeonato nacional (chamado de Taça de Prata), novas rivalidades começavam a despontar. Agora era a vez da briga entre cariocas e gaúchos. É o que revela a manchete do jornal: “GUERRA EM PORTO ALEGRE: Viagens mais distantes, como ao Rio Grande do Sul, podiam eventualmente trazer dissabores”. Numa carta para o jornal com o título de “Guerra”, uma torcedora cruzmaltina se queixava da maneira pela qual havia sido tratada no Beira-Rio pela Torcida do Internacional, com ofensas, pilhérias e desacatos. A leitora sugeria para Porto Alegre o que já havia sido adotado para o Maracanã: a separação das torcidas pela Polícia, com a divisão de territórios que impedisse o contato entre os torcedores adversários”[5].
Para piorar, em novembro de 1968, um acidente com a torcida do Vasco que ia para São Paulo acompanhar o time em um jogo contra o Corinthians pela Taça de Prata, provocou inúmeras vítimas, inclusive a sua grande liderança nas arquibancadas: Dulce Rosalina ficou bastante ferida “quando um dos ônibus precipitou-se numa ribanceira de cerca de 15 metros de altura, próxima ao quilômetro 195 da Rodovia Presidente Dutra, sem que se registrasse nenhum caso de morte. A Chefe da Torcida Organizada, Dulce Rosalina Ponce, sofreu fraturas no braço e na clavícula, e só 2 feridos voltaram ao Rio, já que os outros 16 continuam internados no Hospital”[6].
O ano terminaria sem título para o Vasco e péssimo para as liberdades democráticas. Se com o golpe de 1964 já havia uma época de bastante opressão, a partir da edição do Ato Institucional n 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, as manifestações praticamente se extinguiriam.
            A liderança de Jaime de Carvalho e Dulce Rosalina, por exemplo, continuariam prevalecendo no seio de suas torcidas, a despeito do surgimento de novos grupos e da aglutinação destes em outros setores dos estádios, principalmente atrás dos gols. De fato, as Torcidas Jovens sinalizavam o caráter renovador das torcidas e mostrava o processo de extrema dinamicidade que traria dimensões de grande extensão aos antagonismos e conflitos entre os torcedores.
            Não seria mais possível encobrir a existência de divergências nesta nova formação social nas arquibancadas. Revelava-se um acentuado descompasso entre a liderança tradicional dos torcedores-símbolos e o novo quadro de críticas que se avolumavam entre as novas lideranças, que exigiam uma ruptura de princípios básicas que sustentaram a formação das torcidas organizadas nos anos 1940. O ideário de consenso entre os torcedores seria substituído por um desejo de romper qualquer limitação no monopólio de representação das torcidas.
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Em 1969 surgia  a Gaviões da Fiel (Corinthians).
[2] Fonte: Jornal do Brasil 09 de Junho de 1968.
[3] Fonte: Jornal Diário de Notícias 09 de Junho de 1967.
[4] É sempre bom lembrar que este período foi bastante agitado na cena musical com os festivais lotando auditórios e ginásios  e o público torcia como se estivesse em um estádio de futebol.
[5]  Fonte: Jornal dos Sports Rio de Janeiro, 14 de Novembro de 1968.
[6] Fonte: Jornal do Brasil 21 de Novembro de 1968 

Vasco Jornal O Globo 1968

Vasco Revista O Cruzeiro 1968

sábado, 28 de janeiro de 2017

FORÇA JOVEM 1997: VENHA FAZER PARTE DA 23ª FAMÍLIA SÃO PAULO

Fundada em 06 de Setembro de 1996
Sede: Rua Alberto Lange 505-B, Capão Redondo São Paulo.
É muito simples, só é preciso fornecer:
Xerox do RG ou Certidão de Nascimento
Comprovante de Residência
03 Fotos 3/4
Taxa R$ 10,00
Atenção com a mensalidade
Agora você é mais um integrante da Força Jovem
Atenciosamente
Mário S. Fernandes

Força Jovem 23ª Família São Paulo 1997

Força Jovem 23ª Família São Paulo 1997

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

FORÇA JOVEM 2017: FORÇA JOVEM LANÇA EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA SUAS ELEIÇÕES

EDITAL DE CONVOCAÇÃO (INSCRIÇÕES DE CHAPAS) 
O Grêmio Recreativo Torcida Organizada Força Jovem do Clube de Regatas do Vasco da Gama, comunica que o edital eleitoral encontra-se no site oficial do Grêmio neste link: 
http://www.forcajovem.com.br/edital_site_fjv.pdf (clique no link ao lado para fazer o download do edital em arquivo pdf). 
Estarão abertas as inscrições de chapas para a eleição de diretores e conselheiros referente ao biênio 2017/2019. 
Local: Portão 1 (social) da sede do Club de Regatas Vasco da Gama (São Januário). 
Data: 05 de fevereiro de 2017 (Domingo). 
Horário: As 11 horas, com tolerância até as 14 horas. 
Taxa: R$100,00 (cem reais) por chapa inscrita. 
Aptos a inscrição: Sócios do Grêmio que tiveram seus cadastros homologados até o dia 10/09/2016, portadores da matrícula 0001 até 1239, que respeitem as normais sociais do estatuto e encontrem-se em gozo dos seus diretos. 
Sócios necessários: 7 (sete) sócios presenciais, munidos de documento de identificação com foto. 
Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2017. 
Comissão Eleitoral do G.R.T.O. Força Jovem do Vasco 
Fonte: http://www.forcajovem.com.br e Netvasco

Força Jovem Eleição Edital de Convocação 2017

Força Jovem Eleição Edital de Convocação 2017

Força Jovem Eleição Edital de Convocação 2017

Força Jovem Eleição Edital de Convocação 2017

Força Jovem Eleição Edital de Convocação 2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

VASCO 1933: REVISTA CRUZ DE MALTA

Revista Cruz de Malta, Revista Mensal e oficial do Clube de Regatas Vasco da Gama
1933: Ano 1, número 01, Abril de 1933
1937: Ano 3, número 21, Maio de 1937
Fonte: "Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil".
Pesquisa de Jorge Medeiros


Vasco Revista Cruz de Malta 1933

Vasco Revista Cruz de Malta 1937


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1967 CUIDADO COM A TORCIDA DO PALMEIRAS

                                “Se bicha fosse flor, a torcida tricolor era um jardim”
                             Provocação da torcida vascaína sobre o Fluminense

1967             Cuidado com a Torcida do Palmeiras

A vida dos torcedores cariocas em São Paulo em meados dos anos 1960 não estava nada fácil. Depois de serem maltratados pelos corintianos, chegou a vez dos palmeirenses que agiram com as mesmas armas dos rivais: “a Sra Dulce Rosalina, chefe da Torcida Organizada do Vasco, disse que um grupo de torcedores do seu clube foi maltratado pela torcida do Palmeiras no Pacaembu. Informou que o tratamento no Pacaembu da torcidas visitantes é de inimigo em guerra”[1].
Em 1967 foi disputado o primeiro Torneio Roberto Gomes Pedrosa, um esboço de um campeonato nacional, ampliando o Rio-São Paulo que foi extinto, e incluindo os clubes de Minas Gerais, Rio do Grande do Sul e do Paraná.
As alianças entre torcidas de diferentes estados só seriam estabelecidas no  início da década de 1980. A novidade nestes anos era o xingamento coletivo das torcidas, com os primeiros coros de palavrões entoados por milhares de pessoas ao mesmo tempo.
Durante toda a década, principalmente após o Golpe de 1964, a reação da imprensa foi fazer campanhas contra os palavõres nos estádios. E os chefes de torcida serão responsabilizados por não conseguirem coibirem uma atitude considerada antiesportiva. Por diversas vezes e, nas palavras de diferentes cronistas, o papel dos líderes é questionado, sendo vistos como incapazes de conter o ímpeto dos liderados ou mesmo de incentivá-los: “urge uma campanha que acabe para sempre com a falta de educação que se manifesta em coro no Estádio Mário Filho. Como informei ontem, o Juiz de Menores pensa em proibir o ingresso de menores no Estádio, se os palavões continuarem agredindo mais a sensibilidade dos espectadores do que os brios dos juízes de futebol. Fizemos, Armando Nogueira, Valdir Amaral, Ricardo Serran, Doalcei Camargo e tanos colegas, um esforço considerável para colocar os menores no Maracanã. Agora, temos de evitar que alguns desbocados comandem o descontentamento da Torcida no deplorável sentido da ofensa grosseira, que ouvimos, ultimamente, dos torcedores do Fluminense e Botafogo. Os Chefes de Torcida precisam colaborar. Por sinal, é deles a maior responsabilidade, porque o xingamento sai do núcleo da torcida Organizada. Se Dulce Rosalina (Vasco), Tarzã (Botafogo), Jaime de Carvalho (Flamengo), Paulista ou Bolinha (Fluminense), Juarez (Bangu) e Elias (América) tem força de comando para arrancar aplausos e vaias dos torcedores que lideram também devem ter para controlá-los nas expanções negativas. Se os menores forem retirados do futebol, os grandes culpados serão os Chefes de Torcida”[2].
Enquanto a imprensa e os conservadores se preocupavam com os palavrões, a torcida vascaína queria um técnico capaz de montar um time vencedor. Em 1967 a sucessão de técnicos prosseguia e só neste ano foram três: Zizinho, Gentil Cardoso e Ademir Menezes. O Vasco procura descobrir um técnico e a “solução”, na maioria das vezes, foi dar a oportunidade a ex-jogadores com passagens vitoriosas pelo clube mas sem grande experiência como treinadores. Depois de Ademir, Paulinho de Almeida (1968) e Pinga (1969) foram as próximas tentativas. O clube “serviu” de laboratório para ídolos que não vingaram fora das quatro linhas.
No final do ano um novo técnico é escolhido mas a divisão de opiniões no clube permanecia, dividindo ainda mais o clube: “a contratação de Paulinho de Almeida, concretizada ontem, para técnico do Vasco, está criando um clima de agitação com esboço de crise, e ontem, na Igreja do Rosário, por ocasião da missa de aniversário do benemérito Álvaro Ramos, o assessor do Presidente eleito, Reinaldo Reis, Sr José Iraci Brandão, a saída, discutiu acalorada e asperamente com o Sr Alá Batista, pois este último é categoricamente contra Paulinho. Apesar disso, Paulinho está contratado por um ano, com NCr$ 2 mil mensais, além de prêmios normais. Dulce Rosalina e a Torcida, querem impor Martin Francisco. Mas, Reinaldo Reis declarou que assume toda a responsabilidade pela contratação do novo treinador que assumirá seu cargo no próximo dia 04 de Janeiro”[3].
Em dezembro, torcedores de diversos clubes fazem uma homenagem ao aniversariante Jaime de Carvalho (56 anos) e sua torcida: a Charanga que comemorava 25 anos (1942-1967). “Comemorado com uma festa no Morro da Viúva, com direito a discursos de dirigentes, a mensagens do Presidente do Clube e a presentes como um moderno megafone importado dos Estados Unidos (...) representantes das torcidas co-irmãs do Vasco, do Botafogo, do Fluminense e até do Corinthians reputavam Jaime como o Chefe dos Chefes de Torcida, viria a receber ainda o título de torcedor número um do Rio, outorgado pelo capitão de policiamento do Maracanã” (Hollanda, 2010).
Tanto Dulce como Jaime viviam momentos muito complicados como torcedores e chefes de torcida. Os dois clubes das maiores torcidas na cidade do Rio de Janeiro amargavam mais um ano de péssimos resultados nos gramados. Em particular, o Flamengo que terminou o ano com mais derrotas que vitórias em 1967. Chegou a sofrer mais gols que fez. O Vasco concluiu o ano com o mesmo número de vitórias e derrotas (21 vezes) e também ficou com um saldo negativo.
 Enfim, não foi um ano para fazer grandes comemorações. Nesse período começam a surgir os primeiros sinais de ruptura institucional nas torcidas organizadas. O tempo dos torcedores pacíficos que tolerariam os times de pouca expressão estavam com os dias contados.
            Jaime necessitava muito do apoio de seus amigos, pois neste final de ano sua torcida e seu clube viviam momentos de muita tristeza. Em menos de um mês seu time perde para o Vasco por duas goleadas (4 a 0 em 11 de novembro e 3 a 0 em 2 de dezembro), Insatisfeitos com a liderança de Jaime, que não permitia que os jogadores de seu clube fossem vaiados, um grupo resolve fundar uma torcida dissidente e que seria o embrião da futura torcida Jovem[4].
            Depois de serem surrados pelo Vasco por 7 a 0, o líder da torcida do Flamengo realmente estava coberto de razão. Este time tinha que ser aplaudido.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.



[1] Fonte: Jornal A Luta Democrática 15 de Março de 1967.
[2] Fonte Coluna de Achilles Chirol no Jornal Correio da Manhã 09 de Agosto de 1967
[3] Fonte: Jornal Diário de Notícias 22 de Dezembro de 1967.
[4] Em sua data de fundação , a torcida considera o dia 5 de dezembro de 1967.

Vasco Jornal O Globo 1967

Vasco 1967

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

VASSUCESSO DE TOMBOS MG 1983: HISTÓRIA

Em Tombos, Minas Gerais, já é uma tradição a presença e animação deste grupo de mais de 70 pessoas, todos os anos, nos salões do Clube TESC. 
A Liderança do grupo é de Nério Meira Silva e ele garante que em Tombos é esmagadora a maioria Vascaína. 
Até o Prefeito Marco Aurélio aumenta a Torcida do Vascão naquela cidade.
Fonte: Revista do Vasco 1983

Vassucesso de Tombos MG 1983






segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

TORCIDAS DO VASCO 1943: NADA DE CORTINAS DE FUMAÇA

Para jogo entre Cariocas e Paulistas, a CBD resolveu dirigir-se a Diretoria do Vasco solicitando sua interferência junto ao quadro social cruzmaltino, solicitando que não sejam arremessados bombas para dentro do gramado, afim de não prejudicar o desenrolar do jogo. A entidade máxima determinará ao árbitro da peleja a paralisação da mesma, se o uso das bombas assim tornar necessário. 
Como se sabe na última partida, a Torcida Vascaína numa estrepitosa demostração de alegria pela vitória dos cariocas, lançaram ao gramado centenas de bombas, provocando uma verdadeira cortina de fumaça, que de certo modo poderia acarretar prejuízos de ordem técnica ao desenrolar da partida. Assim a arma secreta dos Vascaínos não poderá funcionar, amanhã a noite.
Fonte: Jornal Lavoura e Commercio 19 de Dezembro de 1943

Torcida do Vasco Jornal Lavoura e Commercio 1943



domingo, 22 de janeiro de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1966 CAMPANHA CONTRA OS CARONAS


                                                        “Bicha, Bicha, Bicha!!!”
                                          Protesto contra o juiz Armando Marques


1966              Campanha Contra os Caronas (CCC)

O ano começa com a expectativa do Brasil conquistar o tricampeonato mundial na Inglaterra. Para o Vasco o começo de ano não foi positivo. Além da preocupação com a contratação de reforços para o time voltar a ser competitivo, os torcedores pediam para o presidente do clube Manoel Lopes não sair. Mas este estava irredutível. A crise vascaína nos anos 1960 parecia não ter fim.
No torneio Rio-São Paulo, o entusiasmo de 1965 deu lugar ao temor diante dos episódios de violência dos paulistas: “o medo de novas baixas como na última refrega, quando alguns companheiros voltaram com pernas e cabeças quebradas a pedradas, impediu a Senhora Dulce Rosalina, chefe da Torcida Organizada do Vasco, de reunir mais de 20 pessoas para ir hoje, a São Paulo, animar a equipe do Vasco contra o Corinthians”[1].
Aquela não seria uma partida qualquer. Era a primeira partida de Garrincha pelo Corinthians, contratado junto ao Botafogo e maior esperança dos paulistas do fim de jejum de 11 anos sem o campeonato paulista. E o receio dos cariocas realmente fazia sentido pois o Pacaembu ficou lotado para a estreia de seu novo ídolo. Em campo, quem brilhou foi o Vasco, que vence por 3 a 0.
            No aniversário de Dulce, em março, comparecem lideres de várias torcidas. Entre eles: Paulista do Fluminense, Trazan do Botafogo e Jaime de Almeida do Flamengo, além de dirigentes do Vasco que cedem a sede no centro como o local da festa.
            Mal comemorava o aniversário, Dulce investia suas garras contra os dirigentes do Santos dispostos a levar o zagueiro Brito para a equipe paulista: “Os Chefes da Torcida Vascaína, Dulce Rosalina e Ramalho, prometeram comparecer hoje ao Aeroporto Santos Dumont, para hostilizar o Presidente do Santos, que segundo se anuncia, vêm fazer nova tentativa para contratar o zagueiro central Brito para o Santos. A torcida vascaína promete fazer tudo que estiver a seu alcance para dissuadir os dirigentes do Santos do seu intento”[2].
            Pela primeira vez o torneio Rio-São Paulo termina com o título dividido por quatro clubes (Vasco, Botafogo, Santos e Corinthians) em função da falta de datas para uma disputa entre os finalistas. A maior preocupação para os dirigentes era a seleção brasileira e até aquele momento ninguém sabia quem seria escolhido.
A preparação da seleção para a Copa do Mundo na Inglaterra foi a pior possível e a convocação de 44 jogadores, formando 4 times que disputavam entre si qual seria o grupo final, provocou indisciplina, disputas e intrigas entre jogadores e dirigentes, com acusações contra tudo e todos. O resultado foi previsível para muitas pessoas com a eliminação do Brasil ainda na primeira fase. O vascaíno e poeta Carlos Drummond resumia a tristeza generalizada no país com a derrota:  “não há nada mais triste do que o papel picado, no asfalto, depois de um jogo perdido. São esperanças picadas”[3] .
De volta ao Brasil, os dirigentes fazem de tudo para impedir a fúria dos torcedores no aeroporto. Com chegada prevista para as 9 horas da manhã de domingo, o vôo é transferido para chegar às 11 da noite. Novos atrasos e finalmente o desembarque é feito na madrugada de segunda-feira.
            O resultado pífio na Inglaterra mostrava que medidas urgentes deveriam ser tomadas para melhorar a administração do futebol. Neste intuito, dirigentes da Federação carioca de Futebol reuniram as principais lideranças dos torcedores: “sugeriram que os sócios dos Clubes paguem uma arquibancada em jogos no Maracanã em local reservado, a extinção da FUGAP e a revogação da lei que da 15% aos jogadores quando a venda de seus passes. Os Chefes das Torcidas foram a FCP a fim de tratar com o Sr Ícaro França do concurso para eleger a melhor Torcida, mas como o dirigente pediu que dessem sugestões, ao mesmo tempo em que sugeria que os torcedores formassem uma Associação”[4]. Além disso os líderes pediram para acabar com as gratuidades que os dirigentes tem direitos, chegando a mais de 1.000 por partida, segundo denúnica dos torcedores.
 Com a fraca campanha no campeonato carioca o alvo principal de parte da torcida recaiu sobre os ombros de Zéze Moreira, técnico do clube desde 1965, que tem seu nome numa faixa pedindo a sua saída. No entanto, os protestos partem de outro setor diferente da TOV: “Dona Dulce Rosalina contou que a Torcida Organizada nada tem a ver com relação a esta faixa. Esclareceu, inclusive, que as pessoas que fizeram a faixa tentaram colocá-la no lugar onde fica a Torcida Organizada e ela não consentiu”[5].
            No dia primeiro de novembro os jornais anunciam que o presidente do Vasco, João Silva, proíbe Dulce Roslaina de frequentar as dependencias do clube, acusando-a de atrapalhar o trabalho do técnico. No dia seguinte vem a resposta de Dulce que “decidiu recolher as bandeiras em sinal de protesto, ou o clube despede Zezé Moreira, o técnico, ou ela, Dona Dulce, leva a torcida a greve, esvaziando as arquibancadas do Maracanã, lado direito da Tribuna de Honra. É um direito que tem a moça atribuir ao treinador a culpa de tanta derrota, mas gostaria de pedir a dona Dulce que, na medida do possível, procure maneirar a torcida do Vasco que anda muito desbocada. No mais, Dona Dulce, dou razão a senhora: O Time do Vasco da Gama está justificando uma greve unânime da classe Vascaína[6]. A promessa de uma greve em plena ditadura militar era um sinal que os torcedores não queriam mais ser tratados de forma passiva e passavam a incorporar discursos e praticas de resistencias ao regime excludente.
            Mesmo o Jornal do Brasil sendo apontado como um período liberal e simpático aos movimentos populares da época, o tratamento que uma notícia dá para Dulce Rosalina é o pior possível, acusando-a de não saber se portar como torcedor, comparando com as atitudes de Jaime, em que este dá total apoio ao clube: “D. Dulce Rosalina deu com os burros nágua em sua Campanha contra o Time do Vasco. Nessa jogada, D. Dulce perdeu todo o prestigio, porque se portou como péssima torcedora. Torcedor, D. Dulce é o Jaime de Carvalho, que leva sua Charanga para apoiar o Flamengo, seja quem for o Técnico, esteja o Time como estiver, é o Juarez, do Bangu, que bota a camisa do Clube no corpo, pinta sua casa de vermelho e branco e já perdeu a conta das vezes que chorou nas decisões perdida”[7].
Satisfação em 1966 ocorreu somente com a vitória do Bangu sobre o Flamengo na final do campeonato carioca. O Maracanã viu juntar as torcidas de Vasco, América, Fluminense e Botafogo, que comemoraram um dos maiores bailes numa final, além de uma incrível pancadaria em campo, protagonizada pelo nosso ex-ídolo Almir, inconformado com o “olé” dos jogadores banguenses e prometendo aos dirigentes rubro-negros que o Bangu não daria a volta olímpica.
Quando Almir iniciou a briga, a torcida do Flamengo estava revoltada. Ele relembra: “Assim que voltei, a torcida do Flamengo, mais de 100 mil presentes, começou a gritar”:
- Por-ra-da ! Por-ra-da ! Por-ra-da !
            Depois do jogo a briga se estendeu para as arquibancadas, com confrontos generalizadas entre os torcedores. Numa das maiores brigas no Maracanã até então. O jogo terminou com o resultado de Bangu 3 a 0 no Flamengo, levando um público de 143.978 no dia 18 de Dezembro.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Jornal Diário de Notícias 02 de Março de 1966.
[2] Fonte: Jornal Correio da Manhã 11 de Março de 1966.
[3] Drummond, Carlos. Quando é dia de futebol. Rio de Janeiro; Record, 2002. p.82. Crônica publicada no jornal Correio da Manhã  em 17 de julho de 1966.
[4] Fonte: Jornal do Brasil 23 de Agosto de 1966.
[5] Fonte: Jornal do Brasil 18 de Outubro de 1966.
[6] Fonte: Jornal do Brasil Coluna “Na grande área” de Armando Nogueira 02 de Novembro de 1966
[7] Fonte: Jornal do Brasil 05 de Novembro de 1966.

Vasco 1966

 
Vasco Jornal O Globo 1966

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

FORÇA JOVEM 1991: RECADO DA 2ª FAMÍLIA ZONA NORTE

Coluna Bate Bola, Jornal dos Sports
Destaco a importância das Torcidas Organizadas nos Estádios. Sem elas, o nosso futebol não teria a mesma emoção. Aproveito para mandar um abraço a todos os integrantes da Força Jovem do Vasco e em especial a 2ª Família (Rato, Avelino, Toni, Max, Patrick, Charles, Paulo, Meleca, Ricardo, Leite, Beto, Wellington, Léo, Marise, João Felipe, Rodrigo, Molho, Greg, Betinho, PC e Giovani). 
Vasco por Amor, Força Jovem por Ideal. 
Saudações Vascaínas.
Serginho do Rio Comprido
Fonte: Coluna Bate Bola Jornal dos Sports 1991

Força Jovem 2ª Família Jornal dos Sports 1991

Força Jovem Maracanã 1991

Força Jovem Estádio do Campo Grande 1991




quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

TOV 1959: DULCE: FEZ SEU TIME PERDER PARA FAZER AS PAZES COM A NOIVA

Não há um só torcedor do Vasco da Gama que não conheça, senão pessoalmente, pelo menos de nome, Dona Dulce Rosalina. Em todas as partidas em que o Clube Cruzmaltino se empenha, quer esteja perdendo , quer esteja ganhando, lá nas arquibancadas se encontra D. Dulce animando a Torcida. Incentivando o Ramalho a tocar sua mamona com força e aplaudindo os jogadores.
- Nunca faltei a uma partida sequer do Vasco (confessou). Em Madureira, em Moça Bonita, Caio Martins, na Rua Bariri, até mesmo em São Paulo eu já fui, para aplaudir o meu Vasco querido. Pode chover até granizo, se o Vasco jogar, seja onde for, lá estarei conclamando meus filhos, os jogadores, a se empenharem cada vez mais em busca do triunfo.
-Desde quando é Vascaína?
- Desde que me chamo Dulce Rosalina. Meu pai era português e Vascaíno até debaixo d’água. Eu já simpatizava bastante com o Clube da Cruz de Malta, quando, um dia, li numa revista que, em 1926, diversos Clubes se negaram a jogar contra o Vasco somente porque no seu quadro figuravam diversos jogadores negros, como Tinoco, Fausto e Mola, por exemplo. Fiquei revoltada com aquilo e prometi a mim mesma que seria Vascaína até morrer e que, algum dia, haveria de fazer alguma coisa de útil pelo meu Vasco. Estávamos no ano de 1937 e tinha eu, 12 anos.
Neste ponto, a Chefe da Torcida Vascaína abriu um parênteses para esclarecer que foi esposa do jogador Ponce de Leon, meia direita que atuava no América e se transferiu, posteriormente, para o São Paulo. Desse casamento resultaram dois filhos, Norival Cabral Ponce de Leon Filho (que está com 9 anos e joga futebol na mesma posição do pai) e Maria de Lourdes (de 7 anos), que se diz namorada do jogador Almir... Há 6 anos D. Dulce e Ponce de Leon separam-se: daí em diante ela se dedicou cada vez mais ao Vasco para suprir, assim a lacuna que a ausência do marido deixara em sua vida.
- Eu e Ponce discutíamos muito por causa do ardor com que eu defendia meu Clube. Nós estávamos noivos e ele achava  que minha obrigação de noiva era torcer pelo São Paulo, Clube ao qual Ponce estava vinculado. Um dia, horas antes de começar uma partida entre o São Paulo e o Vasco da Gama (que terminou com a vitória do Vasco por 3 x 2, tivemos uma briga e desmanchamos o noivado. Quer saber o que ele fez para me reconquistar. Marcos dois tentos sanpaulinos e, quando estava frente a frente como Barbosa, pronto para decretar o empate, chutou a bola propositalmente para fora. Fiquei quase louca de alegria. Barbosa entendeu aquela atitude de Ponce depois que eu lhe contei tudo.
_ Como a Sra se tornou Chefe da Torcida Vascaína.
- Dona Margarida sucedeu o De Luca na chefia da Torcida Cruzmaltina. Ela era uma criatura dedicada, mas limitava-se apenas a percorrer as arquibancadas, recolhendo o dinheiro para compra de fogos. Conhecia, nos tornamos grandes amigas. Um dia faleceu o pai de Dona Margarida e ela achou que não podia mais continuar a frente da nossa Torcida e me passou o cargo no Programa Vasco em Revista da Rádio Continental, isso em 1956.
- Qual foi a sua primeira providencia, D. Dulce?
- Ajudar o Vasco a construir quadras de Basquete. Meu Clube estava lutando com algumas dificuldades financeiras e eu me empenhei junto a Torcida para arrecadar os fundos necessários. Pedindo a um e a outro, obtive 200.000 cruzeiros e fiz entrega da quantia ao Presidente Artur Pires, que mais tarde, inaugurou as duas quadras.
- Onde se reúne a Torcida Organizada?
- Aqui mesmo, em minha casa. Minha porta está aberta a qualquer Vascaíno, seja ele branco ou preto. Aqui, na Rua Aristides Lobo, 89 ap: 301, a cor da pele e a categoria social não influem. Basta ser Vascaíno, para ser meu amigo.
- Já brigou alguma vez pelo Vasco, D. Dulce?
- Alguma vez? Centenas de vezes. E brigarei sempre que for necessário. Já briguei com uma mulher e dei nela de sapato, quebrei o mastro de uma bandeira nossa na cabeça de um cretino botafoguense, discuti com uns rubronegros mal educados, fui apedrejada no Estádio da Gávea, disse umas verdades a muito tricolor sem linha, enfim: não perco ocasião de defender meu Clube. Pelo Vasco já fui até parar no Distrito.
Ante nossa surpresa, D. Dulce esclareceu que, um dia, estava em companhia de diversos amigos Vascaínos, quando um guarda (que é rubronegro) requisitou duas guarnições da Rádio Patrulha, sob a alegação que eles estavam perturbando o silêncio, os ânimos se inflaram e foram todos parar no Distrito.
- Instauraram até processo contra mim, pelo crime de ser Vascaína. Com a brincadeira, acabei gastando mais de 15,000 cruzeiros.
Fez uma pausa e arrematou.- Mas não me arrependo, não. Meu Vasco vale muito mais do que isso.
Fonte: Revista do Esporte 06 de Junho de 1959

13 ANOS SEM DULCE ROSALINA
Hoje dia 19 de Janeiro de 2017 faz 13 anos que Tia Dulce nos deixou. 

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1959

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1959

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1959

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1959

TOV Dulce Rosalina Revista do Esporte 1959