sexta-feira, 14 de setembro de 2018

FEMININA CAMISA 12 E RENOVASCÃO 1984: ESTAS MULHERES VALENTES E SUAS TORCIDAS MARAVILHOSAS

As mulheres estão tomando os espaços que até então eram dominados pelos homens. Elas se tornaram mais audaciosas, valentes e, acima de tudo, começaram a colocar para fora os seus valores intelectuais. A mulher sabe enfrentar com fato os obstáculos que surgem pelos caminhos. E foi assim que elas venceram a barreira de se tornaram Chefes de Torcida.
Elas conciliam a vida do lar e do trabalho com o grito vibrante que faz eco aos Estádios. São respeitadas e admiradas pelos homens nas arquibancadas. Esses homens, agora, não são mais os líderes absolutos. Alguns são até comandados pelo “sexo frágil”. A mulher, com graça e sensibilidade, comanda e embeleza o espetáculo.
Um exemplo disso é Tia Laura, que com seus 64 anos está nas arquibancadas, chefiando a Charanga do Flamengo, a primeira Torcida Organizada, fundada na década de 1940 por seu marido, Jaime de Carvalho, já falecido. Antes a Torcida tinha o nome de Avante Flamengo, “mas como os músicos não eram lá essas coisas”, Ari Barroso, cantor, compositor, apresentador e flamenguista doente, interveio:
“Esses músicos são muito ruins, Jaime. Por isso, essa Torcida tem que se chamar Charanga do Flamengo, pois tocando mal desse jeito que eles tocam, só pode ser Charanga.
Outra Chefe de Torcida é Tuninha, 31 anos, da Flamante. Ela afirma que o verdadeiro amor é o Flamengo. E que assim será até morrer. Bancária, ela concilia todos os seus afazeres. É uma guerreira na defesa do Clube de seu coração. A madrugada não a assusta, durante os preparativos para a festa nas arquibancadas, para o seu Flamengo. As derrotas do time não a entristece, pois nesse momento, se lembra das grandes vitórias, especialmente aquelas obtidas com muita garra.
Lugar de mulher é em casa? Nada disso. Afirma Iara da Silva Barros, Chefe da Torcida Feminina Camisa 12 do Vasco, há 11 anos. Mulher dinâmica, sem preconceitos, é firme em suas decisões. Após ter participado da Torcida Força Jovem, liderada por Eli Mendes, resolveu fazer alguma coisa diferente pelas mulheres e pelo próprio Vasco. Foi a luta e criou uma Torcida exclusivamente de mulheres. Todas são carinhosamente chamadas de Luluzinhas. Houve uma receptividade muito boa das Torcidas dos demais grandes clubes e surgiu a Fluminina. Pena que não vingou.
Pouca gente ouviu falar em Helena Lacerda. Mas quem não conhece a Tia Helena da fiel Tricolor? Quando começou a ser Chefe da Torcida fez um pacto consigo mesmo de despreendimento pelo Fluminense. O seu amor pelo Clube é enorme. A prova disso é que deixou de viajara Europa para investir o dinheiro na reforma da Sede de sua Torcida no Maracanã, gastando cerca de Cr$ 3 milhões.
Mas, o melhor exemplo de dedicação e abnegação é Dulce Rosalina, Chefe da Renovascão. É a mais antiga Chefe de Torcida. Seu amor pelo futebol nasceu quando ela era criança. Mas tarde, quando se casou com o jogador de futebol ponce de Leon, sua paixão aumentou. Hoje, vive para o seu Vasco da Gama.
Fonte: Jornal dos Sports 26 de Setembro de 1984


Feminina Camisa 12 e Renovascão Jornal dos Sports 1984



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