domingo, 6 de agosto de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1901 VIVA OS ROWINGS VASCAÍNOS!

                      “as camadas populares estavam sempre presentes nos eventos náuticos”
                                                     Victor Melo – historiador do Remo

1901               Viva os Rowings Vascaínos!

              A existência prolongada de um clube ou de qualquer outra instituição depende de inúmeros fatores. Ao comemorar 100 anos em 1998, muitas histórias de glórias e feitos heróicos foram revividos pelos vascaínos. Porém, uma parte dessa história é jogada para debaixo do pano. São os momentos de brigas, tensões e disputas internas, comuns ao longo dos anos. Reviver esses momentos nos ajudam a entender o quanto foi difícil manter uma instituição funcionando por mais de um século, quando problemas internos quase que não deixam o clube chegar nem ao 5° ano de vida.
Um grupo de oposição ao presidente Leandro Martins resolveu, em fevereiro de 1901, modificar o que ficou estabelecido no final do ano anterior e criou uma verdadeira revolta promovendo uma série de ações que dividiu os sócios e impediu o bom funcionamento do clube. Terminou quando “o grupo insatisfeito abandona o Vasco, se juntando ao Internacional de Regatas. Alguns eram homens que contribuíram muito com clube no seu começo, o remador e técnico José Lopes de Freitas estava entre eles, mas que agora desferiam um golpe quase mortal no Vasco”[1].
Apesar das adversidades o clube e seus associados seguiam em frente e realizaram um “pic nic” na Ilha do Engenho[2] (São Gonçalo) em comemoração ao terceiro aniversário do grêmio e como forma de integrar mais a família vascaína. A realização de atividades recreativas (como passeios e festas) somadas às esportivas foram fundamentais para a formação da nossa identidade clubística e um bom meio de exprimir sua diferença dos outros clubes. De todas as associações de regatas, o Vasco foi aquele que mais procurou ultrapassar o caráter esportivo criando inúmeras redes de solidariedade entre os seus associados. Em muitos pic nics eram levantados recursos para ajudar os mais necessitados, por exemplo.
Como toda a crise do ano foi superada é um grande mistério. Mas a força dos sócios mais abnegados foi, talvez, a melhor explicação para o clube continuar existindo. Nos próximos anos as lutas para o clube se afirmar ainda seriam muitas. Certamente a força de vontade dos remadores dando o exemplo de obstinação pelo clube, falou mais alto.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte;www.paixaovascao.com.br
[2]De acordo com informações do site www.semprevasco.com: “a ilha era de propriedade de Henrique Lage, sendo posteriormente repassada à administração do Corpo de Fuzileiros Navais, permanecendo sob a tutela da Marinha até hoje. Naquele tempo o acesso era livre”.


Vasco Revista da Semana 1901

Vasco Revista da Semana 1901


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1900 ARGENTINOS NA FESTA VASCAÍNA

                                                     “os moços que se entregam ao manejo        
                                                        do remo serão a arca de defesa da pátria”
                                                                        Frase de Olavo Bilac

1900             Argentinos na Festa Vascaína

Em função dos desentendimentos do ano anterior, a temporada das regatas para o Vasco não seria nada fácil. O clube “mais uma vez não competiu efetivamente pelo campeonato de remo, mas mesmo assim foi conquistada a segunda vitória da história do clube com a “Visão”, no terceiro páreo da primeira Regata de 1900”[1].
         Os associados tentavam dar a volta por cima mantendo acessa a chama de união alcançada nos primeiros meses de fundação. Foi assim que elegeram para presidente Leandro Martins com a missão de reagrupar os associados promovendo novas atividades recreativas. Na mesma época eles fazem uma confraternização ao comemorar os seus dois anos de existência. O clube realiza uma grande festa. Na ocasião eles recebem a visita da bela fragata argentina “Sarmiento” que viajava pelo mundo em atividade de instrução. A ponta do Quilombo (Ilha do Governador) foi o local escolhido para uma reunião social no palacete de Antonio Sousa Gomes, pai de Rodolpho Souza Gomes, um dos organizadores do evento vascaíno.
Ao retornar para a cidade os vascaínos resolvem caminhar pela cidade: “organizando os sócios do Vasco precedidos de uma banda de música e acompanhados por algumas famílias uma ruidosa passeata pelas ruas na nossa capital”[2]. Desde cedo percebe-se um desejo de fazer do clube uma instituição que representasse toda a cidade, que ocupasse seus espaços públicos e ganhasse a simpatia do população local. Não era um clube virado somente para si e seus sócios, mas voltado para expandir suas fronteiras para além dos associados.
Em grande reportagem realizada pela Revista da Semana é possível entender a grandeza do clube que reunia “um número superior a 400 (sócios), quase exclusivamente empregados do comércio”. E destaca o perfil do clube e de outros da região, além enfatizar que se rompiam barreiras na iniciativa de levar o remo para as camadas populares: “a esse clube, bem como a seus coirmãos do Boqueirão do Passeio, do Natação e outros, cabe a gloriosa iniciativa de introdução em nosso meio comercial do gosto náutico, vencendo quase inteiramente o preconceito retrógrado que votava ao ostracismo um esporte de tão benefícios efeitos”.
Lendo as notícias divulgadas pela imprensa é nítido o interesse dos organizadores das competições náuticas passarem uma imagem de fidalguia e distinção de classe nos principais eventos, em contraste com a crescente participação popular. Os clubes da região do Centro viviam o dilema de aceitarem novos sócios e atletas das camadas populares e de se apresentar como clubes dotados de membros “da boa sociedade”.
Essa tensão entre a popularização e os traços elitistas de quem comandava o esporte podia ser resolvida de várias formas. Algumas mais excludentes, como a separação nas arquibancadas criando locais reservados, nos barcos enfeitados e agrupando os mais elegantes, ou divulgando o grande público que assistia de diversos lugares em toda a Enseada de Botafogo. Um exemplo de seu caráter elitista e do papel desempenhado pela representação da grande imprensa era o apregoado anúncio de mulheres que “enfeitavam” a festa, é a reportagem da Gazeta de Notícias do dia 13 de agosto de 1900: “nas arquibancadas que o Conselho Superior de Regatas destinou aos seus convidados eram indescritíveis o entusiasmo com que todos acompanhavam as peripécias de cada um dos páreos e as ovações feitas aos seus vencedores. Ali estava representada uma grande parte do que de melhor tem a sociedade fluminense. Além das arquibancadas, completamente repleta de mimosas representantes do belo sexo, ainda no grande pavilhão central e em grande número nas canoas viam-se outras não menos mimosas, ostentando a beleza das suas toillettes claras”.
A presença feminina nas regatas será quase que obrigatória nas reportagens da época que ressaltavam uma mudança de hábito com o desenvolvimento urbano trazendo um afrouxamento dos laços familiares e um esvaziamento do poder das associações religiosas que perdiam espaço para as novas formas de sociabilidade como os eventos culturais e esportivos que se alastravam pela metrópole.
Em dezembro era anunciado e realização de obras na garagem do Vasco que garantiram um aumento de 30 metros. Garantindo mais espaço para o aumento do número de barcos, totalizando 23 embarcações. Também era anunciada a formação de uma escola de natação para em breve. Ela iria se juntar a escola de ginástica do clube, local de grande freqüência dos associados.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte:www.paixaovascao.com.br
[2] Semana Sportiva, agosto de 1900.

Vasco Revista da Semana 1900

Vasco Jornal do Brasil 1900

domingo, 30 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1899 O CLUBE DIVIDIDO

                                  “A cruz vascaína é, definitivamente, a "Cruz de Cristo".
                                           Henrique Hubner – Centro de Memória do Clube

1899                     O Clube Dividido
            
Antes do clube completar um ano de existência ocorre uma cisão que quase leva ao fim da agremiação. Um grupo de associados, liderados pelo  próprio presidente Francisco do Couto resolve sair do clube e fundar outro. O Club de Regatas Guanabara.
            O motivo da discórdia era o aparecimento de duas posições opostas sobre a localização ideal para a sua sede. Uma parte dos sócios (maioria) queria que a sede ficasse próxima a Praia de Santa Luzia onde ficava a garagem na qual eram guardados os barcos. A corrente minoritária queria ir para a Praia de Botafogo.
            O grupo vencedor se instalou onde queria: na Travessa Maia, alugando uma sede onde também estavam instaladas as sedes próprias de outros clubes de regatas. Lá já estavam o Club de Regatas e Natação, o Club do Boqueirão do Passeio e o Clube Internacional de Regatas. Não se tratava de uma simples escolha de local A ou B. Tratava-se de definir a prioridade para o deslocamento de seus atletas e associados, moradores no Centro e arredores. Como a Zona Sul era um local distante, o resultado seria o afastamento progressivo dos fundadores e a provável composição de uma nova força política que adotaria os mesmos critérios seletivos dos outros clubes da Zona Sul.
Manter o clube no Centro foi uma decisão acertada, mas o resultado foi o afastamento de diversos sócios e o desfalque de vários barcos que são levados pelos dissidentes.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


Vasco Jornal Semana Esportiva 1899





sábado, 29 de julho de 2017

FORÇA JOVEM 1971: SLOGAN “VASCO O MAIS AMADO”

ÉS TU VASCO O MAIS AMADO
O sol nasce para todos, Antônio Alberto. Portanto não seja egoísta, pois não é só o seu clube que merece promoção. 
Se até o nosso símbolo é sagrado, por que o Vasco não pode ser o Mais Amado?
O Fernando Antônio Waskiavicus está de parabéns, seu slogan é simplesmente genial e verdadeiro. E se o mesmo foi criado por um membro da nossa Força Jovem que ela mande confeccionar uma faixa com os dizeres:
“Dentro ou fora do gramado, és tu Vasco o Mais Amado” (11/09)

ANIVERSÁRIO DE FERNANDO ANTÔNIO
Dia 20 do presente mês, é a data natalina do Fernando Antônio, elemento de grande valor de nossa Força Jovem. A esse Vascaíno educado e torcedor vibrante como poucos, desejamos todas as venturas, a apresentamos nossas melhores felicitações. 
Ele bem o merece: foi o criador do notável slogan o “Mais Amado”
Maria Madalena Carvalho, Praça da Bandeira, Guanabara (20/10)
Fonte: Jornal dos Sports 11 de Setembro e 20 de Outubro de 1971

Força Jovem Jornal dos Sports 1971

Força Jovem Jornal dos Sports 1971

Vasco Maracanã 1970





quarta-feira, 26 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1898 QUANDO TUDO COMEÇOU

                                                  “1498-1898 - Comemorações do IV Centenário do 
                                      Descobrimento do Caminho das Índias por Vasco da Gama”.

1898                   Quando Tudo Começou

A criação de um clube esportivo entre o final do século XIX e início do século XX seguia basicamente o mesmo roteiro: um grupo de jovens idealistas e praticantes de esportes se reunia e decidia fundar uma agremiação. Foi assim no Club de Regatas Botafogo, no América Football Club, no Fluminense Football Club e, também, no Club de Regatas Vasco da Gama.
O contexto histórico e social revela que não bastavam apenas generosas iniciativas individuais para que tal tipo de idéia se concretizasse. Era preciso que várias condições permitissem que simples idéias não se evaporassem ou tivessem curta duração.
O período entre 1890 e 1930 apresentava características próprias  que fizeram daquela época uma excelente oportunidade da proliferação da prática esportiva. A cidade do Rio de Janeiro vivia um processo acelerado de urbanização, em que se destacava uma transformação nos meios de transporte e um incremento nas atividades comerciais, além da multiplicação de indústrias. Tudo indicava que, segundo os mais otimistas, a cidade caminhava na direção das grandes metrópoles como Londres, Paris e Nova Iorque.
            Era a “modernidade” chegando de forma cada vez mais intensa. E praticar “Sport” era ser “moderno”. O remo principalmente e, depois, o futebol eram vistos como práticas associadas a um estilo de vida novo que trazia para a juventude carioca a esperança de estar contribuindo para a “construção do novo mundo”.
            Para o pesquisador da história do esporte no Rio de Janeiro, Victor Melo, o prestígio do remo e a grande popularidade alcançada por esta atividade física pode ser atribuída a vários fatores que levaram a ser o esporte preferido no início do século XX, superando todas as outras incipientes práticas esportivas, como o ciclismo e o football. O remo ”enfatizava uma nova estética corporal, uma preocupação renovada com a saúde, a busca de um estilo de vida ao ar livre, a competição, harmonia e coletividade”[1].
            Quando os quatro jovens praticantes de remo tiveram a idéia de criar o C. R. Vasco da Gama, logo eles receberam o apoio de dezenas de outras pessoas que se empenharam em levar adiante aquele desejo. Muitos deles nem eram praticantes de esportes, mas compartilhavam com os mesmos ideais daqueles jovens.
             A definição do nome do clube ficou estabelecida no dia de sua fundação (21 de agosto de 1898). Em seguida foi eleita uma diretoria e uma comissão para redigir o Estatuto. Como era comum à época foi convidada uma figura mais velha e com mais recursos, para presidir o clube: Francisco do Couto era escolhido como o primeiro presidente do clube.
            Localizado em um bairro popular no centro da cidade, a Saúde era uma região densamente povoada, com a presença de muitos imigrantes portugueses, mas também com uma forte presença de negros. Esta era uma diferença básica do Vasco para muitos outros clubes de remo, especialmente para aqueles localizados na Zona Sul. O perfil socioeconômico de seus atletas e dos associados era majoritariamente composto de portugueses ou filhos de imigrantes, quase todos eram trabalhadores do comércio. Enquanto os clubes de regatas da  Zona mais rica da cidade faziam questão de se apresentarem como aqueles que “reuniam os filhos das melhores famílias da cidade” e cobrando altas mensalidades, o Vasco, desde o começo, procurou ser um clube mais aberto e disposto a reunir uma população menos favorecida. A luta por manter o clube localizado no Centro e manter uma identidade menos elitista, não será uma questão menor, como veremos no ano seguinte.
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] MELO, Victor Andrade de. Cidade Sportiva. Rio de Janeiro: Relume-Dumará.2001. p.155

Vasco Jornal Mercúrio 1898

Vasco Jornal Gazeta de Notícias 1898

domingo, 23 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2016 AQUI É VASCO

                                       “A partida de futebol é mais disputada por torcedores 
                                                               do que por atletas no campo”
                                                              Drummond, poeta e vascaíno

2016                           Aqui é Vasco
        A temporada vascaína neste ano foi bem esquizofrênica. No primeiro semestre a caravela do Almirante atravessou os mares atropelando os adversários cariocas e levantou com brilho o bicampeonato estadual. O time permaneceu 34 jogos invictos e apresentou todas as melhores credenciais para fazer uma ótima campanha pela Série B no segundo semestre. No entanto, o que se viu foi uma travessia marcada por muitas turbulências, com derrotas para times inexpressivos e um desempenho pífio. Resultado: estádios vazios e desânimo geral da torcida com o elenco.
            Logo no início do ano, o clube inicia uma campanha de sócio-torcedores intitulada “Gigante”. A iniciativa visava aumentar o número de associados e era baseada em modernos conceitos de marketing esportivo, com promoções diversas e outros atrativos. Por outro lado, o presidente Eurico Miranda, sugeria uma “Bolsa Torcedor”, criando um sistema de cotas para os adeptos mais carentes com ingressos de baixo custo.
            Em ano de Olimpíada na Cidade Maravilhosa no mês de agosto, os clubes cariocas ficaram sem os dois estádios reservados para o evento: o Maracanã e o Engenhão permaneceram fechados nestes meses.  Para o Vasco isso não foi um grande problema pois o estádio de São Januário foi utilizado pelo clube em diversos jogos, como na partida com o Flamengo, em fevereiro. Ao terminar a disputa com vitória vascaína, o principal jogador do elenco, Nenê, resolver inverter as ações e filma a festa da torcida vascaína. Em tempos de popularização de smartphones, as imagens se multiplicam pelas redes sociais. Foi-se o tempo em que os torcedores se aproximavam dos ídolos para pedir um autógrafo. A moda nestes anos era tirar uma selfie com o craque e postar nas redes sociais.
            O campeonato prosseguia e o clube permanece com uma campanha tranqüila jogando com o Fluminense (decisão da Taça Guanabara) e Flamengo em Manaus, na Arena Amazonas. Nesta cidade novas vitórias levam o clube disputar o campeonato com o Botafogo em maio. A partida contra o rubro-negro, particularmente, teve um sabor especial, com a seqüência de nove partidas sem conhecer derrotas para o principal rival.
            Nas duas partidas da final do estadual, os clubes conseguem a reabertura do Maracanã. O estádio recebeu nas duas vezes um público estimado em 60 mil torcedores por partida. Na segunda, a torcida vascaína era maioria absoluta. A festa do título foi marcada com o mosaico “Aqui é Vasco”. Uma frase proferida pelo capitão do time, o zagueiro Rodrigo, em alusão aos torcedores e jogadores do Flamengo, inconformados com a superioridade dos cruzmaltinos  na temporada. Era o 24° título estadual, sendo o 6° invicto.
             Começa o campeonato brasileiro na Série B e o clube é apontado pela imprensa como favorito absoluto. Os resultados iniciais confirmam as expectativas e a torcida se empolga com a possibilidade do time bater o recorde histórico de mais de 35 partidas invictas, feito alcançado na década de 1950.
Em junho, o jornal O Dia, promove a festa da Seleção do Campeonato Carioca e vários jogadores vascaínos foram escolhidos. Um deles, o zagueiro Luan, convocado para disputar o título inédito de Medalha de Ouro nas Olimpíadas, que agradece o apoio dos torcedores. Outro premiado foi o técnico Jorginho que ressaltou: "quero agradecer de todo coração à votação de todos os torcedores. Fico muito feliz de ter sido escolhido o melhor treinador do Carioca. Isso aconteceu pela federação e também pelo voto popular. Fico muito lisonjeado e grato porque, com certeza, marquei meu nome na história do futebol Carioca e do Vasco”[1].
Na mesma época, o jornalista André Schmidt, lança o livro “Da queda ao Bi – a trajetória do Vasco em crônicas”. Uma coletânea de artigos escritos no período de recuperação da auto-estima dos vascaínos sob o comando do técnico Jorginho. Mesmo fazendo uma campanha de recuperação no final de 2015, o treinador não consegue reverter a situação. Mais uma vez a torcida amargava o dissabor de acompanhar o clube viver a experiência negativa de rebaixamento por 3 vezes em 8 anos.
Talvez estes insucessos expliquem o baixo público em São Januário durante o ano com média de 6.000 torcedores. Uma pesquisa para identificar os motivos da baixa média de público da equipe na Colina, realizada pela Comissão de Festas Cruz-Maltinas[2],  apontou outros dois problemas principais: o alto valor dos ingressos e a dificuldade de acesso ao estádio. Apesar do departamento de marketing ter lançado o novo plano de sócios (Gigante), os números alcançados ainda decepcionantes. Segundo os dados do Movimento Por um Futebol Melhor, o Vasco ocupava a 21ª posição no ranking de sócio-torcedores.
Em campo, a perda da invencibilidade veio com o resultado adverso de 2 a 1 para o Atlético-GO, em Cariacica (ES). Era o primeiro indício de que o elenco tinha problemas. O deslocamento constante por regiões distantes do eixo Rio-São Paulo, prejudicava o grupo que contava com muitos jogadores com mais de 30 anos.
Em agosto o movimento “Guerreiros do Almirante” completava dez anos de existência comemorando com uma grande festa. No campeonato carioca os torcedores tinham confeccionado uma grande bandeira com o rosto da torcedora-símbolo Dulce Rosalina.
Numa outra pesquisa, promovida pelo Jornal Lance/IBOPE, revelou que o Vasco contava com 3 milhões de torcedores no RJ. Porém, em comparação com os números da primeira pesquisa (1998), houve um aumento dos torcedores rubro-negros. Os números indicavam que a torcida do Flamengo era maior do que as de Vasco, Fluminense e Botafogo juntas. Em 1998 representava 38 %, agora são 48,3%. Na pesquisa, o Vasco agregava 18,7% dos cariocas, percentual que superava o total de tricolores e botafoguenses (17,4%). Juntas, as duas torcidas tiveram uma redução de 4,6%. Se esta notícia agradou a turma da Flapress, para os vascaínos, o que valeu no ano foram as inúmeras gozações que os rubro-negros sofreram neste ano. Uma das músicas mais cantadas pelos vascaínos dizia: “Oh mulambo, tu não tem Estádio,/Oh mulambo, tu não tem Estádio,/ pediu pra jogar, em São Januário,/Eurico falou joga na casa do c.....”
O desempenho irregular no campeonato da Série B acabou gerando inevitáveis protestos dos torcedores. A reação do clube foi punir algumas torcidas organizadas: “(estas tem) sofrido punições nos últimos jogos. Diante do Avaí, por exemplo, a diretoria solicitou à Polícia Militar a proibição de instrumentos, faixas, bandeiras e outros materiais de todas elas. Já diante do Luverdense, a restrição se deu somente à Guerreiros do Almirante e à Força Independente. As duas, além da Ira Jovem, recentemente divulgaram notas de repúdio ao ato”[3]. No mesmo dia um grupo de cerca de 50 torcedores propõem uma reunião com o capitão do time, o zagueiro Rodrigo.
Nos jogos contra CRB, Avaí e Luverdense o presidente Eurico Miranda foi hostilizado pela torcida, que pediu sua saída do comando. Em nota oficial, a maior torcida organizada do Vasco, a Força Jovem, esclarece sua posição diante do impasse entre os torcedores e o clube: “O G.R.T.O Força Jovem Do Vasco, vem, através de sua diretoria unificada em caráter de esclarecimento, externar, que nenhum integrante de nosso quadro social esteve presente na data de hoje (11/11/16), em São Januário. Lembramos que nossa instituição esteve presente ontem (10/11/16), representada por 50 sócios, em uma reunião pacífica e ordeira com o departamento de futebol do Vasco, visando melhorias no desempenho do time em campo”[4].
Os últimos jogos da Série B foram dramáticos para a torcida que acompanhava incrédula ver o time perder a liderança e cair para o 4° lugar sendo ameaçado de ser o único clube grande não conseguir voltar para a Série A. O desânimo dos torcedores tomou conta dos torcedores que se ausentam dos jogos em São Januário. A decepção com o time fica evidente numa crônica de um jovem torcedor em sua coluna no site Guerreiros da Colina “é bem compreensível a total falta de vontade de acompanhar o time em uma situação tão calamitosa quanto a atual. Acabou a paciência, os vascaínos não agüentam mais essa crescente coleção de fracassos"[5].
No dia 27 de novembro[6] os jornais cariocas estampavam em suas capas as duas manchetes principais: a morte do líder cubano Fidel Castro e a classificação do Vasco para a Série A após vencer o Ceará no Maracanã, no último jogo do campeonato. O estádio recebeu o maior público do Vasco no segundo semestre (49.259 pagantes), revelando que a torcida abraçava o clube apesar do descrédito no time e em seus dirigentes. Ao final da partida o que se viu não foram cantos de entusiasmo, mas xingamentos para o presidente Eurico Miranda.
Terminamos nossa pesquisa recorrendo a uma crônica de Carlos Drummond de Andrade pouco conhecida dos vascaínos. Nela o poeta faz uma homenagem a um dos ascensoristas do prédio do Ministério da Educação e torcedor fanático do Vasco.
O contraste entre a vida de um humilde funcionário que realiza um trabalho repetitivo e sua expressão constante de felicidade chama a atenção do escritor: “sem motivo algum para agradecer à vida, ele agradecia e nos comunicava o otimismo gratuito (...) ninguém sabia que ele se chamava Afonso Ventura. Mas todos sabiam que o seu maior amor era o Vasco da Gama. Liam-se no seu rosto as vitórias do Vasco. As derrotas não era possível ler, pois o rosto do Amigo continuava a espelhar a vitória da semana atrasada ou já espelhava a da semana que vem, que esta seria infalível, 4 a 0, ‘é o Maior’. O Vasco, para ele, não perdia nunca; no máximo, deixava de ganhar, ‘dessa vez’ (...)”[7].
A lição de vida deste torcedor demonstra o poder que a paixão por um clube tem para transformar nosso cotidiano de pouco brilho num turbilhão contínuo de emoções e sentimentos capazes de realizar os desejos fundamentais do ser humano.
Esperamos que a alegria contagiante do torcedor anônimo seja a marca de nossa torcida sempre. Que venham mais 100 anos!!!
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Jornal O Dia. 23 de junho de 2016.
[2] Grupo que organiza mosaicos e bandeirões
[3] Fonte: UOL. 9 de novembro de 2016.
[4] http://www.forcajovem.com.br , 11 de novembro de 2016.
[5] Rafael Serfaty em crônica "Presente sombrio, futuro nefasto"
[6] Neste mês o Jornalista Cláudio Nogueira, autor de vários livros de futebol, lança o e-book  “Vamos cantar de coração: Os 100 anos do futebol do Vasco da Gama” (Biblioteca Digital do Futebol Brasileiro).
[7] Fonte: Correio da Manhã 12 de setembro de 1965.

Vasco São Januário 2016

Vasco São Januário 2016

quarta-feira, 19 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2015 O RESPEITO VOLTOU. SERÁ?

                       “A Força Jovem do Vasco, perde um símbolo de dignidade, de respeito”
                                           Francisco Carlos sobre a morte de Marcelo He-man

2015                 O Respeito Voltou. Será?

        Ao retornar a presidência do clube, Eurico Miranda prometia que o passado recente com dois rebaixamentos deveria ser creditado a Roberto Dinamite e que com ele seria muito diferente. A conquista do título carioca de 2015, depois de 11 anos de jejum, chegou a animar parte da torcida que acreditou no lema do “novo” comandante que afirmava categoricamente: “O Respeito Voltou”.
            Quem também fazia uma campanha para se reerguer era a Força Jovem punida até 2016, enfrentando inúmeras divisões internas e perseguições de várias ordens. Mas a tensão entre os grupos opositores permanecia. Um cordão de isolamento, contando com a proteção de cerca de 10 policiais, separou os diferentes segmentos em um jogo em São Januário. A dissidência se dava pelo apoio - ou não - ao atual presidente do clube, Eurico Miranda.
A campanha da imprensa contra a torcida continuava. Uma notícia de que seus membros foram até São Januário assistir um treino motivou a preocupação do novo comandante do GEPE, o Major Silvio Luis, que mandou apurar os fatos pois a torcida estava impedida de qualquer ato público. Em resposta a agremiação emite uma nota ressaltando: “o nosso Departamento Jurídico, está trabalhando INCESSANTEMENTE para que o nosso DIREITO CONSTITUCIONAL de ir e vir, possa voltar a ser LEGÍTIMO! Estamos trabalhando pela PAZ na torcida e com os nossos sócios atendendo todas as normas do GEPE e do Ministério Público!”
Mesmo proibida de freqüentar os estádios os integrantes da Força Jovem participaram de um confronto no bairro do Méier contra torcedores do Fluminense em fevereiro, levando a polícia a prender 118 pessoas.
No início de maio finalmente o clube voltava a vencer um campeonato carioca. Depois de eliminar o Flamengo, o Vasco vence o Botafogo na final com destaque para o imenso mosaico da torcida no Maracanã escrito em todo o Setor Sul “o Maracanã é nosso desde 50”. Era uma resposta à diretoria do Fluminense que insistia em ficar do lado direito após a reabertura do Maracanã em 2013.
Nesta época, Bernardo Holanda e Rosana Teixeira lançavam o livro “A voz da arquibancada. Narrativas de lideranças da Federação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (FTORJ)”. O trabalho era o resultado da formação de um banco de entrevistas de História Oral sobre as torcidas de futebol do Rio de Janeiro. Os relatos das lideranças da FTORJ foram gravados entre julho de 2010 e janeiro de 2014, no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, o CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas. A Federação contava com a adesão de dez associações, sendo duas do Vasco: Força Jovem e a Ira.
Com apoio de diversos setores da sociedade foi organizado na Fundição Progresso (RJ), o Primeiro Encontro de Conscientização pela Paz nos Estádios, organizado pela ANATORG que contou a presença massiva de lideranças das famílias da FJV. Um dos organizadores foi Felipe Lopes (USP - Universidade de São Paulo) que realizava um estudo sobre o comportamento dos torcedores organizados em todo mundo.
Em junho veio a triste notícia do falecimento precoce do ex-presidente da Força Jovem, Marcelo He-Man, aos 39 anos, vítima de câncer. O torcedor recebe uma justa homenagem de diversas torcidas do Vasco através de seus sites. Eis alguns relatos: GDA, “uma das maiores referências na arquibancada vascaína”; Força Independente, “INESQUECÍVEL PRESIDENTE”; Pequenos Vascaínos, “Um mito, um ídolo, o maior presidente da história da Força Jovem”; Ira Jovem, “íntegro, inteligente e que sempre vislumbrava novos e bons caminhos” e a própria Força Jovem: “Se houve na história das Torcida Organizadas, alguma Torcida independente, essa foi a FORÇA JOVEM DE MARCELO HE-MAN”.
No dia 26 de Junho de 2015 o desembargador Mauro Pereira Martins organiza um evento chamado “I Encontro Nacional pela Paz no Futebol”, realizado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, com a presença do GEPE e de diversas torcidas organizadas do Rio de Janeiro.
Imbuídos no espírito de união e amizade de tempos passados o grupo dos “Dinossauros” intermediou uma reunião entre os dois grupos da FJV para tentar extinguir de vez as desavenças que se arrastaram nos últimos anos. Tudo parecia resolvido e apaziguado mas algumas semanas depois os “Dinossauros” emitem uma nota de desagravo com a quebra das promessas e a continuação dos conflitos pessoais. Daí “esclarecer a todas as Famílias que tentamos,  mais não querem ajuda,  estão cegos pelo poder a ponto de faltar com a palavra o bem mais precioso de um homem.  E isso é inadmissível!!!!
Em julho a discussão que retornou no futebol carioca era a polêmica sobre o local das torcidas no Maracanã no clássico entre Vasco e Fluminense. Como o tricolor fazia questão de ficar no local tradicional dos vascaínos (a direita da tribuna – SETOR SUL), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tomou uma medida drástica e decretou que apenas uma torcida comparecesse ao duelo, no caso, a torcida do Fluminense. Neste ano a polêmica começou no campeonato carioca que teve o jogo transferido do Maracanã para o Engenhão. Isto tudo contribuiu para a retomada da polêmica de clássicos com torcida única, seguindo o que já havia acontecido em Minas Gerais e no Paraná.
No fim do ano (outubro) é feita uma reunião entre membros da situação e da oposição e fica estabelecido a formação de um Conselho composto por 4 diretores da situação da torcida e 4 diretores da antiga oposição, que irão gerir este Grêmio até março de 2017 quando realizariam novas eleições. O motivo do acordo entre os grupos dissidentes foi uma reunião entre o Movimento Tudo Mudou, o Ministério Público e o Grupamento Especial de Polícia em Estádios. Foi relatado pela promotora de que o maior problema e preocupação atual das autoridades do Estado do Rio Janeiro não eram as brigas de torcidas de clubes distintos, mas sim pela guerra interna na Força Jovem nos eventos do C. R. Vasco da Gama. Além disso foi cogitado também um plano de prisão em massa a ser efetuado pelas Polícias Militar e Civil, através do Setor de Inteligência, sobre acusações de crimes inafiançáveis como formação de quadrilha e tentativa de homicídio
Antes da última partida do campeonato brasileiro, a Torcida União Vascaína escreve uma carta para o atacante Nenê, o principal jogador do time. Ele lê para o time pouco antes de entrar no gramado na partida decisiva para evitar um novo rebaixamento: “Vocês entrarão em campo, representando mais de 20 milhões de torcedores, e a esperança de todo esse povo, está nos pés e na atitude de cada um de vocês, pedimos seriedade e a responsabilidade de todos vocês, e vocês sabem que compramos qualquer briga em favor de vocês, e o apoio por parte da torcida do Vasco não vai faltar no Couto Pereira. Essa que é a última batalha de uma guerra que será vencida por todos nós, vocês no campo, e nós os apoiando da arquibancada”.
Após a derrota para o Coritiba e o terceiro rebaixamento em menos de 10 anos, o presidente Eurico Miranda se apresenta de forma humilde, uma cena rara em sua biografia, e assume a inteira responsabilidade pela pífia campanha do time.
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.

Vasco 2015

Vasco 2015






domingo, 16 de julho de 2017

VASCO 2017: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 2014 O MARACA É NOSSO

                          “Vou subir a Colina para ver meu amor, vou ver meu Vasco jogar”
                                                                                         Fernanda Abreu cantora

2014                      O Maraca é Nosso

        Juninho havia previsto sua despedida do futebol jogando o campeonato carioca de 2014 mas no final de janeiro, em razão de sucessivas lesões, o jogador resolve, aos 39 anos, abandonar o futebol para a tristeza de seus inúmeros admiradores. Na mesma época falecia o jornalista da Rádio Tupy, Jorge Nunes. Irreverente e com uma linguagem popular, o comentarista fazia questão de participar dos debates esportivos defendendo com orgulho o seu time do coração.
Ainda no início do ano a Força Jovem era novamente punida com a extensão da pena de não comparecer aos jogos por um ano. Para o sociólogo Mauricio Murad, a medida era ineficiente pois faltava uma articulação das diferentes esferas públicas, envolvendo também federações e clubes e se criar um verdadeiro plano nacional contra a violência. Para piorar a situação os problemas dentro da torcida continuavam com a disputa entre os grupos rivais:.
        No ano da Copa do Mundo no Brasil não faltaram estudos sobre o futebol e o tema do fenômeno das torcidas continuou predominando. O sociólogo Bernardo Hollanda, escreve um antigo sobre as mudanças com o surgimento de um novo estilo de torcer em UMA ANÁLISE DAS NOVAS DINÂMICAS ASSOCIATIVAS DE TORCER NO FUTEBOL BRASILEIRO[1]. Nele é feito uma análise histórico-sociológica de compreensão da atuação desses subgrupos contestando a visão corrente da grande imprensa e de outros setores da sociedade segundo a qual a violência seria uma patologia social inerente aos membros das torcidas organizadas – com os pejorativos “vândalos”, “bárbaros” e “irracionais”. Para Hollanda, as várias pesquisas já apontavam para a necessidade de apreender as transformações internas por que vêm passando as torcidas organizadas nos últimos anos. Em paralelo ao crescimento e à intensificação das brigas fora dos estádios, novos agrupamentos de jovens torcedores surgem nas arquibancadas, com a proposição de um discurso antagônico ao das torcidas tradicionais.
            Pouco antes da Copa do Mundo de 2014, uma briga entre as torcidas de Flamengo e Corinthians, válida pela segunda rodada do campeonato brasileiro com transmissão pela televisão, não teve a mesma punição que os vascaínos sofreram. Em nota, a Força Jovem lamenta que a repercussão e a punição tenham sido nulas: “a nossa INDIGNAÇÃO, NENHUM VEÍCULO de COMUNICAÇÃO, noticiou a "CONFUSÃO GENERALIZADA", envolvendo as DUAS MAIORES ORGANIZADAS do Flamengo! Para nós, não é nenhuma SURPRESA, pois esta MÍDIA COMPRADA FAZ O POSSÍVEL E IMPOSSÍVEL para PROTEGER O SEU TIME QUERIDO E DO CORAÇÃO!” Também a Guerreiros do Almirante sai em defesa de uma lei igual para todos: “não entendemos o silêncio da Grande Mídia e do "guardião da justiça" Paulo Schmidt diante da briga ocorrida no Pacaembu, no dia 27 de abril de 2014, entre Corinthians x CRF, onde a Torcida do Clube "roubado é mais gostoso" se confrontou entre si, com direito a imagens de selvageria, furtos e agressões!
Onde esta a ISONOMIA? Onde esta a Justiça?”, conclui o protesto.
Mesmo sem enfrentar o Flamengo no campeonato brasileiro de 2014, a torcida vascaína não esqueceu do rival depois da Copa do Mundo e aproveitou para fazer uma paródia da música cantada pela torcida da Argentina para provocar os brasileiros, "Decime qué se siente". Na letra não faltam lembranças de vários carrascos: Cocada, Pedrinho e Edmundo. Mas a provocação maior é o fato dos rubro-negros não terem um estádio próprio. A aproximação da torcida vascaína com os argentinos se deu na final da Copa do Mundo. Antes dos argentinos o contato tinha sido com os chilenos, quando a GDA  apareceu em imagens ao lado de membros da Barra Brava Los de Abajo, da Universidad de Chile, que vieram ao Rio assistir sua seleção jogar contra a Espanha”. Depois foi a vez dos Guerreiros do Almirante e da Ira Jovem, receberam em São Januário a principal Torcida Organizada (Barra) do Boca Junior, a La Doce (La 12), antes da grande final no Maracanã entre Alemanha x Argentina.
        A novela Império da Rede Globo foi o grande sucesso da dramaturgia neste ano. No papel principal o ator Alexandre Nero interpretando um rico empresário manifesta em diversos capítulos seu amor pelo clube do coração: o Vasco. Em um dos episódios ele comenta o seu interesse em patrocinar o clube que vivia no mundo real uma grave crise financeira. Outros dois personagens demonstram que eram vascaínos: sua filha, vivida pela atriz Leandra Leal e o dono do bar, interpretado por Jackson Antunes.
Em novembro Eurico Miranda retorna a presidência do clube ao vencer as eleições com mais de 50% dos votos válidos dos vascaínos. O ex-presidente derrotou os candidatos Roberto Monteiro, pela chapa Identidade Vasco, e Julio Brant, pela chapa Sempre Vasco. No dia seguinte da vitória de Eurico Miranda o responsável pelo “blog da Fuzarca” lamenta o resultado pois as pesquisas na Internet preferiam, com maioria absoluta (70%), a vitória de Julio Brant: “A vitória do Eurico Miranda é uma prova cabal do desencontro entre o que pensa o torcedor – ávido por mudanças, simpático à ideia de profissionalização do futebol e a democratização do clube – e o eleitor médio vascaíno, em grande parte conservador, tradicionalista e que não trocaria nunca o conceito vago de “impor respeito” por uma administração mais transparente”.
A eleição ocorre próximo da volta do clube para a Série A. No dia 8 de novembro 50.000 pessoas prestigiavam o time na vitória contra o ABC no Maracanã, mas a classificação viria alguns dias depois (dia 22) em um sofrido empate diante do modesto Icasa também no Maracanã, diante de um público de mais de 56.000 pessoas que vaiaram impiedosamente o time, apesar da classificação.
            Um dos poucos jogadores poupados pela torcida nesta temporada foi o volante argentino Guiñazu com seu estilo aguerrido, ele foi uma das raras exceções a ter seu nome gritado pelos torcedores que o chamavam de PItbull. O argentino de 36 anos e contrato com o Vasco até julho do ano que vem, já demonstrou vontade em ficar no Vasco e deseja até mesmo encerrar a carreira no clube.
            A revista norte-americana Times escolheu as 34 imagens mais marcantes em todo o mundo no ano de 2014 e, uma das fotos faz referência a um simbólico torcedor vascaíno, chamado Caíque. A reportagem destaca a fé do conhecido torcedor dos vascaínos, cujo nome verdadeiro é Carlos Henrique, trazendo a seguinte legenda: “Em todo jogo disputado pelo clube do Rio Vasco da Gama, Carlos Henrique do Nascimento carrega um cartaz em que se lê “fé” e uma planta que alguns torcedores acreditam trazer sorte (são os galhos de arruda que ele carrega)”.
O Brasil encerrava em 2014, mais uma vez, como a nação que mais ocorreram crimes por causa de futebol em todo o mundo. Este ano foram 18 mortes motivadas por rivalidades clubísticas, como atestam números oficiais tabulados pelo professor e sociólogo Mauricio Murad. De nove medidas anunciadas pelo governo depois de Joinville, apenas uma foi executada (o cadastro de torcidas organizadas) - diz Murad[2]. As outras medidas anunciadas continuam apenas no papel: criação de um guia de procedimento de segurança para atividades esportivas; Juizado de torcedores e delegacias especiais; segurança integrada; qualificação dos estádios; câmara técnica e estatuto da segurança privada nos estádios; e maior responsabilização dos clubes
2010: 12 pessoas Morreram por causa de futebol no Brasil.
2011: 11 pessoas Tiveram a morte comprovadamente ligada a rixas de torcidas.
2012: 23 pessoas Foram mortas por torcerem por times diferentes. Nesse ano, a violência do futebol dobrou.
2013: 30 pessoas Foram assassinadas por torcedores rivais. Foi o maior número da História.
2014: 18 pessoas Morreram por causa de futebol no Brasil. A redução se deveu à pausa para a Copa do Mundo
 Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros.


[1] Fonte: Recorde: Revista de História do Esporte Artigo Volume 7, número 1, janeiro-junho de 2014, p. 1-3 Hollanda, Azevedo e Queiroz.
[2] Fonte: Novanews em 29 de Dezembro de 2014.

Vasco Maracanã 2014

Vasco Maracanã 2014