domingo, 16 de outubro de 2016

VASCO 2016: LIVRO "100 ANOS DA TORCIDA VASCAÍNA", 1940 MORRE POLAR

          “Com o Vasco, onde o Vasco estiver”
             Faixa da Torcida
1940                           Morre Polar

A expectativa geral dos torcedores brasileiros no começo do ano de 1940 era de o Brasil sediar a próxima Copa do Mundo prevista para 1942. Dois candidatos haviam se apresentado para realizar a competição mais importante do futebol mundial: Brasil e Alemanha. Esta era a favorita em função da organização exemplar dos Jogos Olímpicos em Berlim em 1936. No entanto, pelo critério de revezamento dos continentes, era a vez do continente americano. Por isso, em meados de 1939, o Brasil recebeu a visita do presidente da Fifa, Jules Rimet, que veio conhecer as instalações esportivas do país, inclusive com a vistoria do chefe supremo do futebol ao estádio de São Januário.
            A medida que os avanços dos tanques alemães ocupavam vários países europeus, chegando a França em meados do ano, o futebol seria deixado em segundo plano para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o sonho brasileiro se tornava mais distante. Restava pensar nas competições com os principais rivais da América: Argentina e Uruguai. Em 1940 o Brasil disputaria a Copa Roca com a Argentina no país adversário e a Copa Rio Branco, com o Uruguai, no Brasil.
            Os resultados não poderiam ter sido piores, com derrotas humilhantes para os Argentinos, numa delas pelo maior placar adverso de todos os tempos. Derrota por 6 a 1, para desespero dos vascaínos que viram o seu jogador e capitão da seleção nacional, Zarzur, nada poder fazer para deter o ímpeto dos argentinos. Além de Zarzur, Jaú e Florindo, zagueiros do Vasco, foram os titulares neste dia.
            O futebol brasileiro passava a sofrer do “platinismo”, palavra inventada pelo jornalista Mario Filho, que era a crença na superioridade do talento, raça e organização dos argentinos e uruguaios sobre os brasileiros. No futebol carioca a ordem era contratar jogadores platinos para o clube conseguir ser campeão. Todos os clubes tinham os seus estrangeiros, inclusive o Vasco, com Gonzáles, Emeal, Gandula, Rafanelli, entre outros.
            O campeonato carioca de 1940 foi disputado intensamente pelos grandes clubes, o que levou os torcedores se animarem para encherem os estádios. Durante todo o ano é possível acompanhar pelos jornais a organização de inúmeras caravanas para se deslocarem para os estádios, geralmente partindo da região do Largo da Carioca. Uma ausência começava a ser sentida na torcida vascaína. Polar estava doente e havia se afastado dos estádios. Sem o seu grande incentivador, os vascaínos solicitaram a ajuda de João de Lucca e Olympio Pio que prontamente reassumiram o comando das caravanas vascaínas: “são dois influentes torcedores do Vasco da Gama que se haviam afastado da ativa. Agora, porém, sentindo a necessidade de estimular o esquadrão de São Januário na luta pelas primeiras posições, Olympio e De Lucca, resolveram voltar, E voltando, trataram logo da reorganização da famosa “Caravana Vascaína” que chegaram em outros tempos. Hoje a Caravana reaparecerá afim de levar todo o estímulo aos cruzmaltinos na peleja com o América nas Laranjeiras”[1]. Em algumas notícias, o tom da reportagem é incentivar este comportamento do torcedor e estimular o comparecimento de outros adeptos para engrossar as viagens pela cidade: “as caravanas esportivas aos campos adversários são uma tradição do C. R. Vasco da Gama. Organizados por vários apaixonados das cores do prestigioso grêmio da Cruz de Malta, os grupos se locomovem disciplinada e alegremente para os locais das pugnas de que participam as equipes de seu clube, levando-lhes um apoio entusiasta e animador” [2].
            A aproximação entre os sócios e os jogadores era uma realidade comum nestes anos, com campanhas diversas para incentivar os atletas. Geralmente os torcedores se reuniam antes dos jogos com os atletas para entregar um envelope com o “bicho” arrecadado da partida. Esta era uma prática corriqueira desde os anos de amadorismo (década de 20), mas extremamente condenada pelos que defendiam os valores puros do amadorismo. A própria imprensa tratava, agora, como uma prática legítima: “os próprios jogadores dos camisas pretas, estão bastante entusiasmo e predispostos a fazerem uma partida gigantesca frente ao Flamengo. Ontem, pouco depois das 17 horas, mais uma turma de Vascaínos chefiada por Olympio Pio, João de Lucca e Antônio Rodrigues, compareceram ao citado Hotel, afim de levar o seu apoio moral aos rapazes do team, tendo o maioral Olympio, falado algumas palavras de verdadeiro torcida e associados. Essa caravana de simpáticos e associados do referido Clube, também, com a adesão dos srs Diamantino Sile, José Villena, Ernygdio Monteiro, Aboirgir  Sarre, Maurício Leitão, Joaquim Magalhães, Arthur Pinto, Jorge Magalhães e outros, resolveu angariar donativos entre os adeptos do Vasco da Gama afim de melhorarem o bicho do team e bem assim, pagarem as multas de 200$000 e 500$ respectivamente, aplicados pela Liga aos players Zarzur e Figliola”[3].
            A partida de maior relevancia para os vascaínos em 1940 foi diante do Flamengo no estádio das Laranjeiras. Uma convocação da torcida cruzmaltina demonstra de forma inequívoca a importancia da união dos torcedores em um mesmo local para que o incentivo fosse mais forte: “movimenta-se a família vascaína, em todos os recantos da cidade, para assistir ao grande match de domingo. Do centro, do norte e do sul da metrópole, fervilham os apelos e uma palavra de entusiasmo a torcida para que sua presença no Estádio do Fluminense seja registrada sem decepção. Caravanas deverão conduzir os simpatizantes do grêmio de São Januário para um só local, de forma a se tornar possível e mais fácil o incentivo aos cracks na batalha decisiva contra o leder. O local escolhido será o correspondente a parte da piscina daquela praça de esporte. Entre os idealizadores do movimento aparecem duas figuras bastante populares entre os camisas negras. São eles os Srs Olympio Pio e João de Lucca. Aqueles vascaínos sugerem a cada fã ou associado do Club a aquisição de flâmulas e fogos” [4].
            A rivalidade entre as torcidas Vasco e Flamengo estava em um nível elevado e temia-se confrontos entre os dois agrupamentos. Numa extensa crônica para o Jornal dos Sports, Mario Filho, revela a tensão existente. Ele pede uma trégua entre as duas maiores torcidas e cobra dos dirigentes uma postura menos belicosa: “POR QUE NÃO SE FAZ UMA TENTATIVA PARA APAGAR O RESENTIMENTO ENTRE AS TORCIDAS DO VASCO E DO FLAMENGO? Não sabe qual a causa exata. O certo, porém, é que se exacerbou a rivalidade entre a Torcida do Flamengo e a Torcida do Vasco. E cada peleja em que intervenha um ou outro não constitue uma oportunidade para esquecer resentimentos. Ao invés disso a atitude dos adeptos dos dois grandes clubs só faz agravar uma situação desagradável. Por ocasião do match Fluminense e Botafogo a legião de torcedores do Vasco, feria-se o cotejo em São Januário, aplaudiu mais os alvi-negros. Mas, a seguir, quando o campeão enfrentou o São Cristovão, a tribuna social Vascaína tornou-se um reduto de estimulo para os alvos. Supõe-se que o início foi esse. O Flamengo, pelo menos, queixou-se de vaias. Por coincidência o Vasco teve que ir a Gavea, vinte e quatro horas depois, para medir forças, com o Fluminense. Então os fãs rubro negros revidaram. Entraram os camisas pretas em campo sob um ruído ensurdecedor de apupos, Daí para cá os torcedores do Vasco se julgaram obrigados a vaiar o Flamengo, assim como os torcedores do Flamengo os julgam obrigados a vaiar também. Nenhuma tentativa foi empreendida para uma pausa. Embora não estimulem os excesso dos torcedores, os dirigentes do Vasco e do Flamengo silenciam, recusando-se a qualquer intervenção. Nada justifica a passividade dos paredros. E, principalmente, se deve salientar o perigo que encerra um resentimento tão agudo entre duas torcidas enormes, das maiores que incentivam as atividades dos teams em canchas cariocas. Não se trata de temer uma cisão semelhante a de um caso de remo. Mas é impossível negar a influencia exercida pela massa de torcedores na orientação dos Clubes. Em alguns momentos uma diretoria sente-se forçada a enfrentar um dilema: ou acompanha a corrente de opinião, ou sede. Portanto, o aconselharei no que conserve as relações de dois clubs é, justamente, evitar a exacerbação de uma rivalidade anti desportiva, sem razão de ser. Admite-se que uma torcida, quando não estão em jogo as cores preferidas, escolha um objetivo de aolausos. Daí, porém, a vaia sistemática, medeia um abismo. Antes de que o team do Flamengo, o quadro social do Vasco explodiu em apupos estridentes. Rodadas depois a torcida do Flamengo atirava um tamanco em campo para celebrar a entrada dos camisas pretas na cancha da Gávea. Diante de tais fatos estranha-se a indiferença dos mentores de um e de outros clubes. Não deve ser difícil promover um armistício entre os adeptos do Vasco e os adeptos do Flamengo. E não deve ser difícil por motivo simples: cada vaia, agora, constitue uma demostração de represália. Alguém tem de dar o primeiro passo para a reconciliação. E a oportunidade oferecida pelo cotejo dos grandes rivais, dentro de vinte e quatro horas, parece ideal. O campo neutro colocará, ombro a ombro, duas das maiores torcidas do futebol carioca. E para que ambas se sintam dispostas a um sincero aperto de mão basta que não sejam injustas. Ninguém pede que economizem o entusiasmo no incentivo ao quadro favorito. Pede-se, apenas, que reconheçam a legalidade do adversário. Mostra-se propícia a ocasião e ainda mais porque não depende dos conselhos esquecidos pelos dirigentes. Os torcedores, como torcedores, são feitos sob medida, uns iguais aos outros. Uma mesma fama confunde-os, nivela-os em idêntico plano. As legiões de adeptos do Flamengo e do Vasco que se desuniram, podem, durante o clássico de amanhã, acabar com todos os resentimentos. E o armístico de vascaínos e rubro negros valeria tanto quanto uma vitória”[5].
            O jogo transcorreu sem grandes incidentes nas arquibancadas, entretanto, a vitória do Vasco é creditada ao apoio de sua imensa torcida que deixa o estádio em êxtase. O entusiasmo dos vascaínos recebeu uma bela crônica na semana seguinte que registrou os momentos da disputa que assumiu tons épicos das conquistas vascaínas nos anos 1920: “Abandono Álvaro Chaves e deixo-me guiar pela multidão que grita. Foi a Torcida do Vasco que fez esse barulho todo ou a Torcida do Vasco conseguiu fazer esse barulho todo unindo-se com a Torcida do Fluminense? Lembro-me da voz de Júlio de Almeida gritando para Ary Barroso quando o Vasco entrou em campo: “Na competição das Torcidas o Vasco está ganhando por um a zero.”E realmente parecia que a Torcida do Vasco voltara a 1923 ou 1929. O milagre foi feito por um jogador. E ai está uma lição que descobre o segredo para o desenvolvimento do profissionalismo. Em um só match o Vasco cobri-me dos gastos dispendidos com Gonzales. E, além disso, pode atrair toda a imensa Torcida Vascaína no instante mais favorável, quando ia florecer um trunfo de certo modo espetacular. A multidão não se desiludiu do futebol, mas é preciso renovar as ilusões. Os gritos não me deixaram seguir o curso das idéias. Paro um instante e uma senhora, bem vestida, com um chapéu a moda guerreira, levando a sugestão de paraquedistas. Não se conte:“O Vasco vence tão pouco que quando vence tem de fazer um escândalo desses...”Disse e continuou sem esperar o troco de um fã português.“Não adianta, minha senhora: Vasco é Vasco.”E ai estourou os pulmões:“Vasco”[6].
            A alegria dos vascaínos no estadio e pelas ruas das Laranjeiras e toda a cidade contrastraria com o que os cruzmaltinos sentiriam quase um mês depois com a notícia da morte do torcedor-símbolo, Polar, em agosto. Justamente o mês do aniversário do clube.
De origem simples, como a maioria dos jogadores do Vasco nos anos 1920, Polar conquistou a simpatia de todas as torcidas e se tornou uma das figuras populares mais queridas na cidade por incorporar seu espírito cordial, brincalhão e acolhedor. No dia seguinte de sua morte os jornais deram grande destaque ao seu falecimento: “MORRE POLAR O TORCEDOR SÍMBOLO DO VASCO. Desapareceu uma das figuras mais populares da Cidade. Doente havia algum tempo já, Polar, o camelô que foi o expoente de popularidade de sua época, rivalizando com o velho Novidades, veio hoje a expirar. Polar galgou toda a escada da reclame ambulante. Seu início foi obscuro. Um vendedor de sorvetes. Mas instituiu um pregão novo. Reformou o antigo e carioquissimo “Sorvete, iá-iá...”, que poe cócegas de gulas nas gargantas dos garotos. Evoluiu da “casquinha”. Fugiu das inflexões musicais para gritar secamente o nome que deveria torna-se-lhe o pseudonimo. A reclame empolgou-o a tal ponto, que perdeu o próprio nome. Passou de Affonso Silva, a Polar. Aliás, nasceu como Polar, antes mesmo de ter sido Affonso Silva.Com o apelido, passou a obstruir o transito nas calçadas da Rua do Ouvidor, vendendo uma pomada para limpar metais, ora aparelhos para descascar batatas.Fez mágicas com pedaços de jornal para atrair a atenção dos transeuntes. Sua garganta e seu desembaraço o tornaram dentro de pouco um camelô conhecido. Começou, então, a fazer o “anouncer” característico, desfilando ou escondido em barbas de Papai Noel ou em cavaleiro medieval. Sentia-se nele um prazer mais que de profissional para ser artista ao incarnar aqueles personagens de reclame. E, ainda mesmo como Frankenstein pavoroso na caracterização, sorria bonancheiramente, ao grito da criançada: “Polar! É ele! É o Polar! ”E prosseguiu a caminhada, mais Frankenstein do que nunca, satisfeito pelo aplauso de seu público.Calou Polar.Há dias, quando soubemos do estado grave de Polar, fomos vê-lo, a Rua Souto 49, Cascadura, residência de Rosalina Zenocini, que ali tem uma espécie de casa de enfermos, recebendo-os por apresentação de gente de suas relações, sob pagamento previamente combinado, tanto que tem ali, residência, um enfermeiro. Quando da enfermidade de Polar, aqui chegado da Europa, de volta daquela celebre viagem esportiva, feita por sua filha Leonor, eleita embaixatriz da Torcida, acompanhando como tal, os jogadores de futebol, recolheu-se ele aquela casa da Rua do Souto. Desta vez, na recalda, o seu estado demonstrou logo a maior gravidade, apresentando o coração extraordinário volume, e ainda uma polinefrite. A Noite teve então a idéia de oferecer ao popularíssimo e estimado camelô, um Hospital mais adequado, com o conforto e tratamento necessário.Uma das filhas de Polar, teve ocasião de agradecer o oferecimento de A Noite, dizendo que era da vontade dele, permanecer ali.Pagaram trezentos mil réis por mês, embora com dificuldade, pois haviam consumido com a longa moléstia de Polar, todas as economias, chegando mesmo a vender uma casa, em Madureira e uns terrenos na Ilha do Governador. Agora, tinham alugado um sobrado na Rua do Rosário, onde a esposa de Polar iniciaria um serviço de fornecimento de comida as pessoas amigas.Polar, chmava-se Affonso Vieira da Silva, tinha 45 anos e era casado com D. Beatriz Mathias da Silva, havendo, do casal as filhas Leonor, Dolores e Maria Helena.O enterramento de Polar será feito no cemitério de Irajá, hoje a tarde” [7].
Na semana seguinte, uma outra crônica destaca as virtudes deste vascaíno que até hoje é pouco conhecido pela sua torcida. Sua intenção nunca foi a fama, nem ser maior que o Vasco, sua vida foi repleta de exemplos de humildade e abnegação em nome do clube e sua trajetória tem muitos paralelos com o clube de seu coração: “POLAR CRACK DA POPULARIDADE. Figura eminentemente popular, Affonso Silva, o Polar, atravessou as multidões das ruas sem para elas, o que não é fácil, cair no ridículo. Sua vida, aliás, muito complexa, não caberia aqui num registro que visa menos fazer um panegyrico do que prantear a sua ausência que já começa a deixar um sulco de saudade. Certo, havia muito intellectualzinho que esbravejava enfurecido quando pretende arrancar sua importância pela Rua do Ouvidor, tinha que se contundir com a turba multa de basbaque atenta a última caracterizazação do reclamista que, não raro, na sua original casaca branca confeccionada por Almeida Rabello, citava autores gregos. Polar não tinha inimigos. Sua vida, ele que nasceu, quer nos parecer, nas vizinhanças de um campo de futebol, teve elco de esportivo. Até mesmo no tragetória em parábolas de sua existência. Polar teve o destino de um Crack. Sua popularidade nasceu nos campos modestos de futebol e nos Estádios onde se praticavam a luta livre ou o Box, tendendo o sorvete de que tomou a alcunha” [8]. Na semana seguinte, a cronica continua elogiando o torcedor vascaíno.”POLAR O HOMEM VIRTUOSO POR PROFISSÃO: Polar também era um Crack. Crack da popularidade já acentuamos em nota anterior. Fosse caracterizado de Papai Noel como acima, distribuindo brinquedos a petizada, fosse no papel de soldadinho que tanto ele tornou popular, ou ainda no Rei Momo que ele encarnou em 1934. Affonso Silva constituía sempre uma atração. Tinha como os Cracks, os seus fãs, os torcedores, que o acompanham rua afora, aplaudindo-o.Mas a sua vida, realmente, sempre esteve estreitamente ligada aos movimentos esportivos, sobretudo ao futebol. Ao ciclismo, ao atletismo e ao Box. Nos rings, nas pistas de corrida, em machinas ou de atletismo, ele foi tantas vezes, o “annorincer”, o “speaker” tantas vezes reclamado para a apresenta dos ases ou dos campeões e para a exposição dos tempos e das “performaces”,Nos campos de futebol ele era a voz que animava o fã que torcia com vez firme e impar, sendo logo reconhecido e apontado.O Albúm de fotografia de Polar é a história ilustrada de sua vida, nestes últimos 15 anos. Folheando-o vemos o em centenas de fotografias e dentre estas uma grande parte o situa em campos se sports. Reclamista profissional, no esporte ele era o mais puro dos amadores. Torcia como o mais ardoso dos fãs e habituado que estava a faz proselvios, em seu derredor todos torciam com ele para o Club de suas simpatias. Nos rings acontecia o taesmo. Mas ali ele não tinha predileções firmadas. Animava de preferência, o que não contava com o favoritismo e assim equilibrava a força da torcida, estimulando os players. Aqui o vemos em duas atividades diversas. Numa foto, entre boxeurs e lutadores Rubens Soares, Jack Russel, Dudu, tambémjá desaparecido. Godfrey Brasilino Fino e Antônio Rodrigues , em baixo, ele esta num campo de atletismo, anunciando o ínicio de mais uma prova, megafone a boca.Não raro, em meio a função esportiva, o propagandista inato que ele era surgia instintivamente e ele, espointaneo. Proclamava taes ou quais virtudes desse ou daquele produto ou então, auxiliava tal campanha do Club X que visava aumentar o seu número de sócios. E foi em vésperas de embarcar para a Europa onde foi para acompanhar uma de suas filhas, eleita “Embaixatriz da Torcida” que ele sem nenhuma tendência a ironia comentou em uma roda: “A Prefeitura bem podia me encarregar de fazer propaganda da Cidade em Paris. Eu tenho casacas tão bem trabalhadas como as dos Diplomatas, tenho uma bandeira Brasileira que desfraudaria nos Estádios em que se disputariam as partidas do Campeonato do Mundo e tenho uma coisa que eles não tem, o hábito de fazer reclame aliado a uma voz cujo timbre paira acima do tumultuar das multidões.”E Polar tentou, mesmo, levar avante o seu projeto. Como era ingênuo esse reclamista que lidava, cada dia, com cem homens de negócios.E claro que a sua proposta não foi aceita. Mas Affonso Silva, nem por isso deixou de fazer em Paris, em Marselha, em Strasburg, a propaganda que imaginava.Só não usou foi a casaca. Esta só entraria em uso se a proposta tivesse sido aceita pela Prefeitura.Polar era assim, Quando fazia reclames a caracter, estava trabalhando. Quando trajava como qualquer mortal, estava também fazendo propaganda, porque ele era inata em suas pessoa, mas nesse caso, era espontânea e graciosa o reclame.Não duvidaremos que no outro mundo, ele continue a dizer bem disto ou daquilo. Foi uma virtude que lhe deu a profissão, esta de falar sempre a favor.E por isso que ele nunca falou mal de qualquer que fosse. Não tinha hábito” [9].
            Polar foi um símbolo do torcedor que vai para as arquibancadas levar alegria e busca levantar a torcida a todo momento. Os torcedores rivais reconheciam este seu valor e sempre o procuravam para falar sobre os jogos e seus ídolos. O espírito deste tipo de torcedor era visto em toda a cidade e contrastava com os fanáticos que não permitiam a disputa sadia entre as torcidas, a gozação livre e a esportividade na derrota ou na vitória. Foi pensando assim que um grupo de vascaínos e flemenguistas se uniram em 1940 para fazer algo foi uma marca da torcida carioca durante muitos anos: “FLAMENGO X VASCO, CONFRATERNIZAÇÃO DAS TORCIDAS. Elementos das torcidas vascaína e rubro negra, fazendo uma demostração de elevado espírito esportivo, organizam um caravana com adeptos de ambos os Clubes para seguirem irmanados com destino ao Estádio da Gávea. As 13 horas de domingo sairão de Catumbi três ônibus especiais com os torcedores rubro negros e cruzmaltinos. A comissão organizadora compõe-se dos senhores Orlando Araujo, Antônio Costa, José Dias, Manoel Figueiredo, Oscarino Sampaio e Orlando Almeida[10].
Fonte: Livro “100 anos da Torcida Vascaína”, escrito pelo historiador Jorge Medeiros



[1] Fonte: Jornal dos Sports 26 de Maio de 1940.
[2] Fonte: Jornal A Noite 08 de Maio de 1940
[3] Fonte: Jornal O Radical 30 de Junho de 1940.
[4] Fonte: Jornal dos Sports 27 de Junho de 1940.
[5] Fonte: Jornal dos Sports 29 de Junho de 1940.
[6] Fonte: Jornal dos Sports 02 de Julho de 1940.
[7] Fonte: Jornal A Noite 05 de Agosto de 1940
[8] Fonte: Jornal O Globo Esportivo 09 de Agosto de 1940.
[9] Fonte: Jornal Globo Esportivo 09 e 14 de Agosto de 1940.
[10] Fonte: Jornal O Globo 13 de Setembro de 1940.

Vasco Polar Jornal O Globo Esportivo 1940

Vasco Jornal dos Sports 1940


Nenhum comentário:

Postar um comentário